Bloodline
4 Different sides
Notas iniciais
Não demorou para que as amigas chegassem ao bar localizado perto da faculdade. Lucia havia enchido Cassandra de perguntas sobre o possível interesse romântico da ruiva, poupando–a do esforço.
— Eu apoio! – a morena bateu palmas assim que saíram do carro, fazendo a ruiva revirar os olhos.
— Menos, Lucia – ela olhou para amiga – Eu não estou a procura de um namorado, muito obrigada.
— Exatamente! Essa é a magia do amor – disse animada enquanto caminhavam – Quando menos se espera, ele acontece.
— Eu vou ter que concordar com a Rose nessa – a morena tomou a frente e abriu a porta – Não exagera, Lucia.
— Vocês gostam mesmo de me desanimar, não é? – antes que a ruiva pudesse responder, escutou alguém chamando por Cassandra.
Quando a morena olhou na direção da voz, um sorriso se formou em seus lábios. Ao se aproximar, ela apresentou as duas ao grupo. A ruiva que até então sorria, fico séria ao ouvir um nome que não escutava a anos.
Parecia tolice acreditar que pudesse ser aquele mesmo garoto que conhecera a mais ou menos dez anos atrás. Sua mente dizia que não era racional ter esse tipo de esperança, que as chances do destino reuni–los novamente eram praticamente nulas.
O loiro estava tão absorto olhando algo na tela de seu celular que não notara a presença das garotas, obrigando Cloe a chamar sua atenção. Ao se desculpar, sua atenção voltou–se as duas garotas ao lado de Cassandra. Encontrou um par de safiras o encarando. Depois de alguns instantes, os olhos confusos de Angelo se arregalam e ele largou o aparelho sobre a mesa.
— Rosalie?! – um largo sorriso se formara em seus lábios quando a ruiva assentira – Eu achei que nunca mais a veria! – disse ao se levantar.
Ele a suspendeu no ar, provocando uma risada na garota e assim que seus pés tocaram o chão, ela o abraçou tão forte quanto ele.
— Eu achei que você tivesse morrido – ele sussurra, de maneira que só Rosalie pudesse ouvir.
Sendo incapaz de responder devido ao nó que se formara em sua garganta, a ruiva apenas lutou para não chorar. Ao se separarem, Angelo depositou um beijo na cabeça da garota, antes de bagunçar seus fios ruivos.
—Maravilhoso! – Lucia diz animada ao notar a felicidade dos dois – Agora vocês explicam o que acabou de acontecer!
Depois que se sentaram, Angelo começou a falar sobre a amizade que os dois tinham na infância, relembrando algumas coisas que nem a garota recordava. O jeito alegre e descontraído que o loiro usava para contar a história fez a adolescente rir, agradecendo internamente por ter tido a chance de tê–lo em sua vida novamente.
♦♦♦♦♦♦☽⚜☾♦♦♦♦♦♦
Quando sua avó o avisou que a regente queria vê–lo, um arrepio correu pela espinha de Salazar. Delilah estava criando uma reputação dura em torno de seu nome e o clã todo estava em estado de alerta. Boatos começaram a correr sobre a força de seus poderes, se a loira ainda seria capaz de proteger e reger o grupo, provocando uma resposta um tanto quanto agressiva vinda da mesma.
Ao entrar no salão principal, pode ver Delilah sentada em uma especie de trono, feito de um material negro que nunca soubera precisar se seria um tipo de metal ou outra coisa além de seus conhecimentos e mesmo diante da figura um tanto quanto imponente da feiticeira, o loiro não perdeu a postura desafiadora que sempre tivera.
— Queria me ver? – perguntou com um tom serio.
Sem responder, a loira se levantou e deu alguns passos firmes na direção do loiro. O som dos saltos entrando em contato com o piso de pedra polida ecoou pelo salão. Mas por algum motivo ,ela parou no meio do caminho.
— Antes de se dirigir a mim – disse de forma pausada – Daqui para frente, se ajoelhe – Delilah deu enfase na ultima parte de sua fala com uma certa crueldade na voz.
— Como? – perguntou confuso, sendo incapaz de acreditar no que a bruxa dizia.
— Você me ouviu – um sorriso ameaçou se forma nos lábios da mulher, que o encarava de forma intensa.
Quando negou–se a fazer o que ela queria, a tensão se intensificou e Elena – que até então assistia tudo a distância – Estava a um passo de intervir pelo neto e seu gênio forte ao ver os olhos verdes de Delilah faiscarem de raiva.
A loira levantou a mão na direção do loiro e a girou de leve. Contra a vontade, Salazar se aproximou lentamente, até ficar poucos milímetros do rosto angelical da regente. Sem tirar os olhos de Salazar, ela murmurou de forma ameaçadora.
—Quando estivar diante de mim – num movimento rápido a loira fechou o punho, fazendo o jovem cair de joelhos no mesmo instante, atraindo o olhar odioso do mesmo – ajoelhe–se.
— Senhora, creio que ele já entendera – Elena tomou a frente antes que seu neto tomasse alguma atitude que se arrependesse no futuro – Perdoe–o por seu comportamento inconsequente – disse de maneira gentil, forçando um sorriso.
Delilah olhou a mulher de relance antes de continuar. Salazar pode sentir que o peso sobre o seu corpo havia sido aliviado, porém, antes que pudesse se levantar, o ar lhe faltou. Embora tentasse desesperadamente respirar, não conseguia. O loiro conseguia ouvir sua avó gritar e clamar por clemencia. A mulher só parou quando sentiu a mão do marido em seu ombro, argumentando em um tom calmo.
— Lembre–se disso, garoto – ela o liberou e o loiro caiu no chão – Fora você que escolhera ficar aqui.
— Eu nunca tive escolha – disse com a voz fraca, enquanto se levantava.
— Isso não é um problema meu – a loira se virou e deixou o salão para trás.
Ao caminhar pelo corredor do castelo, fora seguida pelo marido e por sua mãe que, assim como Elena, assistiu toda a cena. Delilah não se surpreendeu ao ouvir a voz estérica da idosa que sempre a repreendia por suas atitudes, mesmo que não fosse mais uma criança.
Exausta do sermão que estava levando, a feiticeira parou de forma brusca, fazendo questão de encarar os olhos castanhos de sua mãe.
— Eu decido o que é racional ou não, Yolanda – Desde sua adolescência que não a chamava de mãe e não pretendia voltar com o hábito tão cedo – Não você.
— Suas irmãs seriam melhores que isso – a mulher cuspiu as palavras sobre a filha mais velha.
— E ainda sim, quem é a unica que ficara viva? – a voz fria e o sorriso cruel nos lábios de Delilah calou a mulher no ato – Eu tenho mais o que fazer do que discutir com você.
Sem esperar por uma resposta, a loira entrou no quarto e bateu a porta. Uma dor de cabeça repentina atingiu a loira e se viu obrigada a sentar-se na cama. Tinha feito uso de um feitiço mediano, porém isso a havia enfraquecido.
Não de era de hoje que estava enfraquecendo e isso a estava fazendo perder o sono. Nunca fora a mais forte dentre suas irmãs, mesmo sendo a mais velha. Temia que o clã começasse a perceber e a tirassem, de alguma maneira, do poder e isso ela não poderia permitir. Havia sacrificado muita coisa para suprir as necessidades daqueles feiticeiros para receber esse ato de traição com bons olhos.
Ao deitar–se, ouviu o marido suspirar antes de tomar seu lado a cama. Acariciando os fios loiros da esposa, observou-a fechar os olhos e ambos ficaram em silêncio por alguns instantes.
— Quando você vai me escutar? – murmurou com um tom de desapontamento na voz.
— Agora eu estou ouvindo, meu amor – num movimento rápido, ela pegou a adaga que havia deixado na mesinha ao lado da cama e o apunhalou na barriga.
Surpreso, ele a encarou assustado. Há tempos que Christian sugerira a esposa o uso da magia negra, ressaltando o quanto seus poderes cresceriam e que, se fossem ambiciosos o suficiente, conquistariam outros clãs. Mas o que ele não esperava é que ela o usasse de sacrifício para tal magia negra.
Usando a surpresa do marido contra ele mesmo, a loira fora capaz de amarra–lo com os lençóis a cabeceira da cama, apenas com um leve movimento com a mão. Enquanto ele se debatia, em uma tentativa falha de se soltar, Delilah professava algumas palavras em latim de olhos fechados, enquanto traçava um certo desenho no peito do marido.
O moreno sentia uma dor escruciante a cada corte profundo que ela fazia em sua pele e um fervor tomou conta de seu interior, como se um rio infernal corresse por dentro de suas veias. Fora grato ao sentir suas forças esvaindo, pois sabia que logo desmaiaria e que a morte colocaria fim aquela dor.
Quando a bruxa finalmente saíra do transe, fora capaz de avaliar o estrago feito. Seu marido estava imóvel e o sangue do mesmo cobria os lençóis, tingindo–os de um escarlate vivo. Largou a adaga sobre a cama e se levantou, a fim de se livrar do vestido manchado de sangue.
Respirou fundo ao sentir a energia diferente que corria por si. Teve de olhar seu reflexo no banheiro para que tivesse certeza que ainda era a mesma. Não pode conter o sorriso de satisfação ao perceber que estava mais poderosa do que jamais fora, mas sabia que ainda tinha um longo caminho até chegar ao seu máximo. Fora despertada de seus devaneios quando ouviu o marido voltar a vida no outro comodo.
— Me perguntei quanto tempo levaria – comenta de forma casual antes de se livrar do vestido, ficando apenas de lingerie.
Sem resposta, decidiu voltar ao quarto e o encontrou sem folego, com um olhar de pavor que fora diminuindo aos poucos até que, por fim, Christian recobrou o senso. Ao passar a mão pelo próprio peito pode sentir as cicatrizes que haviam se formado.
— Por que fez isso comigo?! – em fúria, o homem se levantou e avançou na direção da loira – Como pode vender minha alma assim?!
— Fora você mesmo quem disse que seria uma honra a alma que fosse escolhida – disse séria – achei que deveria ser a sua. Mas não se preocupe, sua alma agora pertence a eles. Tenho certeza que os mesmos farão bom uso dela.
Fale com o autor