Blue Sky

4 O destino? A Deus pertence.


Notas iniciais
"Eu já quis que o destino me surpreendesse. QUIS MUITO! Hoje eu só espero que ele não me decepcione."

Caio F. Abreu

Eu o agarrei, seu cheiro leve me confortava e me fazia sentir vontade de nunca mais soltá-lo. Seu abraço, quente e apertado me fazia amolecer, e a textura de sua pele na minha me dava arrepios.
— Você me deixa louca. – Eu falei entre dentes. E ele riu.
— Você faz o mesmo comigo. Tenho o direito, princesa. – Ele falou e deu um leve beijo em meu pescoço. – Vou passar a noite aqui. Se você quiser.
— Você ainda pergunta? Se eu fosse você não faria perguntas assim a uma mulher cálida como eu. – Soltei-me de seus braços e girei levemente indo para a sala, mas seus braços logo me prenderam.

Bernardo depositou três beijos leves sobre minha nuca, me fazendo tremer.Girei para frente de seu corpo e me prendi em seus braços, beijei calmamente cada pequeno espaço de seu rosto e depois seus lábios. Minha língua invadia cada milímetro de sua boca, e ele respondia à altura com leves mordidas em meus lábios a cada vez que eu intensificava o beijo.

Seus braços me ergueram de forma rápida, e logo eu estava deitada em nossa cama. Bernardo ainda me beijava, mas seus dedos percorriam minha barriga, desenhando o formato do local. Soltei-me de seus lábios e beijei de leve seu pescoço, fazendo-o tremer a cada novo beijo e a cada nova sugada que eu depositava no local. Retirei sua camisa e continuei a beijar seu pescoço, enquanto suas mãos ágeis desabotoavam minha calça. Senti a textura do jeans deslizando sobre a pele fina de minha perna. Bernardo deslizou sobre meu corpo e beijou minha barriga suavemente, dando leves sugadas pelo local. Gemi baixinho, sentindo seus lábios macios sobre minha pele. Logo retirei sua calça e também minha camiseta, beijei-o de forma mais intensa, enquanto suas mãos me acariciavam e me colavam ao seu corpo. Seu membro estava ereto e ele logo retirou minha calcinha de renda, percorreu o caminho de minha virilha com os dedos e eu pedi:


— Eu quero você. Agora! – Ouvi sua risada suave.


Seu corpo se moldou ao meu e Bernardo se posicionou entre minhas pernas e me penetrou. Leve, calmo, carinhoso. Estávamos em perfeita sintonia, enquanto seu membro dentro de mim me dava prazer. Atingimos o clímax juntos e Ber me beijou de forma amorosa. Nos abraçamos e ele sorria.
— Você é perfeita. – Ele arrumou a mecha de meu cabelo que estava em meu rosto.
— Eu te amo. – Sussurrei e me aconcheguei em seu tórax. Acabamos adormecendo, abraçados.
Acordei mais cedo naquele dia. Olhei seu rosto perfeito e refiz todas as curvas de seu maxilar com os dedos, gravando em minha mente aquele rosto. Seus olhos fechados, a boca vermelhinha e o nariz bem desenhado... Cada milímetro daquele rosto era o motivo dos batimentos acelerados de meu coração. Eu o amava, mais do que qualquer coisa, amava-o mais do que qualquer um. E sabia que toda parte de meu coração era sua.

Seus olhos se abriram suavemente e a me ver ele sorriu.
— Oi meu amor. – Ele falou com a voz rouca e sexy de sempre.
— Oi minha vida. – Eu falei e logo lhe dei um selinho apertado. – Bom dia.
— Que horas são? – Eu me virei para o criado-mudo e bufei. – Nove horas.
Ele se espreguiçou e depois levantou. Foi para o banheiro e pude ouvir o barulho do chuveiro sendo ligado. Levantei e vesti meu hobby, fui para a cozinha e fiz o café. Pães, geléias, frutas e manteiga. Bernardo logo estava na mesa, devidamente vestido de terno e gravata.
— Vou até o laboratório hoje. – Disse enquanto enchia sua xícara de café.
— Por quê? – Ele perguntou um pouco surpreso.
— Pegar o meu exame, Ber – Ele se lembrou de imediato e continuou a comer. Não tocamos mais no assunto.
Quando terminamos, ele pegou seu notebook e uma maleta e se foi, mas antes me abraçou e me beijou, como sempre. Tomei um banho e me vesti com um vestido florido, peguei meu carro e fui buscar o exame. O laboratório estava vazio, e a atendente logo me trouxe o envelope branco com escritas em verde. Senti meu estômago embrulhar e minha cabeça girar. Voltei para o carro e dei algumas voltas. Sem rumo. Sem coragem para abrir o maldito envelope.
Parei no Parque São Lourenço, com o envelope em mãos e refleti sobre tudo aquilo. Minha vida estava ali. Se eu estivesse mesmo grávida, tudo mudaria. Eu não tinha mais certezas... Somente o medo ainda era real. Rasguei rapidamente o papel branco e peguei o papel minuciosamente digitado. Respirei fundo e comecei a ler a cada palavra meu corpo tremia mais.

POSITIVO


Meu coração pulsava de forma irregular e eu não tive reação. Minha mente viajava em cada momento meu com Bernardo, desde o início até os dias de hoje. Desde o primeiro beijo, o primeiro toque... Tudo se passava em um segundo.

Senti as lágrimas quentes queimarem minha face. Peguei meu celular e disquei para Bernardo... Sua voz rouca me atendeu.
— Oi amor. – Ele falou calmo.
— Positivo. – Foi a única coisa que meus lábios conseguiram pronunciar. Ele ficou quieto por alguns segundos e eu só podia ouvir sua respiração irregular.
— Onde você está? – Ele falou agora com a respiração mais lenta.
— No Parque São Lourenço.
— Eu já chego aí. – Ele respondeu e desligou.
Permaneci sentada e em pouco tempo ele estava ali. A testa franzida, o semblante meio assustado. Ele apenas me abraçou, sem dizer nenhuma palavra. Eu chorava em seus braços, o desespero em meu soluço. Porém, Ber estava calmo e sorria enquanto enxugava minhas lágrimas.
— Ei, eu estou aqui. Fica calma. – Eu tentava me acalmar, me agarrando cada vez mais ao seu corpo.
Senti suas mãos acariciarem minha barriga, ele me tirou do abraço apertado e selou os lábios levemente sobre os meus. Eu não pude dizer nada, sentia o medo que agora se transformava aos poucos em felicidade. Eu teria um filho. Um filho dele. Um legítimo Gonzáles, e eu o amaria mais que a mim, entregaria meu coração a ele. Agora as lágrimas que inundavam meus olhos eram de felicidade, de amor.
— Amo você. Eu amo você, Bê. – Ele sorriu em resposta.
— Você é a mãe mais linda desse mundo. – Ele riu e eu também.
Resolvemos por fim, irmos embora. Bernardo voltaria para a empresa e eu iria almoçar sozinha. Afinal, não ia ser nada bom se alguém nos visse ali, no meio do parque nos beijando loucamente, já que ele era casado. Eu não gostava nem de imaginar tal situação.
Peguei meu carro e dirigia para casa, quando meu celular tocou. Um número estranho apareceu em meu visor. Parei o carro e atendi.

— Duda?
— Olá, quem é? – Perguntei curiosa.
— É o Fernando. Recorda-se? – Eu sorri.
— Sim. Só não imaginei que de fato ligaria. – Eu ri.
— Não seja boba, eu não pediria seu telefone para nada. Está ocupada? Aceitaria almoçar comigo?
— Sim, claro. Onde você está?
— No mesmo restaurante italiano. Te espero aqui. Beijo. – Desligamos.

Não sei por qual motivo aceitei almoçar com ele. Mas tudo estava tão confuso nos últimos tempos, que também pensei, por que não? Não era nada demais. E havia tempos que meu círculos de amizades andava bem reduzido. Vou me dar essa chance.

Cheguei ao restaurante e logo o avistei. Sentei-me.

— Como você está? – Estendi a mão para cumprimentá-lo, porém ele puxou minha mão e depositou um beijo em meu rosto. Fiquei completamente ruborizada.

— Estou bem e você? – Ele sorriu, com o sorriso sexy estampado nos lábios.
— Estou bem também, apesar da falta do que fazer e do caos se instalando na minha vida. – Eu ri. – Conte-me mais de você. Trabalha em quê?

— Sou diretor de uma revista. Caras. Conhece? – Eu ri.
— Estranho seria se eu não conhecesse. Claro que sim. Sou formada em jornalismo, mas exerci por pouquíssimo tempo. Poucas oportunidades também.

— Na verdade, estamos precisando de uma colunista. Se você pudesse aceitar, garanto que não se arrependeria. – Ele sorriu.
— Jura? Poderia fazer isso por mim? – Eu abri um sorriso enorme e ele também.
— Claro que sim. Seria uma honra, trabalhar com você.
Almoçamos e combinamos que eu iria para o meu primeiro dia de trabalho, na quarta feira. Eu havia realmente ficado muito feliz. Amava minha profissão, mesmo sem exerce — lá. E trabalhar na Caras era o sonho de qualquer jornalista, em sã consciência. Antes de ir embora, Fernando disse que me esperaria ansiosamente.
Fui para casa. Eu precisava ligar e contar tudo para Julia. Ela iria morrer quando descobrisse. Ainda mais trabalhar na Caras, a revista mais puxa-saco da família Gonzáles, que por um acaso é a família do meu amante. Ao chegar em casa, retirei os sapatos e liguei para Julia.
— Alô. – Ela atendeu com a voz de flauta.
— Oi amiga. É a Duda. Tudo bem?
— Duda! – Ela deu um pequeno gritinho. – Pensei que havia morrido. Não me liga, some, desaparece.
— Que drama. Nos vimos no sábado. – Eu ri.
— Tá, mas eu estava com saudades. – Ela riu.
— Sim, eu também. Preciso te contar umas fofocas. – Eu ri, enquanto me acomodava no sofá.
— Então me conta. Agora.
— Prefiro contar pessoalmente. Onde você está?
— No shopping. – Eu ri. – Ah, só pra variar né. Estou indo para aí, daqui a pouquinho. Me espere. Beijo. – Ela desligou.
Fui para o quarto e troquei de roupa. Vesti um shortinho de malha e uma blusinha de ginástica. Liguei o aparelho de som, e fiquei curtindo a música que tocava. Meu corpo se movia conforme a música, e eu cantava junto. Eu sentia um pouco da liberdade me inundando, parecia que somente agora eu estava completa. Eu tinha o amor da minha vida, um filho, um trabalho. E uma vida, finalmente. Finalmente, eu era alguém. Julia chegou me tirando de meus devaneios. Seu sorriso me iluminou, quando eu abri a porta.
— Olá, mamãe. – Ela deu ênfase à mamãe, e eu ri.
— Ber é mesmo um boca aberta, assim como você.Inegavelmente, irmãos.
— AH, Qual é? Eu sou a tia, tenho o direito. – Ela disse enquanto me esmagava em seus braços magrinhos. – Fico tão feliz por vocês. Bernardo sempre quis um filho.
— Eu sei. – Assenti. E ela me soltou.

— Mas vamos às novidades que eu ainda não sei. – Ela foi jogando a bolsa em qualquer canto, e sentou sobre o sofá.
— Pois é. Eu almocei com o diretor da Caras. E fui contratada, como colunista.
— Quê? Co-como assim? – Ela falou espantada.
— É, ele é meio que meu amigo. Aí me contratou. – Ela balançou a cabeça, confusa. – Eu já sei que o Ber e eu vamos brigar por isso, mas estou disposta a uma discussão por algo que eu sempre quis. Nunca exerci minha profissão, e agora chegou a hora. — Eu bufei.
— Duda. – Ela falou, calmamente. – Eu sei disso. Mas imagine como o Ber vai se sentir. Ainda mais agora, que você está grávida.
— Estou grávida, não doente. – Eu retruquei.
— É, eu sei disso. Mas será que ele, vai te entender? – Ela perguntou, me olhando.
— Não sei. Mas terá que entender, e aceitar. Não posso depender a vida toda dele. – Ela assentiu.
— Preciso ir embora. Eu e Felipe vamos sair hoje. – Ela sorriu, e seus olhos brilharam.
— Você o ama muito, não é? – Ela sorriu e suspirou.
— Amo. Amo mais que a mim mesma, Du. E ele me completa. Na cama, no amor. Em tudo.
— Que bom. E ele também a ama, muito. – Ela sorriu.
Nos despedimos, com mil e um abraços. Ela se foi, com o mesmo sorriso que havia chegado.