Blurred lines.
24 Omake: let's talk about love.
Notas iniciais
Suigetsu.
Levei Punk até uma sala vazia, daquelas onde todos os móveis estavam cobertos por lençóis ou plásticos para não serem desgastados. A mansão era cheia de quartos, pequenos e grandes, alguns vazios por não terem uso. Antigamente todos os integrantes da Ambu Nation moravam juntos, mas logo foi notado que não daria certo quando o ódio predominava.
Sasuke estava bonito como sempre, apesar de ter o rosto abatido pelas revelações recentes.
Foi necessário muita investigação, muito suborno, muita morte, muito dinheiro, para que eu conseguisse aqueles documentos e fotos sobre a morte dos pais de Sasuke e Itachi. Itachi já estudava a probabilidade de uma emboscada há muito tempo, mas Sasuke nunca queria ouvir. A morte de seus pais lhe deu algo que ele gostava, e eu também. Apesar de todos os traumas, todas as infelicidades, ele continuou grandioso.
Posso dizer isso porque conheço Sasuke há onze anos.
O dia não estava indo ao meu favor. Estava atrasado para entrar na sala de aula, graças a um bando de babacas que me prenderam no armário.
O time de basquete e seus grandes babacas. Eu era namorado do capitão, era, no passado, pois no baile de primavera, no mês retrasado, eu o peguei transando com uma garota numa sala de aula. Na verdade, era uma armação para que eu visse. Afinal, é divertido brincar com a bichinha da escola, não é?
Sim, bichinha. O único homossexual assumido daquela escola estava aqui, agora, limpando a poeira das roupas.
Foi quando o vi entrar.
Jaqueta de couro, cigarro pendurado na boca e uma mochila pendurada nas costas. A calça jeans escura, os coturnos pesados e os longos cabelos passando pelos ombros, chegando perto do meio das costas.
Definitivamente o garoto mais bonito que eu já havia visto.
Ele andou até mim com confiança, mas eu infelizmente não podia ver seus olhos devido a um óculos escuro. O garoto parou, descansou o peso do corpo em apenas uma perna e olhou para mim, de cima a baixo.
Eu estava com minha blusa do colégio e um casaco preto por cima, minhas calças jeans um pouco largas e meus tênis all star. No mínimo eu me sentia maltrapilho e sem estilo perto dele.
– Seu nome? — Pediu a voz grossa.
– Meu nome é Suigetsu. — Respondi, abaixando a cabeça. Deus, por que ele tem tanta confiança?
– Eu sou o Sasuke, Suigetsu. — Apresentou-se, e pegou em minha mão. — Não pense que eu não vi o que aconteceu com você, estou observando tem um tempo.
– E-eu... — Mordi o lábio. — Olha, eles fazem muito isso, é normal, ok? Não é como se eles me machucassem de verdade e...
Sasuke me interrompeu quando puxou-me pela cintura e abraçou-me. Minha cabeça foi de encontro com seu peito e pela primeira vez eu senti aquele cheiro que seria meu favorito pela vida inteira.
– Eu não conheço ninguém aqui, Suigetsu, e você me parece ser legal, mas não devia deixar os outros pisarem em você. Seja forte e fique comigo. Seremos amigos, certo?
– Certo. — Respondi.
Me apaixonei por Sasuke quase que instantaneamente. Ao seu lado aprendi alguns de seus custumes, algumas atitudes, que me salvaram completamente durante o colegial.
Apesar de ter aprendido e pendido para o lado errado, eu não precisava mais de proteção. Podia me cuidar sozinho.
Com minha língua afiada e palavras escolhidas a dedo seduzi mais homens do que poderia contar nas mãos e nos pés. Transei com todos, nem sempre um de cada vez, e me senti tão poderoso que senti que nada mais me pararia, se não fosse Sasuke. Se não fosse cada vez que eu chegasse perto dele como Punk, ou como Sasuke, minhas pernas tremessem. Ele me fazia fraquejar de um jeito inexplicável e eu ficava duro só de olhá-lo.
Quando completei vinte anos, Sasuke e eu moramos juntos por um tempo. Ele precisava de uma folga da vida e eu precisava de uma folga de mim mesmo, e só Sasuke podia me distrair a esse ponto. A questão é que quando ele andava de toalha pela casa, ou quando eu o via trocar de roupa, minha sanidade se esvaia aos poucos e eu não podia evitar toques casuais ao passar por ele em espaços apertados. Todas as coisas que me destruíam estavam naquele apertamento. O cheiro, a presença, a aparência, o ser como um todo.
Sasuke era minha droga, meu vício, minha perdição e ao mesmo tempo era minha cura, minha redenção. Era tudo que eu precisava e mais um pouco, e era esse mais um pouco que mexia com meus neurônios.
Foi num dia de chuva e a luz faltou, quando Sasuke saia do banho, eu decidi que não poderia mais aguentar.
Ele passou pela sala a fim de me achar e eu o joguei no sofá. Ali, naquele momento, Punk habitava o corpo que eu tanto amava. Passou em casa apenas para um banho e iria voltar para a Ambu Nation, onde eu trabalhava como seu secretário, meu primeiro e único emprego. Foi quando ele chegou no cômodo, bem naquele instante eu decidi que não poderia mais aguentar nem que fosse um minuto sem tocá-lo como eu gostaria.
Derrubei Sasuke no sofá, e beijei sua boca como se fosse a última coisa que eu faria na vida, e provavelmente seria. Para minha surpresa, Sasuke me correspondeu com tanta avidez quanto a que eu lhe beijava. Sentei-me em seu colo e tive as ancas da bunda apertadas por Sasuke, que sussurrou ao meu ouvido:
– Achei que nunca faria isso.
– Me diga o que quer, Suigetsu. — Punk pediu, sem muita paciência. — Estou cansado dos seus joguinhos.
– Eu jogo porque sou bom no jogo, e se alguém me ensinou a jogar, foi você, Sasu. — Olhei em seus olhos. Estavam tempestuosos, tais quais sempre foram. — Você botou Naruto aqui dentro mesmo depois dele ter provado ser um idiota imprudente. Ele aprendeu a lutar há pouquíssimo tempo, nem sabe como atirar e você o enfiou na Ambu Nation, e ele ainda está na Akatsuki, querendo desafiar a mim!
– As guerras de Naruto são dele. — Punk cuspiu no chão. — Se ele não gosta de você, lide com isso; se você não gosta dele, lide com isso também. Eu não tenho nada a ver com isso.
– Você não tem nada a ver com isso? — Ergui a sobrancelha em desafio. — De todas as pessoas no mundo, você é quem mais tem a ver com isso. Naruto acha que pode te roubar de mim, e você cai na dele, mais uma vez, até disse que o ama! Será que não está bem na sua cara e só você não consegue ver? Você o traiu, e se o traiu é porque não o ama. Você fez sexo com outra pessoa, Sasuke. E ele viu. Ele te deixou, não te procurou e ficou com Sasuke, beijou Sasuke, e bem, talvez tenha até transado com Sasuke. E você? Vai ser o bobo dessa história? Só vai se machucar.
Sasuke olhou-me incrédulo.
Por que ele me olhava assim? Eu não estava dizendo nada além da verdade. Sasuke sabe que eu aceitei todas as vezes que fui expulso de sua cama por ele achar que queria outra pessoa, mas no final eu sempre voltava a dividir os lençóis com ele.
– É, eu vou me machucar. — Disse. — Eu aceitaria ser perfurado por mil agulhas, se fosse para proteger Naruto. Levaria um tiro por ele, seria cortado por uma espada, seria torturado, morto, decapitado, eu seria qualquer coisa, só pela vontade dele. Se Naruto me dissesse para pular de um penhasco, eu pularia; se me dissesse para arrancar um braço, assim eu faria; se me dissesse para nunca mais ir atrás dele, eu faria. Eu faria tudo só para ver Naruto sorrir. Naruto importa mais que qualquer coisa em minha vida e eu o amo. Amo tanto que dói. Ele é tudo que sonhei e mais um pouco, é o homem da minha vida, e eu não poderia ficar mais feliz tendo ele ao meu lado.
– Você está louco. — Acusei. — Quer alguém que também gosta de sua outra personalidade.
– Pelo que me lembro, você também gosta de Sasuke.
– Gosto. Eu amo os dois e por isso dormi com os dois todas as vezes que quiseram. Mesmo que eu estivesse exausto, dedicava todos os minutos, todos os meus dias para vocês dois. Eu amo demais, e esse é meu erro. — Dei um passo em direção a Sasuke. — Mas você não tem como duvidar dos meus sentimentos, como pode duvidar dos de Naruto. Você e eu somos um só Sasuke, estamos nessa há onze anos, você não pode me jogar para escanteio assim.
Punk segurou meu rosto e trouxe para perto dele, me sacudindo.
– Você não vê, não é? Suigetsu, você foi o que qualquer pessoa que odeia sentimentos quer: um amigo que goste de transar. — Eu via em seus olhos que ele não me amava, mas meu coração precisava desse amor que não existia. — Você foi, sim, meu parceiro, mas nunca foi meu amante! Não tinha amor! Não tinha paixão! Tinha eu, você e uma cama, tinha horas de sexo, mas não tinha amor. Eu nunca te amei. Eu amo Naruto, para sempre Naruto, e quero somente a Naruto. — Jogou-me no sofá mais próximo. Minhas costas bateram contra o estofado do móvel, mas eu não tive tempo de levantar, pois Punk já estava saindo. — Se você interferir, eu vou ter que te tirar daqui.
– Me tirar como, hein?! — Gritei. — Alguém que sabe todos os segredos desse lugar ir para a rua? É perigoso, chefinho.
– Acho que você não entendeu, Suigetsu. — Sasuke virou-se para trás, já na soleira da porta. — Eu teria que te apagar.
Fui deixado sozinho, deitado em um sofá empoeirado, pelo homem que eu amava. Na verdade, chegava a ser mais que amor, era quase devoção. Eu dediquei onze anos da minha vida em função de Sasuke, para um loiro metido a besta chegar e em meses roubá-lo de mim. Ambos os Sasukes.
Eu não devia ter amado tanto.
Desde a primeira vez que vi Naruto, quando o mesmo queria correr o raxa no lugar de Sasuke, soube que ele era encrenca. Punk nunca levava ninguém para correr que não fosse da gangue. Mesmo depois de fazer algumas missões, levava tempo para um integrante correr um raxa, afinal, a rixa ali era mais do que pessoal. A coisa era feia, eram duas organizações que se odiaram desde que o mundo era mundo e nada mudaria isso. E lá estava ele, bobinho, correndo. Foi para o bem de sua própria pele que ele ganhou, pois eu jamais o perdoaria se estragasse tudo mais do que já fez.
Que eu odiava Naruto era fato, mas por hora era melhor tirar meu time de campo. Em algum momento ele decepcionaria Sasuke, e eu seria seu ombro amigo, como sempre fui.
(…)
Sakura.
– Itachi! — Gritei no telefone. — Venha já para casa!
– Sakura, eu estou trabalhando, não posso largar tudo só porque você quer. — Meu marido respondeu, imapaciente como sempre. — Diga logo o que quer e desligue, tenho muito o que fazer.
– A inseminação deu certo. — Contei. Sabia que ele não viria para casa se eu não contasse. — Estou grávida, Itachi. Você terá o seu herdeiro.
Do outro lado da linha houve silêncio por um tempo, até que Itachi voltou a respirar contra o bucal do telefone, dessa vez mais forte.
– Está falando sério?
– Sim! Deu certíssimo. Eu esperei algum tempo para te falar isso, afinal, nem ao menos te contei que fui ao médico fazer a inseminação após você ter deixado seu material lá como eu pedi. Estou com três meses. — A felicidade que habitava em mim era gigantesca. Nada como um bebê para melhorar a vida!
– Sua irresponsável! E você continuou fazendo de tudo mesmo suspeitando que estava grávida! — É claro que ele nunca ficaria plenamente feliz, esse Itachi. — Estou indo para casa, vá se deitar e descansar.
Eu sabia que ele faria isso, tentaria proteger esse bebê a qualquer custo. Se fosse por ele, sem dúvidas eu viraria uma inválida, vivendo apenas dormindo e comendo, nem as aulas de exercício para gestantes eu faria.
Deitei-me e me dei ao luxo de lembrar de como havia sido pedida em casamento.
Era puro negócio. Itachi precisava assumir todos os negócios da família Uchiha e tinha que ter alguém ao seu lado, uma figura feminina que pudesse aparecer em jornais, revistas, dar entrevistas e contar ao mundo como a família Uchiha era perfeita. Precisava de alguém que passasse pelas crises ao seu lado, que ajudasse a coordenar mais de quinhentos parentes, e que ainda assim, no final do dia não aparentasse estar cansada. Esse alguém era eu.
– Sakura Haruno, eu, Itachi Uchiha, te peço em casamento aqui, na frente de seu pai e de quem mais queira ver. — Itachi dizia, enquanto se ajoelhava e tirava uma caixa com duas alianças do bolso. — Seja minha.
Os flashs pipocavam. Estávamos em uma das passarelas em que eu desfilava, afinal, modelar era meu primeiro emprego, fazia isso desde os 16 e não pretendia parar nem tão cedo.
Itachi havia escolhido o fim de um desfile, onde eu era a última modelo a entrar na passarela com o vestido que fechava a coleção de outono de uma grife famosa. Ele entrou na passarela ao lado de meu pai, e é claro que tudo for a planejado e eu estava ciente disso. Como a boa atriz que sou – afinal, ser modelo também é atuar – fingi estar surpresa e joguei-me nos braços de meu noivo, beijando-lhe com paixão.
Eu não amava Itachi, mas ele era o melhor que eu arranjaria, e era o que eu planejava. Se era um casamento só de aparências, eu não precisaria engravidar, logo meu corpo não mudaria e eu continuaria a fazer sucesso no mundo na moda. Fora que Itachi era rico, podre de rico, e eu também, logo, duas fortunas virando uma não seria nada mal.
– Eu aceito, claro que aceito! — Gritei, para que todas as câmeras captassem, antes de beijar Itachi de novo, que correspondia com fervor. Infelizmente era só isso, línguas se encontrando e bocas beijando, nenhum coração acelerado, nenhuma respiração descompassada, nem pernas bambas, muito menos borboletas na barriga. Nada.
Casei-me com Itachi no inverno. Usei um vestido de mangas de renda desenhado sob medida para mim, um Vera Wang, lindo, de um branco absoluto, com a saia evasê.
Ao contrário do que muito esperavam de uma cerimônia invernal, casamos ao ar livre, em uma clareira alugada e cuidada. A família de Itachi em peso, a minha família, amigos próximos e é claro, a imprensa, estavam ali como nossos convidados.
Tive o casamento dos sonhos de qualquer garota. A decoração era linda, o vestido, o noivo, tudo. Dançamos valsa, devidamente gravada e arquivada depois, assim como tiramos fotos juntos partindo o bolo, tomando taças de champanhe, tudo que tinha direito. A festa durou até o amanhecer, mas nada foi mais especial que a troca de votos.
– Eu, Itachi Uchiha, recebo você, Sakura Haruno, como minha esposa e companheira, e prometo te respeitar, cuidar de você e ser seu melhor amigo, agora e sempre, até o resto de nossas vidas.
– Eu, Sakura Haruno, recebo você, Itachi Uchiha, como meu marido e companheiro, e prometo te respeitar, cuidar de você e ser sua melhor amiga. Prometo governar ao seu lado com braço de ferro, exaltar nossa família ao mundo e mostrar o poder absoluto que temos. Eu, Sakura Haruno Uchiha, sou você, Itachi Uchiha, agora e sempre, até o resto de nossas vidas.
Itachi e eu éramos um ótimo casal. Daqueles de comercial de margarina. Sempre bonitos, nunca aparentando estar cansados, sem nenhum escândalo midiático, nem uma ameaça de separação... Parando para pensar, eu amava Itachi sim. Amava como ele havia prometido que seria, e eu também, como um melhor amigo.
Itachi contava tudo para mim, e eu contava tudo para ele, era assim que mantínhamos nossa relação estável e saudável. Eu não era uma pessoa de sentimentos, muito menos Itachi, então não havia traições. Sim, eu estava sem sexo desde que nos casamos e não, eu não me importava, tampouco Itachi. O nosso amor era assim, e assim seguiria.
– Sakura? Cheguei em casa. — A voz de meu marido soou pela casa.
– Estou no quarto, como o ordenado, majestade! — Respondi, divertida.
Logo ele chegou ao quarto e sentou-se ao meu lado na cama.
– Então a inseminação deu mesmo certo, não é? Você está grávida! — Itachi sorria minimamente, contente com o herdeiro.
– Sim, agora é só esperar, faltam só seis meses para vermos o rosto do mais novo Uchiha. — Levei a mão de Itachi até minha barriga, que por pouco tempo continuaria lisinha. — Espero que seja um menino.
– Eu também. — Itachi acariciou meu ventre.
Pain.
Eu estava com Konan em seu quarto no QG da Ambu Nation. Deixei um empregado qualquer na portaria, tomando conta do movimento, e vim para o quarto da minha florzinha, afinal, eu precisava de um tempo a sós com a minha garota, não é mesmo?
– Você parece distraída. — Comentei com minha namorada, acariciando seu rosto com as costas de minha mão. — Não está no clima hoje?
– Não é isso, eu até estou no clima, — Riu, rolando os olhos. — Mas sabe, há coisas mais importantes que sexo nessa vida.
Beijei seu pescoço, deixando meu corpo descansar sobre o dela, mas sem soltar meu peso. Aspirei o cheiro gostoso que a pele de Konan tinha e sorri ao vê-la ficar arrepiada.
– Ah é? Tipo o que? — Continuei beijando seu pescoço, agora já sem a intenção de provocá-la, só queria demonstrar meu carinho. Uma de minhas maiores diversões era irritar Konan, claro.
– Tipo nossa missão, Pain. — Fiz cara feia para Konan, ela sabia que eu já estava de saco cheio desse assunto. — Eu sei que estou chata com isso, mas realmente estou preocupada com o que pode acontecer com todos nós. Você não entende, não é mesmo? Pessoas que eu amo irão numa emboscada quase suicida, e eu estarei no meio... E se eu acabar vendo algum de vocês morrendo?
– Achei que não tivesse mais escrúpulos em relação a mortes, amor. — Caí ao seu lado na cama, a abraçando em conchinha e enterrando meu rosto em seus cabelos macios.
– E eu não tenho. Matar é comum para mim, mas eu realmente não quero ver quem eu amo morrendo. — Ela acariciou minha mão que estava pousada em sua cintura. Ah, essa mulher me tem na palma da mão. — Aposto que você também não gostaria de me ver morrendo, ou Naruto, ou seu tão idolatrado chefe Itachi... Nem o Sasuke.
Virei de barriga para cima, sem deixar de abraçá-la. É, eu sabia que ela estava certa, que eu não gostaria de ver ninguém que eu amo morrendo, especialmente se fosse Konan. Perder Konan seria como perder uma parte de mim, e era por esse motivo que eu iria fazer isso.
– Me prometa uma coisa? — Minha namorada assentiu. — Se voltarmos dessa missão vivos, você, Itachi, Sasuke, Naruto e eu, nós vamos nos casar e eles serão os padrinhos. Eu estou pouco me fodendo se é cedo demais e tampouco se você não está preparada para algo sério demais. Sei que eu não estou preparado para algo e essa coisa é te perder. Você pode desaparecer a qualquer minuto bem na minha frente, ou em qualquer lugar, e eu quero ter certeza que se isso acontecer, se eu sumir ou se você sumir, nós vamos estar casados e felizes.
Recebi um soco forte no braço, em seguida mais três. Minha mulher estava me espancando!
Konan rolou na cama, sentando-se em cima de meu colo com uma perna de cada lado de meu corpo, e continuava a me dar socos nos ombros, agora com menos intensidade.
– Você – Soco. — É – Outro soco. — Um – mais um soco. — Babaca! — E de novo um soco. — Você acha que pode me pedir em casamento em uma cama no QG a gangue e quer que eu aceite assim, sem mais nem menos?
– E- eu... — Fiz merda, né? Realmente, achar que poderia pedir uma garota como a Konan em casamento desse jeito foi burrada.
– Eu aceito! — Beijou-me os lábios antes que eu pudesse reagir e pedir-lhe desculpas. — Foi bem original.
– Mesmo? — Perguntei, ainda incrédulo.
– Mesmo! — Confirmou-me, sorrindo. — Agora, por que não comemoramos esse noivado, hein, garotão?
(...)
Kushina.
Sentada no sofá de minha sala, com o álbum de casamento meu e de Minato no colo, lembrava do passado com um sorriso triste.
Se eu tivesse tomado as decisões que todos esperavam de mim, talvez eu fosse uma pessoa diferente, não é? Talvez a vida fosse diferente. Se eu não tivesse me apaixonado por Minato, arriscado nossas vidas... Talvez meu bem mais precioso não estivesse vagando pela Terra à essa hora.
Naruto, meu pequeno bebezinho que tanto parecia com o pai... Os olhos azuis vibrantes, o cabelo loiro... Não tinha sequer um traço físico meu, mas era tão amado por mim que doía em meus ossos. No final de contas, meu bebê acabou se tornando um adulto sem que eu nem ao menos visse, agora morava sozinho, tinha um namorado... E havia descoberto toda a verdade sobre o passado de suas duas linhagens... Esse passado que parece tão distante, mas que sei que jamais deixará de nos perseguir.
Lembro-me claramente do dia em que conheci Minato, o dia que mudaria minha vida para sempre...
Meus longos cabelos ruivos estavam cacheados, devido a horas com acessórios no cabelo para me preparar para o baile, meu vestido de baile dourado me deixava feliz por ser tão bonito, mesmo que eu não pudesse respirar direito dentro dele.
Apesar de já estarmos no século vinte, os bailes que aconteciam eram sempre a traje clássico e antigo. Muitos homens de terno com fraque e tudo que há direito, mulheres em vestidos de baile lindos, pareciam princesas, mas não podia me deixar enganar pela beleza do lugar... Sabia que aqui era como um campo minado prestes a explodir. Algumas das organizações secretas mais poderosas do mundo estavam aqui.
Desisti de me olhar no espelho do salão, que mostrava meu rosto tampado por uma máscara delicada, que cobria até meu nariz. Dei meia volta, mas acabei por esbarrar em alguém.
O moço com que esbarrei estava de terno preto, com uma camisa social branca por dentro e sem gravata. A pele pouco mais bronzeada que a minha reluzia com toda aquela iluminação do salão. A máscara preta, que cobria menos que a minha, não escondia os lindos olhos azuis daquele homem, que com os cabelos loiros me parecia tão diferente de todos ali.
– Peço perdão, senhorita...?
– Kushina. Kushina Uzumaki. — Me apresentei no jeito ocidental, lhe fazendo uma reverencia que foi retribuída depois. — E você, posso saber seu nome?
– Sou Minato Namikaze. — Não pude evitar arquejar em surpresa. O herdeiro da família Namikaze estava aqui, em minha frente, e ele não me parecia o "jovem imprudente e arruaceiro!" que meu pai descreveu-me. Na verdade, era bem bonito. — Que honra recebi de ter a princesinha da Ambu Nation aqui, comigo. — Galante como só ele, eu aprenderia anos depois, Minato sorriu, esticando a mão, esperando que eu a aceitasse. — Gostaria de dar uma volta?
Algo pareceu mudar ali. Era como se o eixo de meu mundo mudasse de lugar, e todos os meus sentimentos bons fossem para aquele moço, parado em minha frente. Em menos de cinco minutos de conversa eu já sabia... Se meu coração tivesse que escolher alguém para que eu pudesse passar o resto da vida junto, seria Minato.
Aceitei sua mão e passeamos, conversamos, nos beijamos... Aparentemente, ele também sentia o mesmo.
Pela primeira vez na vida me deixei levar pelos galanteios de um homem, e pela primeira vez na vida eu senti os desejos de ser uma mulher. Com quinze anos, entreguei o meu maior tesouro nas mãos de Minato, e ele cuidou com todo seu amor.
Infelizmente nosso amor não foi bem visto por nossas famílias e pelas organizações... Fomos separados, e eu fora prometida a um homem que estava de olho em mim desde o dia em que nasci, um velho ridículo. Surpresa a minha ao saber que eu carregava uma parte de Minato dentro de mim... Eu não podia desistir do amor da minha vida.
Tramamos, nos encontramos em um outro baile de máscaras, e meu vestido apertava minha barriga até não poder mais. Minato me prometeu que aquela tortura acabaria aquela noite. Pedi licença aos meus pais, dizendo que estava passando mal, e fui escoltada até minha casa. Naquela madrugada fugimos para nunca mais voltar. E hoje, vinte e cinco anos depois, eu posso garantir, sim, que existe amor a primeira vista, e que o meu irá durar para sempre.
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