Blue is the hottest color

2 Voltando para o inferno


O palmito loiro, só sabia falar. Não calou a boca o caminho todo.

— Pronto, é aqui — chegamos e meus ouvidos já estavam sangrando de tanto ouvir a voz rachada daquele menino.

— Ah legal — olhava todo enojado para aquela escola imunda.

— Vou indo tchau — entrei no inferno chamado escola, e dei de cara com a girafa sem pescoço da Ashley, e as amigas hipopótamos dela.

— Olha quem vem ai, sombra da noite — ela ria igual uma capivara com sede.

— Que saudades Achei, está diferente, está usando o que? Cocô de jumento na cara?! — Anta malcomida.

— Meu nome é Ashley, sua... Sua desqualifica — ui a patricinha ficou bravinha.

— É licença, será que dá para você me ajudar a achar minha sala? — o Ben 10 atrapalhou nossa conversar super interessante.

— Oi, meu nome é Ashley, posso te ajudar se quiser — a oferecida se ofereceu toda oferecida.

— Ah oi, então é que aqui está marcando sala 18, só que eu fui lá e não achei — toma rinoceronte sem chifre, ele nem deu bola para ela.

— Vem comigo amor que eu te mostro — sai de mãos dadas com ele e deixei a patricinha lá com cara de limão amargo. Bem que os marcianos que não vieram pegar o Omnitrix aqui, podia pegar a oferecida da Ashley.

— Gostei do "amor" — ele olhava safado pra mim e deu vontade de enfiar minha mão na goela dele e arrancar sua jugular. Soltei sua mão e olhei feio pra ele.

— E eu gosto de você de boca calada — ele deu uma das suas risadas estranhas, daquelas que dão ânsia — Que sala que é mesmo?

— 18 — peguei um pedaço de madeira que estava lá jogado e apontei para ele.

— Se você for da Máfia ou da Cia, é melhor você falar logo antes que eu te mate com isso — vou enfiar isso no cu dele, se bem que ele vai gostar.

— Ahn? Do que você está falando doida — ele me chamou de doida? DOIDA?

— NÃO ME CHAMA DE DOIDA — dei a louca lá, quem ele pensa que é?! — Porque você está me seguindo seu, incompetente? Eu também sou da sala 18.

— Eu não estou te seguindo sua DOIDA — ele me chamou de doida de novo? Comecei a estapear ele com toda força. Que peitoral forte. Cadê minha madeira? Quando olhei ele estava rindo e com a minha madeira na mão.

— Me devolve meu pau — quero arrancar as tripas desse moleque.

— Pega — ele ainda ria, como se eu fosse uma criança, só porque ele é alto, acha que pode zoar comigo.

— Porque você não pega isso — chutei suas bolas e ele logo soltou a madeira e se contorceu de dor — Quem está rindo agora hein?! — eu dava risada da cara dele de sofrido — Isso é para você aprender a nunca mais pegar no meu pau — uns garotos passaram e não entenderam nada — Tomem cuidado com ele, ele ama pegar no pau — os meninos saíram com medo e eu só sabia rir.

— Você me paga — ele estava todo vermelhinho de raiva, ou de dor.

— Tchauzinho Palmito.

[...]

"É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado"

Eu ouvia música no último volume, dentro da sala, enquanto o abaitolado do professor de Inglês explicava alguma coisa chata lá.

"O nosso som não tem idade, não tem raça
E nem ver cor..."

Balançava a cabeça no ritmo da música, até aquele projeto mal feito de Susie me cutucar.

— Quié porra? — me virei irritada para ele.

— Claire, será que dá para responder minha pergunta? — o professor feminizado perguntou e eu me virei com cara de culpada.

— Mas seu nome não era Gretchen ? — o Susie perguntou baixo. Mas é burro meu Deus.

— Você acreditou ? É uma anta mesmo.

— Claire, eu estou falando com você — ó professor chato.

— Desembucha — falei pausando minha música, porque meu fone pulava na mesa de tão alto que estava.

— Fale direito comigo, eu sou seu professor.

— Está mais para a professora — falei baixo, mas acho que não tão baixo assim.

— O QUE VOCÊ DISSE ? — eita que a bixa deu a louca.

— A prof, todo mundo aqui sabe que tu gosta da mesma fruta que eu — pisquei pra bixa que ficou toda vermelhinha.

— Você está expulsa da minha aula. Sai daqui agora, sua mocreia. — minha boca abriu em um "0".

— Vou guardar bem suas palavras e usar contra você no tribunal — sai da sala arrastando minha bolsa e rebolando minha bunda magra.

[...]

— Ei Claire, qual a próxima aula? — esse menino me ama, só pode.

— Eu sei lá Susie, eu não sou a única da sua sala, pergunta para outra pessoa, fica me perseguindo — estava sentada perto da árvore e tirava a sujeira da minhas unhas e imaginando ser os irmãozinhos do Ben.

— Está de tpm é?! — peguei uma pedra e joguei no meio da testa dele, e comecei a rir — Aí, isso doeu — logo se formou um galo vermelho naquela pele cor de sorvete de graviola dele.

— Ficou engraçado sua testa Palmito — eu ria igual uma hiena no cio. Me levantei e fiquei de frente para ele, para poder ver minha obra.

— Eu não gosto dos apelidos que você me dá- ele me segurou e me pensou contra a árvore. Que homem forte gente. A Susie anda fazendo musculação — E as minhas bolas ainda doem do chute que você deu sabia?! — argh fiz cara de nojo e ele se prensou mais contra mim e eu virei o rosto para não encostar nele.

— Me solta seu gay.

— Vou te mostra o gay.

— Vai fazer o que ? Vai me estuprar na frente de todo mundo ? — ri irônica e vi que ele não deu risada. Tá, agora eu fiquei com medo.

— Boa ideia, sempre quis fazer sexo ao ar livre, e não tem ninguém aqui, o que você acha?! — fodeu, adeus virgindade, adeus mundo, adeus vida.