Notas iniciais
Mors, seu divo! Espero que gostem.

Só lembre-se de que, às vezes, o que você pensa de uma pessoa, não é o que ela realmente é.

John Green.

– Tudo bem – John, ou Mors, não entendi muito bem ainda, disse. – Quais são suas dúvidas?

– Por que está fazendo isso? – perguntei.

John me encarou e ficou quieto por um instante.

– É divertido.

Cerrei os dentes. Beatriz tomou a frente.

– É divertido brincar com as pessoas que gostam de você? Pessoas que choraram por você, achando que tinha morrido!

– Sim – ele sorriu friamente. –, é muito divertido.

Bia partiu para cima dele, mas Mors girou o braço de minha irmã e puxou-a para perto. Os rostos estavam colados, Beatriz suspirava lentamente. O deus parecia querer beija-la, mas ficava apenas encarando-a com um sorriso frio no rosto.

– Eu vou ter que dizer de novo, Beatriz? – A voz de Mors soou fria e fatal. Bia parecia paralisada nos braços do deus. – Seu amigo, John, está morto. Ou melhor, ele nunca existiu. Foi tudo um plano, desde o começo. Eu ouvi sobre a profecia, obviamente, isso não me deixou tranquilo, então, resolvi investiga-los. Que jeito melhor de fazer isso, do que seduzindo a pobre filha de Poseidon? Desculpe-me, querida irmã, mas aquele jovem misterioso e divertido que você conheceu, foi uma farsa.

Bia atingiu um golpe com a mão direita no rosto de Mors. Ela sabia que não faria efeito, mas eu entendo o motivo, ela precisava liberar aquela raiva, e foi o que ela fez.

– Não ouse! – O grito de Bia, provavelmente, foi ouvido até do outro lado da rua. – Não ouse dizer isso! Você não é o John! Não é possível que seja!

Mors virou-se irritado e ergueu a mão. Em um instante eu estava parado entre ele e Beatriz segurando a mão direita dele no alto.

– Não toque um dedo na minha irmã. – Encarei-o.

Mors sorriu.

– Você é mesmo rápido. Vamos ver se é o bastante.

Mors ergueu a mão e me arremessou pela janela. Quebrei o vidro com facilidade e caí no gramado. A queda do segundo andar deveria ter me machucado, mas algo na benção de Atena me tornou mais resistente, eu acho que poderia pular do telhado cinco vezes seguidas sem nem cansar. Muito útil.

O deus logo saltou e parou na minha frente. Seu sorriso ainda estava estampado no rosto.

– Eu sempre admirei meus irmãos – Mors disse. – É impressionante como o mar está claramente refletido em nossas personalidades. Você não acha?

Um brilho azul apareceu na minha mão e, em alguns segundos, uma espada com a lâmina dourada e uma aura azul circulando-a surgiu na minha mão. Mors sorriu e sacou a espada negra do manto.

– Você pode ser um deus. – Ergui a espada. – Mas, eu sou o garoto da profecia e esse, Mors, é o seu fim!

Avancei contra ele. Mors ficou parado, apenas esperando o ataque. Ergui minha espada na direção de sua barriga, o deus defendeu-se com a espada e contra-atacou com um chute na minha barriga, dei um passo atrás, mas logo depois voltei a ataca-lo. Desta vez, a tentativa – novamente falha – de corte foi no pescoço, mas ele simplesmente abaixou e atacou minhas pernas. Consegui ser rápido o bastante para saltar e desviar da espada, logo depois, ainda no alto, chutei o pênis de Mors, que murmurou palavrões em grego e me segurou pelo braço. Com o simples toque, eu apaguei.

Quando acordei, eu estava preso em uma sala completamente escura, exatamente como a sala em que vi Mors torturar Lucas. Meu coração acelerou instantaneamente, quando vi o deus sorrindo friamente para mim.

– Bem-vindo à Sede. – Mors abriu os braços.

– Uma grande sala escura? – Sorri. – Corte de gastos?

Mors sorriu.

– E eu que achei que era o cara das piadas.

– Se vai me torturar – murmurei. – Pode começar de uma vez?

Mors sorriu.

– Torturar? Não. Eu vou te mostrar um pouco do que você não conhece. Basta fechar os olhos.

– Não.

– Feche.

– Não.

– Você quem sabe, ou fecha os olhos, ou eu te torturo.

Fechei os olhos.

Não demorou muito até as imagens começarem a percorrer minha mente. Eram como os sonhos, eu me via parado olhando para Mors, mas uma versão um pouco mais jovem dele. O garoto corria enlouquecidamente por uma rua, enquanto flechas eram arremessadas em sua direção. Mors defendia-se como podia, erguendo um pequeno e frágil escudo que não duraria muito tempo. A cada passo, ele aproximava-se mais do mar, era lá onde ele buscaria refúgio.

– Eu não sou um bruxo! – Ele gritava enquanto protegia-se e desviava das inúmeras flechas.

– Matem-no! – A voz surgiu de algum lugar que eu não pude identificar, mas sabia que era do comandante, ou do rei, algo assim.

Mors continuou sua fuga desesperada. Desviando como podia das flechas e mantendo distância dos guerreiros que desciam as colinas correndo. Os cavaleiros estavam cada vez mais próximos do garoto. Seria impossível um mortal sobreviver àquela situação, mas este era o grande trunfo de Mors, ele não era um mero mortal.

Tudo que ele precisava fazer era alcançar a água. E ele o fez. Assim que alcançou o mar, um tsunami começou a se formar no meio das águas. Os cavalos pararam ao ver a enorme onda, os arqueiros cessaram fogo, os guerreiros largaram suas espadas, lanças e escudos e tentaram correr. Tarde demais.

– Matem esse maldito bastardo! – Berrou o rei do topo da colina.

Os arqueiros voltaram a disparar, em vão, as flechas batiam contra a onda, agora já formada, inofensivas. Mors caminhou lentamente sobre a onda, até parar no topo.

– Vocês provocaram a ira de Poseidon – ele disse calmo. A onda ficou ainda maior. – A morte não é piedosa com os que desafiam os deuses.

Mors mergulhou na onda gigante e ela disparou ferozmente contra os guerreiros, arqueiros e cavaleiros do rei.

– Morreremos com dignidade! – Gritou o rei.

– Não há dignidade na morte, vossa alteza. – A voz de Mors ecoava na onda, até que ela, finalmente, atingiu o topo da colina.

Acordei. Mors encarava-me sorridente.

– Aposto que não consegue provocar um tsunami – ele brincou.

– Não faço apostas que sei que perderei – respondi.

Mors sorriu.

– Gosto de você, irmãozinho. – Ele apoiou-se sobre meu ombro direito. – Você é determinado. Isso é muito bom. Deve ter puxado o bom humor da sua mãe, provavelmente.

– Ela era muito divertida, antes de ser transformada em pedra – retruquei.

– Ah, certo. Desculpe-me por isso.

– Você matou minha mãe?! – Levantei-me da cadeira.

– Não – ele respondeu. – Eu contratei um monstro para raptar as deusas e matar sua irmãzinha irritante, se você e sua mãe resolveram entrar no caminho, a culpa é toda de vocês.

– Seu idiota – murmurei.

– Tudo bem – Mors deu de ombros. – Vou ser legal com você, pode botar a culpa em mim. Eu juro que vou matar mais alguns para ajudar com isso, pode ser?

– Não ouse.

– Parece que temos alguém muito indeciso aqui – Mors disse. Segurou meu braço. – Isso é uma oferta de ajuda. Vou deixar que me culpe pela morte de sua mãe, e irei matar mais alguns de seus amigos, parentes, amores, enfim, vou destruir sua vida, e você poderá se livrar do sentimento horrível de culpa. Mas, eu não ajudo na parte financeira. Talvez um trabalho seja mais útil.

– Toque um dedo em qualquer um dos meus amigos – ameacei. –, e lhe farei em pedaços!

Mors gargalhou.

– Okay, está claro que você ainda não está entendendo com quem está lidando. – Ele segurou minha mão. – Vou te mostrar um pouco mais.

Notas finais
Como não gostar do Mors? Ele é muito legal! Caio, lembre-se, ele é um vilão. Gostaram? Comentem!