Blue Scorpion And Red Aquarius
13 Capítulo 13 IRMÃOS CRESCEM...
Notas iniciais
Com um sorriso nos lábios, Ikki dirigiu-se ao quarto do irmão. Estava feliz e queria dividir a sua felicidade. Bateu de leve e abriu a porta. Nada. O quarto estava vazio e já era bem tarde.
Onde será que Shun se meteu? Pensou Ikki franzindo o cenho.
Sentou-se na cama, tentando pensar onde ele poderia ter ido quando uma risada no corredor chamou a sua atenção.
Shun? Seria ele que ria de forma aberta, diferente do habitual riso contido e tímido?
Respondendo a sua pergunta, entrou seu irmão e Hyoga, rindo juntos com uma garrafa de champanhe nas mãos e duas taças. Ao deparar-se com o olhar agudo do irmão, Shun sentiu seu rosto ficar quente, enquanto Hyoga o encarava com um largo sorriso.
— Hã... Ikki, esse é Hyoga! Mas que bobagem, é claro que você sabe quem ele é! – falou Shun um tanto embaraçado.
— É claro que eu sei. – respondeu Ikki, sério. – E então, estou atrapalhando alguma coisa? – emendou a seguir.
— Não, claro que não! – disse Shun.
— Está! – cortou Hyoga.
— Hyoga! – falou Shun num tom desesperado.
Ikki olhou o jovem loiro de cima a baixo, avaliando-o como se ele fosse um inimigo a ser estudado. Depois se aproximou como se fosse um leão espreitando a presa e, mesmo assim, Hyoga continuou a encará-lo.
— Se não se importa, Hyoga, preciso ter uma conversa com meu irmão. Às sós! – disse Ikki. – cuidando para que a última frase soasse como um ultimato e tirasse aquele garoto arrogante da sua frente.
— Posso fazer uma pergunta antes de me... retirar? – perguntou Hyoga.
— Faça. – respondeu o moreno, secamente.
— Essa conversa que quer ter com seu irmão me inclui? Porque, se for sobre mim, eu prefiro permanecer.
Ikki suspirou, passou a mão nos cabelos escuros e foi em direção a Hyoga que permanecia firme. Ao chegar perto de Hyoga olhou-o da forma mais perigosa que conseguiu. Uma onda de adrenalina lhe percorria as veias e ele já estava com os punhos fechados quando Shun intercedeu.
— Ikki, eu e Hyoga estávamos comemorando o sucesso da reunião e...
— E estamos namorando. – completou Hyoga.
Ai, Meus Deus!!! Pensou Shun, arregalando os olhos.
— Como assim, namorando? – gritou Ikki.
— Namorando, como duas pessoas que se gostam, transam e ficam juntas, ora! Você é o mais velho aqui e deve saber dessas coisas.
Como alguém que sobrevive a um furacão e depois é colhido por um tsunami, Ikki correu os olhos de Hyoga para Shun e assim permaneceu por alguns segundos, sem saber o que dizer, engolido por aquele turbilhão de informações.
— Você... está querendo dizer que...você e meu irmão...
— Ikki... eu não sou mais um garoto. – disse Shun tentando amenizar a turbulência.
Ikki trocou o peso, do corpo esguio, de uma perna para outra. Então olhou para Shun e viu nos olhos verdes, uma mistura de angústia e outro sentimento que o fez parar e perceber que seu irmãozinho se aventurara por paisagens desconhecidas e um tanto perigosas sem o seu... apoio! Ou melhor, consentimento, aprovação e tudo o que se devia a um irmão mais velho!
Os olhos azuis do moreno cintilaram. Por um instante terrível, Shun imaginou que Ikki teria um ataque de fúria e o agarraria pelo pescoço, dada a expressão transfigurada que ele exibia.
Porém, com um profundo esforço, Ikki se controlou. A raiva e confusão, dentro de si haviam atenuado em uma forte irritação, porque diante de si não estava mais o menino que lhe dera cuecas de ursinho de presente, como um elo de eterna cumplicidade. Shun já era um rapaz de dezoito anos e, até ali, desempenhara suas responsabilidades com louvor. Mas saber que ele dera um passo tão importante sem ao menos, compartilhar revelava-se tão dolorido quanto uma traição...
Passou, novamente, a mão nos cabelos revoltos e inspirou, profunda e demoradamente, olhando para Hyoga que se mantinha ereto e, aparentemente, tranquilo, embora mexesse a perna esquerda como se estivesse acompanhando um ritmo dançante.
— Muito bem... Me deem esse champanhe e caiam fora! – disse Ikki arrancando a garrafa da mão de Hyoga com tanta força que as taças caíram e quicaram no carpete felpudo.
Hyoga olhou para Shun e adiantou-se, tentando argumentar:
— Bem, antes de sair eu gostaria de dizer que...
—Vem, Hyoga! Depois nós conversamos, mano. – disse Shun agarrando-o pelo braço e arrastando-o para fora do quarto.
Quando a porta se fechou, Ikki permitiu-se descarregar a emoção trancafiada sob a agressividade. Shun era um homem... Deus, seu irmãozinho crescera e... já tinha tido sua primeira experiência e ele... nem tivera tempo de aconselhá-lo!
Abriu o champanhe e bebeu no gargalo, deixando cair as lágrimas que haviam ficado trancadas na garganta...
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Muitas horas depois, olhando a neve caindo em uma das janelas do salão, Ikki apertava o canto interno dos olhos doloridos. Tinha que descansar, pois o jantar de encerramento seria no dia seguinte e ele precisava estar focado. Levantou-se da cadeira em que sentara depois de deixar o quarto de Shun.
Precisava de ar, parecia sufocado e com uma angústia no peito, como se tivesse perdido algo. Uma sensação de desespero infrutífero o enfureceu. Queria falar com Shun, mas não conseguia e o irmão, conhecendo-o mantinha-se à distância.
Ótimo! Tinha vontade de quebrar a cara daquele moleque atrevido que ousara... ousara seduzir seu irmão. E também queria dar umas palmadas em Shun, mesmo que fosse um homem. Merda!
Quando abriu a porta do salão vazio, um par de olhos azuis encarou-o, um tanto surpreso.
— Ikki? O que faz aqui há esta hora?
O moreno passou a mão nos cabelos, o gesto típico que fazia quando estava nervoso.
— Estou um pouco tenso, só isso. – respondeu, tentando sorrir.
Shaka olhou-o, sentindo dentro de si, toda a angústia que Ikki tentava esconder. Podia ver pelo movimento convulsivo da garganta, tentando engolir a angústia e o arfar do peito movendo-se rápido, que algo não estava bem.
— Não precisa mentir prá mim, Ikki. O que aconteceu para deixá-lo desnorteado desse jeito? – perguntou Shaka tocando o queixo anguloso do moreno.
— Nada, Shaka. Agora se me dá licença...
— Confie em mim... – sussurrou o indiano contra os lábios que sentia estarem tremendo, enquanto aproximava o corpo para estreitar Ikki num abraço.
— Shaka...
Ikki ficou perdido, incapaz de se proteger da forma carinhosa e, ao mesmo tempo, decidida de Shaka tocá-lo. Seus lábios se entreabriram e, desta vez, foi Shaka que o puxou junto a si e o beijou.
Sob a possessão de sua boca, Shaka sentiu a angústia sendo substituída pelo desejo e Ikki agarrou-se a ele com fome, tomado por uma excitação feroz...
Era tarde demais para recuar, tarde demais para deixar para depois... Ikki gemeu quando a ponta da língua de Shaka inquiriu seus lábios e apertou os músculos do antebraço do indiano, enquanto o puxava para si, as mãos deslizando por baixo do casaco e acariciando o corpo esguio...
Shaka abriu os olhos a apartou o beijo. Em seu íntimo, sabia do quê Ikki precisava e estava disposto a pagar o preço. Por motivos alheios a sua vontade, não suportava vê-lo daquele jeito.
Os dois se olharam, em silêncio, e o indiano pegou Ikki pela mão, levando-o até seu quarto.
No ambiente aquecido e somente iluminado pela luz de um abajur, os dedos trêmulos de Ikki abriram a túnica de Shaka, libertando o tórax alvo e bem proporcionado rumo à possessão da carícia de suas mãos, enquanto seus lábios o provocavam e roçavam com força nos dele até que os abrisse com um gemido suave de prazer...
Em seguida, a língua começou um ritmo lento e sensual entre a umidade da boca de Shaka, combinado à investida dos dedos másculos em seu mamilo intumescido...
Sob a luz difusa, o olhar de Ikki se deleitou na forma perfeita e na pele alva de Shaka, a palidez contrastando com a escuridão inchada de seus mamilos que se ofereciam a ele como pequenas frutas sagradas... A dor no próprio sexo ereto pulsou furiosamente, lutando contra o autocontrole, enquanto suas mãos se movimentaram para mais abaixo, livrando o indiano do restante das roupas.
Shaka o observava com um torpor e surpresa. A atenção focada no rápido movimento habilidoso que afetava todo o seu sistema de respostas racionais. Sentiu-se como se estivesse fora de si, como se tivesse se tornado outra pessoa...
Acostumado a aconselhar e consolar, agora se via ansioso e sedento pelos toques íntimos e pela possessão como nunca havia sentido. Como alguém tão jovem podia despertar tantas sensações prazerosas que não se reduziam, somente, ao corpo?
Ikki tocava-o de um modo intimo e assustador, fazendo-o inclinar o corpo e clamar pela sensação dele dentro de si. Em resposta, Ikki pegou uma das mãos dele com a mão que estava livre e a colocou sobre sua ereção, enquanto a outra deslizava para dentro do calor úmido do corpo quente do indiano.
Enquanto o moreno explorava, mergulhando mais fundo com os dedos e preparando Shaka para a penetração, a mão do indiano apertava a sua ereção e se agarrava a ele, acariciando-o enquanto ofegava e sentia o corpo arder...
Os olhos de Shaka se fecharam, enquanto os lábios avermelhados de excitação se abriam e emitiam gemidos intensos que excitavam Ikki e indicavam que ele estava no limite.
Os dois não podiam esperar muito mais, Ikki sabia. Agora, tudo o que queria fazer era separar as coxas voluntariosas e bem feitas e se afundar nele, sem parar, até vê-lo chegar ao orgasmo e gemer seu nome...
Ele baixou a cabeça e tomou o mamilo túrgido na boca, lambendo e mordiscando eroticamente sobre a carne tesa, pressionando a mão livre contra as costas de Shaka de modo a embalá-lo com uma sexualidade deliberada contra sua boca e seus dedos.
Sugava-lhe os mamilos profundamente, estimulando-o com os dedos e afastando as pernas com as suas. As coxas musculosas pedindo passagem enquanto sua ereção tornava-se ainda mais rija devido aos sons combinados que compartilhavam sensualmente, os gemidos ficando mais intensos e profundos...
A respiração tornou-se acelerada, os ofegos indicando a necessidade aguda de pertencerem um ao outro. Ikki olhou dentro dos olhos úmidos de Shaka e depois o beijou de forma profunda, imprimindo ao movimento rítmico da língua uma amostra do que faria ao penetrá-lo.
Shaka sorriu e arqueou o corpo quando, finalmente, Ikki o tomou com uma investida firme e profunda. A boca de Shaka abriu-se num ofego de prazer e dor, enquanto Ikki movia-se de forma lenta e ondulante, fazendo-o sentir a pulsação do falo poderoso dentro de si.
Totalmente entregue ao universo luxuriante que era sentir o corpo de Ikki colado ao seu, Shaka enlaçou as pernas em torno do corpo dele e gemeu de prazer em um ímpeto delirante, vendo-o grunhir de prazer ao ver-se enterrado por inteiro, nas profundezas do seu corpo.
Era um deleite inédito, uma descoberta que ambos desfrutavam, ao mesmo tempo e com a mesma melodia a percorrer-lhes as veias e as peles numa sinfonia repleta de sensualidade.
Nenhuma das experiências sexuais de Ikki o envolvera e acariciara de forma tão sedutoramente surpreendente, fazendo-o ansiar de forma intensa pelo movimento forte, apaixonado dos músculos, enquanto Shaka se movimentava sob seu corpo aprofundando o contato que o enlouquecia de prazer.
Um surto de excitação furiosamente masculina o levou a estocar mais fundo, o corpo tomando conta do corpo do indiano, preenchendo-o, guiando o prazer de ambos até se movimentarem como um só, presos nas teias de prazer que pele, ossos, alma e espírito se enredavam, tornando-os presas de uma felicidade efervescente e inédita, capaz de curar todas as dores...
Shaka chegou ao orgasmo primeiro, gritando rouco e enrijecendo o corpo numa sucessão de movimentos explosivos que fizeram do gozo uma série de convulsões quentes e pulsantes que se derramou no tórax de Ikki.
Em seguida foi a vez de o moreno grunhir alto e estocar fundo e forte, inundando o corpo de Shaka com seu sêmen abundante e deixando-se cair sobre o peito úmido e latejante do indiano.
Ficaram ofegantes e abraçados, a euforia de alívio pós-orgasmo banhando os corpos. Shaka foi o primeiro a falar, enquanto tocava com suavidade o rosto de Ikki.
— Você é sempre surpreendente... Agora, quer me dizer a razão de tanta angústia?
— Depois de ter você, tudo parece... secundário. Acho que tenho que admitir que não posso controlar tudo, embora isso seja muito difícil prá mim.
— Por acaso, isso tem relação com seu... irmão? Vi que ele e Hyoga... bem, eles são jovens e estão descobrindo a vida juntos.
— Parece que o menino que eu sempre protegi cresceu e não... precisa mais de mim. – disse Ikki com mágoa na voz.
— Não seja bobo... Shun sempre vai amá-lo. E depois, ele tem um bom exemplo, pode ficar tranquilo que isso o ajudará a fazer boas escolhas. – falou Shaka acariciando o rosto afogueado e com uma insinuação de barba.
— Você transformou a mim e o meu dia... Nunca pensei que podia ama... quer dizer, gostar tanto de estar com alguém como sinto quando estou com você. – disse Ikki sentindo o rosto arder.
— Você também me transformou... Agora, venha cá... – sussurrou o indiano, enquanto sorria e trazia o rosto de Ikki para mais perto, beijando-o até nada mais importar.
Lá fora, a neve caía devagar, e Shaka fechava os olhos, enquanto pensava no que havia dito a Shun, quando ele e Hyoga o tinham procurado com os olhos assustados e o coração aos pulos.
Deixem que eu falo com ele... Não se preocupem, Ikki é orgulhoso e dominador, mas seu coração é ainda maior.
Agora, abraçado a Ikki e ouvindo as batidas de seu coração, tinha a confirmação de suas palavras e um sentimento gostoso e profundo o fez acariciar os cabelos escuros e deixar-se embalar pelo sono, após fazer amor com ele, pela segunda vez...
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Ikki costumava odiar aqueles primeiros momentos do dia, logo depois de acordar quando ainda não tinha total controle sobre seus pensamentos.
Esta manhã, porém, ele tinha motivos de sobra para estar feliz. A começar pela sensação quente e gostosa do corpo de Shaka junto ao seu e do sorriso que ele lhe deu mesmo que fosse cinco horas da manhã e o céu ainda estivesse escuro como breu.
Levantou-se e dirigia-se para o seu quarto quando o indiano o chamou para se despedir com um beijo e um desejo de boa sorte. Os olhos azuis estavam faiscantes e os lábios abertos num sorriso que o deixou excitado. Cara, como aquele indiano o fazia sentir desejo num piscar de olhos e, literalmente!
Porém, Shaka o aconselhara a resolver as coisas com Shun, antes que a manhã começasse cheia de trabalho e últimos arremates na organização do evento noturno. Então, a contragosto, despediu-se dele e foi falar com seu irmão.
O som da batida forte fez com que Shun sentisse um frio no estômago, mas mesmo assim ele foi até a porta e abriu-a, dando de cara com seu irmão.
— Posso entrar? – perguntou Ikki.
— C-Claro! Não precisava nem perguntar! – respondeu Shun, nervoso.
— Sim, eu precisava. As coisas mudaram e eu podia... estar atrapalhando algo. – disse o moreno.
— Ikki... Você é meu irmão e nunca iria me atrapalhar. – falou Shun sentindo os olhos marejados.
— Você cresceu, Shun. Custo a acreditar nisso, mas é a realidade. Já é um homem, já... transou e... Bem, eu só quero dizer que sempre estarei aqui quando precisar. – falou Ikki, emocionado.
— Mano... – disse Shun abraçando-o tão forte que ambos sentiram os batimentos cardíacos um do outro.
Ikki retribuiu o abraço e permitiu-se rir e chorar, ao mesmo tempo. Seu irmão havia crescido, mas como Shaka havia dito, o amor entre eles seria eterno, porque ambos eram abençoados com uma cumplicidade rara e indestrutível.
— Só tem uma coisa... se aquele loiro empertigado te fizer sofrer, eu o mato!- falou Ikki.
— Hyoga não é empertigado... E eu gosto muito dele. – choramingou Shun, apertando ainda mais o irmão junto de si.
— Tudo bem, mas que ele fique avisado...
Shun riu e Ikki afagou os cabelos longos, depois caíram na cama fazendo cócegas um no outro. Enfim, irmãos crescem, a vida continua e eles tinham um evento para encerrar com competência e louvor.
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