Blood Red
4 Não vai doer, vai ser bem rápido.
O tempo passou e eu subi, a procura da minha namorada. A porta estava fechada.
– Rebecca? – perguntei ao abrir a porta.
Parecia que ela ainda não havia chegado, então resolvi entrar e esperar por ali. Provavelmente logo ela chegaria. Fiquei observando a janela fechada bem à minha frente. Essa casa era bem antiga e dava para ver isso no formato da janela, naqueles vidros e aquela cortina que os cobriam. Era bem bonito. O quarto era meio escuro, ainda que a luz estivesse ligada. Isso dava um ar macabro e combinava com a amiga da minha namorada. Era incrível como ela mantinha toda a decoração original da casa – tudo bem que era tudo muito lindo, mas Audrey só tinha 21 anos. Hey, espera um pouco, por que essa luz já estava ligada se não tem ninguém aqui. Ah, merda! Não estou sozinho.
– Pensei que nunca viria – uma voz feminina falou.
Virei-me rapidamente a procura da dona da voz, que não era minha namorada. Sif estava ali – a garota fantasiada de Sif, no caso – e ela empurrou a porta para que ela se fechasse. Após o baque, ela a trancou e guardou a chave no meio dos peitos. Ah, sério?
– Parece que você não entendeu que eu já tenho uma namorada, verde – revirei os olhos e ela gargalhou; Que garota louca.
– Você acha que eu quero agarrar você? – ela ainda ria – Eu quero você, mas não do jeito que você está pensando.
– Você é louca – fiz careta, observando aquela cena bizarra da garota verde vindo em minha direção.
– Você é muito novo para mim, querido – ela suspirou – Mas ainda pode ser meu brinquedinho.
– Eu sou novo? Já se olhou no espelho? – fui sarcástico – Você não deve ter nem vinte anos.
– Humanos estúpidos! Tenho 47, só não aparento.
– O que? – foi tudo o que consegui falar ao ouvir aquela baboseira.
Logo depois percebi que ela não estava brincando e que, provavelmente, o que ela havia falado era verdade. Ela abriu um sorriso enorme e suas presas começaram crescer. Só podem estar brincando comigo! Não posso acreditar em uma merda dessas. Não era a primeira vez que eu via um vampiro e bem, eu poderia fugir dessa como já fugi de outros sangue-sugas, mas a única saída era pela porta e ela estava trancada. Como a porta abria para dentro, eu não conseguiria arrombar para sair – ainda mais essa porta antiga que a madeira é super grossa. Maldita seja essa casa que Audrey insiste em manter desse jeito antigo.
– Não fique com medo – a garota verde disse – Não vai doer, vai ser bem rápido.
Por que diabos não tem nada que eu possa pegar para bater nessa vadia vampira? Qualquer coisa. Ah, mas que inferno! Ela veio com suas presas contra mim e eu coloquei o braço na frete – afinal, era a única coisa que eu tinha em minha defesa. Aquilo doeu demais. Ela tinha feito um rasgo feio em meu braço e estava sangrando muito. Assustei-me ao ouvir um barulho muito alto na porta e então ela se abriu. Alguém havia a arrombado.
– Você é muito lerda, verde – minha namorada disse; como ela tinha arrombado aquela porta grossa – Em vez de acabar com tudo logo, você me deu tempo para chegar aqui e acabar com você antes que você acabe com o meu namorado.
– Rebecca? – a chamei. Ela estava de cabeça baixa e eu não conseguia ver seu rosto.
– Dylan, saia do meu caminho – ela pediu – Isso não vai demorar.
Fiz o que ela pediu, olhando aquela cena bizarra que se passava diante dos meus olhos. Então minha namorada sabia que vampiros existiam? Ela não havia nem sequer ficado surpresa ao ver a outra garota com as presas à mostra. A garota verde gritou, com raiva e foi para cima dela, que simplesmente revidou, jogando a menina contra a parede. Eu olhava aquilo com meus olhos arregalados. O que diabos estava acontecendo aqui afinal? Então minha namorada levantou a cabeça e me olhou brevemente. Pude ver que ela também tinha presas. Ah, meu deus, não! Rebecca voltou-se para a garota que tentava atingí-la outra vez, então ela lutou contra, derrubando a menina no chão, perto da porta. Não conseguia tirar meus olhos delas. Rebecca a segurou com força contra o chão. A garota verde se debatia, mas Rebecca não se deu por vencer nenhuma vez. E então, simples assim, ela baixou sua cabeça e mordeu o pescoço da outra garota, rasgando a veia dela e fazendo seu sangue espirrar na parede do quarto e, um pouco até mesmo em Rebecca. Ela deixou a outra estirada lá, escondeu novamente suas presas e veio em minha direção. Eu estava perdido. Minha namorada era uma vampira.
– Então você sabia de tudo – esforcei-me para dizer – Você é como eles.
Eu pressionava minha mão sobre o machucado no meu antebraço esquerdo, que ainda sangrava bastante. A dor continuava forte e me atrapalhava em tudo. Encostei minhas costas contra a parede e deslizei até o chão.
– Dylan, você é muito inteligente, sério – ela disse e riu por um breve momento – Mas nossa, depois de todo esse tempo que ficamos junto, você nunca percebeu que eu não tenho pulsação?
– Por que não bebeu o sangue dela? – indaguei, tentando ignorar seu deboche e bem, minha burrice por nunca ter percebido.
– Sangue de vampiro não tem gosto muito bom. Você se sente meio sujo fazendo isso – explicou-me, agachando-se em minha frente – Você só se sente bem fazendo isso quando tem algo sexual envolvido.
– Não estou acred.. – minha fala foi interrompida por meu próprio grunhido de dor.
– Está perdendo muito sangue – ela pegou meu braço, parecendo preocupada – Você vai morrer. Deixe-me...?
– O que você vai fazer? – esforcei-me para falar alto – Vai beber meu sangue?
– Não, seu idiota – ela revirou os olhos – Vou te ajudar.
– Nunca – puxei meu braço de volta, o que o fez doer mais.
– Deixe de ser babaca – ela prendeu-me contra a parede, segurando minhas pernas contra o chão e então segurou meu braço; ela me imobilizou, era muito forte.
– O que você está fazendo?
Rebecca aproximou a boca do meu machucado, de onde corria cada vez mais sangue. Ela não mordeu meu braço e sugou o meu sangue, como eu tinha pensado que faria. Apenas lambeu toda a extensão do meu ferimento, o que – devo dizer – me causava uma sensação ótima de prazer. Era algo estranho de se pensar, mas era o que eu estava sentindo.
– Minha saliva estanca o sangue – ela falou ao limpar com um pano o resto do sangue que havia ficado em meu braço.
– Incrível – falei ao constatar que era verdade; meu corte estava cicatrizado.
– Eu te salvei – afirmou – Você me deve uma.
– Não gostei disso – fiz careta.
– O que é isso no seu pulso direito? – Rebecca perguntou, já puxando meu braço – Por que você não disse que a vadia tinha machucado aqui também?
– Eu nem tinha visto até você ver – revirei os olhos – E como você viu, aliás?
– Senti o cheiro – disse simplesmente – Deixe-me dar um jeito nisso.
Eu estava hesitante, mas ela não esperava por uma resposta. Ela sentou sem minha frente e fez o mesmo que havia feito antes – e eu senti aquela mesma sensação de antes. Aquilo era engraçado, era bom, era quase como estar embriagado. Bem, eu tinha bebido, mas não o suficiente para sentir-me assim. Eu sabia que não era a bebida que estava causando esse efeito... Era Rebecca.
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