Blood Moon (HIATUS)
7 Desprezada
Acordei meia-hora atrasada para a escola.
Droga.
Levantei e me arrumei em 5 minutos.
Fui para a escola, sem nem tomar café. Que legal, já comecei o dia atrasada.
Chegando na escola, vi Collin conversando com Clair. Os dois riam, sorriam feito criancinhas. Já não bastava ele me dar um tremendo de um fora, tinha que cair nos pés logo da minha inimiga número um?
Ignorando completamente os dois, passei por eles, mas percebi que eles param o fuzuê quando cheguei perto. Nem liguei. Aquilo era motivo de desprezo, não tristeza.
Tomara que ele dê um fora maior do que me deu, e em público. Vadia.
Na aula de biologia, Collin sentou ao meu lado sem dizer uma só palavra.
– Vai continuar me ignorando, Sr. Cafajeste?
Ele só me olhou de canto de olhos, e não disse nada.
– O.k, então.
Me levantei e fui até o sr. Stewart:
– Poderia me trocar de dupla, por favor?
Ele desviou a atenção para mim, e falou:
– Qual seria o motivo?
– Meu parceiro faz questão de não dirigir uma palavra à mim.
– Desculpe, srta. Vicentin, mas não posso troca-lá agora. Todos já tem suas duplas, e todos já começaram o relato. Sinto muito.
Quando me virei para voltar ao meu lugar, Collin estava encarando o sr. Stewart. Ele desviou seu olhar para mim, mas rápida e disfarçadamente, olhou para o outro lado da sala, onde estava Clair, e lhe lançou um daqueles sorrisos irritantemente cafajeste.
Voltei para meu lugar, e continuei a prestar atenção na aula, e percebi que Collin não direcionava nem por um instante seu olhar à mim.
Na hora do intervalo, fui com Vic até a cantina, compramos nossos lanches e nos sentamos nas mesas próximas às janelas. Estava chuviscando lá fora.
Collin estava novamente sozinho.
Urgh, aquilo estava me deixando com os nervosos à flor da pele.
Será que estava gostando dele? Não. Não podia gostar dele. Era errado.
– Quer que eu dê um jeito nisto? — perguntou Vic.
– Hã? Jeito no que? — perguntei.
– Nesta coisa entre Collin e você. Dá pra ver nos seus olhos que você está apaixonada por ele.
– Quê? Eu não tô apaixonada, só não... Só não consigo acreditar.
– A-hã, e eu sou uma atriz mexicana. — Ela ironizou a frase.
– É sério isto, Victoria!
– Mas eu também estou falando sério! — Ela sussurrou, e então ergueu a voz: — Puxa, qual o problema de eu ser atriz mexicana?!
– O problema é que isto está me deixando maluca!
– Novelas mexicanas que nunca acabam?
– Não! Só quero que você me ajude! — falei alto.
– Tudo bem, quer minha ajuda? Muito bem, vou lá falar com esse rapaz. E nem tente me impedir, Lauren!
Ela se levantou e foi em direção ao Collin, do outro lado do refeitório. O que será que ela vai dizer?, pensei. E ele?
Três minutos depois ela voltou, e eu perguntei:
– E aí, o que você disse?
– "Olhe aqui, seu canalha! Quem você pensa que é para fazer isto com a Lauren? Saiba que ela tem uma melhor amiga que não deixa caras feito você fazer o que fez e o que está fazendo com ela! Isto não vai ficar assim, vou infernizar você, isto não acabou!" — Ela fez gestos com as mãos.
Regalei os olhos, e perguntei:
– E o que ele disse?
– "Vá por mim, estou fazendo isto pelo bem dela." E eu dei um tapa na cara dele, ele riu e saiu. Mas que canalha filho da mãe! Como ele pôde? Ele vai pagar por tudo isto, e com troco ainda, Lauren, você vai ver!
Me levantei e disse:
– Tenho que resolver isto.
Procurei Collin pela escola inteira, menos em um lugar.
Fui até o banco de baixo da árvore que ele costumava sentar sozinho.
Sentei-me ao seu lado, e ele começou a falar:
– Se veio me dar um tapa na cara também, obrigado, mas eu dispenso.
Ele fixava o nada.
– Não, eu vim atrás de respostas, e pretendo sair daqui com todas minhas perguntas respondidas, caso contrário, retornarei a te procurar.
– Não posso te contar nada, sinto muito. Mas isto custaria minha vida... E a sua também. A única coisa que posso dizer é: fique longe de mim, e você estará à salvo, e sem problemas.
– Por acaso vai me dizer que é um vampiro, igual essas histórias de filme?
– Não, é mais complicado que isso.
– Nada mais é complicado para mim. Quer saber o que é complicado? Perder a mãe. Isto sim, é realmente complicado. Você não tem noção alguma do que é ou que não é complicado.
– Quer realmente discutir minha noção do que é complicado?
Respirei fundo, para impedir as lágrimas de rolarem pelo meu rosto.
– Olha aqui, a vida toda pessoas esconderam as coisas de mim, até meu próprio pai. Esconderam quando meu primeiro peixinho morreu, para me proteger. Esconderam até a forma que minha mãe foi morta! A única coisa que sei é que foi num acidente. Mas como foi? Isso eu não sei dizer. — Lágrimas começaram a sair do meu olho. — Mas vou te falar uma coisa: estou cansada disto, cansada de mentiras. Cansada de tudo. Quer saber? Mesmo com todas essas mentiras, aprendi que isso não leva à lugar nenhum. Aprendi a ser sincera com os outros. Por isto, resolvi te contar uma coisa: esta semana, enquanto voltava pra casa de carro de noite, um homem estava no meio da estrada, o mesmo homem de capuz preto que estava olhando eu e Vic pela janela da loja de vestidos. Não consegui ver suas feições, mas reconheci sua silhueta. Ontem à noite, estava pensando sobre isto, e cheguei à uma conclusão: o homem de capuz preto era você.
Ele voltou seus olhos negros, mais sombrios do que nunca, na minha direção, e disse:
– Eu? O quê do que você está falando? Não tire conclusões precipitadas sem ter provas, garota!
– E como você explica o fato de que o homem de capuz preto começou a me perseguir no mesmo dia em que nos vimos pela primeira vez?
– Isto eu não sei dizer. Mas sei de uma coisa: você é completamente maluca!
E então ele se levantou e saiu.
Aquelas palavras doeram fundo em mim.
†
Fale com o autor