Blurred lines.

2 Jaqueta de couro.


Notas iniciais
Oi! Não estava me aguentando mais e então vim postar mais um capítulo. Então, acabei de ver que tenho 16 leitores, e não que eu esteja no direito de pedir algo, mas acho que 3 comentários para 16 leitores é pouco. Os comentários ajudam a escrever, dão motivação, então, por favor, comentem. Eu me conheço, e quando fico desanimada demoro dois, três meses para postar. Ajudem. Gostaria de explicar para vocês uma coisa: quando virem a palavra bar com B maiúsculo, estou me referindo ao Nove Ases, clube onde Naruto trabalha. E quando a palavra aparecer com b minúsculo, me refiro ao bar de bebidas, onde ele fica, já que é barman. Boa leitura!

Naruto.

08H da manhã de sábado, o bar abria, simplesmente para ficar jogado às traças. Os funcionários limpavam tudo, testavam os equipamentos de som, e eu olhava algumas novas bebidas para por no cardápio enquanto limpava os copos da poeira. Mas, nas mesmas ainda nessas 08h da manhã desse sábado, alguém entrou no bar, o que não era de costume. Aos sábados todos costumavam aparecer às 21h, hoje seria o sábado do mês escolhido para o baile, onde todos entravam sozinhos, mas ninguém saia sem companhia.

A pessoa que entrou no bar a essa hora, tão cedo, era alguém que eu conhecia, mas também desconhecia. Era Sasuke. Mas não O Sasuke Uchiha, herdeiro, funcionário e diretor das empresas Uchiha, mas um Sasuke totalmente... perturbado. Sua jaqueta de couro reluzente não combinava com sua calça jeans clara apertada, que talvez combinasse com os coturnos de cano médio que pesavam em seus pés. Ele usava óculos escuros, necessários para enfrentar o solzinho chato que entrava pelas janelas vitorianas do bar, que agora estavam descobertas de sua habitual cortina vinho.

– Uma vodka. — Ele pediu. Não tirou os óculos, não cumprimentou, apenas sentou-se e pediu.

– Bom dia para o senhor também. — Disse, enquanto pegava a vodka ainda com um ressentimento estranho. Que tipo de pessoa passa a noite bebendo suquinho e água, e, às oito da manhã do dia seguinte, quer vodka? Não faz sentido, não para mim. — Onde está Hinata? — Perguntei, sem querer ser muito intrometido, mas mesmo assim sendo. Achei que ele ser ignorante, mas ele respondeu!

– Hn, aquela cabritinha chata. Não acredito que ela ainda não desistiu do casamento... — Ele resmungou. Olhei para seu dedo quando ele fez menção ao casamento, e vi que a aliança não estava mais ali. Teriam eles terminado? Seria por isso que Sasuke estava tão... Punk? — Tsc. Pergunte isso em algum dia de semana e talvez ganhe sua resposta, garoto.

– Garoto?! Eu tenho quase a sua idade! — Eu e minha mania de falar demais.

– Quantos anos tem? — Por que Sasuke está interessado em minha vida? Qual é, eu sou só o barman fofoqueiro. — Eu perguntei quantos anos você tem, garoto.

– Tenho vinte e cinco. — Respondi muito a contra-gosto.

– Pois é, eu tenho trinta e três. — Meu queixo devia estar brincando de pular corda do chão agora, porque Sasuke realmente não aparentava trinta e três anos. — E vinte e sete.

Como assim trinta e três e vinte sete? Ele quis dizer a soma desses números? Ele tem 60 anos?! Ou duas idades? Sasuke exibia um sorrisinho de lado, um sorriso convencido e irritante, mas ainda assim um sorriso, coisa que eu ainda não havia visto nele. Sua sobrancelha, a mesma de ontem, estava levantada, mas agora em um ar de... Diversão? Não, ele é um homem sério. Não pode ser.

– Whisky, agora. — Ordenou. — Um belo escocês. — Ele elogiou, quando viu a garrafa que escolhi para lhe servir. — Pelo visto entende mesmo da coisa, não caiu aqui de paraquedas.

Por que ele estava puxando assunto comigo? Por que estava usando uma jaqueta de couro no calor do verão? POR QUE ELE ESTÁ SENDO LEGAL? QUAL É! Minha vontade era gritar para ele parar de me confundir, porque na hora que eu sentisse que tínhamos pego o tranco da conversa, eu falaria feito uma metralhadora, e isso o irritaria. E eu, definitivamente, não quero ver Sasuke Uchiha irritado.

– E pelo visto você está... Diferente de ontem. — Observei em voz alta. — Bem diferente.

– Hn. Aquele de ontem nem ao menos era eu. Não cem por cento. Acredite, garoto, eu não uso terno. Não gosto. Prefiro minha fiel companheira aqui – ele bateu na jaqueta. — Ela me acompanha nos meus caminhos, só eu, ela, e a Alexz.

– Alexz? — Naruto, pare de perguntar, filho de uma parideira infeliz!

– Minha moto. Ah, cara, ela é uma belezinha. — Belezinha?– Quando o motor dela ronca eu ainda fico arrepiado, mesmo depois de todos esses anos. Quer ir dar uma olhada nela? Mas não toque, sou ciumento.


Ãh...


– Vamos lá. — Sasuke levantou-se, ajeitando a jaqueta e pagando sua conta, que eu nem mesmo havia anotado. Fiz o que qual quer pessoa sensataa faria nessa situação: Joguei o pano com que limpava os copos no balcão e segui Sasuke-punk.

Meus olhos ficaram incomodados com a claridade da rua, que também era cercada de cassinos e boates de dança adulta. Usando a mão como viseira, consegui ver Sasuke dando a volta até o lado do Bar, e continuei o seguindo. Por um momento parecia que ele tinha sumido, mas quando consegui achá-lo e focalizar minha visão... Ah, eu vi. Pode apostar que vi.

Não era uma motocicleta, não era uma moto qualquer, e muito menos uma moto de play boy. Era uma moto. Sasuke não era um piloto, um motorista, ou o que quer que seja o nome... Ele era um puta motoqueiro, com uma máquina daquelas. A moto... Quer dizer, Alexz era linda. Perfeita! Era uma moto do tipo que se vê em filme. E o que mais me chamava atenção era uma frase decalcada, — é isso aí, decalcada, não era um adesivo! — do lado da moto, maculando o couro mais bonito que eu já havia visto com esses olhos que a terra há de comer. A frase era “I'm not myself when I really want to be.”¹. Sorri, maravilhado. Os olhos de Sasuke brilhavam toda vez que ele olhava a moto, e não deixavam de brilhar quando ele direcionava seu olhar para mim, buscando saber o que eu havia achado de seu bebê.

– É linda! Perfeita! Definitivamente... Uau! Nossa mãe, é uma puta moto! — Tampei a boca com as mãos, com medo da reação dele. Se a moto dele tem um nome, falar que “Alexz é uma puta” não fica muito bem... Será que eu apanho muito? Mas não.

Não.

Niet.

Non e no.

Eu não apanhei! Pra dizer a verdade, ele riu! ELE. RIU. Senhoras e senhores do júri, peço clemência, ele riu! E uma risada natural, com a cabeça jogada para trás. Como pode? Ele não ria ontem! Eu tenho certeza disso. É macumba, trabalho do lá de baixo, isso é ilusão. Porque eu jurava que ele não sabia rir.

– Sim, definitivamente... Uma puta moto. — Sasuke apoiou as mãos na cintura, olhando com orgulho para a moto. Então a montou e ligou o motor. Ele tinha razão, quando o motor roncou, um arrepio gostoso percorreu minha espinha, arrepiou todos os pelos do meu corpo e me deixou curioso para saber como seria andar na moto. — Quer dar uma volta?

Por um momento não lembrei como se formava uma frase coerente. Eu queria dar uma volta SIM! E foi isso o que balbuciei desajeitadamente. Esqueci meu trabalho, minhas obrigações e até liguei um pouco do foda-se, subindo na moto e estranhando que os dois capacetes continuavam na frente de Sasuke, preso por cordinhas.


– Sem capacete? — Questionei, temendo por minha segurança.

– Confie em mim, quando chegar a hora vai me agradecer por não ter te dado um capacete. — Sasuke procurava algo em seus bolsos da calça, algo que ele não encontrou até enfiar a mão dentro da jaqueta. Um pen drive. Enfiou numa entrada especial, e uma música começou a tocar. Uma música nada a ver com o Sasuke de jaqueta de couro, mas que despertou algo em mim... Uma sensação de liberdade. Do lado da ignição havia uma pequena elevação protegida com espuma e tela, que logo percebi ser uma caixinha de som, bem pequena. — Não é mesmo qualquer coisa, não é? — Sasuke disse por cima do ombro, antes de arrancar com a moto sem avisar, fazendo-me segurar em sua cintura enquanto ele ria de um jeito maníaco.


Eu o conhecia há dois dias, contando com hoje. E nem realmente conhecia, só sabia quem era. Numa noite uma coisa, na manhã seguinte já diferente. Eu não devia confiar nele! Mas confio, vai ver porque sou impulsivo... Mas meus pensamentos se esvaiam a medida que Sasuke acelerava mais e o vento batia em meu rosto. Um vento gelado, nada cortante, mas que me fazia entender porque Sasuke usava jaqueta. Minhas mãos continuavam em sua cintura, pois eu ainda estava inseguro de soltar e me segurar no apoio traseiro. Aos poucos pude ver que em cada bifurcação de caminho Sasuke escolhia sempre a mais vazia, e eu não desconfiava nem um pouco para onde ele estava indo, mas logo todo nosso caminho começava a ser sombreado por grandes árvores. Agora o tempo não estava mais abafado, uma brisa gostosa estava em todo lugar, e eu já sorria involuntariamente.

– É daqui a alguns poucos segundos. Está preparado? — Ele também sorria, dava para ver isso pelo retrovisor. Seus olhos, escondidos pelos óculos escuros eram o que eu queria ver agora. Saber se esse sorriso chegava aos olhos. Assenti com a cabeça, sinalizando que estava preparado.- Então confie em mim. Prenda seus pés no apoio do lado e se levante quando eu disser, ok?

Era uma má ideia, uma má ideia do caralho, mas vindo da voz de Sasuke, parecia fácil de fazer, algo que todos fazem no dia a dia quando estão em suas motos, ficar de pé enquanto um punk pilota.

– UM! — Sasuke começou a contagem, e eu instintivamente prendi os pés onde ele indicou. — DOIS! TRÊS! Levante-se, Naruto!

E eu levantei. Assim que me estabilizei de pé pude ver o que ele quis dizer com “quando chegar a hora vai me agradecer por não ter te dado um capacete”. Dentre as sete maravilhas do mundo, aquela deveria ser a oitava. Eu queria tirar uma foto, mas também não queria que ninguém mais pudesse ver o que eu estava vendo agora. Uma parte da estrada aberta, onde o que nos separava de uma queda de mais de 200m era apenas uma cerquinha de madeira. Do meu lado, uma montanha de terra solidificada se estendia até onde os olhos podiam ver, e do outro lado, depois da grande queda, uma cordilheira de montanhas, dentre as duas mais altas, uma cachoeira cristalina, linda. A pedra rebatia o sol, causando reflexos pouco incômodos aos que observavam, mas na água apenas lindas nuances de cor. Era magnífico. Um milagre da natureza pouco afastado da selva de pedra. E eu tinha a impressão de que pouquíssimas pessoas passavam ali, então eu basicamente podia dizer que era uma paisagem só minha. E de Sasuke.

Ainda de pé na moto, abri meus braços e joguei a cabeça um pouco para trás, assim que a visão da cachoeira acabou, voltando a sombra das árvores. Com os olhos fechados e um sorriso nada discreto no rosto, eu sentia. O vento contra meus cabelos, a adrenalina de estar me arriscando e a estranha felicidade de ter visto a cachoeira.

Abri os olhos e voltei a me sentar, Sasuke ainda estava focado na estrada, acho que ele nem ao menos havia olhado para a cachoeira do outro lado, o que eu achava impossível. Mas ele sorria lindamente, um sorriso parecido com o meu, só que do jeito dele, entende?

– Tem como chegar lá? — Perguntei, curioso, ansioso e consideravelmente desejoso por visitar a cachoeira de perto.

– Sim, uma trilha da parte de trás, que é bem menos inclinada, nos leva direto para lá. Tenho um colega que trabalha como guia e explorador, posso te passar o número dele. — Ele riu de novo, dessa vez uma risada contida. — Gostou do que viu, não é? — Confirmei. — Eu disse que você iria me agradecer!

– Realmente, disse mesmo... — Apoiei o queixo em suas costas, e ele pareceu meio tenso, mas não tenho certeza se estava. Antes que eu pudesse pensar sobre isso, ele parecia o mesmo Sasuke de meio minuto atrás. — Obrigado, Sasuke. Pode me levar de volta ao bar?

– Como quiser, garoto.

Ele me deixou em frente ao bar, dizendo que agora tinha outro compromisso. Despedi-me com um aceno de mão, enquanto ele me sorria pelo retrovisor da moto. Mas naquela noite de sábado, no baile do mês, Sasuke não apareceu.

Notas finais
E aí? O que acharam desse "outro Sasuke"? Alguém sabe o por que dele estar assim? Nos vemos nos comentários!