Blood Prison
1 O telefone que nunca toca
Notas iniciais
Existem algumas histórias que contam sobre fadas, princesas e aventureiros, já sobre prisões, acredito que nunca tenha ouvido falar; a primeira vez que ela ouviu também achou estranho.
Diz a história que essa prisão é diferente de qualquer outra, mas não falam como é e nem o que as diferem, dizem que lá estão as piores pessoas do mundo, mas não falam quem são. A única coisa que sabem ao certo é que as pessoas que vão para lá não voltam. Havia ouvido várias vezes essa história quando aprontava algo quando menor, seguida da frase " se não se comportar, você pode ser a próxima " realmente aquilo a assustava. Uma breve lembrança lhe veio ao anunciarem um livro com o nome Blood Prison que teve um alto orçamento, pois a tal lenda que muita gente conhecia acabou virando um livro e quem sabe um dia filme.
— Scarlet! — uma voz cansada gritou seu nome,empurrando a porta do quarto com força. Era ela, sua tutora — Não está ouvindo o telefone? — perguntou indignada, estreitando os olhos escuros e arrumando os óculos enquanto balançava o aparelho.
Sua pele quase pálida estava um pouco avermelhada e seus curtos cabelos castanhos lhe pregavam na testa, o evidenciando que ela voltava de uma corrida, isso explicava o porquê da roupa de academia.
A garota estava deitada e continuou assim voltando sua atenção para o teto, deduziu não ser nada importante, se não, ligariam em seu celular não no dela
— Está me ouvindo? — perguntou de forma repreendedora, voltou-se para a mulher suspirando e se rendendo, não queria atender o telefone — Vamos conversar depois, que atrevimento chegar tão tarde em casa ontem, me fazendo esperar até altas horas — entregou o telefone e saiu ainda reclamando, seu nome era Aiyume.
A garota agora sentada, balançou de leve a cabeça negativamente enquanto dava um sorriso pequeno, quem seria?
— Scarlet — atendeu dizendo quem era, aquela voz não lhe agradara nem um pouco, se fosse a uns cinco anos atrás talvez tivesse se animado, mas agora, era melhor que não lembrasse que ela existia como sempre fez.
— Scarlet — chamou a pessoa do outro lado, a voz masculina era severa e dura — Preciso que venha até aqui.
— Por quê? – perguntou sem muito interesse.
— Quando chegar aqui saberá — informou, ouviu a garota suspirar e mudando de assunto perguntou: — Que história é essa de chegar tarde em casa? — aquele tom era repreensivo. A garota rolou os olhos ao ouvir tal pergunta.
— Não é da sua conta — respondeu simplesmente.
— Olha como fala comigo! Responda-me! — ordenou
— E quem é que quer saber? — perguntou em desafio.
— Seu pai, você sabe muito bem — irritou-se e para não aumentar o tom de voz respirou fundo, conseguia ouvir sua respiração pelo telefone.
— Então agora lembra que tem uma filha? — perguntou com desdém desligando o telefone.
Talvez assim ele desistisse, mas ele retornou a ligação, atendeu, por mais que não tivesse mais medo dele, nem sempre era bom contrariá-lo, poderia ser pior depois.
— O que você quer? — perguntou já impaciente.
— Veja bem como fala comigo, não sou seus amigos! — alertou.
— Meus amigos não teriam feito o que você fez! — decretou.
— Não me desafie, Scarlet! — avisou outra vez. Suspirou se entregando, ele entendendo voltou a falar — Quero-a aqui na primeira semana do próximo mês, nem um dia a mais está me entendendo? — não o respondeu, ficou em silêncio, olhando aquele teto tão atrativo naqueles momentos — Scarlet, estou... — o interrompeu.
— Estarei aí, agora me deixe em paz — o interrompeu desligando o telefone e o colocando no criado-mudo, rolou para o lado e fechou os olhos. O que ele queria? Havia sido surpreendente, ele nunca ligava, era sempre os criados para dar algum recado, talvez fosse importante.
— Scarlet? — ouviu uma voz chamar, parecia longe, muito longe — Scarlet — de novo — Scarlet — chamou agora a balançando, acordou assustada, havia dormido, olhou de um lado para o outro com a visão ainda meio turva, sentou-se, esfregou os olhos e olhou a sua frente vendo quem lhe tirara do sono, ela novamente, Aiyume.
— Hn
— Achei uma coisa que talvez você goste — informou sorrindo e estendendo uma caixinha.
Abrindo-a, viu que lá continha fotos que não sabia da existência, a maioria era de uma pessoa, uma mulher de cabelos ruivos como sangue, olhos castanhos que mostravam simpatia e um sorriso caloroso.
— Mamãe... — murmurou, pegando as fotos — Onde? — perguntou surpresa e com um sorriso no rosto, mas Aiyume não respondeu.
— Você é muito parecida com ela — observou a morena — Somente seus olhos que são do... — ela não terminou a frase porque a garota completou.
— Dele — completou suspirando.
Seus olhos eram da mesma cor dos dele, negros como a noite. Pegou outra foto e sentiu muita raiva, cerrou os punhos, ele estava com ela, pareciam muito felizes, aquela foto era do dia do casamento, sua mãe estava vestida de noiva. Em sua percepção, era irônico vê-lo sorrindo por algo assim, até acreditaria que eram como mostravam se não tivesse visto aquilo... Maldito. Com aquela foto em mãos, a rasgou, cortando-o da foto, aquela parte ficaria no fundo daquela caixa.
— Scarlet! — Aiyume desaprovou a ação da garota, mas aquelas fotos eram dela, suspirou e a olhou — Quando irá partir?
— Está me expulsando? — perguntou divertida, a mulher fechara a cara dizendo que não — No último dia, não quero prolongar minha estadia lá... Pensando bem, como será que as coisas estão? — não podia negar, estava curiosa.
— Só indo para saber e... Você está de castigo até lá — informou saindo do quarto.
— O quê? — perguntou assustada, arregalando os olhos enquanto levantava depressa — O que eu fiz? — perguntou já na porta.
— Me deixou esperando ontem a noite toda — respondeu — Quer motivo melhor? — perguntou arqueando a sobrancelha.
— Eu perdi a hora.
— Não me interessa — disse sorrindo — Limpará o salão de festas do prédio, ontem teve aniversário de uma criança e os encarregados da faxina estão de férias, então você fará esse serviço — informou, pegou uma folha em cima da mesa — Teremos muitos aniversários até a sua ida, divirta-se — falou piscando para a garota e indo em direção ao seu quarto.
— O QUÊ?!?!?
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