Blue Eyes
3 III
Notas iniciais
Assim que cheguei em casa, curioso li o fino livro. De início, para mim, era apenas mais um livro infantil que, para ele, deveria ter um grande significado sentimental. Mas, pouco a pouco, enquanto as páginas eram viradas, me senti preso ao livro, embora muita coisa eu não tenha realmente entendido.
No dia seguinte, voltei à biblioteca, para entregar o estranho livro que me fez ficar acordado quase a noite intera, e o vi. Estava praticamente escondido, em uma mesa afastada, e tinha seu tão querido livro em mãos.
Andei até sua mesa, esquecendo-me completamente de devolver o livro em minhas mãos. Me sentei, tendo certeza que ele sabia que estava ali.
— Eu o li, como disse. — Contei-lhe. O garoto levantou os olhos para mim, sem dizer nada. — Por que carrega consigo um livro tão triste?
— Por que acha que ele é triste? — Perguntou. Pensei um pouco sobre isso antes de respondê-lo:
— Não consigo ver o porquê de ele não ser. — Respondi. — O homem que o encontra, fica sozinho, à espera de uma volta que, provavelmente, nunca aconteceu.
— Sim. — Ele concordou. — Mas, o Pequeno Príncipe conseguira voltar para sua rosa.
— Isso não fica explícito. — Retruquei. — Ele pode, simplesmente, ter morrido.
— Você fala como qualquer um dos idiotas que o Pequeno Príncipe visitou. — Ele suspirou decepcionado, e logo depois murmurou, mais para si mesmo do que para mim: — Eu não deveria ter criado expectativa de que você realmente entendesse o livro.
Não respondi àquilo. Além de não saber como o faria, ainda percebi que qualquer coisa que falasse pareceria falso ou forçado demais.
— Por que perde seu tempo aqui? — Perguntou-me depois de um tempo. — Não há nenhum garoto para espancar hoje?
Seu tom não era de raiva ou remorso, muito menos medo. Apenas me repreendia como uma mãe faria a seu filho.
— Eu não gosto de fazer isso. — Expliquei um pouco envergonhado. — Ou talvez eu goste. Apenas não sinto nada ao fazê-lo.
— Você não precisa me dar uma explicação, nem nos conhecemos! — Retrucou. Estava irritado. Quase tão irritado quanto o homem disse ao principezinho que flores não eram algo sério.
Fiquei quieto, sentindo-me extremamente mal. Logo, ele se levantou, e assim como sempre fazia, não olhou para trás enquanto andava para fora do lugar.
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