Sábado. Sábado. Era para ser o melhor dia da semana, sem escola, sem a gazela da Ashley e sem o Ben 10 desprovido de melanina. Mas tudo se acaba quando lembro que sábado também é o dia em que o diabo disfarçado de meu pai está de folga, e isso acaba com minha alegria.

Estava tranquila na minha cama sentada em posição de meditação, meditando. Estava imaginando um parque lindo e eu com o meu leão Kevin e o Justin do meu lado. Sentamos na grama e o Justin foi atingido bem no meio da testa por uma bola e morreu.

– Não, não. Como vou viver sem ti? Oh Deus quem fez essa crueldade com meu amado?

Olhei para frente a vi aquele palmito parado sorrindo de lado. Aquele sorriso nojento dele.

– Gostou do meu chute Claire?- ele começou a rir e eu me levantei furiosa e soltei a coleira do Kevin.

– Pega ele Kevin, pega — Kevin correu em direção dele que não teve tempo nem de virar pra fugir. Kevin arrancava a carne dele com as garras e comia tudo — Quem está rindo agora em? — dava gargalhadas altas. Até alguém atrapalhar meu momento relax.

– Quem ousa atrapalhar minha meditação? — abri um olho e vi a minha mãe me olhando estranho — O que quer? — fechei o olho e tentei voltar a meditar, mas era meio difícil com o tagarela da minha mãe falando.

– Tem um amigo seu lá em baixo.

– Que amigo? Não tenho amigo — falava ainda de olhos fechados e calmamente.

– É um loirinho bonito, de topete, meio forte e com cara de riquinho.

– O QUE VOCÊ FALOU? — pirei de vez, não é possível. Ele me encontrou, finalmente vamos formar uma família — O Justin está ai? Ai meu Deus manda ele subir.

– Mas filha... — meu futuro marido está lá em baixo e minha mãe quer discutir?

– Vai vai vai mãe. Que eu vou me arrumar.

– Tá bom então né.

Minha mãe saiu do quarto e eu corri pro banheiro, penteei meu cabelo, coisa que eu não fazia a tempo. Até estranhei o pente. Passei um gloss e joguei toda a bagunça do meu quarto dentro do armário. Arrumei minha cama e sentei linda esperando meu amado chegar.
Ele bateu na porta e eu tremi.

– Pode entrar — falei o mais doce possível, mas ficou mais parecido com uma putinha de bordel.

– Oi bruxinha — o que a Susie está fazendo aqui? Atrapalhando meu encontro com o Justin?

– O QUE VOCÊ TA FAZENDO AQUI?

– Calma Clairezinha, vim trazer uma coisa para você.

– Sai daqui que eu estou esperando uma pessoa.

– A única pessoa que veio te ver fui eu.

– Então era de você que a minha mãe tava falando? — minha mãe precisa de um óculos URGENTE.

– Aquela é a sua mãe? Gostosa pra caralho em. Pena que você não puxou ela.

– Olha o jeito que você fala da minha mãe — apontei meu dedo na sua cara e ele deu aquele sorriso que eu odeio — O que você veio fazer aqui?

– Vim trazer isso para você — ele me mostrou uma caixa embrulhada em um papel vermelho.

– O que é isso? — olhei desconfiada.

– Abre.

– E se for uma bomba? Abre você.

– Tá sua chata — ele foi desembrulhando o papel e pude ver que era uma caixa de celular. Puxei da mão dele e abri.

– Isso é para mim? — perguntei emocionada com o ato de compaixão dele.

– Não, eu comprei para mim e queria ver se você achou bonito — olhei feio pra ele e preparei pra jogar aquele troço feio longe — NÃO, estou brincando é para você mesmo — olhei bem para o celular e queria gritar de alegria mas não podia dar esse gostinho pra ele.

– É bonitinho, da pra usar enquanto eu não compro outro — menosprezei ele e joguei o celular na cama — Agora já pode ir, tenho muitas coisas pra fazer. Tchauzinho — empurrava ele para fora do meu quarto.

– Vamos sair Claire? Estou afim de ir no cinema, mas não quero ir sozinho. Vamos comigo? — A TÁ, pra você me estuprar lá no escuro? Estou fora.

– Como eu disse antes, tenho coisas para fazer, então vaza.

– Claire, vai limpar meu carro — meu pai apareceu na porta pra desgraçar minha vida.

– Não dá, vou sair com o Ben — Ben sorriu pra mim e eu quis pular no pescoço dele e arrancar seus dentes.

[...]

Abri meu armário e tudo que é roupa do mundo caiu em cima de mim.

– Meu Deus, você guarda um brechó dentro do seu armário?

– Cala o boca palmito — ele ria e eu achei uma roupa legalzinha — Já volto — entrei no banheiro e tranquei a porta lógico, não vou confiar nessa Barbie comedora de garotas inocentes. Tomei meu banho e coloquei meu vestido florido que tinha cheiro de naftalina, passei um perfume pra disfarçar e sai do banho. Quando entrei no quarto o palmitão tava todo esparramado na minha cama brincando com o Kevin. Leão traidor.

– Vamos? — perguntei, e ele me olhou me medindo.

– Nossa, ficou legal... O vestido é bonito... Em você — ele gaguejava e eu olhava torto pra ele.

– Tá, tá vamos ou você vai ficar brincando com o meu amor. Né amorzinho — falei fazendo cócegas no Kevin, tão lindo meu leãozinho.

– Não, vamos — ele estendeu a mão e eu dei um tapinha e ele ficou com cara de caramujo morto.

Chegamos no cinema e tinha vários gatinhos me olhando, adorei. Só que eu estava de mão dadas com o Ben, não sei porque.

– Ei porque minha mão está em contato com a sua, que nojo — soltei sua mão e limpei a minha.

– Você que pegou — ele foi para fila de comprar os ingressos e eu fui atrás.

– O que a gente vai ver?

– Os vingadores.

– Eu não vou ver isso não, filme chato.

– Quer ver qual então? — me olhou com cara de patricinha esnobe.

– Até que a sorte nos separe — falei sorrindo.

– Eu não vou ver isso, filme de gay.

– Nada ver idiota. Vamos tirar par ou impar, quem ganhar escolhe o filme.

– Que coisa infantil.

– TEM IDEIA MELHOR SUSIE — gritei e todos olharam para nós.

– Para de gritar menina — ele ficou bravo comigo. Babaca — O par ou impar serve vai.

Aqueci a mão e esfreguei uma na outra.

– Vamos lá Benzinho a hora é agora.

– É só um par ou impar para de drama — Ben acaba com a minha felicidade — Quero par.

– E eu impar — ele revirou os olhos com a minha resposta. Remexi a mão no ar e coloquei 4 dedos para fora e ele colocou 3. Comecei a contar os dedos mas ele me interrompeu.

– É 7 Claire.

– Droga.

– 7 é impar burra.

– A tá. Rá ganhei — falei superior e fui pro caixa vazio — Eu quero dois ingressos para o filme "Até que a morte nos separe" por favor.