Blue Ocean! (2ª Temporada)
13 O Beijo.
Notas iniciais
Quando alguém se vai, é preciso superar para seguir em frente.
– Caio?
A voz de Dani rodeou todo meu quarto. Virei-me e meu queixo ultrapassou todos os limites possíveis. Ela estava vestindo um lindo vestido azul, combinavam muito com seus belos olhos.
– Dani?
– Aqui vai um segredo – Dani disse se aproximando e sussurrando. – Não sou uma garçonete.
– Semideusa? – perguntei.
Ela balançou a cabeça negativamente.
– D-deusa? – gaguejei.
Ela balançou novamente.
– Caçadora?
– Eca, não.
– Sinta-se a vontade para dizer – murmurei.
– Sereia – ela sorriu. – Ou, como alguns preferem chamar, cria de Atlântida. Palhaçada.
Sorri. Dani é divertida, só me lembro de vê-la para baixo uma vez. Muita coisa aconteceu desde que nos conhecemos no local de trabalho dela. Viramos amigos com o tempo e imagino que ela esteja triste por saber que o John não morreu, mas se transformou no Mors. Ou talvez ela não saiba.
– Como vão as coisas no mundo mortal? – perguntei.
– Estão melhorando. – Ela brincava com a maçaneta da minha porta. – Agora que os deuses podem controlar tudo novamente. Eros está furioso. Milhares de casais estão se separando pelo mundo. Qual será o motivo?
– Ele está com medo de morrer – dei de ombros.
– Ele é um deus. Por que estaria com medo de morrer?
Expliquei toda a história de Mors e do sacrifício. Dani me encarou surpresa.
– Temos problemas.
– Sérios problemas – Igor disse da porta. – Eu ouvi vocês conversando. Resolvi ver o que estava acontecendo.
– Oi, eu soube da Marya. Sinto muito – Dani disse.
– Todos morrem um dia. Temos de superar – Igor disse, mais para si mesmo do que para Dani, mas ela entendeu o recado.
– Você tem razão – Dani assentiu. Olhou para mim – Caio, a Mirella estava te chamando. Parece que pintou um problema, não entendi muito bem, filhas de Atena são confusas. Ela está no quarto do lord Poseidon.
Olhei para Igor e ele deu de ombros.
– Ok – assenti. – Igor, você precisa de um sorvete. Pode pegar no meu cofre.
Igor sorriu e comemorou. Sorri de volta e fui até o quarto de meu pai.
– Mirella? – Entrei no quarto lentamente. Ela estava encostada na janela. – Qual é o problema?
Mirella caminhou até minha frente e parou para me encarar.
– Soube que está livre do juramento – ela disse. Assenti com a cabeça. – Sinto por perder sua imortalidade.
– Não tem problema – dei de ombros. – Até aquele momento, eu nem sabia que tinha ela. E eu nunca quis ser imortal.
– É a primeira pessoa que eu conheço que diz isso – ela sorriu.
– Sou a primeira pessoa que você conhece que tem motivos para isso – sorri de volta. – Não tem sentido ser imortal, se isso significar perder todos que ama.
– E Afrodite? Você a teria para sempre.
Parei para pensar por alguns segundos.
– Dite é diferente – eu disse.
– Diferente bom, ou diferente ruim?
– Apenas diferente – respondi.
Mirella aproximou-se. Só então notei o ferimento em seu rosto, na bochecha direita. Parecia um corte de faca, ou espada, algo do gênero.
– Isso é bom. Eu acho.
Toquei o rosto dela, tirando o cabelo da frente do corte. Mirella me encarou confusa.
– O que aconteceu aqui? – perguntei.
– Um idiota com uma espada – ela murmurou. – Estava no exército de Shitou, era um dos filhos dele. Conseguiu escapar por pouco, mas eu estou bem.
Eu estava prestes a retirar a mão do rosto de Mirella, quando ela a segurou. Olhei-a confuso. Mirella sorriu.
– Você também é diferente – eu disse.
Ela se aproximou e sussurrou.
– Bom ou ruim?
– Bom – sussurrei em resposta.
Nossos lábios se tocaram lentamente. Enrolei meus braços na cintura dela e puxei-a lentamente. Nossas línguas brincavam em constante harmonia, aproximei Mirella ainda mais.
– Sério? No meu quarto? – A voz de Poseidon ecoou em todo o palácio. Afastei Mirella e virei para ele. Meu pai me encarou irritado. – Mirella, por favor, posso conversar com meu filho?
– Sim... lord Poseidon. – Ela fez uma rápida reverência e correu para fora do quarto.
Poseidon entrou no quarto e bateu a porta. Ele me encarava tão furioso que era difícil dizer se ele era meu pai, ou o carcereiro de um criminoso preso por matar o presidente.
– Você tem noção da besteira que acabou de fazer? – ele perguntou irritado. Tentou controlar o tom de voz, para que o palácio inteiro não ouvisse nossa discussão.
– Sinceramente, também estou um pouco perdido – sorri.
– Você acha que está em posição de fazer piadas? – ele gritou. É, o controle de tom foi parar no Tártaro. – Afrodite vai mata-lo, se descobrir o que aconteceu aqui. Isso na melhor das hipóteses!
– Afrodite não tem esse direito – eu disse.
– E o que te leva a pensar isso?
Parei por um segundo.
– Que tal o fato dela ser casada e ter dois amantes? – eu disse. Poseidon ergueu a mão, mas eu a segurei antes que ele me batesse.
Soltei a mão de Poseidon e saí do quarto. Mors estava parado do lado de fora.
– Algum problema? – ele perguntou ironicamente.
– Não enche – murmurei.
– Essa é a educação que seu pai te deu? – Mors sorriu ironicamente.
– O que aconteceu com as piadas boas? – perguntei.
– Guardadas para pessoas importantes – Mors sorriu.
Ignorei-o e continuei caminhando. Mirella me parou no meio do caminho e encarou-me preocupada.
– E então? Estamos mortos? – ela perguntou.
Abracei-a.
– Provavelmente. Vão disputar nossas cabeças.
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