Blood Prison

2 Teto não familiar


Notas iniciais
Olá gente! Mais um capítulo fresquinho para vocês. Boa Leitura.

A garota estava em um ônibus em direção aquela casa que não via há muito tempo. Se sentia dolorida e cansada, consequências do castigo de Aiyume, sua tutora. Os zeros após alguns números não eram nada humildes na conta bancária de seu pai e poderia ter entrado no jatinho mais caro que tinha e fazer um estrago em seu orçamento como vingança, mas queria pensar um pouco. Aiyume havia lhe dado uma pequena esperança dizendo no dia anterior sobre a possibilidade dele lhe querer de volta para tentar recuperar o tempo perdido, mas vindo dele... Era algo duvidoso.

Quando chegou ao ponto final pegou um outro ônibus, que lhe custou mais caro do que deveria. Entre pensamentos, acabou adormecendo e passou do ponto onde deveria ter parado. Assim chamou um táxi, era mais seguro, afinal, se dormisse, o motorista lhe acordaria. Passou o endereço que os empregados haviam lhe informado alguns dias antes ao motorista e ele logo ligou o carro e partiram. Depois de alguns minutos a viagem se tornou incômoda, tinham que passar por uma estrada com alguns buracos e mais deformações. Após chegar ao seu destino observou pela janela do carro; aquela enorme casa que era dominada por trepadeiras. Estava do mesmo jeito de antes, aparência velha e o mesmo ar de soberania.

Não pisava naquele local desde os seis anos.

Havia uma fonte de frente as escadas que davam a porta principal, no centro havia um guerreiro apontando sua espada para cima, como se tivesse triunfado enquanto a água jorrava. Ao observar aquele enfeite da entrada, lembrou-se de que costumava brincar ali e se molhar toda, levando bronca de sua mãe e de alguns empregados que entravam em desespero, já que estavam de olho nela, sabiam que se acontecesse alguma coisa, graves consequências viriam da parte de seu senhor. Isso a fez dar um sorriso e os olhos encherem de água, naquela época ele ainda se importava com ela. Observou o começo do jardim aos lados da casa, ele estava muito bem cuidado. Saindo de trás da casa viu o jardineiro indo até um arbusto com uma tesoura.

— Ei, moça, eu tenho mais clientes para atender, poderia me pagar logo? — falou o motorista um pouco impaciente.

— Ah! Certo, certo — concordou saindo de seu devaneio. Observou que suas malas já estavam do lado de fora a sua espera. Saiu do veículo e recebeu um aviso.

— Coisas estranhas estão acontecendo neste lugar mocinha, tome cuidado! — após isso o taxista partiu, ela observou o carro até ele sumir de vista.

— O que ele quis dizer com isso? — aquilo havia lhe assustado um pouco.

Percebeu que o jardineiro havia sumido, olhou novamente a estrutura da casa, suspirando pesadamente; seriam longos dias. Pegou suas malas e foi em direção a porta principal, passando pela fonte, sorriu tendo novamente aquelas lembranças. Na porta apareceu novamente o jardineiro com dois mordomos atrás e uma empregada. Os mordomos, um loiro e o outro moreno, pegaram suas malas enquanto a empregada de cabelos loiros a guiava, ao subir a escada olhou para o lado e viu que o jardineiro retornara ao trabalho.

Ultrapassando a porta viu que nada havia mudado, nem a decoração. Uma escada com um tapete vermelho no centro dava acesso aos quartos e mais algumas salas. Ali naquele salão haviam três grandes sofás, uma estante com uma televisão de plasma no meio e nas outras prateleiras; vasos com flores entre outras coisas, sentiu falta dos quadros que tinham ali, fotos de todos eles. Ele queria esquecer.

Foi levada até seu novo quarto e quando o abriu pensou estar em uma cela, aquele lugar era triste com paredes cinzas e móveis brancos. Colocando suas coisas no quarto os mordomos se retiraram e a empregada se pôs a arrumar suas coisas no guarda-roupa.

— Tudo bem, eu arrumo — informou a nova ocupante da casa.

— Esse é meu trabalho, senhorita Knightwalker — informou a empregada, colocando uma das peças no cabide.

— Não me chame assim! — se assustou um pouco por ouvir seu sobrenome. Há muito tempo que não o ouvia sendo dirigida a ela e era para continuar assim. Por conta disso, alterou um pouco seu tom que assustou a mulher.

— Desculpe, senhorita — pediu ela, ajoelhando e se debruçando no chão.

— O que você está fazendo? — perguntou com os olhos arregalados.

— Por favor, não faça nada comigo — implorou ela.

— O que ele faz com os empregados? — estava assustada, lembrou-se de que quando morava ali os empregados comiam à mesa junto deles, e agora ela implorava por misericórdia?

— Não se preocupe, me desculpe ter alterado o tom de voz e... É realmente necessário fazer isso? Fique de pé — pediu tentando acalmar a mulher que tremia.

— Ultimamente quando o senhor Knightwalker fica irritado; coisas ruins acontecem — informou a empregada receosa.

— Que tipo de coisas?

— Alguns empregados somem — respondeu — Talvez seja algum tipo de maldição nessa família, ouvi falar que um de seus antepassados foi para Blood Prison, talvez tenha encarnado em seu pai e quer vingança — explicou ela, arregalando os olhos enquanto olhava as mãos.

A garota que ouvia atentamente arqueou uma de suas sobrancelhas e, ao assimilar aquelas palavras, começou a rir baixo. Tentou se conter para não aborrecer a empregada, mas não teve como, aquilo era absurdo demais. Observou a mulher a sua frente: era nova e parecia não ter mais de vinte anos, talvez ainda acreditasse nesse negócio de histórias de terror. A empregada por sua vez; a olhou incrédula, como ela podia rir daquilo? Até mesmo a filha de seu senhor corria perigo. Ao se recompor disse:

— Você acredita mesmo nisso? — indagou de maneira debochada, aquilo era ridículo — É só uma história para assustar crianças — informou de maneira óbvia.

— Bom, só quis alertar a senhorita, mas se não acredita, nada posso fazer — decretou a empregada, levantando-se e indo em direção a porta, percebeu que a recém-chegada não era como seu pai e arriscou — Agora arrume suas coisas sozinha — ordenou emburrada indo até a porta.

— Como? Por acaso está virando as costas para mim? — perguntou de modo ameaçador, talvez a empregada tivesse se enganado, talvez ela fosse como o pai, já ia se virando quando a garota continuou — Por acaso quer ir para a Blood Prison? — perguntou firme, aquilo havia sido a deixa para a empregada voltar seu trabalho rapidamente, a ruiva não aguentara, caíra numa gargalhada alta, nisso a servente percebeu que ela ria de sua cara.

— Talvez tenha alguém bom nessa família — pensou fazendo bico, enquanto dobrava uma peça e via a garota já sem fôlego de tanto rir — Mas ela não devia rir de algo tão sério.

— Não se preocupe, tudo bem, eu posso me virar, eu guardo tudo — informou se jogando na cama, ouviu alguns estalos e a cama subiu pregando na parede com ela junto — Ai! – reclamou.

— Isso é castigo por ter rido de mim — informou a empregada, rindo.

— Então seu castigo será pior por estar fazendo isso também — amaldiçoou — Agora me tire daqui! — ordenou brincalhona, diferente do que havia pensado, o humor daquela casa não havia mudado tanto, pelo menos não com os empregados.

— O que está fazendo, Izumi? — perguntou um mordomo entrando no quarto, seu semblante era sério e frio algo que combinava com seus cabelos negros e olhos de mesma cor com aquela pele pálida.

— Ajudando a senhorita — respondeu ela com um pouco de receio.

— E onde ela está? — perguntou desconfiado, o quarto estava vazio e a mulher estava fazendo muito barulho, então decidiu averiguar antes que alguém reclamasse. Izumi apontou para a cama que estava presa na parede — E por que não a tirou dali, mulher? — perguntou ele exaltado, indo em direção a cama a puxando, ele o fez de maneira bruta fazendo a garota quicar na cama e ir pro chão.

— Ai! — reclamou ela de novo.

— Está tudo bem, senhorita? — perguntou o mordomo estendendo, a mão para ajudá-la

— Ele é bonito — pensou a ruiva, pegando sua mão que vestia uma luva branca — Ele é um dos mordomos da entrada — lembrou-se.

— Quer uma bandeja para a baba, senhorita? — perguntou a empregada rindo. A ruiva corou e o mordomo não teve reação alguma, pareceu nem ter ouvido.

— Pare de brincadeiras, Izumi, sabe que não deve ficar enrolando — advertiu o mordomo — Não está contando mais uma de suas histórias, certo? — a mulher abaixou a cabeça comprovando seu pensamento — Não deve ficar perdendo tempo nem incomodando a senhorita com suas bobagens, você e ela têm muito o que fazer.

— Eu muito o que fazer? Não mesmo — pensou a ruiva com cara de tédio.

— Diz que é besteira por estar pouco tempo aqui, quero ver quando as coisas começarem a ficar estranhas — rebateu ela.

— Não ligue para ela, senhorita — pediu o mordomo fazendo uma reverência — Ela adora histórias.

— Certo, não há problema.

— Desisto, depois não digam que não avisei — bufou Izumi, voltando ao seu trabalho.

— Irei chamar alguém para arrumar sua cama, com sua licença, senhorita — pediu o homem se retirando.

— Devo dizer que o senhor Knightwalker se atrasará para o almoço — informou Izumi — Ele havia ligado mais cedo.

— É claro que sim — murmurou Scarlet.

— Soube que gosta de livros, Saphire lhe comprou um — informou a mulher apontando para a gaveta da cômoda.

— Ela ainda está aqui? — perguntou surpresa.

— Sim, ela trabalha há muito tempo aqui, não pode ser dispensada assim — explicou a mulher.

A garota não pensou duas vezes, entrou dentro no banheiro e tomou um banho rápido. Saindo do box, percebeu que a toalha e as roupas que esquecera de pegar estavam lá, deveria agradecer Izumi depois. Se vestiu e quando ia sair apressada, lembrou-se do livro, abriu a cômoda e lá estava, era aquele título tão popular: Blood Prison.

Notas finais
E então o que acharam? Gostaram? Chiharu Amaterasu: Ja ne
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.