Blue Bricks
1 Prólogo
Notas iniciais
Brisa fitava aquela cena incrédula, seus olhos azuis turquesa começaram a embaçar, e pequenas gotas salgadas lhe contornaram a boca. Com as mãos tremendo apalpou o bolso do seu short jeans e procurando seu maço de cigarro, o fogo no isqueiro parecia se esquivar a todo o tempo, fazendo com que a garota desistisse por alguns segundos e voltasse a riscar logo depois.
– Miserável! — ela grunhiu com o cigarro entre os lábios.
Ela chorava sem expressão, fumava e balançava sua perna esquerda com muita agitação enquanto seu namorado atracava com Natália, sua melhor amiga.
– Três anos Afonso, três anos da minha preciosa vida jogados no lixo! — ela gritou limpando o suor da testa, apesar de ser 20h da noite, fazia muito calor no Rio de Janeiro — Eu espero de coração, que pegue uma gonorreia bem forte dessa vagabunda de merda.
– Brisa... — os dois olharam para a menina juntos enquanto se soltavam um do outro.
– Por favor, sem explicações e lamentações, essa cena já está ridícula, vocês dois abrindo essa fossa que chamam de boca só piorariam as coisas.
Anna Brisa, de 17 anos, jogou seu cigarro no chão e avançou na outra garota como uma selvagem. Enquanto com uma mão agarrava o cabelo da sua ex melhor amiga, com a outra lhe socava a cara intensamente, a menina conseguiu se soltar por um momento, cambaleava tonta então caiu no chão, Brisa já ia para cima dela novamente quando Natália pegou uma pedra que estava ao seu lado e deu no ombro da outra.
– Sua vagabunda! — Brisa gritou com dor sentando no chão.
– Você pirou de vez?? — Afonso gritava, mas não separou as duas.
A menina acariciou os ombros, pegou a pedra para si e começou a bater na cabeça da amiga repetidamente.
– Para Brisa, ela está sangrando muito, você vai mata-la! — o menino pediu praticamente aos berros.
– Eu não dou a mínima. — respondeu num tom calmo e ofegante.
Mas a menina parou, se levantou, olhando todo o sangue em volta e garota que fora sua amiga por seis anos esticada no chão, com ferimentos no rosto e na cabeça.
– Eu... Eu... — ela tentava falar, mas lhe faltava ar, passou os dedos sujos pelo cabelo loiro e começou a chorar novamente.
– É por isso que ninguém te aguenta, você é maluca, louca. — Afonso agora estava segurando a cabeça de Natália, já pegando o celular e ligando para ambulância.
– Você só pode estar de sacanagem! — disse se virando para ele cerrando os olhos — Você, seu pedaço de bosta, — falou nervosa colocando o dedo indicador na cara de Afonso — passou três anos comigo, se eu sou maluca e louca e se ninguém me aguenta, o que estava fazendo comigo?
– Não sei, só sei o quanto me arrependo, sua assassi... Alô? Preciso de uma ambulância urgente, e se possível da policia.
– Eu odeio vocês, espero que morram. — então limpou suas mãos no short, limpou mais uma vez o suor da testa e saiu correndo até sumir da vista.
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