Bloodline

5 Memory Lane


Notas iniciais
Não me matem ainda! Demorei para postar o capitulo primeiramente porque tinha entrado em período de prova e trabalho, então essa é a minha justificativa para duas semanas... Agora o resto do tempo podem reclamar que vocês estão certos >.< Desculpa pessoas lindas! Já esperaram demais, vamos ao capítulo!

1976

A sala espaçosa recoberta de um mesmo tipo de pedra cinza — da qual era feito praticamente todo o castelo — Fora dedicada aos treinos de feitiços do covio, mas ultimamente só a filha mais velha da regente o usava junto a sua mãe.

A garotinha tinha os braços estendidos e as mãos sobre um vaso com água. Ela se esforçava para ser motivo de alegria — mesmo que por apenas alguns segundos — Da mãe. Ela já estava praticando a horas e o feitiço e, por algum motivo que não compreendia, insistia em falhar.

—Você é fraca, por isso não consegue — a mãe diz, parecendo ler a mente da menina.

—Eu estou tentando! – a menina choramingou, tentando conter as lágrimas

—Não chore, Delilah. Como a próxima Suprema, tem que aprender a ser mais forte – disse com a voz firme, parecendo não se importar com a tristeza da menina.

—Mas mãe... – a menina abaixa os braços em um movimento de desistência.

—Aqui não sou sua mãe, sou sua regente! – gritou com a menina, fazendo-a correr assustada pela porta da sala.

Com raiva da atitude da filha, a morena decidiu ir atrás da garota, porém fora impedida por uma mão masculina que a segurou pelo braço. Com o movimento rápido que fez para se virar, seus fios lisos e escuros chicotearam seu rosto.

—Solte-me agora! – a fúria da mulher desestabilizaria qualquer outro naquela situação, mas como seu marido, James não moveu um músculo.

—Yolanda, o que está fazendo com a menina?! – o loiro pergunta com um misto de raiva e surpresa.

—Não me trate como uma de suas filhas, James. Uma hora eu teria que começar a treina-la e não vi necessidade de esperar o seu retorno para começar – ela se solta da mão do marido num movimento brusco – Aquela garota não duraria um dia como minha sucessora!

—Por Deus, mulher! Ela só tem sete anos! – exclama contrariado com a situação.

—Eu comecei com a mesma idade que ela e performava coisas que ela não consegue nem com horas de treino. Como nossos nomes sobreviveram mais uma geração assim?! – bufou inconformada.

—Cada um tem o seu tempo e o dela ainda não chegou! – respirou fundo antes de abaixar o tom de voz – Ela será uma ótima regente. Não a trate assim, ela é só uma criança.

—Não tente me ensinar como criar minhas filhas – a morena distorce as palavras ditas pelo marido e passa a mão pelo cabelo, arrumando-os – e muito menos como devo tratar ela durante o treinamento – ao se virar e caminhar na direção oposta ao de James, seu longo vestido azul marinho deu certa graciosidade ao andar da morena.

Sentindo um mal-estar repentino, a morena galgou os degraus rapidamente até seu quarto. Sentou-se por um momento na cama com lençóis de seda branca e prendeu o cabelo em um coque. Sem conseguir evitar a ânsia, correu para o banheiro e se ajoelhou perante o sanitário. Quando finalmente parou de vomitar, deitou no azulejos quadriculado. O frio em suas costas ajudava a aliviar o calor e a sensação ruim que sentia. Aquela gravidez estava sendo pior que as outras, ou seria apenas seu stress contínuo com a primogênita? Mas que culpa ela tinha se a menina não tinha talento? Para o bem daquele covio, esperava que seu marido tivesse razão.


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2003

O céu estava limpo e uma brisa corria entre as árvores da campina quando chegaram. O dia quente inspirou ambas as famílias a saírem para um piquenique perto do lugar onde estavam vivendo a um pouco mais de dois meses.

—Eles parecem felizes – a mulher de longos fios vermelhos sorriu ao ver as três crianças correndo pela grande campina.

—Provavelmente estavam cansados de passar tanto tempo dentro de casa – a loira comenta ao forrar a toalha sobre a grama com a ajuda do marido – Ei, Angelo – gritou ao ver um de seus filhos tentando escalar uma arvore – Desça agora! – ao ouvir a voz ameaçadora da mãe, o menino de cabelos claros a obedeceu.

—Danon! – chamou a ruiva ao ver o marido com o olhar atento aos arredores – Ninguém vai nos encontrar aqui – disse sorrindo quando ele olhou em sua direção – Todos fizemos um feitiço de proteção antes, não fizemos?

Sem responder ele assentiu e se forçou a relaxar. A maneira turbulenta e um tanto quanto desastrosa que deixaram o clã praticamente o obrigava a manter-se vinte quatro horas por dia alerta, assim como sua mulher e o casal de amigos. Embora todos ali acreditassem fazer parte de uma única família, estavam abalados emocionalmente de varias maneiras diferentes, principalmente Evelyn e Arthur. Ambos estavam se esforçando ao máximo para manter o resto de sua família intacta, pelo bem dos dois meninos.

Fora tirado de seus devaneios ao ouvir Evelyn gritar com os filhos. Danon sempre achou que eles deveriam ser canonizados por conseguir manter a paz entre os irmãos com personalidades tão extremas. Scott estava andando mais instável que o normal, porém ninguém poderia culpa-lo.

Enquanto o marido pensava nos problemas que enfrentavam, Liana estava tentando encontrar um lado positivo naquilo tudo. Ao sentar e observar as crianças, sabia que estavam fazendo a coisa certa. Rosalie e os meninos não mereciam crescer no mesmo lugar no qual havia crescido, cheios de responsabilidades adquiridas desde o nascimento e sem possibilidade de escolha. Um sorriso largo se formou em seus lábios ao ver a cena a sua frente. Com a ajuda de Angelo, Rosalie tentava alcançar uma borboleta que estava em um galho perto do chão, Scott estava sentado no chão olhando a cena com atenção. Quando a borboleta voou, a ruiva pode vê-lo rindo do esforço feito em vão pelos dois.

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2009

Por mais que a ruiva gostasse de fazer novos amigos, estava cansada de mudar constantemente de escola. Seu pai sempre lhe dizia que aquilo era necessário para ambos continuassem vivendo bem, um ao lado do outro.

Embora Danon cuidasse bem da filha, Liana fazia muita falta para a pequena e isso era o que mais doía em seu coração. Antes de deixar Rosalie na porta da sala de aula, ele depositou um beijo no topo da cabeça da menina, seguido de um sorriso que fora prontamente retribuído.

Rosalie nunca percebia o tempo passar quando estava tendo uma aula que gostava e ficou surpresa quando a professora anunciou o intervalo, mas estava feliz pois assim poderia comer e brincar.

—Ei, qual o seu nome? – a ruiva se assustou ao ouvir uma voz atrás de si e, com o susto, ela deixou seu lanche cair no chão – Desculpa! Agora você perdeu o seu lanche – a menina que parecia ser mais nova que Rose disse com a voz tristonha, refletindo a tristeza da ruiva – Minha mãe sempre faz a mais para mim — ela sorriu e seus olhos castanhos brilharam – A gente divide o lanche hoje!

Antes que Rosalie pudesse pensar, a menina de longos cabelos castanhos saiu correndo e, assim que pegou sua lancheira do chão, correu até a menina que não estava muito longe.

—Você ainda não me disse seu nome! – a menina disse assim que ela se sentou ao seu lado.

—Rosalie – respondeu, pegando uma caixa de suco — E você também não me disse o seu.

—Lucia! – disse com a boca cheia – Viu como minha mãe faz uma comida gostosa? – perguntou depois de terminar de mastigar, sorrindo ao ver Rosalie comendo – Sua mamãe também faz o seu lanche?

A ruiva, que até então estava se divertindo com a nova amizade, terminou de mastigar e baixou o olhar, recebendo um olhar questionador de Lucia.

—Minha mãe morreu – respondeu com um murmuro, antes de olhar para a menina novamente.

—Ah – a morena ficou em silêncio por um instante, pensativa – Eu te empresto a minha! – disse animada – Acho que ela ia gostar de você. Você fala muito pouco. Ela diz que eu falo muito e sempre me manda ficar quieta.

—Mas você fala muito – Rosalie deixou escapar um sorriso – Mas não acho que isso seja um problema.

—Nem eu, mas nem a minha mãe nem a professora concordam – ela suspira — Agora se eu não respondo o que ela pergunta na aula, ela também fica com raiva!

—Adultos são muito complicados – Rosalie comenta e Lucia assente – espero não ser complicada assim quando crescer.

Notas finais
E ai, meus lindos? Gostaram? ;) Beijos!!