Blue Scorpion And Red Aquarius

14 Capítulo 14 VIVER É ACEITAR RISCOS...


Notas iniciais
Último capítulo! Obrigada a todos que acompanharam, comentaram, pediram, silenciaram. Um grande beijo!!!

— Estava esperando por você. – disse Camus, quando Milo entrou na sala de reuniões do hotel. – E então, está pronto? Tem certeza que não sente mais dor?

Milo levou a mão à garganta, com um desconforto visível e sorriu.

— Tirando essa gravata dos infernos! A única coisa que eu sinto é... ansiedade. – respondeu Milo.

Camus riu e olhou dentro dos olhos de Milo. Aproximou o rosto e pressionou os lábios contra a boca carnuda do grego, beijando-o de forma intensa e apaixonada.

Milo sentiu o corpo vibrar de desejo. Um arrepio percorreu-lhe a espinha e os braços até a nuca, acelerando sua pulsação e fazendo-o desejar esquecer tudo e ficar assim, sentindo o gosto de Camus...

Devagar, Camus finalizou o beijo, depois ajeitou a gravata com a competência de quem estava acostumado àquela peça do vestuário masculino.

— Pronto. Viu? Não é tão difícil. Quanto à ansiedade, relaxe. Você e Shaka fizeram um excelente trabalho. Todos comentaram o quanto esta convenção foi proveitosa e dinâmica. Agora, preciso resolver alguns detalhes. – falou o ruivo.

Sorrindo, Milo ficou um tanto tonto com o beijo e com o elogio. Quando se deu por conta, Camus já tinha saído e ele estava ali, parado, sentindo-se feliz como quando era um garoto...

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A noite final, enfim chegara. O salão estava decorado com guirlandas feitas de pinheiro e exalavam um aroma leve e fresco. Velas aromáticas se somavam a elas, iluminando o ambiente de forma acolhedora e misteriosa.

A grande mesa, de forma circular, estava ornada com uma toalha branca com detalhes em dourado. Sobre ela haviam frutas secas e frescas, pães, tábua de carnes defumadas, tortilhas irlandesas e três tipos de vinho: tinto, rose e branco.

Na antessala, Saori Kido estava radiante, enquanto Aldebaran, ansioso e sorridente, trocava algumas palavras com Guilty. O murmúrio das conversas era constante e, mesmo sendo poucos, o grupo imprimia uma atmosfera de movimento e excitação ao lugar.

Jamian não deixava de observar Milo. Devorava-o com os olhos, enquanto Saga e Kanon fingiam não perceber o olhar despudorado do empresário e continuavam a conversar descontraidamente.

Aiolos trocava poucas palavras com Hyoga sob o olhar atento de Camus que passava instruções para alguém através do celular. Quando Milo foi interpelado por Jamian, Camus estreitou os olhos vendo que o grego tinha uma expressão incomodada e inclinava a cabeça para ouvir o que o outro dizia.

No mesmo instante, Bowan aproximou-se de Camus para cumprimentá-lo com um sorriso largo e um forte aperto de mão, interrompendo a conexão visual do francês.

Entretanto, como um perfeito homem de negócios, Camus cumpria seu papel com facilidade. Sua personalidade sagaz casava perfeitamente com sua racionalidade. Avaliava situações de risco num piscar de olhos, enquanto discorria sobre assuntos mais amenos e portava-se de uma forma impecavelmente polida.

E a mesma postura o fazia avaliar aquela situação com desagrado. Antes de ser interrompido por Bowan, percebera a manobra de Jamian, a mudança de atitude, o jeito quase tímido com que ele sorria. Era uma tática de reaproximação... O maldito não desistira de Milo! Um desejo que aquele cafajeste não realizaria...

— Com licença. – Ele se desculpou com Bowan que se mostrava animado com os hóspedes. – Preciso resolver um assunto, antes do jantar.

Ouvindo os agradecimentos do dono do hotel, Camus foi na direção de Jamian, ignorando os olhares que o seguiam. Sua atenção estava concentrada no homem trajado com um smoking preto que acentuava a aparência que lhe conferia o apelido de corvo e no loiro que despertava seus sentimentos mais profundos.

Desconfortável, Milo controlava-se para não esmurrar Jamian que continuava com aquela fala mansa, pensando que ele não percebia as suas intenções. Ele não era ingênuo, crescera na vida boêmia e compreendia muito bem o jeito aliciante que o empresário apresentava.

Usando seu autocontrole, Milo procurou localizar Shaka, mas o que encontrou foram os olhos ardentes de Camus. Por um instante, o grego pensou ter visto uma ferocidade estranhamente primitiva nos olhos do amante, enquanto vinha em sua direção.

— Perdoem-me a intromissão, posso falar com você um instante, Jamian? – perguntou Camus num tom casual.

— Antes do jantar? – perguntou o empresário deixando evidente que não estava nem um pouco a fim de falar com o francês.

— Agora. Vamos ao reservado. – sentenciou Camus e o tom deixou de ser ameno para transformar-se numa intimação. E, Milo? Creio que Shaka está aguardando a sua presença para finalizar alguns detalhes. – finalizou com um sorriso gentil.

Milo sorriu de volta e olhou para Jamian. Depois saiu e foi ao encontro de Shaka.

Instantes depois, quando Camus voltou sozinho, Milo o interrogou, estranhando o comportamento dele e aquela situação, em especial.

— O que aconteceu? – perguntou o grego, sério.

— Nada com que você tenha que se preocupar. Vamos, temos um jantar à nossa espera. – respondeu Camus.

Milo não se deu por vencido e olhou por cima do ombro do francês. Jamian vinha logo atrás e não estava mais sorridente. Parecia um tanto... amassado? Um olhar mais atento recaiu sobre os olhos do empresário. Parecia que ele tinha... chorado ou... levado uns tapas no rosto?!

— Camus... o que você fez com ele? – Milo tornou a perguntar.

— Apenas, deixei bem claro, algumas coisas. – disse Camus com ar displicente.

— Que coisas? Parece que você... bateu nele, isso sim. O cara tá todo torto – disse Milo franzindo o cenho.

— Eu? Usar de violência? Que ideia mais descabida, Milo. Sou um homem de diálogo. Vamos, já está na hora. – respondeu Camus mexendo os dedos da mão direita, discretamente...

Por um instante, Milo olhou para Camus e a expressão do francês era tão enigmática quanto à de uma esfinge. Então ele estreitou o contato visual e Camus sorriu como quando eram garotos e ambos haviam transgredido roubando uma maçã.

— Eu conheço esse sorriso... Você não sabe mentir, Camus! Bateu nele sim! E fez isso por que...

— Porque ninguém abusa com aqueles que eu amo. – cortou Camus, vencido pelo argumento de Milo.

Aqueles que ama?

— Sim, você, meu irmão e meus amigos. Jamian já tinha abusado da minha paciência quando o beijou a força, naquela noite. Já era hora de ensiná-lo a se portar como um cavalheiro. Eu, somente, dei uma sacudida nele, embora meu desejo fosse quebrá-lo por inteiro.

Milo riu. A forma como Camus falava e o fato de ter perdido a pose por ciúmes foi o suficiente para que a sua noite já estivesse sendo perfeita.

— Ele tava me cantando e achando que eu não estava percebendo. Eu ia dar uma lição nele, mas você se adiantou... – disse Milo com um sorriso malicioso.

— Pois agora, ele pensará duas vezes antes de agir como um cafajeste e cobiçar o que é do próximo. – falou Camus.

— Não conhecia essa sua veia possessiva... — disse Milo puxando Camus para trás de um pilar.

— Nem eu... – respondeu Camus, sabendo o que Milo faria a seguir.

Entretanto, o francês se enganou. Milo não o agarrou ou tocou de forma íntima. Apenas, olhou-o bem dentro dos olhos e falou com uma seriedade tão impactante quanto o seu riso mais caloroso:

— Eu te amo, Camus. Desde que nos vimos na porta da sua casa, naquela tarde, eu soube que minha vida jamais seria a mesma. Éramos garotos, eu sei. Mas, eu nunca tinha sentido algo tão forte como senti quando nossos olhos se encontraram. Então eu soube que estava perdido, porque um sentimento assim nunca acaba. Se você... não tivesse me perdoado eu...

— Shhhh... – disse Camus interrompendo e tocando os lábios de Milo com os dedos. – Como você mesmo disse, éramos garotos e eu... eu tive muitas perdas e enganos. Também nunca deixei de amá-lo, escorpião. Você sempre trouxe calor a minha vida... sempre!

Os rostos se aproximaram devagar, ambos sentindo o calor da respiração um do outro, porém, o som de um címbalo os trouxe de volta ao presente. Shaka tocava o instrumento chamando a atenção de todos para o que viria, a seguir.

— Senhores, senhorita... A partir de agora, nós os convidamos para vivenciar uma experiência sensorial. Ela precederá ao jantar de encerramento e é uma forma de agradecer pela confiança e disponibilidade de todos vocês. Asseguro-lhes que será uma experiência agradável e prazerosa. Obrigado!

Ao término da fala de Shaka, os executivos foram vendados e conduzidos até o salão. Havia um clima de excitação, pois a qualidade da visão era um dos sentidos mais utilizados no mundo dos negócios. Como diria Aldebaran, um empresário tinha que ter “olhos de águia” para sobrevoar sobre as propostas e escolher a que mais traria benefícios.

Uma a um, foram sentando e desfrutando daquela atmosfera de aromas, sons e sensações. Os pratos que compunham a entrada dispensavam talheres e cada um podia sentir a textura das frutas, dos pães e das carnes, previamente, cortadas em pequenos cubos. Espetadas com garfinhos especiais, as iguarias podiam ser selecionadas e degustadas sem que os dedos a tocassem.

Saori gemeu de satisfação ao experimentar um cubo de carne defumada recheada com queijo e molho bechamel.

Aldebaran encheu a boca com os pães recheados com batata e bacon, enquanto Saga apenas bebericava um delicioso Château D’yquem 1811, um dos vinhos tintos mais caros da Europa.

Jamian também bebia vinho, tentando amortecer o maxilar dolorido, após a conversa que tivera com aquele francês dos infernos. Que soco tinha aquele filho da mãe! Pensou o executivo, enquanto sentia arder a parte interna da boca e lembrava a fala irada de Camus: “Se eu perceber um olhar seu na direção de Milo que não seja, estritamente, profissional, juro que quebro essa sua cara torta ou a conserto de vez! Não ouse confrontá-lo ou a qualquer outro que esteja aqui à trabalho. Você não está num prostíbulo, portanto comporte-se de forma decente ou terá que fazer negócios na Sibéria.”

Hyoga desfrutava de uma taça de vinho branco, enquanto relembrava os momentos que tivera com Shun. Sabê-lo ali, enquanto estava vendado despertava em si uma excitação e algumas ideias para depois do jantar...

Shaka e Ikki orquestravam tudo com sincronia e um leve sorriso insinuava-se no rosto do indiano quando observava a expressão de prazer nos rostos vendados. Entretanto, sem que Shaka soubesse, Ikki tinha mais uma surpresa...

Assim que todos já haviam experimentado as iguarias e pareciam satisfeitos, Shiryu, Shun, Milo e Seiya foram retirando as vendas dos empresários numa atmosfera à meia-luz para que não fosse desagradável aos olhos.

Quando abriram os olhos, todos ficaram deslumbrados com uma cena digna de filme: num palco montado na parte central, do imenso salão, havia um pequeno grupo composto por três casais.

O som dos tambores e das flautas sinalizou o início da dança típica irlandesa que incluía um belíssimo e sensual sapateado formando uma roda que se abria e fechava numa alusão aos ciclos da natureza.

Extasiados, tanto os empresários, quanto os jovens que estavam ali a trabalho, todos assistiam ao espetáculo que recriara a magia dos povos que compunham a Irlanda. Shaka fitou o rosto de Ikki e recebeu um sorriso triunfante, pleno de orgulho e segurança.

— Ponto para você. – disse Shaka, apenas mexendo os lábios.

— Tive o melhor dos mestres. – respondeu Ikki, da mesma forma que o indiano.

Ambos sorriram, enquanto o espetáculo arrancava aplausos entusiasmados de todos os presentes. Fora do hotel, a neve caía em finos flocos e o vento criava espirais no ar gélido como se acompanhasse a dança vigorosa entre as grossas paredes...

Risos, conversas e aromas preenchiam a noite que estava começando. O jantar que se seguiu, apenas fechou, com chave de ouro, aquele evento que mudaria a vida de todos, ali presentes. Garçons vestidos com túnicas claras desfilavam com pratos e bebidas, servindo com eficiência e gentileza. A decoração natalina já antevia as festas de fim de ano e todos foram envolvidos por uma atmosfera de alegria e camaradagem.

Camus discursou, enfatizando o excelente trabalho feito e comunicando que a Leclercq Aquarius Corporation criaria um programa de Trainee para jovens empreendedores e também indicaria os jovens que haviam trabalhado na convenção para cargos de liderança em empresas com as quais negociava.

A equipe toda, sob a responsabilidade de Shaka e Milo, foi parabenizada e já começou a ser disputada pelos empresários que ali estavam, cuja visão já antecedia novos eventos. Foi um momento de celebração e, ao mesmo tempo, o início de novos empreendimentos, criando um movimento produtivo e abrindo caminhos para que outros tivessem acesso ao programa criado por Camus.

Milo terminou a taça de champanhe e olhou ao redor. Tinha sido bem sucedido, os garotos haviam sido surpreendentes e impecáveis e reconquistara o amor de Camus. Pensou em seu pai e no legado boêmio que muitas vezes acenara como a única alternativa. Elevou a taça num brinde silencioso e agradeceu a todos os desafios que tivera em sua vida. “Estou aqui, vivo e forte.” Pensou, enquanto ainda sentia o borbulhar fresco do champanhe dançar em sua boca.

— Curtindo o sucesso?

Ele se virou, dando de cara com Camus, cujo olhar parecia transbordar de admiração e desejo.

— O crédito não é somente meu. Todos se empenharam ao máximo. – respondeu Milo sem esconder o quão emocionado estava.

— Eu sei. Mas, se não tivesse me enfrentado naquele dia, talvez tudo tivesse sido diferente. Agora, já que tocamos no passado... Lembro-me de certa festa, onde fomos interrompidos de maneira desagradável. Eu estou um tanto nostálgico, hoje e... gostaria de reviver alguns momentos. – falou Camus com o olhar penetrante.

— Festa? Não sei... Minha memória está falhando... – respondeu Milo de forma provocante.

— Bem, eu me disponho a... refrescar a sua memória. – disse Camus.

— Agora? – perguntou Milo.

— Neste exato momento. – falou Camus olhando Milo com um sorriso espontâneo e sensual.

Milo permaneceu parado, enquanto Camus se aproximava o suficiente para sussurrar em seu ouvido:

— Espero que sua memória não tenha esquecido o que você me perguntou naquele dia... E nem o que se seguiu, depois que eu respondi.

O grego fechou os olhos e, em sua mente, a imagem do rosto enrubescido de Camus ao aceitar que ele o possuísse, causou-lhe uma excitação instantânea, fazendo seu membro endurecer e pulsar de forma insana.

— Camus... seu safado. – ofegou Milo, entre dentes.

Sorrindo, Camus deu-lhe as costas e deixou o salão. Milo seguiu logo atrás, tentando disfarçar a ereção, enquanto todos estavam ocupados conversando, bebendo e cantando músicas típicas ao som do alaúde. Entusiasmado, Bowan exibia seus dotes de tenor, ao lado de Marin que o acompanhava, enquanto os outros se contentavam e murmurar ou cantarolar baixo.

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A lareira acesa não era a única responsável pelo calor da suíte ampla. O ardor dos corpos unidos preenchia todos os espaços, enquanto pernas, braços, mãos e bocas se buscavam numa trilha frenética de gemidos e paixão explícita...

Excitado de modo insuportável, o falo de Milo pulsava de encontro às coxas fortes de Camus. O rosto do francês estava rubro e ele arfava enquanto os dentes de Milo arranhavam e atiçavam os seus mamilos intumescidos.

— M-Milo... eu... – gemeu Camus, quando as mãos habilidosas do grego o acariciaram com força e intimidade.

Não conseguiu terminar a frase. Milo puxou-o pela nuca e empreendeu um beijo devorador e profundo. O corpo do grego unia-se ao seu de um jeito faminto e a boca carnuda buscava a sua, mordiscando e lambendo, entrelaçando as línguas numa dança de ofegos e saliva que ensandeciam a pele, fazendo-a arder e molhar-se de suor...

— Não sabe o quanto, Camus... O quanto esperei por isso... – sussurrou Milo deixando a boca do francês, enquanto se abaixava e lambia toda a extensão do tórax que se arqueava abaixo de si.

Detendo-se no umbigo, Milo continuava degustando a pele alva, enquanto suas mãos fortes apertavam as nádegas roliças para depois descer ao interior das coxas e deixá-las prontas para sua língua ávida e quente.

O grego sugou, mordiscou e lambeu com gosto o falo pulsante de Camus antes de colocá-lo na boca. O francês gemeu e arqueou o corpo, tomado por um desejo agudo e voraz. Só Milo fazia seu corpo pulsar daquele jeito e ansiar por ser preenchido. Somente ele era capaz de fazê-lo perder o controle, de fazê-lo grunhir sem amarras ou pudores.

Sentindo a urgência do amante, Milo sugava o falo de Camus, enquanto preparava-o para a penetração espiralando seus dedos no interior dele, extraindo dos lábios bem desenhados, ofegos e gemidos cada vez mais altos.

Então, quando sentiu as mãos de Camus apertar seus ombros com desespero, Milo segurou-o pelos quadris e se pôs entre as coxas musculosas. Num único movimento, se encaixou na entrada pulsante e mergulhou fundo, enquanto sua boca buscava a de Camus e sorvia do hálito quente...

Camus ofegou e seus dedos seguraram Milo pela nuca. Seus olhos febris e a boca entreaberta fizeram Milo controlar-se ao máximo e esperar que ele se ajustasse à invasão antes de se mover.

Enquanto esperava, Milo desceu os lábios pelo pescoço de Camus, a ponta da língua surgindo e lambendo a pele que se arrepiava com aquele contato, as mãos estreitando-o para mais junto de si... O francês sorriu e se remexeu, passando a língua nos lábios e desfazendo o último fio de controle que Milo tecera para si.

A firmeza apertada do corpo de Camus, somada ao fato que ele sabia ser o único a quem o francês se entregava, fez Milo se enfiar dentro dele muitas e muitas vezes, estimulado pela pulsação do corpo que o acolhia e pelos gemidos de prazer que escapavam roucos.

Camus gemeu alto, quando se sentiu tocado no fundo do corpo, ao mesmo tempo em que os dentes alvos de Milo mordiscavam a curva do seu pescoço e ele se agarrava aos ombros do grego, afundando os dedos na pele quente. A possessão prazerosa fazendo-os se agarrar um no outro, com loucura, tesão e desespero.

Os movimentos ficaram mais rápidos e veementes, ambos gemiam cada vez mais alto e os corpos se chocavam numa louca tentativa de fusão extrema, de possessão total...

Os quadris moviam-se no ritmo sôfrego que antevia os tremores do gozo, fazendo Camus sentir a masculinidade do amante apropriando-se das profundezas de seu corpo e, Milo, a acolhida do corpo quente que era a sua redenção e a sua vida.

O suor cobria seus corpos, em minúsculas gotas, a respiração não tinha mais controle, anunciando que a loucura que os acometia estava próxima do clímax...

Camus fechou os olhos, sentindo seu corpo ser arremessado numa torrente de prazer e vibrar numa intensidade que o fez grunhir de forma profunda e gutural. O orgasmo irrompeu quente e abundante no tórax de Milo, enquanto ele estremecia convulso, contraindo-se em torno do membro ereto que estava mergulhado dentro de si.

Ao sentir-se engolido, Milo também gozou, envolvido pelo delicioso aperto da cavidade que o massageava, estreitando-se em torno de seu falo, enlouquecendo-o de um prazer delirante que o fez estocar mais fundo e rápido, derramando-se dentro do francês.

— Camus... – disse Milo ondulando os quadris e projetando-os para baixo, sentindo seu sêmen preenchendo o amante e buscando a boca entreaberta dele, para sorver os ofegos luxuriantes do orgasmo...

Sacudido por aquele clímax intenso e perturbador, Milo desabou sua cabeça sobre o corpo de Camus. O ruivo exalou o ar de forma rouca, acariciando-o nas costas e nos cabelos molhados de suor. Permaneceram unidos por um tempo, até Milo sair de dentro de Camus e estreitá-lo em seus braços, beijando-o com ternura.

O sono veio, mas Milo resistiu bravamente. Ficou abraçado à Camus e quando o sentiu adormecer, levantou-se devagar e deixou o quarto.

“Eu volto, meu amor...” Sussurrou entre os cabelos ruivos, antes de sair tão silencioso, quanto um felino.

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A boca de Kanon estava quente, tinha gosto de vinho e ele a abrira com a mesma sofreguidão, enroscando a língua ávida na sua, puxando-o contra si como se nunca mais fosse soltá-lo...

Inebriado, Saga agarrava-se ao corpo semelhante ao seu e perdia-se no percurso profundo e sensual dos beijos do irmão. Acariciaram-se com força, os corpos se encaixando, esfregando... As bocas movendo-se com luxúria, preenchendo todos os espaços. A respiração quente e ofegante marcando territórios que ambos tinham demarcado em seus corações.

Kanon abriu um sorriso largo e encostou-se na porta do quarto, sentindo as mãos fortes de Saga deslizarem até alcançar-lhe as nádegas, segurando-as firmes contra o quadril ondulante e a ereção potente que mais parecia uma rocha.

Ali mesmo, de pé, Saga o tomou com paixão e fúria, despindo-o e penetrando-o da forma possessiva que fazia Kanon estremecer e ofegar de extremo prazer.

À medida que se aprofundava dentro do corpo do irmão, Saga sentia-se completo, viril e em casa... Toda e qualquer culpa que viesse sentir parecia uma pálida e frágil visão ante ao olhar úmido de Kanon quando gozava em seus braços.

Moviam-se juntos, gemiam e efervesciam tomados pelos tremores que sinalizavam o orgasmo. E quando aconteceu, ambos souberam que não havia mais volta, que o prazer intenso era apenas um reflexo de um amor proibido, mas profundo, inegável, inevitável...

Amar Kanon era única verdade que Saga admitia para si mesmo... Possuí-lo era como adentrar a própria alma, resgatar o melhor de si.

Kanon gritou, sentindo o sêmen quente dentro de si e verteu seu prazer sobre o corpo de Saga, ambos chegando juntos ao clímax, o som dos gemidos reverberando dentro e fora, numa sincronicidade ímpar...

Com o corpo ainda trêmulo, Kanon entrelaçou-lhe os dedos e pressionou a face contra o peito do irmão, logo acima do coração. Sentindo o ritmo acelerado do coração dele, Kanon sorriu e falou:

— Podem dizer que o que fazemos é errado, mas... quando me possui tudo faz sentido.

Saga sorriu triunfante. O corpo saciado de um jeito que o fazia sentir-se poderoso. Inspirando, profundamente, puxou Kanon para mais um beijo, deliciando-se com o gemido baixo de entrega que ecoou em sua boca.

Foi então, que a porta se abriu e uma voz grave e num tom divertido soou como um golpe:

— Perdoem-me interrompê-los num momento tão privado e... íntimo como esse!

— O quê? Que faz aqui, Milo? – falou Saga arregalando os olhos com a presença do grego.

— Digamos que... eu vim encerrar, definitivamente, um assunto entre nós dois.– Acho que cheguei numa boa hora, não?- disse Milo olhando os dois de cima a baixo.

— Que assunto? Eu já falei tudo o que devia. O que quer de mim? – falou Saga posicionando-se na frente de Kanon.

— Apenas devolver isso! – disse Milo atirando um pequeno pacote na direção de Saga.

Saga franziu o cenho e antes que perguntasse, Milo teve o prazer de esclarecer o conteúdo do pacote.

— Aí está, Saga. Este é o dinheiro daquela aposta! Eu nunca o usei, mesmo nas horas em que uma soma destas poderia ter me livrado de maus momentos. Agora, é o momento ideal para devolvê-lo.

— Sei... você queria a sua vingança, não é mesmo? Acha que me humilhar fará com que se sinta menos idiota. Pois bem, vá em frente...

Milo inclinou a cabeça e olhou para os dois homens a sua frente.

— Eu confesso que sempre quis te dar o troco por ter feito aquilo comigo e Camus. Queria muito ver a sua cara ao ser pego, após uma transa, mas agora, falando sério... É como se eu visse você transando com você mesmo. Isso é bizarro, cara! – disse o grego rindo.

Saga sentiu o rosto ferver e Kanon adiantou-se, com uma expressão fechada.

— Olha, Milo, eu sei que Saga aprontou com você no passado, mas agora chega, está bem? Por favor, deixe-nos às sós. – disse o gêmeo mais novo.

— Ok! Ok! Vamos esquecer isso... – disse Milo levantando as mãos. – Estou saindo.

O grego deu as costas, enquanto Kanon passava as mãos nos cabelos e Saga bufava. Ao chegar à porta, Milo não se conteve e falou:

— Advogados brilhantes e bem-nascidos como vocês, devem saber que nem tudo que é legal é moral... Portanto, se eu estivesse no lugar de vocês, eu tomaria cuidado. Irmão comendo irmão... Já pensaram que coisa horrível se vocês forem confundidos com vadios imorais?

Fechou a porta, logo em seguida, rindo e ouvindo Saga mandá-lo para um lugar nada agradável...

Quando retornou ao quarto de Camus, Milo exibia um sorriso malicioso e divertido. Olhou para o amante que ainda dormia e deitou-se, ao seu lado, devagar, tocando-o com suavidade.

— E então, divertiu-se? – perguntou Camus abrindo os olhos para a surpresa de Milo.

— Está acordado?

— Pareço estar dormindo?

— Bem, eu... eu tinha que fazer uma coisa, por isso levantei sem acordá-lo.

— O que era tão importante assim?

— Você mesmo disse que esta noite era uma volta ao passado e... Bem, eu tinha que devolver à Saga o que ele fez a nós dois. Na verdade, eu sempre esperei a oportunidade de jogar de volta, na cara dele, o dinheiro daquela maldita aposta. Tudo o que fiz foi aproveitar a oportunidade.

— Devia ter me contado.

— Por quê? Você continua tendo-o como uma espécie de sócio. – disse Milo e havia mágoa em sua voz.

— Você deve se perguntar, porque eu culpei você e continuei ao lado de Saga, mesmo depois de descobrir o que ele tinha feito. Nunca falamos sobre isso, então é hora de esclarecer algumas coisas. O pai de Saga nos amparou, após o suicídio de meu pai. Na verdade, ele nos sustentou e ensinou-me tudo o que sei. Após eu me formar em administração, ele me concedeu um empréstimo para reerguer a empresa de meu pai. Como advogado, Saga ajudou-me e eu me associei a ele como uma forma de retribuir às lições que aprendi e ao apoio que recebi de seu pai. Não pense que eu o perdoei. Eu apenas quero devolver a Saga o que fez pela empresa. Depois disso, seguiremos rumos diferentes e eu não pretendo mais ter qualquer tipo de relação com ele.

— Eu pensei que você... tivesse esquecido. Depois que ele confessou, eu achei que tinha dado o assunto por encerrado. – disse Milo com um meio sorriso.

— Não, Milo. Na verdade, eu me dei conta que a mágoa com você foi maior, porque eu te amo. Quando a pessoa, realmente importa prá nós, é nela que descarregamos todo o nosso rancor emocional. Nunca amei Saga e nunca me entreguei a ele. Mesmo que tenhamos sido amantes, jamais estreitamos laços, nem mesmo os sexuais. Tudo não passou de uma troca de favores e creia-me, logo, logo quitarei minha dívida com Saga.

— Se você se livrar dele vai perder o Kanon também...

Camus franziu o cenho e levantou da cama, buscando uma garrafa de champanhe que descansava num balde com gelo, ao lado de duas belas taças.

— Certamente! Aqueles dois são muito unidos, até demais pelo que já observei... Mas, já está decidido e este ônus, eu faço questão de assumir. – disse ele, servindo duas taças e estendendo uma para Milo.

Milo sorriu, bebeu um gole e aproximou-se de Camus envolvendo-o com seus braços longos. Olhou para a boca que amava e cobriu-a com a sua, derramando dentro dela a bebida borbulhante que havia sorvido. De imediato, ambas as ereções despontaram e os dois voltaram para a cama...

— Eu sempre quis que a gente tivesse feito amor mais uma vez, naquela noite... – sussurrou Milo rente aos lábios de Camus.

— Esta é a sua oportunidade... afinal, estamos reescrevendo a nossa história. Só que agora, é a minha vez... escorpião. – disse Camus num tom malicioso e empurrando Milo sobre a cama, cobrindo-o com seu corpo e prendendo-o, abaixo de si.

O grego sorriu, dando pleno acesso ao seu corpo e Camus mordiscou-lhe os lábios, enquanto mergulhava na entrada quente e estreita. Um gemido de prazer escapou dos lábios rubros do francês, enquanto seu coração era preenchido de uma felicidade que transcendia tudo o que vivera, até então.

As respirações de ambos se misturavam, aumentando o desejo, fazendo com que tudo mais parecesse pequeno, insignificante...

Milo se entregava à Camus, da mesma forma ardente com que o possuía. Os dois encaixavam-se com precisão e o sexo apenas confirmava a esmagadora intimidade que compartilhavam de forma profunda e amorosa...

Depois do último tremor de prazer eles ficaram parados, olhando-se nos olhos. Havia um sentimento de plenitude quando tornaram a se beijar e uma delicadeza erótica nos toques que perfaziam o contorno dos rostos. Os dedos de Milo pararam nos lábios rubros de Camus, enquanto os de Camus acariciavam a face suada de Milo. E nesse ato simples, muitas questões emergiram...

Dores, perdas, traições... Quem não as vive? A questão é: Depois de tudo, o que resta? O que é mais importante?

Ali, nos braços de seu primeiro e único amor, Camus tinha a sua resposta e ela tinha um nome, um corpo delicioso e o sorriso mais lindo e franco que ele já vira:

Milo. Um grego de sangue quente e coração generoso. O homem, o amigo, o amante, o amado... Em muitos momentos, as diferenças gritariam e trariam conflitos. Porém, nada disso importava, por que... Afinal, viver é aceitar os riscos e alguns, valem muito a pena!

Notas finais
Agradecimentos especiais para: SION NEBLINA, HANNAH KISA,MINOS_D_GRIFFON, KAMY JAGANSHI, NINACORTTINELLY,LITHA_CHAN, JANABELICHA, KASSIMINHA, DDD, GABI-BIBI, KERONEKOI, THAYNARA_ALINE,CHACAL_MALDITO, AGATHACHAN, MILA ANGELICA, SAGARA-SAN, DARC3840, GIKOMA,CABRAL_SS, ENFIM, MUITO OBRIGADA MESMO!!!