Blood on the hands
16 O que fazer?
Notas iniciais
Pouco tempo depois L chega na sala e encontra Ted bem próximo a mim e eu de olhos vermelhos:
–-O que você fez para ela? –pergunta com raiva indo para cima de Ted que o encarava de olhos arregalados.
–-E-eu não fiz nada!
Suspiro:
–-Parem vocês dois, , já disse que sei me defender, o cachorrinho não seria capaz de me fazer alguma coisa, Nerd... seja forte, ok? Você é um Nephilim, não se esconda de todos que lhe olharem feio... –digo pacificadora sem paciência para briguinhas e um pouco ofendida por L pensar que Ted poderia me causar lágrimas...
–-Desculpe... mas é que você não chorou quando chegou e.... agora eu lhe encontro com o Nephilim tão próximo e seus olhos vermelhos... –diz L mais calmo.
Dou de ombros e me sento para que ambos possam se sentar no sofá, encaro meus pés por um instante pensando no que deveria fazer:
–-Acho que terei que morar com os pais de Matt agora... –comento sem expressão.
–-O que? –pergunta Ted surpreso.
Suspiro e franzo o cenho:
–-Irei morar com os pais do Matt, é surdo? –digo irritada.
–-Não! –diz L abruptamente.
–-Você não vai morar com eles! –completa Ted.
Bufo:
–-Claaaro, há muitas alternativas, não? A assistente social vai me deixar morar sozinha e nem irá me culpar pela morte de meu irmão! Ou melhor ainda, nem saberá da morte dele! Não achará estranho quando ele faltar o trabalho ou quando ela vier aqui e não o vê-lo! –respondo sarcasticamente.
–-Você pode morar comigo... –diz Ted baixinho.
Não resisto e começo a gargalhar:
–-Sua mãe vai adorar a ideia, já que ela me ama tanto! Vai ficar emocionada por me ter sob o mesmo teto!
–-Ela não faria nada! Não poderia machuca-la! Você é minha protegida!
–-E ela aceita isso tanto quanto eu...
–-Bem, o fato de vocês duas não aceitarem não muda nada!
–-Já sei! –interrompe Luke que até agora estava em silêncio.
Eu e Ted o olhamos confusos:
–-Já sabe o que? –pergunta Ted.
–-Já sei como resolver o probleminha de Kayla!
–-Como? –pergunto.
–-Simples, você não pode morar sozinha, né? E imagino que não se sentiria muito confortável aqui com a mãe do Nephilim bufando sobre sua cabeça o tempo todo, então, que tal eu fingir ser seu primo que veio para cá para dar uma folga ao Matt? ---diz L sorrindo como se eu e Ted fossemos idiotas por não ter pensado nisso antes.
–-Ótimo plano, mas o que vamos dizer sobre a morte de Matt? – digo revirando os olhos.
–-Sua confiança em mim é impressionante minha cara Kayla... –ele comenta com um sorriso de deboche.
Bufo:
–-Me perdoe por não confiar em alguém que já tentou me matar...
–-Não confia, no entanto já dormiu perto de mim...
Abro a boca, mas não sei realmente o que responder, estava simplesmente cansada, não fisicamente, mentalmente, aquele “sonho”, não foi algo muito relaxante após o ocorrido, acredito que agora eu poderia ficar horas em uma banheira fervendo com muitas bolhas... suspiro:
–-Continua, o que faremos sobre a morte dele?
–-Não diremos que morreu, diremos que encontrou uma namorada e se mudou, sei lá...
Olho-o com os olhos semicerrados:
–-Matt merece um enterro decente, não algo escondido.
L suspira:
–-Eu sei, desculpe, mas acredito que ele não gostaria de vê-la voltando para seus pais quando ele mesmo lhe tirou de lá, então ele não se importaria de não ter um lugar no cemitério se fosse para seu próprio bem.
Como L e Ted parecem conhecer tão bem meu irmão? Talvez melhor do que eu mesma, isso não seria surpresa, visto que nunca me importei em conhece-lo realmente, afinal, ele não me conhecia também, queria que eu fosse outra pessoa...
–-Tudo bem... L, está ciente de que para este plano funcionar, você terá que aparecer para a sociedade, não é?
–-Não sou idiota, fui eu quem bolou o plano, além do mais, manter minha localização em segredo não nos foi muito útil hoje contra Hannah, foi?
–-Sempre pensei que você fosse inútil de qualquer forma... –comento fingindo confusão.
–-Não fui eu quem deixei meu irmão morrer... –ele comenta sem pensar e suas palavras me atravessam.
–-Não fui eu quem matou milhares de pessoas por não conseguir me livrar do controle de uma cabeça de vento! –retruco com raiva.
–-Eu não tinha escolha! Não estava ciente de minhas ações! Não foi minha culpa!
–-Também não foi minha culpa o fato de Matt não saber confiar em mim! Não saber que eu poderia me livrar sozinha! NÃO FOI MINHA CULPA!
Começo a sentir o ar ao meu redor esquentar e a face de Ted está mais branca do que papel, L também está no modo batalha, vejo gelo se formar ao seu redor:
–-Como fui acabar sendo ajudado por uma pirralha mimada!
–-Se não fosse tão fraco, não teria que ser salvo!
–-Kayla... Luke... Se acalmem... –Ted murmura tocando em nossos ombros.
Ignoramos e estamos quase partindo para cima um do outro quando de repente sinto algo explodir dentro de mim:
“Isso Kay, vamos acabar com ele! Mostre nossa verdadeira força!” –diz aquele meu “eu” interior.
Congelo, não literalmente, mas paro no meio do que iria fazer, não irei ataca-lo apenas por causa dela! Preciso me acalmar! Fecho os olhos e sinto uma calma se espalhando dentro de mim. Essa calma não é minha... abro novamente os olhos.
E encontro Ted me olhando preocupado e ligeiramente assustado, ainda bem pálido, ele não é o único me olhando, L também me olha, mais surpreso do que qualquer coisa, até a raiva desapareceu de seu olhar:
–-Kaya, está tudo bem? –pergunta Ted hesitante.
Concordo com a cabeça:
–-O que houve? –perguntou L –Num momento você está tentando me atacar, mas ainda é você, no outro... no outro não reconheço mais sua presença nos seus olhos!
–-E eu sinto sua raiva subir num nível além do normal. –diz Ted –Achei que precisava de ajuda para se acalmar...
–-Ah, então a calma veio de você! –murmuro ainda sentindo-a presente em mim.
Ted confirma:
–-Percebeu algo diferente? Normalmente ninguém percebe...
Dou um meio sorriso:
–-Então sou ninguém, esqueceu estar falando com Kayla Kiewn?
–-Calma? –pergunta L confuso.
–-Acho que ele usou em você também, mas você é fraco de mais para perceber! –provoco.
–-Tudo bem Kayla, entendo que esteja nervosa, mas vamos parar com as brigas agora! –diz Ted carinhosamente, porém de maneira firme, parecendo muito mais velho do que era fisicamente.
L suspira e se afasta do toque dele, me lembrando de fazer a mesma coisa, L olha para mim com um meio sorriso de deboche:
–-Ok, irei para de provocar com minha priminha, crianças precisam de um ambiente saudável para crescer. –comenta.
–-Quem você está chamando de criança? –murmuro, mas olhar para eles, aos dois ao mesmo tempo percebo pela primeira vez que estou entre dois seres que já presenciaram muito mais coisas do que eu, que já viveram muito mais do que eu, mesmo que seus rostos não digam isso, certamente seus olhares o dizem.
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