Blue Eyes
2 II
Notas iniciais
Por alguma razão, me interessei pelo livro que o garoto de olhos azuis lia. Assim que tive uma oportunidade, fui até a biblioteca da escola. É claro que todo mundo estranhou, eu mesmo não estava entendendo nada. No entanto, eu queria ler aquele livro.
O peguei, mas não comecei a ler de imediato. Olhei por um tempo para a capa, pensando em devolvê-lo. Eu realmente o leria? Acabei chegando a conclusão que sim. A curiosidade sempre foi um ponto forte na minha personalidade.
Pediram-me para bater em mais um garoto, hoje. Eu o fiz, não me importando muito com as ameaças que os amigos dele me dirigiram. Ri quando pegaram os óculos de um deles e jogaram no chão, sem realmente achar graça.
Aproveitei que o dia estava nublado para caminhar até o ponto de ônibus coberto novamente. Surpreendi-me ao vê-lo, o garoto de olhos azuis, novamente ali. Estava sentado, lendo o mesmo livro. Prestando mais atenção, eu poderia dizer com toda a certeza que era um livro antigo ou muito gasto, pois seu estado não estava nada bom. Me sentei ao lado dele novamente, um pouco envergonhado para pegar o livro. Isso mostraria a ele o quão curioso eu estava.
— Você se interessou tanto ao ponto de pegar um exemplar na biblioteca? — Perguntou, me assustando novamente.
— Como você sabe? — Perguntei-o de volta.
— Eu estava lá quando você o pegou. — Respondeu, com um sorriso vitorioso.
— Onde? — Perguntei, no entanto ele apenas alargou o sorriso e encolheu os ombros.
— Você vai realmente lê-lo? — Perguntou, ignorando minha pergunta.
— Vou. — Sorri, orgulhoso de mim mesmo. — Eu quero lê-lo.
— Se interessou pela capa? — Perguntou. Eu dei de ombros, não querendo responder que o motivo de eu me interessar pelo livro fora nada mais do que minha curiosidade. Ele me olhou pelo canto do olho. — Não julgue um livro pela capa.
Fiquei em silêncio, apenas observando-o.
— Não quer que eu leia? — Perguntei. Ele encolheu os ombros novamente.
— Só estou curioso. — Respondeu, sincero. — Não é o tipo de livro que pessoas como você costumam gostar.
Senti-me um pouco ofendido com o comentário. Então o que "pessoas como eu" deveriam ler?
— "Não julgue um livro pela capa". — Retruquei. Ele me olhou, avaliando-me, e então soltou uma pequena risada.
E não pude ficar bravo ao ver o olhar divertido que me lançou. Acabei sorrindo minimamente, tentando não rir junto.
Ele se levantou, sem ao menos olhar para outra coisa se não eu e o livro e deu sinal para o ônibus, que vinha sem eu tê-lo notado novamente. E, mais uma vez, ele entrou sem olhar uma vez mais para trás, ou se despedir.
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