Blue Ocean! (2ª Temporada)
14 Morte. Season Finale
Notas iniciais
Nem mesmo as estruturas do Olimpo estarão prontas quando a guerra chegar.
Eu estava pronto para dormir, quando o doce aroma de rosas penetrou meu quarto, seguido por uma fumaça rosa que se transformou em Afrodite. Sentei-me na cama, ela me encarou confusa.
– Algum problema? – perguntou. Ela sentou-se ao meu lado e segurou minha mão.
– Talvez devesse perguntar para meu pai, aposto que ele tem algo interessante para te contar – respondi sem encara-la. Afrodite encarou-me, notei a preocupação nos olhos dela. – Eu estou bem, apenas...
Ela me interrompeu.
– O que você fez? – Afrodite perguntou séria.
Levantei e andei até a porta. Abri-a e olhei para Afrodite. Ela parecia completamente confusa. Eu tinha medo de contar-lhe tudo ali, ela ficaria irritada e me mataria.
– Fale com meu pai – insisti. – Ele saberá melhor o que dizer.
– Poseidon sabe melhor o que dizer? – Afrodite sorriu. – Acho que caí em uma realidade paralela.
– Dite, por favor – pedi. Ela levantou da cama e me encarou completamente confusa. – Vá.
Afrodite me beijou e saiu do quarto. Fechei a porta e desci pela parede até estar sentado no chão. Eu vou morrer. Eu vou morrer. Eu vou morrer. Deuses, eu vou morrer. Alguém bateu na porta, abri-a e Mirella me encarou.
– Ótimo, você ainda está vivo – ela suspirou.
– Não por muito tempo – murmurei. Abri passagem e ela entrou, fechei a porta. – Afrodite acabou de sair daqui. Meu pai vai conta-la tudo e estaremos, na melhor das hipóteses, mortos.
Mirella ficou imóvel.
– Caio, Dite está surtando – Mors entrou no quarto sorrindo. Ele acenou para Mirella e sorriu. – Sério, se eu fosse vocês, estaria fugindo agora mesmo.
– O que você quer? – perguntei.
– Ah é, eu vim dizer que eu descobri o plano de vocês sobre usar Eros de isca – Mors sorriu. – Patético. Ele é muito fraco, foi tão fácil mata-lo.
Mors jogou o corpo de meu cunhado morto no chão. Ele se debatia e suas costas estavam com um buraco negro no meio. Abaixei para vê-lo, o deus não abria os olhos, não respirava – não sei se eles respiram quando vivos –, nada que indicasse vida.
– Então, o sacrifício de vocês foi... em vão – Mors sorriu e sussurrou no meu ouvido. – Nada pessoal, mas eu gosto de viver.
O deus desapareceu. Eros continuou caído no chão se debatendo, até Afrodite chegar à porta do quarto, bufando de raiva. Ela iria me matar, se não visse o filho dela caído no chão.
– Eros? – Ela abaixou-se e tocou o filho. Lágrimas começaram a escorrer por seus olhos. Afrodite tomou o filho nos braços e correu para fora do quarto. – Apolo! Apolo!
Eu corri atrás dela, mas Mirella preferiu ficar no quarto. Afrodite e eu chegamos até a sala principal, onde todos os deuses estavam reunidos, como no conselho Olimpiano. Ela colocou Eros no centro da sala e Apolo aproximou-se.
– Ele está morto – ele disse. Nem precisou tocar no deus, apenas olhou para Afrodite. – Sinto muito.
– E Mors? Onde ele está? – perguntou Poseidon. Ele olhou para Afrodite e depois para mim.
– Fugiu – respondi secamente. – Ele entregou o corpo de Eros e desapareceu.
– Cadê a Caroline? – perguntou Afrodite, limpando as lágrimas. – Ela precisa ver meu filho.
Carol entrou na sala e fez uma rápida reverência aos deuses. Aproximou-se do centro da sala redonda e colocou a mão sobre Eros.
– Estou aqui – ela sussurrou. Nenhuma lágrima escorria de seus olhos, os deuses olhavam-na apreensivos. – O plano falhou. Não foi?
– O plano? – Afrodite perguntou. Ela olhou para Poseidon. – Vocês planejaram isso?!
Poseidon levantou-se da cadeira e caminhou até Afrodite.
– Era nossa chance de matar Mors, minha filha deu a ideia de sacrificar Eros – ele respondeu.
Olhei instantaneamente para Afrodite. Seus olhos brilhavam em um rosa vívido. Ela ergueu a mão na direção de Carol, mas eu entrei na frente.
– Saia da frente, ou eu o matarei junto com sua irmã – ela disse. Poseidon abraçou Afrodite por trás, abaixando sua mão, mas não parecia um abraço preventivo, e sim um abraço como qualquer outro. – Solte-me, Poseidon!
– Dite – a voz de Poseidon soava rouca. –, minha filha queria o bem de todos. Não posso deixar que a mate.
– Ela matou Eros – Afrodite bradou. Poseidon apertou o braço em volta dela. – Ela matou meu filho.
– Ela sacrificou o que tinha por este mundo – Poseidon disse.
– Ela nunca o quis – Afrodite murmurou. – Só casou-se, pois foi forçada. A morte de Eros deve ter sido um alívio para ela.
– Não fale assim – Poseidon sussurrou. – Ela nunca faria algo assim. Caroline estava pensando no bem comum.
– Me solte – ela rosnou. Poseidon abriu os braços e a deusa desapareceu.
Todos olharam para Carol. Ela levanta e se afasta. Segura minha mão.
– Socorro – sussurra.
– Vai ficar tudo bem – sussurrei em resposta.
Carol continuou andando e saiu da sala. Todos os olhos voltaram-se para Zeus.
– Zeus – eu chamei. Ele me olhou, confuso. –, Mors disse que sabia do plano.
Murmúrios começaram a girar toda a sala. Atena encarava-me, pensativa, enquanto, aparentemente sem notar, sua mão direita agarrava-se a coxa esquerda de Poseidon, que conversava com Zeus.
– Silêncio – Zeus bradou. Todos se calaram e Atena recolheu a mão rapidamente. – O que Caio disse é preocupante. Se Mors sabia o plano, alguém o contou.
– Pode ter sido qualquer um de nós, apenas Afrodite não sabia do plano – Ares manifestou-se. Ele olhou diretamente para mim, como se tentasse me incriminar.
– Ares, eu não sou idiota como você – eu disse. Ele me encarou furioso. – Se eu fosse o traidor, como você supõe, por que eu contaria da existência dele?
– Eu me responsabilizo pelo meu guerreiro – Atena interveio. – E digo que Caio não é o traidor.
– E nem seu guerreiro – interrompeu Ares. – Ele abriu mão do juramento pela irmã. Se bem me lembro.
– Meu juramento foi removido – interrompi. Os deuses olharam para mim. Poseidon sorriu, ele já sabia minha próxima frase. Olhei para Atena e ela assentiu. – Porém, meu coração sempre pertencerá à deusa da sabedoria.
– E isso, querido irmão, o torna meu guerreiro. – Atena encarou Ares com seu melhor olhar de: não discuta com a deusa da sabedoria.
– Que seja – Ares murmurou.
– Agora, com a morte de Eros – interrompeu Ártemis. – Será necessário escolhermos outro deus para o sacrifício?
– Nenhum deus morrerá – bradou Zeus.
– E como pararemos Mors? – perguntou Poseidon.
– Do mesmo modo que paramos Cronos – ele disse. – Lutando.
– Seu grande plano é iniciar uma guerra que, provavelmente, vai destruir a Terra? – perguntei.
Zeus me encarou raivoso.
– Sim. Esse é o meu grande plano – ele respondeu. – Atena, prepare uma estratégia, Ares e Hefesto, arrumem o melhor exército e as melhores armas. Poseidon, precisaremos de você e de seus homens nessa guerra, o que nos diz?
Poseidon encarou Atena, ela apertou a mão dele. Meu pai olhou para mim, ele não sabia o que fazer, estava na cara.
– Irmão – Poseidon começou a falar, mas Atena interrompeu-o.
– Poseidon, por favor – ela implorou. Poseidon encarou-a.
– Pai – Beatriz entrou na sala. –, o exército inimigo tomou o Olimpo. Todos os habitantes que estavam lá e os semideuses que foram... mortos.
Todos os deuses começaram a falar ao mesmo tempo, exceto Poseidon, Atena e Zeus, que permaneceram imóveis, decidindo o que fazer. Poseidon levantou-se. Todos os deuses se calaram e olharam para ela, segurei a mão de Bia.
– Atena – ele disse. –, inclua meus exércitos na sua estratégia. Atlântida irá à guerra.
Hades entrou na sala com um sorriso no rosto. Ele encarou Zeus.
– Contem conosco – ele sorriu.
Atena levantou. Hades e Poseidon sentaram-se, a deusa da sabedoria parou no meio da sala.
– Irmãos e irmãs – ela começou. –, se quisermos vencer esta guerra, teremos de lutar juntos. Unidos como um só povo, um só deus.
Todos os deuses gritaram em concordância. Atena sorriu e olhou para Poseidon.
– Esta noite, estamos indo para o Olimpo, lutar pelo que nos pertence – ela disse. Todos os deuses bateram palmas e comemoram. – Que comece a guerra.
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