Blurred lines.
20 Meio termo.
Notas iniciais
Naruto.
Era segunda-feira, e eu ainda estava completamente transtornado.
Punk havia chorado na minha frente. Na minha frente! Tem noção do quanto isso é impossível de ter acontecido? Mas aconteceu, de fato aconteceu.
Eu simplesmente não conseguia acreditar que alguém tão frio e cruel poderia chorar, e ainda mais, por minha falta. Quando o vi chorar, minha vontade era pular contra ele, como tantas vezes fiz, e beijá-lo com todo meu desejo. Mas não podia. Era errado. Eu não faria com Sasuke o que Punk fez comigo. Mas eu confesso que algo coçava por dentro, no sangue, que parecia correr tão rápido em minhas veias.
Meu peito queimou com um fogo monumental, uma satisfação muda ao perceber que ele sentia algo por mim, sim, que apesar de ter me traído, eu ainda era aquele que povoava seus pensamentos.
– Você não está prestando atenção em mim. — Sasuke comentou, ao telefone. — O que está fazendo?
– Estou descansando. — Respondi, rolando na cama de um lado para o outro. — Acabei de chegar da Akatsuki Music 3, de calça jeans, deitado. E você?
– Só de calça jeans, é? — Logo o tom de voz de Sasuke estava levemente malicioso. — Você, sozinho, só de jeans, é realmente um desperdício. O que eu não daria para poder estar aí...
Involuntariamente acabei por suspirar, sentindo um arrepio passar por meu corpo, eriçando meus pelos e consequentemente endurecendo meus mamilos. Oh.
– E eu adoraria que você estivesse aqui. — Entrei na brincadeira. — Você não sabe o quanto te acho sexy de terno.
– Então você nem desconfia o quão sexy fica quando tira meu terno, Naruto. — Mordi o lábio para não gemer. A voz de Sasuke estava ficando rouca, sinal que ele estava excitado... Estaria ele pensando em algo que já fizemos? — Mas nada se compara a quando você fica corado enquanto eu te olho nu, todo para mim... Ah, Naruto... — Sasuke ronronou. — Estou duro só de pensar em você.
E mais uma vez Suigetsu veio a minha cabeça. Então era isso que ele quis dizer quando falou que Sasuke gosta de palavreado baixo? Por mais que eu tivesse asco da ideia de Suigetsu tocando Sasuke – ou Punk -, escutar meu namorado gemendo meu nome não era algo fácil de ignorar.
Meu péssimo costume de deixar a janela aberta, com o vento frio entrando para o quarto, contribuía ainda mais em manter meus mamilos ainda duros. Logo meu baixo ventre começou a formigar.
– Queria tanto você aqui... Fazer isso sozinho não tem graça. — Resmungou de novo.
– Isso o que, Sasuke? — Perguntei, enquanto passava minha mão livre preguiçosamente por minha barriga.
– O que você acha que estou fazendo? — Gemeu logo depois. Pude escutar barulho de tecido, e logo supus que... Não. Sasuke não poderia estar se masturbando no trabalho, poderia?
– Você está... ?
– Oh, pode apostar que estou. — Riu. — E você, está esperando o que para começar também? Vamos amor, me imagine aí, entre as suas pernas, lambendo e mordendo sua barriga, enquanto brinco com o botão de sua calça jeans.
Um espasmo de prazer me fez arquear as costas. Droga, Sasuke sabia mesmo o jeito certo de falar putaria.
Botei o celular no auto falante e deixei do meu lado, fazendo exatamente como ele havia dito. Fechei os olhos, imaginando ele ali. Uma mão minha passava por minha barriga e a outra brincava com o botão da calça.
– Hm... — Gemi. — O que mais?
– Bom garoto. — Elogiou-me. — Agora brinque com seus mamilos, apenas na ponta do bico, com os dedos e a palma da mão. — Fiz como mandou. — E gema alto o suficiente para que eu possa escutar.
Era inebriante a situação que eu estava. Quem diria que eu faria sexo por telefone algum dia. Meus dedos apertavam meus mamilos, beliscando, para depois acariciá-los, bem na ponta, com a palma da mão. Minha calça parecia muito mais apertada agora.
– Ah, Sasuke! — Gemi, necessitado.
– Isso... Ahn... — Meu namorado também gemia de onde quer que estivesse. — Ah, Naruto, na minha imaginação você está me chupando tão gostoso agora, sabia? Essa sua boca, hmn. — Essa frase só serviu para aumentar mais o meu tesão. A calça agora era insuportável de ser usada.
– Estou tirando a calça, não aguento mais usá-la. — Adiantei. — Ah, que alívio! — Exclamei, após ter descido a peça até os calcanhares.
– Veja só se não temos um menino apressado aqui, não é mesmo? — O tom de voz de Sasuke mexia com meu raciocínio. — Agora que já tirou a calça, vai tirar a cueca também. Depois quero que você fique de quadro, com o rosto apoiado no colchão.
Apertei meu membro por cima do tecido algumas vezes, sentindo-o molhar o pano fino de qual minha cueca era feita. Retirei a peça de roupa que parecia inútil agora, e virei-me de quatro.
– Já está de quatro, Naruto?
– Sim. — Confirmei. — Estou de quatro para você, Sasuke. E agora, hein? Me diz.
– Agora, meu amor, você vai abrir bem essas pernas e mostrar-se para mim. — Choraminguei antes de abrir mais as pernas e rebolar um pouco. — Se mostre para mim como uma vadia faria, Naruto. Depois pode se masturbar a vontade, mas quando eu mandar, quero que faça uma coisa para mim...
Eu quase podia sentir as mãos de Sasuke passeando por meu corpo, meu pescoço sendo mordido, e seu volume pressionado contra meu traseiro. Era surreal o prazer que só minha imaginação e a voz de podiam causar, imagine se ele estivesse aqui pessoalmente. Era um fogo gostoso que subia por meu interior, um pouco menos intenso do que da última vez que fiquei íntimo com Sasuke, mas... Eu não queria pensar no porquê agora.
Mais do que de pressa, comecei a me tocar com minha mão direita, fazendo movimentos ritmados de vai e vem, proporcionando-me prazer. Se eu apertasse mais um pouco os olhos, Sasuke estava ali, apertando minha bunda, afastando as bochechas da mesma, para poder ver melhor o objeto de seu desejo. Quando eu já estava me empolgando o suficiente, rebolando enquanto me masturbava, Sasuke mandou-me parar.
– Muito bem, agora você vai chupar quantos dedos quiser, e vai enfiar atrás. — Ditou, com a respiração ofegante. — Vamos lá Naruto, eu estou quase gozando, e quero que você goze junto, só que desse jeitinho.
Abri os olhos por um momento, apenas para revirá-los e fazer o que fui incumbido. Logo um dedo meu deslizava para dentro de minha entrada.
– Ahn! Sasuke! — O timbre de minha voz deveria ser ilegal de tão submisso naquele momento. — Sasuke, mais! Preciso de mais! — Exigi, enquanto movia o dedo para dentro e para fora de meu canal.
– Pois então ponha mais um dedo nesse teu buraquinho apertado, amor... — A respiração de Sasuke era mais audível que sua voz, denunciando o quanto ele também estava gostando. — Isso, Naruto... Estou imaginando você de quatro para mim agora, enquanto eu me afundo dentro de você com todas as forças que tenho.
Gemi longamente, antes de enfiar mais um dedo em meu interior. Meus movimentos eram acelerados, extremamente necessitados.
– Eu queria tanto que você estivesse aqui, tanto, tanto... Queria tanto que no lugar de meus dedos fosse outra coisa deslizando para dentro de mim! — Meu tom era sofrido de tamanho prazer que eu estava sentindo. Minha mão livre seguiu para meu falo negligenciado, reiniciando a masturbação que eu tinha encerrado.
Por um longo momento esqueci-me de que estava no telefone, e Sasuke acabou por gozar antes de mim, aos sons de meus gemidos. Meu ânus se contraía, apertando meus dedos, indicando que eu estava próximo do ápice.
Minha mente se distraiu, e o corpo que eu imaginava atrás de mim continuava o mesmo, arrematando com força, porém, algo em minha fantasia cismava em roçar em minha bunda, algum tipo de pano insistente. Olhei para trás, tendo a visão que eu menos esperava no momento. Antes, era Sasuke que arrematava para dentro de mim, mas agora... Agora Punk metia com todo seu vigor. Essa visão, ou melhor, essa imagem fabricada por minha imaginação, foi o suficiente para que eu tivesse um dos orgasmos mais bem aproveitados de minha vida, sujando minha barriga e o lençol de minha cama.
– Aww, Sasuke... — Sussurrei.
– Ah, Naruto... — Sasuke murmurou. — Tenho que desligar, Itachi quer me ver no chat por vídeo e eu não posso deixá-lo me ver nesse estado.
– Então tudo bem, até mais. — Despedi-me, ainda com a respiração acelerada.
– Até mais.
(…)
– Naruto, você vai mesmo levar isso adiante? — Konan e eu almoçávamos juntos em minha casa. Comíamos comida japonesa que ela trouxera para nós. — Você sabe que terá de terminar com Sasuke, mais cedo ou mais tarde, e quanto mais você demorar, pior.
Eu tinha acabado de contar meu plano para não precisar terminar com Sasuke. Eu contaria a verdade para ele, e diria para tomar cuidado, se necessário o protegeria. Ninguém da gangue de Hinata encostaria nele.
– Por que tenho que terminar com ele?! Você tem o Pain, ambos vão nessa missão e não terminaram! — Justifiquei minha escolha de ainda não terminar com Sasuke.
– Pain e eu sabemos os riscos que corremos, estamos nessa vida há muito tempo, já vimos pessoas queridas morrerem, assim como já tivemos que matar quem considerávamos aliados. Você conseguiria matar Sasuke se necessário?- Indagou, e eu não tive coragem de responder. — E se você contasse a verdade para Sasuke, hein? Você acha que ele aceitaria você treinar com Punk todos os fins de semana?Ou acha mesmo que ele deixaria você ir nessa missão? Ou pior! E se ele quisesse ir, Naruto? Ele poderia fazer alguma burrada, foder com todos nós e ainda morrer! — A entonação da voz de Konan tentava me mostrar o quanto aquilo era loucura. — Você seria tão egoísta a ponto de deixá-lo acabar com a própria vida por achar que consegue te proteger melhor do que você mesmo?
– Eu... Não tinha pensado por esse lado. — Confessei, triste. Era uma verdade dita, Sasuke poderia foder com a missão, além de arriscar-se por mim, o que só tornaria tudo pior. Ter Sasuke com conhecimento daquela missão só seria pior, tirando o fato de que ele não conseguiria refrear os ciúmes de eu estar treinando com Punk, pensamento esse que me fez corar até a raiz dos cabelos.
Mais cedo, eu havia feito sexo por telefone com Sasuke, mas quando estava prestes a gozar... A única pessoa em meus pensamentos era Punk. Provavelmente por eu tê-lo visto no sábado e ter tido aquela conversa perturbadora com ele, definitivamente, só poderia ser por isso. Afinal, saudade e tesão são duas coisas super naturais, não é? Não teria como, nem na mais profunda hipótese, que meu amor por Punk ainda existisse... Não é?
– No que está pensando? E não adianta esconder isso de mim.
Verdade seja dita, Konan era mesmo minha melhor amiga, se alguém no mundo tinha que me entender, esse alguém era ela.
– Punk e eu tivemos uma conversa no dia de treinamento no campo. — Konan arregalou os olhos, mas eu limitei-me a suspirar e continuar. — E Konan, eu não consigo... Sasuke é maravilhoso, me ama como ninguém, me trata como se eu fosse uma joia, mas não dá... Punk veio primeiro, e meu coração ainda não o superou totalmente. É como querer fazer uma troca, entende? Só que Punk não dá espaço para Sasuke entrar totalmente. — Fechei os olhos com força. — Quando o vi ontem, andando na direção da matilha, eu mal pude acreditar que era ele. Que ainda era ele, entende? O mesmo modo de andar, a jaqueta, a calça, os coturnos, os trejeitos e... E eu me distraí, Itachi me derrubou, mas eu juro! Juro com todas as minhas forças! Juro que nunca senti algo tão grande quanto quando ele veio caminhando em nossa direção. E por um segundo eu quase esqueci de tudo que ele havia feito, da sensação de mágoa que carrego no peito, eu teria me jogado nos braços dele se não fosse pelo tombo.
A falta de ar me impedia de continuar falando. Tomei fôlego, deixando as primeiras lágrimas caírem. Eram lágrimas de saudade.
– E depois quando treinamos, ah, Konan! Ele me deu aquele sorriso, aquele sorriso que é só meu. — Gemi sofrido. — Eu sei qual a diferença do sorriso cínico dele para o sorriso que ele me deu. Era aquele meu sorriso que eu gostava tanto de ver, todos os dias. Era aquele sorriso que dizia “eu confio em você”. E depois passamos a tarde treinando. Conforme nossos bastões se encontravam, conforme os golpes iam evoluindo, ou quando vencíamos um ao outro, era como se aquilo que ele fez comigo tivesse desaparecido. Como se meu destino fosse escrito a lápis no papel, alguém viesse com uma borracha e apagasse aquele dia horrível. Por um único momento, esqueci completamente que havíamos terminado.
– Venha cá... — Minha melhor amiga largou o prato com a comida em cima do balcão, tomando o meu de minhas mãos e fazendo o mesmo. Logo minha cabeça estava encostada no peito de Konan, que acariciava minhas costas, em um consolo silencioso. — E como foi a conversa de vocês?
– Eu fui encher o tanque de minha moto, e aproveitei para comprar um energético, sentar e pensar sobre o treinamento do dia. Quando finalmente achei um lugar sossegado, ao lado da loja de conveniências, Punk apareceu. — Suspirei, deixando mais lágrimas descerem. — Começamos a conversar de modo natural, até, mas era como se eu soubesse o que ele falaria toda vez que abrisse a boca, entende? E não digo isso porque achava que ele iria pedir desculpas e ser clichê, eu sabia que ele não faria isso. Mas acabou por me surpreender, porque, em determinado momento, eu abri os olhos e ele... Ele estava chorando, Konan! — As mãos de minha amiga automaticamente afrouxaram o aperto. Eu sabia que ela estava tão chocada quanto eu.
– E-ele... Chorou?- Para Konan, a visão de seu chefe chorando deveria ser algo no mínimo inusitado. — Não, Naruto, desculpe-me, mas só pode estar havendo um engano e...
– Konan! Ele. Chorou. — Lhe assegurei. — Juro pela minha vida que ele chorou sem se importar de eu estar vendo. E foi a pior coisa que eu já vi. Quando vi Punk me traindo, meu coração se partiu em mil pedaços, mas quando vi Punk chorar... Era como se eu tivesse me afogando, e ninguém se importasse, então eu desisti. De tudo, sabe? Era como se nada mais importasse, nada além de Sasuke ali, chorando na minha frente, porque estava sofrendo de amor.
Konan tornou a me abraçar com força, afundando o nariz em meus cabelos, fazendo carinho.
– Eu não consigo imaginar o chefe chorando. — Konan parecia reflexiva. — Poxa, é realmente difícil dizer algo agora. Mas Naruto, e o Sasuke?
– Continuo gostando dele. — Respondi a verdade, mas não deixei de acrescentar: — Mas não é como se eu pudesse controlar de quem gosto mais. Sasuke e eu fomos amigos antes, temos até que uma história, mas Punk foi amor forte, cedo, é paixão ardente demais, e agora que o vi de novo, não consigo ignorar. — Resolvi contar para Konan o que aconteceu mais cedo. — Hoje Sasuke e eu estávamos, hm, fazendo coisas pelo telefone e... Quando eu estava quase lá, acabei pensando em Punk. Oh meu Deus, eu sou um merda!
– Ei ei ei! — Repreendeu-me. — Não fale assim de si mesmo. Como você disse, você não controla de quem gosta mais, ou por quem sente mais atração. Sei que Sasuke tem sentimentos seus, desejos seus, mas você não pode refrear se acha que seu grande amor é Punk.
– Eu não sei se acho isso. — Afastei-me do colo de Konan, voltando a sentar-me ereto e enxugando as lágrimas. — Mas estou sentindo-me sujo de estar com Sasuke nesse momento. Não porque não gosto dele, eu gosto, talvez até ame, mas é por sentir algo por Punk, exatamente por isso, que não posso continuar com ele. Agora mais que nunca, eu passarei muito tempo com Punk, e tenho medo do que pode acontecer entre nós. Não quero fazer com Sasuke o que Punk fez comigo. Recuso-me a isso.
– Está certo. Termine com Sasuke ainda essa semana, sábado iremos ao QG da Ambu Nation, você aprenderá as funções que Punk tem que cumprir ao longo do dia, e irá fazer o mesmo.
Então era isso, eu tinha no máximo cinco dias, contando com hoje, para terminar com Sasuke. Meu maior medo no momento era magoá-lo. E qualquer sábado desses terei de ir ao QG, não sendo mais a “boneca do chefe”, o que poderia me causar sérios problemas. Quando tudo parece estar ficando fácil, as coisas só pioram.
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