Blue Scorpion And Red Aquarius

11 Capítulo 11 CONFISSÕES E APROXIMAÇÕES...


Notas iniciais
Capítulo dedicado a minha amiga, irmã amada Sion Neblina. O início do que podemos chamar "envolvimento" entre Ikki e Shaka, dois personagens que ela ama e sobre os quais escreve divinamente bem! Confiram "Stand by me", uma oneshot muito linda escrita por ela e também a fic "Quase dezoito" que é uma delícia!! Bjs

Ikki quase derrubou as roupas que estava abraçando junto ao corpo quando Shaka entrou na lavanderia do hotel procurando-o.

- Shaka! – exclamou ele ao ver o indiano com os braços cruzados encarando-o.

- O que pensa estar fazendo? – perguntou Shaka com expressão séria.

Não era o jeito abrupto dele que estava enviando um rubor quente e constrangido através do seu corpo, pensou Ikki ao tentar manter o equilíbrio sob o latejar crescente do coração. Era, simplesmente, a presença dele ali, de repente, olhando-o daquele jeito desconcertante!

- Eu? Ora, vim até aqui trazer essas roupas para lavar. Eu... – gaguejou Ikki sentindo as palavras faltarem.

- Ikki, estamos num hotel! Deixe isso para a camareira e vá descansar. Não parou desde que chegou e não cuidou disso! – falou Shaka tocando um vergão que iniciava abaixo da orelha e estendia-se pescoço abaixo.

O ímpeto da atenção do indiano quase o nocauteou com um poder estranho e assustador. O jovem oriental não estava acostumado a se sentir daquele jeito e o fato de constatar isso o irritou, fazendo-o agarrar as roupas ainda mais apertadamente junto ao corpo.

- Não precisa se preocupar comigo, Shaka. Não é um arranhão de nada que vai me incapacitar. Estou bem e inteiro. – respondeu com o semblante fechado.

Shaka fez um som exasperado.

- Não seja tolo, ainda temos o jantar de encerramento. Com Milo se recuperando, pensei em tê-lo ao meu lado na organização dos detalhes finais. Você saiu-se muito bem e demonstrou que possui capacidade para liderar. Mas, se não cuidar de si mesmo, vou rever minha decisão. Um líder sabe cuidar-se para poder exercer suas atividades a contento e não banca o herói. – disse Shaka ainda com os braços cruzados.

O rosto de Ikki queimou. A revelação súbita de confiança nele o fez estremecer internamente. Shaka, o cara mais exigente daquele grupo estava dizendo que ele era capaz. Nada de “bom trabalho garoto” e sim tratando-o com um respeito que ele sempre desejara merecer.

Shaka se empertigou e estava prestes a se afastar quando Ikki sorriu, desconcertado e falou com uma voz mais grave que o habitual.

- Tem certeza? Confia no meu trabalho ao ponto de ajudá-lo numa tarefa desse porte?

Shaka aproximou-se e observou as feições fortes e viris do jovem que lhe despertara uma admiração intensa. Ikki não reclamava de nada, trabalhava duro e, segundo Aldebaran, demonstrara uma presença de espírito diante da adversidade que ajudara, em muito, o resgate de Saga. A vida permeada de desafios o tinha amadurecido tornando-o mais atraente que muitos homens mais velhos que ele conhecera.

Uma expressão abstraída vagou pelo rosto de Shaka quando ele ergueu a mão para afastar uma mecha reluzente e negra do cabelo que caía sobre a face de Ikki, enquanto enchia-se de uma estranha emoção.

O brilho nos olhos do indiano era hipnótico. O peito de Ikki se apertou quando as emoções trancafiadas lá dentro cresceram ao sentir-se alvo daquele olhar. Ele sempre fora solitário, presente na vida do irmão, mas sem outros vínculos que o ligassem a outras pessoas fossem familiares ou amigos. Porém, desde que fora morar na República um sentimento de irmandade crescera dentro de si e também o desejo de estabelecer outras relações. Principalmente com certo alguém...

Ele soltou o ar tremulamente e fechou os olhos por um momento enquanto lutava para se recompor. Era só o que faltava querer que alguém como Shaka o olhasse de outra forma...

Shaka sentiu um tremor percorrer o corpo do jovem quando seu dedo lhe roçou a face. Os olhares se fixaram, um duelo entre o tempestuoso azul de Ikki e o camaleônico azul do indiano, que mudava de indiferente a predatório...

- Mas é claro que confio ou não teria dito. Vejo-o com maturidade para executar qualquer tarefa que exija bom senso e firmeza — respondeu Shaka detendo-se por um instante na boca carnuda de Ikki que estava entreaberta.

Budha seja louvado... Esse garoto tem uma boca... Pensou o indiano tomado por uma química primitiva que se apresentou sem que ele deliberasse ou pudesse controlar. Concentre-se e deixe de bobagens! Ele é maduro para a idade, mas ainda assim é muito jovem! O pensamento rascante se sobrepôs ao primeiro, fazendo Shaka readquirir seu famoso autocontrole.

- Então... tá! Vou descansar um pouco e me preparar para discutir os detalhes com você – disse Ikki com a chocante percepção que, por um momento, os olhos de Shaka mostraram uma indisfarçável luxúria...? Seria isso mesmo ou ele estava imaginando, desejando que a recíproca aos seus desejos fosse verdadeira?

Recomposto de sua, fraqueza instantânea, Shaka deixou que o jovem saísse quase correndo e abaixou-se para pegar uma peça caída do monte que Ikki levava de volta nos braços. Era uma cueca boxer preta e o indiano pegou-a, sentindo uma vontade de cheirá-la...

Céus! Acho que esse clima frio está me tirando o centramento! Budha me proteja! Era só o que faltava, ficar fantasiando com as roupas íntimas de um... garoto! Censurou-se Shaka apertando a peça com força e depois colocando-a no bolso de sua túnica.

Em seu quarto, Ikki sorria e, ao mesmo tempo, era tomado de uma ansiedade enorme. Shaka confiava nele! Céus, isso era muito mais do que poderia desejar! Estava cansado, era verdade, mas não conseguia relaxar com aquela revelação.

Virou-se de lado na cama confortável jogando o braço sobre o travesseiro. Por trás dos olhos fechados ainda podia enxergar os olhos sedutores do indiano, os lábios finos e rosados, a respiração sempre profunda e tranquila...

Afastando os cabelos do rosto, sentou-se na cama sentindo uma excitação urgente que vibrou entre as suas pernas.

- Inferno! – praguejou sentindo a pressão desconfortável.

Olhou em sentido ao seu membro e viu que ele estava, dolorosamente, desperto. Precisava de alívio, então umedeceu os lábios, entreabertos, e desceu sua mão, tocando seu membro por cima do tecido. Sentiu seu corpo estremecer e pequenas fagulhas se espalharam, saindo de sua virilha e fazendo seus mamilos também ficarem túrgidos.

Seu rosto queimou, como quando Shaka pousou aquele olhar intenso sobre a sua boca e seu corpo começou a estremecer e suar... Parecia que todo o seu corpo clamava pela mão, boca e pele do indiano.

Com uma necessidade urgente, deslizou a mão para dentro da cueca e tocou, diretamente, em seu falo, realizando um movimento de vai e vem sobre a extensão pulsante.

De seus lábios, um gemido baixo, escapou seguido do nome de Shaka e ele aumentou a fricção sobre o membro, enquanto apertava seus mamilos com força sentindo-se conduzir para uma espécie de voragem... uma ânsia sem controle que se abatia sobre o falo, pele e ossos.

A imagem de possuir o corpo daquele homem, de penetrá-lo e vê-lo ofegar de prazer surgiu em meio aos movimentos ritmados e ansiosos. Não sabia o porquê daquele desejo insano, pois nunca desejara um homem. Tinha namorado algumas garotas, adquirira experiência sexual aos quinze anos e, no entanto, estava ali, delirando por uma fantasia com um homem. Um homem demais para si...

O tempo deixou de existir. Um formigamento que, parecia percorrer todas as células do seu corpo, irrompeu como um turbilhão, fazendo-o lançar a cabeça para trás e contorcer o corpo num espasmo forte. Espasmo que o fez mergulhar, trêmulo, num abismo sem fim...

Shaka... seus olhos penetrantes... seu belo corpo... seu toque suave capaz de incendiá-lo com promessas de perdição...

O orgasmo sacudiu-o com tanta intensidade que sua boca secou e ele tossiu, quase engasgando. Ficou um tempo, ainda movendo a mão sobre o membro para cima e para baixo, agora em um ritmo mais lento, sentindo o corpo amolecer e os olhos se fecharem como se estivessem inchados.

Sua respiração ainda estava ofegante, o ventre molhado, quando ouviu uma suave batida na porta. Imediatamente, reconheceu aquela leveza.

- S-Shaka... — sussurrou ainda ofegante, enquanto se levantava o mais rápido que seu corpo podia se mover naquele estado.

Abriu a porta com as faces afogueadas e a respiração entrecortada. Shaka observou-o com as sobrancelhas levantadas, enquanto segurava uma bandeja com um bule e três tipos de pães.

- Cheguei numa hora imprópria? – perguntou o indiano.

- N-Não, eu... estava indo tomar um banho quando você bateu. Eu vim correndo, é isso! – respondeu Ikki.

- Não quero atrapalhá-lo, apenas achei que devia comer alguma coisa e também para devolver uma peça de roupa que você deixou cair na lavanderia. – disse Shaka depositando a bandeja sobre o criado mudo ao lado da cama.

- Roupa?

- É, uma cueca. Está no meu bolso. – respondeu Shaka.

Quando Shaka falou cueca, Ikki sentiu o sangue ser drenado do seu rosto. Deus, não permita que tenha sido a cueca de ursinho. Por favor, não permita! Pensou Ikki quase sem respirar. Entretanto, a peça era uma de suas cuecas pretas e ele soltou um suspiro de alívio ao vê-la nas mãos do indiano.

A cueca de ursinho tinha sido um presente de Shun que achava a vida dos ursos muito interessante e lhe dera de presente para que ela fosse uma espécie de talismã. Embora para alguém de fora, a simples estampa pudesse suscitar interpretações errôneas ou gozações, ele a usava sempre que estava frente a um desafio e a tinha como o único tesouro de sua vida, o presente que representava o profundo amor fraterno que possibilitara a sobrevivência dos dois em meio a tanta adversidade.

- Obrigado por... tudo, Shaka. Não sabe o quanto me deixa feliz a confiança que deposita em mim. – disse Ikki sorrindo com gratidão.

- Pois bem, descanse e depois conversaremos. – disse Shaka sorrindo e, mais uma vez, notando o tremor naqueles lábios carnudos que mexiam com a sua libido.

Assim que fechou a porta, Shaka inspirou fundo e fechou os olhos. Definitivamente, algo estava acontecendo com ele, mexendo com emoções que sempre estiveram calmas dentro de si. Sua vida era como uma paisagem bucólica e tranquila. Sem arroubos, sem desejos intensos e agora, parecia que algo no horizonte se mostrava disposto a mudar este cenário confortável como se fosse uma tempestade inesperada que transforma a tudo e a todos em questão de minutos.

No caso dele, a tempestade era morena, instigante e desafiadora...

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Havia algo de clichê em ter que agradecer ao inimigo que, heroicamente, salvara a sua vida.

Nos filmes babacas com seus finais felizes, sempre havia aquele momento. O instante em que o vilão dava-se conta que havia errado e que seus esforços em prejudicar o mocinho serviram apenas para tornar a trama mais interessante e atrair a simpatia do público para qualidades nobres como altruísmo, blá, blá, blá.

A verdade era que, apesar de apimentar as coisas, o vilão era derrotado, humilhado, esquecido e, o mocinho imbecil ficava com o melhor da festa e isso escapava da ficção para realizar-se ali, bem diante de seus olhos.

Saga refletia sobre o assunto sentindo-se profundamente incomodado com o que faria, mesmo que o fizesse por livre e espontânea vontade... Tinha sido um canalha, era verdade. Porém, a súbita aceitação que amava Kanon o fizera rever os seus conceitos e aceitar que já era hora de encerrar o passado.

Olhou para a cena que se descortinava frente aos seus olhos. Camus estava no quarto do hospital e sorria. Um tipo de sorriso que ele nunca recebera daqueles lábios, enquanto eram amantes. Um sorriso que explicitava uma paixão inconcebível e intensa naqueles olhos rubros e que só se revelava com Milo.

Sim, o que o motivara a armar toda aquela situação com Milo fora a inveja profunda do magnetismo do grego. Algo que vinha sem esforço nenhum e, mesmo assim, o atingia como um golpe baixo, cada vez que perdia terreno junto a Camus e aos outros.

Milo era um homem que não possuía berço, que vivia pelas ruas acompanhando um pai jogador e boêmio e, no entanto, era adorado em todas as rodas e grupos. E ele que representava a cultura e o resultado de uma educação refinada via-se, muitas vezes, tratado com frieza e desdém.

Patético! Nunca entendera a equação que enaltecia a cultura suburbana cujos expoentes gozavam da simpatia e do amor dos mais afortunados... Ele não era um deles. Era o produto de uma educação rígida e destinada a produzir resultados, sucesso e aumento de poder. E acreditava na semelhança e não na diferença...

Enquanto fazia a sua retrospectiva mental, Saga pensava se não era melhor deixar tudo como estava. Afinal, o grego e Camus estavam às boas. Talvez fosse melhor uma retirada estratégica sem nada dizer...

Então se lembrou do toque de Kanon, o único que podia despertá-lo para além de si mesmo. Era estranho e, ao mesmo tempo libertador, sentir-se destituído do egoísmo tão peculiar de sua personalidade quando a boca quente do irmão cobria a sua e o fazia esquecer-se de tudo...

- Saga? Está aí há muito tempo? – perguntou Camus vendo parte do corpo do advogado insinuando-se na porta do quarto.

- Não muito. – respondeu ele tentando não trair o tremor do corpo na voz.

- Vejo que está recuperado. – disse Camus continuando a encará-lo.

- É visível, não? Recuperei-me rápido. Por isso resolvi aproveitar e esclarecer algumas coisas entre nós. Coisas do... passado.

Milo estreitou os olhos e Camus encarou-o com curiosidade. Após pigarrear, Saga continuou:

- Bem, antes de começar, quero agradecer por ter salvado a minha vida, Milo. Creia-me, se eu estivesse em seu lugar, não teria sido tão... Altruísta. Idiota para ser mais exato! Pensou junto com a fala educada.

- Não fiz isso por altruísmo, Saga. Fiz, porque se o deixasse se espatifar teria que prestar contas à Camus e dada a situação em que eu e os estudantes sob minha responsabilidade estávamos, ia ser uma merda maior que, simplesmente, ajudar você. – respondeu Milo com sua franqueza habitual.

Camus soltou uma gargalhada inesperada e Saga franziu o cenho.

- Pois que seja, mesmo assim sinto que devo acabar de vez com um mal-entendido. Eu sempre deixei que Camus pensasse que você tinha aceitado aquela aposta por dinheiro e não por ser estúpido o suficiente em cair nas minhas provocações.

- Ei! Estúpido é a sua... — gritou Milo.

- Deixe Milo, quero ouvir até o fim. – falou Camus.

- Continuando... Sim, Milo você sempre foi apaixonado e passional e não foi difícil provocá-lo dizendo que Camus era demais para alguém como você. Para mim isso é estupidez! Bastava ver como ele o tratava para saber que a minha proposta era, apenas um jogo. Seu orgulho foi a sua perdição. Coisa de grego. E creia-me, eu também me incluo nessa classe. Eu armei tudo, inclusive a parte mais sórdida que foi entrar no quarto logo depois que vocês dois transaram e exibir aquele maço de notas. Eu o queria Camus e me achava melhor para um homem como você. Inclusive porque sempre acreditei que as relações duradouras se baseiam em semelhanças e não em contrastes. Bom, era isso!

- E... o que o levou a ser estúpido também e contar isso agora, Saga? – perguntou Milo.

- Já disse, somos gregos. Eu já fiz muitas coisas, das quais, não me orgulho, mas que em certo momento era o que eu achava que devia fazer. Entretanto, um homem tem que reconhecer quando é hora de se render. Eu não o odeio como eu pensava Milo. Eu apenas acho um desperdício um homem como Camus se envolver com...

- Um vadio, como você adora falar! – disse Milo.

- Digamos que com... um infraclassem! O termo vadio não se aplica a um homem que consegue sobrepor sua origem e conquistar... Bem, você sabe o que conquistou!

Camus, que até então ficara em silêncio, olhou Saga bem dentro dos olhos e sorriu cruel, enquanto falava calmamente.

- Sua arrogância, Saga, é indescritível. Mesmo quando confessa suas atitudes desprezíveis, ainda mantém a mesma pose... Pois saiba que tem muito a aprender com Milo, sua honestidade e retidão de caráter. Agora se nos dá licença, Milo e eu temos muito que... conversar. – disse Camus.

- É somente isso que você tem a dizer?

- O que você esperava ouvir? “Oh, Saga, sua confissão alivia meu coração” ou “Eu o perdoo”?

- Você sabe ser tão cruel quanto eu, Camus!

- Como eu sempre disse, tive o melhor dos mestres!

Tentando não deixar transparecer que ficara desconcertado com a fala de Camus, Saga encaminhou-se para a porta, enquanto Camus se aproximava de Milo e o beijava na boca. Quando Saga fez menção de fechar a porta, atrás de si, Camus o chamou:

- Saga, uma última coisa... Não costumo misturar negócios e vida pessoal. Portanto, você e Kanon são os melhores e desejo que continuem sendo os advogados da Leclercq Aquarius Corporation, independente de nossas diferenças no passado.

Algo brilhou nos olhos profundos de Saga e ele inspirou fundo, assentindo sem dizer uma palavra. Realmente, para o seu benefício, Camus havia aprendido algo com ele durante os anos...

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Hyoga jogou para o lado os papéis que estava lendo, quando o telefone do quarto tocou. Rapidamente atendeu.

- Oi, Camus, o que é?

- Espero que esteja preparado, haverá uma reunião antes do jantar de encerramento e eu gostaria que você iniciasse esta reunião em meu lugar.

Hyoga se ajeitou em sua poltrona. Todo o tempo em estivera ali era somente um observador, um estagiário que devia absorver todo e qualquer detalhe. E agora seu irmão pedia que ele conduzisse uma reunião!

- Bem, acho que posso fazer isso. – respondeu tentando conter o entusiasmo.

- Certo. Conto com você. – disse Camus desligando.

Com um largo sorriso, Hyoga levantou-se e deixou o quarto. Quando dobrou a direita, no corredor deu de cara com um dos jovens que, como ele, apenas observava e seguia ordens. Como era bom em memorizar nomes e fisionomias, sabia que o nome dele era Shun.

O jovem estava descalço e vestia apenas uma calça jeans. Ele olhou, primeiramente, para o seu peito nu e depois para os seus magníficos olhos verdes que expressavam surpresa e ingenuidade.

Ele era mais baixo que ele, tinha a pele clara e um físico magro, porém bem proporcionado. E um detalhe que chamava a atenção era que ele tinha uma beleza quase infantil que atraiu seu olhar e mexeu com algo dentro de si, como se o lembrasse de si mesmo, tempos atrás.

- D-Desculpe! – disse Shun assustando-se com a aparição repentina de Hyoga.

- Tudo bem, mas... onde vai assim? – perguntou Hyoga olhando-o como se ele estivesse totalmente nu.

- Ah! Eu estava indo ao quarto do meu irmão. Ele pegou a minha camisa da sorte e eu... estava indo pegar de volta. – respondeu Shun sentindo o rosto quente.

- Camisa da sorte?

- É... eu e Ikki temos uma brincadeira... – falou Shun ficando um pouco mais vermelho.

Hyoga sorriu, novamente, levantando uma sobrancelha.

- Você e seu irmão devem ser muito próximos.

-Somos! Eu e Ikki não temos mais ninguém além de nós mesmos e cuidamos um do outro. – disse Shun com orgulho.

- Que bom! Eu e Camus também somos próximos, embora ele cuide mais de mim que eu dele.

- Bem, isso acontece comigo e com Ikki também. Ele é muito protetor e às vezes me deixa de fora de certas coisas. – falou Shun surpreendendo-se do quão era fácil falar sobre si com um “estranho”.

Suspirando profundamente, Hyoga sentiu uma empatia grande com aquele quase “estranho”. E então, contrariando sua natureza arredia, sorriu e estendeu a mão.

- Muito prazer, irmão caçula de Ikki! Eu sou Hyoga, o irmão caçula de Camus.

Shun sorriu e repetiu a mesma saudação, enquanto Hyoga dava-se conta da presença do outro, de sua respiração emocionada, de seu corpo... Uma excitação repentina o dominou e ele sorriu nervoso.

- Bem, então nos vemos no jantar de encerramento. – falou Hyoga com uma entonação grave.

- Nos vemos no jantar. – respondeu Shun sentindo um calorzinho no peito ao encarar a profundidade daqueles olhos azuis que pareciam duas safiras extremamente belas e... inacessíveis para um cara como ele.

- Pensando melhor... – disse Hyoga colocando o dedo indicador no rosto e olhando Shun com um brilho maroto no olhar. – Acho que devemos criar uma facção dos irmãos caçula e conduzir a reunião, antes do tal jantar, juntos.

- Hã?! Você quer dizer... eu e você? Juntos?

- Sim. Você não se habilita? – rebateu Hyoga provocante.

Houve um momento de silêncio que pareceu tão tangível quanto às paredes que os rodeavam. Inspirando fundo, Shun endireitou o corpo e respondeu:

- Se você confia que eu serei um bom parceiro, eu aceito!

Havia uma determinação e um entusiasmo nas palavras dele que encontrou um eco dentro de si e Hyoga sentiu que, ambos, apesar de amarem e serem amados precisavam sair da asa protetora dos irmãos mais velhos.

- Então, que tal nos encontrarmos no bar do hotel depois que você vestir sua camisa da sorte? – disse Hyoga dando uma olhada demorada no torso nu de Shun.

- Combinado. – respondeu Shun umedecendo e mordendo o lábio inferior.

Hyoga observou o movimento revelador da ponta da língua dele, o olhar deslizando sem perceber até o pequeno movimento da garganta de Shun quando ele engoliu. Algo se revelou como uma emoção que não reconhecia, dando vazão a um impulso de esticar a mão e tocá-lo. Então, fechou o punho e se despediu, reprimindo a novidade que se apresentava a ele num momento impróprio. Um momento em que devia ser eficiente, competente e racional.

Notas finais
Agradeço, MUITO, MAS MUITO MESMO a todas que Lêem, comentam, se emocionam e cobram a postagem!! OBRIGADA, DE CORAÇÃO!!!!XD
Ah! infraclassem era como os gregos chamavam a plebe...
Os ricos e cultos eram chamados Classici (estirpe em que Saga se inclui, é claro!!!*risos)