Blood Moon (HIATUS)
6 História mal-resolvida
Já eram quase seis da tarde, e meu pai já estava em casa. Liguei para Vic para pedir desculpas:
– Oi.
– Oi.
– Me desculpe por mais cedo, sério. Mas preciso que você venha passar a noite aqui. Precisamos conversar.
– O.k, é tão urgente assim? — ela respondeu.
– Sim, e muito. Vou falar com meu pai, e já te ligo.
– Tá bom. Até mais.
Desci e pedi ao meu pai se ela poderia dormir lá, e ele disse que sim. Subi para o meu quarto e liguei para ela.
Meia hora depois, ela estacionou o carro no pátio de casa, e subiu até meu quarto.
Contei-lhe sobre o que aconteceu entre mim e Collin, e ela disse:
– O quê? Lauren, mais cedo na escola você estava a ponto de metralhar ele. E agora me diz que se beijaram. Como assim? — ela disse rápido e animada.
– Com a boca, talvez? — Ergui uma sobrancelha.
– Engraçadinha. Me conte como foi, me conte!
– Preciso mesmo entrar em detalhes?
– Claro! Ele beija bem? Foi muito comprido? Ele pegou na sua bunda? Ou uma buzinada?
– Quê? Ah, meu Deus! Não, não foi nada disso. Pare de paranoia.
– Tá, mas por que ele foi embora?
– Não sei. Isso que não entendi. E o pior não foi isso com Collin.
– Foi o que?
Baixei a voz, e comecei a falar do acidente da noite em que fomos comprar os acessórios. Contei todos os detalhes possíveis, para ela não ficar me enchendo de perguntas.
– A-h-m-e-u-D-e-u-s! O homem de capuz preto? — Ela olhou pra mim com um olhar assustado. — Tem certeza?
– Absoluta. Me lembro como se tivesse acontecido um minuto antes.
– Temos que avisar a polícia!
– Não! Eles vão achar que eu sou maluca e vi coisas. Vamos esperar, pra ver se ele aparece de novo.
Perto de onze e meia fomos dormir.
†
Acordamos no outro dia de manhã às 7 horas. Nos arrumamos, tomamos café, pegamos nossas coisas e fomos para a escola — com o carro de Vic -.
Chegamos na escola, e Collin estava lá, sentado numa mesa do refeitório cabisbaixo, sozinho. Fui até ele e sentei ao seu lado:
– Pode me explicar o que está acontecendo?
– Não.
– Como assim, não? — Perguntei fazendo gestos com as mãos.
– Não, por acaso nunca ouviu um não? Se não ouviu, está ouvindo agora.
– Você é o pior canalha que já conheci na vida. Quer saber? Fique aí com esse seu não. Tchau.
– Adeus.
Saí de lá boquiaberta, contendo as lágrimas que estavam prestes a explodir no meu olho.
Sentei ao lado de Vic no outro lado do refeitório, e contei a ela o que conversamos — se é que aquilo pode ser chamado de conversa, porque em nenhum instante ele olhou pra mim.
– Espera aí, vou lá resolver isso agora. Vou mostrar que ninguém faz isso com minha melhor amiga!
E ela saiu correndo, mas eu a segurei pelo braço, e disse:
– Não! Deixe pra lá, isso não vale o empenho.
– Claro que vale! Lauren, acorda! Ele te beijou! Não foi uma palavra, e sim um beijo.
– Esquece, Victoria...
Mais tarde, no meu quarto, fiquei refletindo o acontecido. Por que ele fez aquilo? A troco de que? Coloquei na minha cabeça que eu nem ligava. Mas por que estava me preocupando tanto com aquilo, se eu nem ligava?
Estava transbordando raiva de dentro de mim, e eu queria despejar aquilo, de um jeito ou de outro.
Fui até a garagem de casa, vesti as luvas de Box do meu pai, e comecei a socar o saco de pancadas.
No fim das contas, minha mão ficou toda vermelha e dolorida, mas estava muito mais aliviada.
Droga.
Porque fui me deixar levar por um sorrisinho cafajeste? Por que aquilo estava me deixando maluca? Ele era só um garoto...
Fui para meu quarto e tomei um banho gelado.
Desci para jantar, pois já eram quase 7 da noite. Ajudei meu pai com a louça e fiquei assistindo um pouco de TV.
Subi para fazer o dever de casa. Mas acabei cochilando sobre os livros.
†
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