Blurred lines.

1 Bem vindos ao 9 ases.


Notas iniciais
Bom, essa é minha nova fanfic, uma comédia romântica. Será mais leve que Hit me like a man, os personagens tem personalidades bem diferentes e o enredo é algo que surgiu do nada na minha cabeça enquanto escutava uma música. Espero que gostem!

Naruto.

– Aqui está seu Dry Martini. — Estendi a taça para a bela moça sentada do outro lado do balcão. Vestido longo, roxo e brilhoso, com um decote generoso nas costas. Ela me sorria gentil, agradecendo o drink e me estendendo sua comanda para eu marcar.

Sou Naruto Uzumaki, trabalho de segunda-feira à sábado em um Bar de blues, R&B, e etc., frequentado por pessoas estranhas... É, um Bar de blues, em pleno século XXI, com pessoas estranhas... Entenda, aqui tem todos os tipos de pessoa. E o dono do lugar, que eu nunca descobri o nome, deixa todos entrarem, desde que possam pagar os preços exorbitantes do lugar. Ou seja: gente estranha por todo lado, mas gente estranha e rica. Eu nem mesmo me lembro de como vim parar aqui... Lembro de ter saído de casa, numa cidadezinha do interior – tão interior que se eu disser o nome é capaz de alguém perguntar “é de comer?” -, e vim para a cidade, com sonho de ser um artista. Não importava se fosse no ramo da dança, do canto, do teatro... Mas queria ser um artista. E, óbvio, vim parar onde todos os grandes artistas estavam antes da fama: num emprego medíocre.

A moça na minha frente, claramente namorada de algum mafioso estranho, ainda me sorria. Me pergunto se ela está dando mole e a melhor maneira de evitar que seu namorado ou marido me veja, afinal, de todas as coisas que eu quero, ter uma bala alojada no meu crânio não vem lá em primeiro lugar.

– Sou Hinata Hyuga. — Ela se apresentou. — E qual sua graça?

No momento, minha graça é pensar que estou sendo assediado por essa mulher assim como ela deve ser por homens quando anda na rua. E como o bom babaca que eu sou, corei. Dã.

– Sou Naruto Uzumaki. — Forcei um sorrisinho e fui atender os próximos clientes. Graças a Deus ela não tentou mais nada.

Entenda, apesar da minha análise crítica ao ambiente que trabalho, eu gosto desse lugar. Me faz sentir em casa. É algo como... Aquele quentinho por dentro, sabe? Aquela sensação de deitar no colo da sua mãe e passar o dia assistindo TV, conversando, e comendo tudo que ela cozinha. No palco sempre havia um desconhecido, raras vezes alguém relevantemente famoso, mas devo admitir que todos que se apresentam aqui são bons. Não bons canto-no-chuveiro-e-dou-um-caldo, mas bons pareço-a-Adele-cantando. Era sempre delicioso ouvir a melodia do fundo, seja de uma corneta, um violoncelo, ou a voz sussurrada de alguma cantora, mas definitivamente os melhores dias eram os dias agitados, onde a música soava alta e todos se levantavam se seus lugares para dançar. Sim, gente rica tem bom humor e sabe dançar. Apesar de parecer que não, pela cara de alguns dos clientes.

– Ei, Naruto. — Hinata me chamou, e fui até ela. — Estou esperando uma pessoa, mas ela não bebe. Você teria... Hm, não sei, algum suco gelado aí? Maracujá de preferência.

Sorri e peguei um copo com gelo e botei o suco de maracujá da fruta que eu mesmo havia feito para mim, na intenção de tomar no fim da noite. Não me entendam mal, Hinata parece ser o tipo de garota legal, errada, mas legal, então quem quer que seja que ela está esperando, merece um suco bom, não algo vindo de uma caixa.

[Feeling good – Nina Simone].

Hinata esperou, mas esperou tanto, que eu comecei a achar que ela havia levado um pé na bunda do tal mafioso que ela deveria estar esperando. O gelo do suco derreteu, o suco ficou quente, eu troquei, e se foram mais três Dry Martinis, bebida clássica das moças desse lugar. Com pena de Hinata, puxei assunto com ela.

– Por que não pede uma bebida diferente dessa vez? — Perguntei.

– Sabe, uma vez, há muito tempo atrás, eu era apenas uma garotinha... Minha avó, que, por Deus!, era a mulher mais linda que já havia pisado na face da Terra, me levou até um bar de blues, como esse aqui... O nome era Dominó Rainus. Bem, ela me levou até esse bar, eu estava praticamente escondida na barra de sua saia. Ela era uma mulher jovem pra sempre, a frente de seu tempo e acho que de todos os tempos que ainda estão por vir, mas nesse dia ela estava diferente... Seu rímel estava escorrendo por suas bochechas, as sobrancelhas mal pintadas, seu batom borrado... E ela tragava pelo menos três cigarros a cada quarenta minutos. Quando nos sentamos em frente a um balcão como esse – Ela passou a mão pela madeira reluzente do balcão do bar. — Eu perguntei “vovó, por que me trouxe pra cá?” e ela apenas me respondeu “quando estiver em uma situação estressante, ou estiver triste, ou quando alguma coisa estiver te perturbando... Faça como toda mulher que sabe o que quer: tome um Dry Martini, e ele te dirá o que fazer”.

Fiquei sem graça, sem saber o que responder. Era uma história legal, e a maioria dos clientes não é tão aberto. Agora eu percebia o sorrisinho no rosto de Hinata toda vez que ela olhava para sua bebida e pude perceber antes de qualquer coisa, que a avó de Hinata realmente tinha razão. E sua neta estava lá para provar isso, poderosa, vestida para matar e ainda assim com uma aparência bem resolvida, de sensualidade exagerada, e um quê de mistério que quase me fez escrever uma peça de teatro só sobre essa mulher. Antes que eu pudesse falar algo, as portas duplas do lado esquerdo de abriram com força, revelando um homem alto, mais alto que eu, de cabelos pretos, pele pálida e de terno cinza. Até então, tudo normal, mais um manda-chuva irritadinho, mas fiquei realmente surpreso ao ver que ele sentou do lado de Hinata e os dois usavam alianças IGUAIS. Então era esse o mafioso de Hinata?

– Água. — Ele disse para mim, com sua voz rouca e baixa. — Com gelo.

Obedeci seu pedido, e Hinata me estendeu sua comanda para que eu marcasse a água.

Seu mafioso, ou coisa do tipo, era um pouco diferente dos outros que eu já havia visto... Começando pelo fato dele estar suado como um porco, estressado como a besta do apocalipse, e bufando como um touro. É, definição interessante. Ele olhou para mim e eu pude ver algo que não havia reparado ainda... Seus olhos. Eram como os olhos de Hinata, só que ao contrário. Os de Hinata eram claros, perolados para dizer a verdade, dando a impressão de que ela era cega, já os dele, pretos como um buraco negro, não pareciam nem ao menos ter pupila de tão escuros. Eram... Curiosos, para mim, pelo menos. Nunca havia visto alguém com uma cor de olhos tão estupidamente comum, mas que me cativassem tanto.

– O que encara tanto, dobe? — O moreno levantou uma sobrancelha, demonstrando seu claro irritamento com minha falta de profissionalismo. Até porque, no curso de barman não havia nada sobre “encarar seu cliente com intensidade e ter pensamentos reflexivos sobre sua aparência”.

– Desculpe-me, senhor...

– Sasuke. Sasuke Uchiha. — Seu nome caiu sobre mim como uma bigorna cai em cima de um personagem de desenho.

– Você não precisa fazer isso, sabia, Sasuke? É feio intimidar as pessoas com seu nome. — Hinata o repreendeu com um sorriso gentil. — Desculpe, Naruto, meu noivo às vezes é... Irritante.

Não que eu seja um cuzão, mas cuzãomente falando, se eu fosse Hinata, jamais me dirigiria ao Uchiha com a palavra “irritante”. Não, ele definitivamente não era um mafioso, na verdade, a família Uchiha é uma família de empresários. Não empresários em área de engenharia, não empresários em área de imóveis. Na verdade, empresários nessas duas áreas sim, e em outra verdade: eles são empresários de tudo, absolutamente tudo que eles acham que vale a pena. A empresa passada de geração em geração vem desde os anos 30, atuando na culinária, engenharia, imóveis, artes, entretenimento, em tudo que você poderia imaginar. E com isso, sem essa visão limitada de um margem de negócios, eu diria que eles são famosos e ricos a ponto de se algum dia tiver outro filme d' O Poderoso Chefão, ser uma versão da família Uchiha, onde Fugaku Uchiha é o padrinho de todos, com uma voz baixa e sotaque italiano.

– Hm. — Sasuke se pronunciou, acho que aquilo era a resposta dele a alguma pergunta de Hinata. Os dois conversavam baixinho, mas numa altura boa para que eu, do lado de dentro do bar, pudesse me movimentar enquanto fingia não estar ouvindo.

– Ele concordou ou não, Sasuke?! — Hinata já estava ficando irritada, acho que isso até seria interessante.

– Você sabe que ele não concorda com esse casamento, nunca vai concordar, ele é um espírito livre.

– Como se você acreditasse nisso! Quem manda é você, Sasuke! Faça alguma coisa. Esse casamento vai sair, pelo seu bem. — Ela falava entredentes, e eu... Bem, só estava esperando a hora em que ela estalasse dois tapas na cara dele, um de cada lado.

– Você sabe que eu não mando! É meio a meio, eu só tenho privilégio de ficar por mais tempo, mas também há os dias dele, e nos dias dele... Bem, considerando que casamentos são celebrados em fins de semana, duvido muito que você vá conseguir algo.

Hinata levantou-se, remexeu no decote e tirou uma boa quantidade de dinheiro, em notas de cem, e deixou sobre a bancada.

– Eu sou filha de Hiashi Hyuga, e você sabe que não se pode dizer não a ele. Irei te dar um tempo, e é bom conseguir convencê-lo.

– Hn. — Sasuke respondeu, e Hinata deixou o estabelecimento batendo os pés.

Sasuke continuou lá, lhe servi por mais algumas horas. Ele apreciava a música, enquanto bebericava ora água, ora suco e mantinha-se quieto, não tentando puxar assunto nem com pessoas ao seu lado, nem comigo, e até que isso foi bom... Sasuke não parecia o tipo de cara sociável. Pelo que eu entendi, “hm” para ele era algum tipo de linguagem universal dos impacientes.

– Com licença. — Escutei a voz de Sasuke me chamar, calmamente. — Poderia me dizer as horas?

– São onze e meia. — Sorri de leve e vi os olhos do moreno duplicarem de tamanho.

– M-mas... Já? — Pela primeira vez na noite, parecia que Sasuke havia perdido sua compostura e finésse, assumindo uma face quase que de horror. — Eu preciso ir. Agora. Oh, Deus! Não vai dar tempo de chegar em casa. — Repetiu o processo de Hinata, jogou algumas notas altas na mesa, mais do que o necessário, mas jamais reclamaria de gorjeta, ainda mais uma gorda assim. Eu não sabia do que ele estava falando, na verdade, não entendera uma palavra da conversa entre ele e Hinata também, mas rápido como ele entrou, também saiu, e eu guardei o dinheiro, perguntando se o veria novamente outro dia. Às onze e trinta de uma sexta-feira qualquer, conheci esse homem. E eu não esqueceria.

Notas finais
E aí? Gostaram? Estou curiosa para saber!