Bloodline
3 Young blood
Notas iniciais
O silêncio na sala fora quebrado quando a porta se abriu. Novamente, Derek estava atrasado para a aula e isso já não surpreendia mais ninguém, nem mesmo o professor que desistira do jovem no semestre anterior. Enquanto as meninas faziam história da arte pela primeira vez, o moreno fazia pela segunda.
Entediada com a aula, Cassandra o observou sentar-se ao lado e, assim que ele notou que tinha a atenção da jovem, a morena recebeu uma piscadela e um meio sorriso, fazendo-a revirar os olhos e fitar novamente o homem que lecionava a sua frente.
— O que eu perdi? – sussurra para Cloe, que estava atrás da morena, enquanto o professor explicava algo relacionado a evolução da arte ao longo dos anos.
Cloe decidiu apenas ignorá-lo, focando em tomar nota de algumas palavras chaves que o professor escrevia no quadro. Com um suspiro, ele voltou a atenção a Cassandra, que também anotava. O plano inicial da jovem era seguir o exemplo da amiga ignorando-o, mas dessa vez o foco de Derek era o caderno em suas mãos e antes que pudesse segurá-lo, o mesmo já estava nas mão do moreno. Ao protestar, Cassi recebeu um olhar torto do professor, sendo obrigada a se desculpar e focar na aula.
—Me diz, como você pretende chegar em algum lugar assim? –sussurrando, a loira pergunta, incomodada ao vê-lo copiando.
—Eu me pergunto isso toda a vez que eu acordo – responde sem tirar os olhos do caderno – É o meu mantra – a loira não conseguiu conter o sorriso incrédulo, levando-o a sorrir também.
De forma rápida, ele tenta pegar o caderno de Cloe, que acaba sendo mais ágil.
—Mantenha seu mantra longe das minhas coisas – Derek levanta os braços em forma de rendição e volta a copiar da morena quando escuta o tom ameaçador da garota.
—Você é a primeira que quer distância do meu mantra – diz em um tom sugestivo.
Diferente da loira, Cassandra solta uma risada alta e inesperada, atraindo olhares de quase todos e, consequentemente, interrompendo a aula. O professor de cabelos já brancos, tirou o óculos, visivelmente irritado e isso fez com que Derek sussurrasse algo que Cassandra entendeu como “Perigo”. Constrangida, a morena pediu desculpa repetidamente pelos três e deu um sorriso sem graça. Relutante, o professor voltou a aula sem obrigá-los a deixar a sala, o que fora um alivio, mais pela parte das garotas do que de Derek.
A sala finalmente cai no silêncio que estava momentos antes e todo os três se obrigaram a focar na aula sem mais piadinhas, pelo menos por hora. As duas nunca entenderam o porque do moreno se dedicar o minimo possível a faculdade que ele mesmo dizia ter escolhido.
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Como se fosse calculado, assim que Rosalie saiu da sala, seu telefone tocou. Ao atender, a voz de Lucia soou triste do outro lado, levando a ruiva a perguntar o porque de tanto desanimo.
—Você pode vir aqui em casa hoje?— perguntou com um suspiro.
—Claro que posso. Na verdade, acabei de sair da aula, então vou direto – fez uma pausa apenas para pensar em como poderia distrair a menina enquanto não chegasse – Ei, por que você não faz aquela receita de doce que você tanto queria aprender? Eu realmente quero algo do gênero e isso seria perfeito.
A morena ponderou do outro lado da linha antes de concordar, parecendo um pouco mais alegre. Por algum motivo que não entendia, Lucia amava cozinhar, mesmo que não levasse muito jeito para isso. Rosalie havia perdido as contas de quantos pratos diferentes ela fora capaz de queimar centenas de vezes.
Ao desligar, a ruiva começou a procurar pelas chaves do carro dentro da mochila um tanto quanto bagunçada para um primeiro dia de aula. Sem prestar muita atenção no caminho a sua frente, acabou se chocando com outra pessoa. Ao se desculpar, ela olhou para o garoto. A proximidade a assustou, ainda mais pelo olhar penetrante do moreno a sua frente que sorriu na sequência. Embora fosse bonito, seus cabelos na altura do ombro o deixavam com um ar sombrio que achava totalmente desnecessário.
No fim ele a deixou passar e Rose seguiu seu caminho até o carro no estacionamento. Com a chave em mãos, Rosalie deu partida no carro e dirigiu até a casa da amiga. Quando a mãe de Lucia atendeu, a ruiva sorriu. A mulher de meia idade e cabelos médios retribuiu o sorriso antes de deixá-la entrar e voltar a seus afazeres.
—Isso está com um cheiro muito bom! – a ruiva sorrir ao sentir o cheiro do chocolate vindo da cozinha.
Seguindo o cheiro, Rosalie encontrou a adolescente transferindo o conteúdo da panela para uma vasilha de vidro. Lucia carregou o doce até a mesa e pegou duas colheres, entregando uma a ruiva.
—Então, estou aqui – disse antes de pegar um pouco do chocolate – Conte-me tudo.
—Aquele idiota voltou para escola – Lucia disse antes de suspirar – Ele passou o dia pegando no meu pé, fingindo flertar comigo ou simplesmente sendo um... um... – a garota bufou antes de se sentar a mesa – Idiota!
A amizade da duas começou quando Rosalie mudou para a cidade. A morena fora a primeira amizade que fizera e depois de anos, seus nervos afloravam toda a vez que a amiga contava que sofrera por alguém, o que era frequente, já que a adolescente era conhecida pela sua sensibilidade, ainda mais quando se tratava de assuntos amorosos.
—Antes que você pense em parti-lo em dois, ou transformá-lo num sapo, isso não durou a manhã toda – disse aliviada – Depois que ele falou com o garoto novo, ele passou o resto da manhã calmo. Mesmo assim, me machucou – disse com a voz embargada.
—Luci, vira essa pagina! – exclama – Não pode ficar chorando por conta de um babaca que não soube valorizar você e aliás, ele deve estar querendo esse garoto novo. Nunca se sabe – a ruiva consegue arrancar um sorriso da amiga antes de levar a colher a boca – Isso é delicioso! -comenta surpresa ao sentir o gosto diferente.
—Eu sei! Chamam de brigadeiro – a morena come a sua segunda colherada – Espero que ele não esteja a fim do garoto novo, ele é muito bonito para merecer alguém como o Peter.
—Eu poderia transformá-lo em uma barata se me permitisse – a ruiva lança um olhar ameaçador, fazendo a amiga rir de sua tentativa falha – Não que eu saiba fazer isso, mas sou daquelas que aprende rápido.
Rosalie ainda lembrava do dia em que decidiu contar sobre seus poderes a amiga. Fora um pouco depois da morte de seu pai e ambas estavam enfrentando momentos bem difíceis em suas vidas. Sentiu que precisava ser honesta com a única amiga que tinha na época e apenas se arrependeu de não ter compartilhado esse segredo antes. Depois de questionar a ruiva sobre o que ela era capaz de fazer, Lucia fora capaz pensar em coisas divertidas que elas poderiam fazer, usando os poderes da amiga. Era incrível como algo que fora tão mal dito por seu pai ajudara tanto.
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Com o fim das aulas, Cassandra achou que uma saída em grupo faria bem para todos, porém não conseguia encontrar Rosalie e por fim decidiu mandar uma mensagem para a garota. Não demorou muito para que a garota respondesse o motivo de não estar mais na faculdade.
—Não acredito que ela já foi para casa! – Cassi exclama desapontada, atraindo a atenção do pequeno grupo com quem estava.
—Manda ela voltar, simples assim – Derek diz em um tom casual, porém a morena o conhecia bem o suficiente para perceber suas verdadeiras intenções.
—Derek, pode recolher essas garrinhas, você nem a conhece!
—Você já falou dela, então eu sinto que já a conheço – se justifica e acaba recebendo olhares duvidosos do grupo – O que foi?! É sério!
—O dia que você falar alguma coisa séria, o mundo estará acabando – o loiro que estava abraçado com Cloe comentou.
—O dia que você fizer uma piada o sol terá se apagado – o moreno faz uma pausa dramática – Pela segunda vez.
—Mas Angelo faz piadas – Cassandra o defende – Só que, por algum motivo, ele não faz com você.
—Ah é? – Derek arqueia a sobrancelha – E por que isso, loirinho? – pergunta curioso.
—Porque você já é uma piada – Angelo sorri de forma nada amigável.
Não era apenas o jeito chamativo de Derek que irritava o loiro, mas sempre houve algo no garoto que ele simplesmente não gostava. Não conseguia ficar a vontade com o moreno por perto, mesmo depois de quase um ano de coleguismo e sabia que Derek sentia o mesmo pelo jeito arredio com que ele lhe tratava.
—Essa doeu – o moreno leva a mão ao coração de forma dramática – Mas tudo bem, tivemos o nosso primeiro momento. Vamos nos agarrar a isso – completa sarcástico.
Enquanto os outros riam, a morena digitava freneticamente no celular, tentando convencer a ruiva. Cassandra estava tão feliz ao poder juntar seus grupos de amigos e finalmente conseguir que eles realmente façam amizade.
Embora a garota explicasse seus motivos pelas mensagens, Cassi insistia que era só trazer a amiga junto. Mesmo que tivessem se encontrado pouquíssimas vezes, Lucia sempre lhe pareceu uma menina legal então a ultima coisa que via era a garota sendo um estorvo.
—Ela vem ou não? – a loira perguntou assim que chegaram no estacionamento.
—Vocês vão na frente, eu vou buscá-la – sorrindo, a morena entra no carro sem dar mais explicações.
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Antes que fosse capaz de explicar a amiga que sairiam aquela tarde, a campainha tocou, fazendo a morena se levantar e correr até a porta. Cassandra cumprimentou a adolescente e entrou antes mesmo de ser convidada.
—Espero que essa não seja a roupa que vá usar hoje – disse ao ver Lucia usando pijamas.
—Então, Rose, quando planejava me contar? – indagou assim que as duas chegaram na cozinha.
—Agora – ela deu um sorriso inocente.
—Briguem depois, agora vocês duas precisam se arrumar rápido, já estão nos esperando.
Mesmo não sendo intima de Lucia, a morena fora direto para a cozinha e tratou de comer um pouco do doce. Fato era que a ruiva ainda se espantava em como Cassandra se sentia em casa onde quer que fosse, e naquele dia não estava sendo diferente.
Lucia olhou torto para a morena e depois lançou um olhar questionador a Rosalie que deu de ombros. A adolescente não sabia muito da garota, já que haviam se encontrado muito pouco nesse último ano e na escola, Rosalie era quem realmente saia com a jovem.
—Eu já estou pronta – a ruiva disse antes de comer outra colherada do doce.
—Eu arrumo um encontro e a ruivinha não vai nem retocar a maquiagem? – Cassandra cruza os braços.
—Como assim encontro?! – as duas amigas dizem em uníssono.
—Vamos! – ela foge do assunto, não dando mais detalhes — Preciso de vocês prontas em um passe de magica – ela empurra a morena na direção a escada e a garota não protesta.
—Como assim encontro, Cassi?! – Rosalie pergunta preocupada com a situação que estava sendo imposta.
—Não precisa ficar assim! Você sabe que eu não arrumaria ninguém ruim para você! – ela abraça a garota – E encontro não é bem a palavra... Derek só mostrou um pequeno interesse e você sabe que eu adoro bancar o cupido.
—Derek? – ela arqueia a sobrancelha – Aquele que era “irritantemente sarcástico”? – ela imita a voz da amiga.
—Eu também disse que ele era irritantemente gostoso. Você não precisa namorar com ele, só se divirta! Ultimamente você anda meio para baixo e um cara como o Derek pode fazer o seu dia! – diz rindo.
—E como você sabe disso? — pergunta desconfiada.
—Eu tenho as minhas fontes, não se preocupe – Cassandra solta a amiga antes de terminar – Ele não é meu tipo, mas pode muito bem ser o seu – diz em um tom sugestivo, fazendo Rose rir.
O ar festivo que a jovem carregava consigo contagiava até as mais desanimadas pessoas e Rosalie acreditava que aquilo era um dom. Enquanto esperavam por Lucia, a ruiva se pegou perguntando em como a garota de pele café conseguia manter esse animo vinte e cinco horas por dia.
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A mulher estava amarrada na cadeira sangrava de modo que liquido escarlate se aglomerava em uma enorme poça. Com a cabeça baixa, seu rosto agora estava coberto pelo seus longos fios negros. A bruxa sussurrava palavras que Leah e Nicole não entendiam, mas assumiram aquilo como uma tentativa falha de lançar um feitiço. Devido a tortura, estava fraca demais pra isso.
Ambas não entendiam como aquela mulher aguentara tanto. Pelos cálculos da morena, suas mãos e pés estariam dormentes devido a força com que estava amarrada a cadeira de madeira, isso se a dor dos dedos quebrados não estivesse mais forte. Com a quantidade de cortes, Nicole ainda se perguntava como a bruxa conseguia se manter acordada.
—Tudo isso para morrerem em vão – com a voz estrangulada a feiticeira surpreende ambas, levantando o rosto, revelando seus olhos negros – isso será algo maior do que vocês podem dar conta – ela cuspiu o sangue que havia acumulado em sua boca e conseguira juntar forças para rir uma ultima vez.
—Quais são as suas ultimas palavras? – Nicole apontou a arma para a cabeça da jovem.
Antes que ela terminasse de praguejar em um idioma antigo, a morena disparou, silenciando a mulher para sempre. As palavras professadas anteriormente pela feiticeira a afetara de uma maneira que não pode explicar e a expressão da caçadora entregou a dúvida que sentia. Podia sentir a sinceridade na voz da bruxa e aquilo a assustou.
—Não vai me dizer que acreditou? – Leah não conteve a risada, porém a morena continuou séria – Jura? – a loira mudou drasticamente, assumindo uma postura ameaçadora e violenta, dando um passo na direção da caçadora – Não pode estar falando sério. Aquilo – apontou sem desviar o olhar – É a escória. Aberrações que não deveriam ter seu lugar entre nós – a voz furiosa ecoou no galpão – Consegue entender isso?!
Nicole permaneceu em silêncio. Embora a caçadora gritasse, a morena não moveu um dedo. Estava acostumada com aquele humor de extremos. Na verdade, podia se lembrar de ser assim na adolescência, pelo menos em parte. De alguma maneira a loira havia conseguido aprimorar a volatilidade.
—Vamos recolher tudo – disse antes de se desvencilhar de Leah, para recolher as armas usadas – Lide com ela.
Com um suspiro, a mulher tratou de desamarrar o corpo já sem vida da prisioneira. Nicole não tinha como precisar, mas tinha quase certeza que a loira sorria enquanto o fazia. Ao olhar a faca coberta pelo sangue da feiticeira, Nicole teve a certeza de que estavam de volta ao jogo.
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