- Adam, quando chegar na rua 18, vai ver um beco escuro perto do Manhattan Business Corporation, entre nele. – comentou olhando o retrovisor.



- Han? – olhou Adam enquanto estava com as mãos no volante, dando uma rápida olhada de lado para o amigo. – Pra quê? Temos que ir ver como o Stuart está!



- Apenas siga! – esbravejou voltando a olhar o retrovisor. – Não estamos sozinhos.



Justin começava a sentir algo ruim enquanto o carro corria em alta velocidade, nas ruas de NY, com certeza aquilo despertava a atenção dos pedestres, que buzinavam e se confundiam com o carro, que logo entrava em um beco escuro, sumindo nele.


Adam e Justin paravam em um casebre abandonado no meio da cidade.



- Justin...você me chamou para isso?! – olhou com uma gota não entendendo.



- Adam...temos que entrar, sinto o cheiro do Stuart ali... – comentou Justin, agora bem sério, coisa atípica no seu comportamento.



- Se você diz... – respondeu enquanto se aproximava da porta, retirando a faca refinada com o sangue demoníaco de Justin, caso alguma criatura resolvesse aparecer para brincar com eles.



Adam ao aproximar-se da porta, e sem nem mesmo tocar nela, tal porta abria-se sozinha, mostrando uma casa velha e cheia de teias de aranha. Ela exalava um cheiro insuportável de bebidas alcoólicas, mofo e decomposição de alguma coisa que nesse momento fedia bastante. O rapaz fez uma cara feia ao sentir o cheiro, e pegou sua lanterna, a ligando.



- Ei Justin, venha ver isso... – apontou para um corpo na escada. – Parece que está aqui há um bom tempo! – percebeu que faltavam algumas partes, e as que sobravam estavam totalmente deterioradas.



- Lilith... – entrou Justin, fechando a porta, observando o corpo ali no chão. – Ela nunca perde uma chance... – levou uma das palmas da mão até o rosto, com uma cara nada boa.



- O que você quer di....- a casa começava a estremecer, interrompendo a pergunta de Adam.



Ambos os dois começavam a correr até a porta rapidamente. Justin frustrado tentava arrombá-la com um soco, mas a força que a fechava naquele momento impossibilitando dos dois escaparem, era bem maior. Ambos os dois sem alternativas, subiam as escadas rapidamente, demonstrando medo.



- Adam?



- O que é? – perguntou enquanto corria acompanhando o amigo.



- Fudeu, é uma armadilha, o cheiro do Justin foi apenas um modo para nos pegar nela! – gritou ele enquanto corria em disparada.



- Suas palavras são confortantes, principalmente em momentos como esse. – comentou sarcasticamente.



Antes que os dois pudessem seguir para o terceiro andar da casa, eram jogados para trás por algo...ambos batiam na parede com tudo, caindo no chão.



- Ei, quem foi que fez isso?! – olhou Adam apontando a faca para todos os lados.



- Ele.. – apontou Justin, para uma enorme criatura com corpo musculoso em tom azul, cabeça de touro, chifres de dragão, pés de bode, e asas de morcego ;que os fitava perversamente. – O guerreiro da Ira, Tauron Eskemretius.



- Olá, amigos! – deu uma risada exagerada e ao mesmo tempo malvada, que fazia o clima no lugar ficar mais tenso do que estava.



- Agora sim, estamos ferrados! – olhou Adam resmungando. – Alguma idéia?



- Tenho. Essa faca não vai adiantar muito...ele é como se fosse um semi-lúcifer... os guerreiros das trevas são os demônios mais poderosos depois de Lúcifer, e logo em seguida vêm os demônios de elite, que no caso são Lilith e Azazel, e depois os em treinamento, que sou eu e muitos outros. Você irá precisar de uma espada...banhada com o sangue divino, para matar demônios desse tipo...



- E como eu consigo uma?! – perguntou recuando para trás, ao perceber que Tauron se aproximava.



- Só se você fizer um pacto com um anjo, e ele lhe dará um pouco do sangue de Deus para que você possa derrotar essas criaturas. O problema é, anjos não costumam confiar muito em humanos, principalmente um humano que é amigo de um demônio!



- Grrr...calem a boca seus inúteis,vocês serão sacrificados em nome do grande Lúcifer! – ele liberou um pequeno raio azul das garras afiadas em tom prateado, que era jogado na direção de Adam.



- Adam, use a faca agora, para repelir o ataque! Ela não vai quebrar tão fácil assim, já que foi banhada pelo sangue de um demônio! – gritou Justin.



- Certo! ‘’Senhor, você não pode me ajudar nesse momento?!’’ – Adam rapidamente colocou a faca na frente, enquanto tentava repelir o raio, que por sinal era bem forte. – Eu não sei se eu vou agüentar, temos que pensar em algo melhor!



‘’Coincidentemente’’, o pensamento de Adam era ouvido, e uma grande luz se formava sobre o local, que ofuscava os olhares demoníacos, era a luz divina, que deixava Justin e Tauron bastante incomodados devido á forte intensidade com que ela retirava suas energias. Uma figura alta, com corpo de mulher e cabelos longos e loiros, de olhos azuis, com um casaco, calças jeans,tênis, uma touca de frio e fones de ouvido, e asas brancas como neve aparecia, pousando ali, cruzando os braços.



- Será que os anjos não tem sossego hoje em dia?!



- Um anjo? Que ótimo. – Adam conseguia repelir o raio, que ia contra uma das fontes do poder de Tauron, um de seus dois chifres, que logo se partia ao meio, quebrando-o, fazendo com que a criatura desse um urro de dor e avançasse correndo na direção deles.



- Idiotas, quebraram meu primeiro chifre! Agora despertaram a verdadeira fera! – a criatura aumentava o tamanho de suas garras drasticamente, e tentava atacar Adam na ofensiva, que pegava o pedaço de chifre no chão, e desviava por pouco, pulando emcima dele, segurando no seu único chifre que sobrara, fazendo Tauron correr atordoado de um lado para o outro tentando tirar o rapaz de cima das costas.



- Ei anjo, me dê uma pedra sagrada, temos que selar esse demônio! – Justin falou apreensivo enquanto mexia a mão dreita em sinal para que o anjo fosse mais rápido.



- Nunca! – ela falou segurando um pequeno saco de couro. – Ela só pode ser tocada por humanos, ou por anjos, demônios que tocam nela sentem uma dor terrível capaz de causar queimaduras que você nem imagina. Ei garoto, pega isso! – o anjo jogava uma pedra sagrada para Adam. – Agora use isso no demônio!



- Ta certo! – Adam pegava a pedra e a colocava na parte quebrada do chifre de Tauron, e perfurava bem na região das costas dele, transmitindo uma energia sagrada. – Demonius Destructs! – o demônio em forma de ‘’quimera’’ rapidamente se desfazia em energia, deixando apenas um grande vácuo no local, e era aprisionado na pedra, tirando aquela coloração branca, transformando-a em uma pedra roxa escura.



Todos os presentes que sobraram, entreolharam-se intrigados, até que o anjo em forma de menina se aproximava, fazendo uma pequena reverência, gritando um pouco por causa dos fones-de-ouvido.



- Ohayo! Meu nome é Natsume. – fitou ela revelando seu nome.



- Ei, nome de menina? Aparência feminina...quer dizer que você é um anjo do sexo feminino! – olhou o humano coçando sua barba um pouco mal feita analisando-a.



- É claro! – apontou-lhe o dedo como se aquilo fosse a coisa mais óbvia. – Esse mito de que anjos não tem sexo é pura balela. Humanos... inventam cada absurdo sobre nós. – bufou cruzando os braços, parecendo um pouco irritada.



- Ah propósito, qual a razão de vir aqui, Natsume? – fitou Justin um pouco irritado, por ter a atenção desviada para a misteriosa convidada.



- Eu vim em nome do nosso Deus! Ele me pediu para que eu capturasse o desordeiro que estava matando demônios descontroladamente. – fitou Adam com um olhar nada feliz. – Vamos, humano, você tem que vir comigo. – Por incrível que pareça, mesmo as mãos de Natsume sendo finas e delicadas, tinham a força de uma criatura com o tamanho três vezes maior que o de Adam e Justin juntos...ela o pegava pela gola, e antes que Justin pudesse fazer algo, ela o ameaçava.



- Não se aproxime do humano. – olhou-o com os olhos fervilhantes de ódio.



- Ou o quê?! – correu na direção dela furioso preparando um ataque.



- Ei me largue! – Adam rapidamente pegava sua faca e tentava desferir um golpe contra Natsume, mas ela era rápida, e pegava a faca, a observando.



- Uma faca banhada com sangue demoníaco...você é um herege, Adam. Deus não iria gostar de saber que um humano honesto como você, seria capaz de fazer um pacto com um demônio servidor de Lúcifer. Lamentável, mas são ordens, venha comigo e não tente resistir. – Ela começava a se desmaterializar do local com o humano, deixando Justin.



- Maldito seja Deus! Não podia mandá-la em uma hora pior?! – bufou irritado enquanto tentava pensar em outra alternativa. – Não tem jeito de no momento eu ir ajudar o Adam, demônios não tem permissão de adentrar o céu, a única alternativa a qual eu posso cumprir, ver se o Stuart está bem. – saiu andando do local cabisbaixo, falando confuso. – Em qual local da cidade, Stuart poderia estar? – pensou desanimado consigo mesmo ao ver o tamanho daquela cidade, provavelmente demoraria dias.