Blue is the hottest color
10 A puta da Jessy voltou
Notas iniciais
" — O que temos aqui? — eu estava em minha poltrona de rainha e meus cervos me traziam um garoto arrastado pelos braços.
– Encontramos ele roubado maçãs de uma de suas macieiras majestade — um dos capangas que segurava o individuo me respondeu.
– Como ousa? — irritada me referi ao garoto que levantou o rosto sujo e pude ver aquelas bolas azuis de discoteca em seus olhos, e logo vi de quem tratava — Tinha que ser você não é?!
– Eu estava com fome majestade.
– Ben, Ben — me aproximei dele e segurei em seu queixo — Isso não é problema meu — sai de perto dele e me sentei novamente em minha poltrona acolchoada — Jogue-o na masmorra.
– NÃO, NÃO, NÃOOOO — a Susie gritava desesperadamente e eu dava a minha famosa risada diabólica.
– Muahahaha — senti meu rosto molhado e despertei..."
Abri os olhos desesperada e vi o Palmito rindo de não sei o que, só então percebi que ele jogou um balde de água em mim e ria igual uma puta descabeçada. Senti sangue nos meus olhos e parti pra cima da Susie plastificada. Dava tapas estalados nele, até ele se jogar no chão e eu subi em cima dele dando tapas nele que tampava o rosto com os braços, e continuava rindo feito palmito.
– Estou atrapalhando vocês crianças? — ouvi aquela voz gozante e me levantei ficando de pé e o Ben se sentou no chão ainda se recuperando do riso.
– Tá tudo bem pai.
– O que aconteceu com você? — o gostosão perguntou se referindo a minha roupa molhada. Eu ia responder, mas a Susie me cortou.
– Foi uma brincadeira aí pai, mas tá tudo bem.
– Tá bom, mas não vão se atrasar pra escola hein. Eu já vou indo filho. Até mais tarde — o gostosão deu um beijo na testa do Ben e eu fiquei com inveja.
– Tchau Claire — ele se aproximou e me deu um beijo na bochecha, e senti seu perfume de homem, bem diferente do que o Ben usa. Ele saiu e o Ben ficou me encarando.
– Vai tomar banho, vai se atrasar — falou serio e eu joguei uma almofada nele e subi as escadas correndo ouvindo ele me xingar.
Tomava banho cantando e dançando
"-Quero ver-la sorri, quero ver-la cantar, quero ver o seu corpo dançar sem parar." — não demorei muito no banho, sai enrolada na toalha e entrei no quarto do Ben e ele estava sentado na cama me encarando, dei um grito e quase deixo a toalha cair — O que você está fazendo aqui? — falei brava.
– Aqui é meu quarto.
– Mas eu estou me trocando dá pra dar licença.
– Não estou afim — fez cara de cachorro com fome — Pode se trocar ai, não tem nada aí que eu não já tenha visto.
– Você nunca me viu pelada — falei com medo dele já ter visto.
– Mas já vi outras, e é a mesma coisa. Só muda que você não tem muito o que agradar aí.
– SAI DAQUI — gritei e ele sorriu, aquele sorriso nojento dele.
– Calma bruxinha, estou indo — ele saiu do quarto me deixando me trocar em paz.
[...]
– AAAAAH SUA PUTA — avistei a Jessy, minha bff, perto do bebedouro da escola. Corri e pulei no colo dela.
– GALINHAAA, que saudades — ela me abraçou forte, e eu me soltei, vai que passa um gatinho e vê essa cena, não vai pegar nada bem.
– Onde você tava? Por que faltou tanto? — percebi que o Ben ainda estava na minha cola, e a Jessy não prestava atenção no que eu falava, porque olhava pro palmito — Não foi embora ainda? — perguntei pra Susie que parecia procurar alguém.
– To procurando o Harry — revirei os olhos e ele percebeu a Jessy ali — Não vai me apresentar sua amiga? — falou com um sorriso cafajeste no rosto.
– Não, vaza.
– Eu sou Jessica, mas pode me chamar de Jessy — a Jessy me cortou e estendeu a mão pra ele.
– Eu sou Benjamim, mas pode me chamar de "Beijami" — ele pegou a mão dela e deu-lhe um beijo. Ai que nojo. Alguém tem um saco de vomito para me emprestar? — Achei o Harry, deixa eu ir lá. Tchau Jessy — deu ênfase no Jessy — E tchau pra você — falou simples pra mim.
– Tenho tanta coisa pra te contar sobre a viagem — olhava feio para o Ben que se distanciava e voltei a minha atenção pra Jessy quando ela começou a falar.
– Então você estava viajando?
– É, eu vim ontem, mas não te vi.
– É, eu tive um imprevisto — o sinal bateu me obrigando ir pra sala e ouvir as histórias chatas sobre a viagem da Jessy.
As aulas foram passando e eu estava cheia de ouvir a voz irritante da Jessy, toda saudade que eu achei que senti dela, passou no exato momento em que ela abriu a boca.
Não vi muito o Palmito, um pouco na sala de aula, mas ele estava quieto, então não reparei nele. Mas percebi que a Jessy não parou de o encarar desde que ela viu ele. E ele nem notou, mais burro que ele, só dois dele.
– Claire, você tem algo com o Ben? — a Jessy me perguntou encarando ele e mordendo a ponta da caneta.
– Deus me livre menina, você está louca ou o que? O dia que isso acontecer, os macacos vão ter aprendido a fazer crochê e os rinoceronte saberão jogar truco.
– Então não tem problema se eu paquerar ele?
– Olha, pra mim não tem problema algum, agora pro namorado dele... — Jessy me olhou assustada e eu quis ri, mas me segurei.
– Serio que ele é...
– Gay? É, ele é sim. E dos bem gayzados. Ele esconde, mas muitos sabem da verdade. Então amiga, desencana — menti na cara de pau.
– Não posso acredita que esse boy magia seja gay.
– Pois é amiga, a verdadeira realidade vem da natureza do homem, que escolhe a sua intuição do coração — fisolofei lindo.
– É o que? — nem todos tem o dom de interpretar uma frase filosófica.
– Esquece.
[...]
– Eu tenho toda a saga — o Ben falava animado pra Jessy.
– Sério? Eu ganhei a coleção dos livros da minha tia. Eu amo Harry Potter — eles conversavam sobre esse filme de nerds mal comidos e eu dormia em pensamento — Claire, que aula é agora?
– A ultima — disse arrancando uma pele chata do meu dedo.
– Eu sei, mas é aula de que?
– Biologia.
Fomos para a ultima aula do dia e a professora já estava na sala. Sentei na última cadeira e deitei pra dormir.
Estava quase dormindo quando senti um troço bater na minha cabeça. Levantei a cabeça e olhei pro chão e vi uma borracha. Olhei pro lado e o Ben ria da minha cara de coala recém acordado.
– Tem lição na lousa — ele disse se levantando e se sentando na cadeira a minha frente. Meu Deus. O que eu fiz para merece esse menino?
– E dai?
– E dai que vai cair na prova.
– Foda-se — me virei e deitei a cabeça de novo.
– Bruxinha, me ajuda não to enxergando.
– Ben, pelo amor de Deus, me deixa em paz.
– Só porquê me chamou de Ben eu vou ficar quieto — obrigado Deus.
Cochilei a aula toda sentindo o cheiro forte do Ben. Esse perfume me da ânsia de matar ele.
– Bruxinha, vamos acabou a aula. E hoje é dia de arrumar a cozinha — oh Deus, porque? Não vou aguentar ficar mais tempo com esse menino.
– Me mata por favor.
– Seria um prazer, mas eu não quero ser preso.
Sai da sala e me despedi da Jessy. Cheguei na cozinha e a pia estava lotada de louça. O dobro do que tinha na ultima vez.
– Hoje é seu dia de lavar a louça.
– Vai esperando que eu vou lavar tudo isso.
– Se não lavar quem vai se ferrar vai ser você.
– Lava pra mim — falei manhosa tentando a minha técnica de "dar uma de songa".
– Não — falou seco sem olhar pra mim.
– Por favor Ben — falei próxima dele, que agora olhou pra mim, maliciosamente. Talvez a técnica de songuisse não se encaixe em qualquer ocasião.
– O que você vai me dar? — me fodi.
– O que você quer? — falei com medo na voz.
– Eu quero você — falou próximo do meu ouvido e mordeu o lóbulo da minha orelha.
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