Notas iniciais
Bom galera, talvez eu demore um pouco pra postar o proximo capítulo, pois estou sem net e tals : Espero que gostem do capitulo de hoje, e podem esperar mais do terceiro capitulo ;)

“Mate todos e sobreviva, irmão”. Um pensamento obscuro pra uma linda noite iluminada pela lua, ou seria Diana?

Depois de desembarcar na Califórnia, procuro alguma loja de veículos. Precisava de um transporte até Oakland Hills, e não tinha dinheiro pra comprar um. Encontro uma loja de carros e motos usadas, sendo vigiada por um homem alto e forte, que parecia mais estar mais dormindo que acordado. Não tinha nenhuma arma mortal, mas quem precisa disso quando se é um Semideus?! Concentro-me e invoco uma mínima quantidade de eletricidade, o suficiente para mantê-lo desacordado por uma hora, talvez duas. Um barulho de eletricidade perturba o silêncio da noite, e depois de meio segundo, o homem está no chão. Pego as chaves e me esgueiro pra dentro da loja. Sinto um cheiro de mofo, misturado com óleo de motor e graxa. Não me demoro muito, vejo uma Suzuki GSX 650F e começo a fazer ligação direta. Talvez não comentei, mas aprendi no Brasil mais do que jogar Futebol e tomar café. Na segunda ou terceira tentativa, o motor pega. Tiro ela da loja e me aventuro pela noite. Ela me envolve, linda como um véu. O transito está bem calmo, o suficiente pra me fazer pensar novamente em Jason. “Mate todos e sobreviva”. O que será que ele quis dizer? Não sei se foi um aviso ou uma ordem. Estamos em tempos de paz, não há guerras no momento, então porque ele está todo sangrando e machucado? Tantas perguntas sem resposta. Decido afastar esses pensamentos junto com o vento que me vem de encontro ao rosto. Deveria ter pegado um capacete, mas sou daquele tipo que vai pra guerra e esquece a espada debaixo da cama. Penso em Reyna, que deve estar me esperando agora. Em Andrew Hartmann, meu melhor amigo, filho de Marte e comandante da 1° coorte. Um cara alto, forte, pele morena, aquele sorriso malicioso de valentões, mas um grande amigo, que morreria por seus homens. Lutávamos juntos na 1ºcoorte, ele era meu subcomandante. Depois de se tornar pretor, ele ficou com o meu cargo de centurião. Marie então invade meus pensamentos, Marie Fontaine, minha namorada. Tudo bem, não sei se posso dizer que ela é minha namorada. Mas eu a amo, e talvez ela me ame também. Uma menina branca, de olhos escuros e cabelos castanhos, um sorriso lindo e um jeito fofo. Ela é comandante da 2°coorte e filha de Febo. A 1°e 2°coortes são muito próximas entre si, isso explica como me tive chance de me aproximar dela. Porém depois da minha promoção à Pretor, tive que me afastar. Ansiava pelo seu sorriso ao me ver chegando e pelo seu abraço tão quente. Uma placa indicando o retorno pra Oakland Hills me retira de meu transe, manobro a moto e entro no caminho indicado. Estou quase chegando. Já posso ver o túnel, e até dois soldados romanos de guarda. Aproximo-me, estaciono e aceno com a cabeça. Eles rapidamente tomam postura e fazem uma saudação quase ao mesmo tempo. Continuo caminhando e avisto o pequeno Tibre, com suas àguas calmas, refletindo o luar. O Acampamento está silencioso, essas horas os treinos já acabaram e todos estão nas termas ou nos alojamentos, se preparando para o jantar. Alguns espíritos voadores já caminham com bandejas pelo Refeitório, servindo os mais apressados e sedentos por comida. Ao longe, Nova Roma brilha com suas luzes e construções imponentes, como o Senado e o Fórum. Fico na dúvida entre ir para meu alojamento, ou procurar Reyna. Então um sorriso toma meu pensamento, e já decido meu caminho. Vou andando suavemente para o dormitório da 2°coorte. Passo pela 5°coorte, que apenas se assustam e ficam cochichando. Não encontro Henry Barth, o líder da 5°coorte, então sigo em frente. O dormitório das garotas fica do lado oposto do dormitório dos garotos. Contorno o dos garotos e me encaminho ao feminino. Chegando lá percebo que está vazio o que indica que todas estão nas termas. Rapidamente pego papel e caneta de uma escrivaninha qualquer e deixo um bilhete. “Encontre-me na ponte para os templos. Quero te ver. Ass. Seu pretor preferido”. Deixo em cima de sua cama, que por certos acontecimentos eu sei qual é. E não, não foi por fazer isso. Não ainda. Saio e com passos rápidos sigo em direção à ponte. Depois de uma breve caminhada alcanço meu objetivo. Deito na grama das proximidades e acendo um cigarro pra passar o tempo. Cigarros, drogas e bebidas não são permitidos dentro do Acampamento, mas ser pretor tem suas vantagens. Você pode bater um papo com alguns filhos de Mercúrio e descolar Vodca, cervejas, cigarros e talvez até maconha. É, eu sei, sou um pretor e devia zelar pela ordem. Mas digamos... Foda-se. Você não conta, eu não conto, ninguém exagera e seguimos em frente. E não conte a Reyna que disse isso, ou ela terá um piripaque e serei o primeiro pretor a apanhar de outro pretor. Uma voz doce quebra o silêncio.

–Você não deveria fumar cigarros, já disse que odeio isso. – Olho para trás e me deparo com uma garota com 1,65 metros, cabelos castanhos bem penteados, olhos escuros da cor da noite, um sorriso doce e fofo, vestindo uma camiseta roxa com as siglas “SPQR”, calças jeans e sandálias.

–Preferia me encontrar fumando maconha, moça? – Recebo um delicado soco no ombro como resposta. Ela sente do meu lado e me dá um longo, quente e demorando beijo na bochecha. Meu corpo esquenta tanto que parece que estou dançando dentro de uma fogueira de São João. Depois sorri e diz:

–Como foi na Itália?

–Foi suave, dei alguns passeios, dormi o máximo que pude, paquerei algumas garotas italianas. Sabe, bem normal. – Recebo outro soco, com um pouco mais de força. – Mas então, me diga, como estão as coisas aqui?

–Andrew está fazendo uma espécie de treino conjunto entre sua coorte e a minha. Segundo ele, estamos perdendo o prestígio que tínhamos antigamente como as coortes principais. Reyna está ficando louca sozinha, com todos os problemas e tudo mais. Mas fora isso, tudo normal.

–Bem, ou Reyna me receberá com um belo de um soco por sumir por tanto tempo, ou ela me abraçara feliz por ter alguém pra ajudar nos problemas. Ou talvez os dois. – Ela recebe a notícia com um sorriso, aquele mesmo que ela sempre usa. Filhas de Vênus são lindas e tudo mais, mas não encontrei nenhuma que tenha um sorriso como esse. Suas bochechas ficam levemente vermelhas. Minha vontade é beijá-la, e sumir no mundo com ela. Vivermos em paz, viajando e se amando no caminho. Contenho-me.

–Bem, primeiramente te chamei para ver esse sorriso. Segundamente, tenho algo a contar. No avião, vindo para cá, eu tive uma espécie de sonho ou visão. Não sei bem do que se trata. Mas era Jason. – Ela fica séria, sabendo que o assunto é delicado. –Ele estava todo machucando e sangrando, ele tentava falar sem sucesso. Parecia que a vida estava esvaindo de seu corpo. Então ele sussurrou uma frase. “Mate todos e sobreviva, irmão.”- Encerro, olhando para o céu, que incrivelmente estava mais escuro. Ou pelo menos parecia estar.

–É... Bem, Jason. Ele desapareceu, e ninguém sabe o que aconteceu. Acho que devia contar a Reyna isso.

– Eu já estava indo contar, mas decidi antes te ver. Você e Andrew são o que tenho de mais próximo. Você me conhece desde que eu era um menino assustado, que por uma sorte incrível, Jason gostou e mandou para a 1°coorte. Eu estou confuso, como sempre.

–Ei, cadê o pretor desse Acampamento? Se recomponha. Parece estar faminto, venha, vamos comer. –Ela se levanta e estende a mão, com um sorriso.

–Suave, vamos lá. Depois vou te mostrar minha moto nova. –Devolvo com um sorriso malicioso.

–Você tem uma moto? Aonde arrumou dinheiro? – Ela pergunta, curiosa.

–Quem disse que precisamos de dinheiro hoje em dia para ter as coisas?- Pego em sua mão e me levanto, e de mãos dadas mesmo, caminhamos para o Refeitório.

Encontro-o já lotado de campistas conversando alto e rindo. Espíritos voadores manobram bandejas por todo o perímetro, levando comida italiana, japonesa, os queridos hambúrgueres dos americanos. Ao chegar, todos me olham com interesse e até certo medo. Aceno para alguns conhecidos como Annie Englert, que está sentada na pior mesa possível, a dos filhos de Baco. Aqueles são realmente pessoas que você desejaria em sua festa. Ao seu lado está sua namorada, Lana, filha de Plutão. Annie é agitada, fala bastante, usa óculos, cabelos castanhos, bebe bastante, mas é uma grande amiga. Pertence a 5°coorte e nos conhecemos por acaso, talvez em alguma festa organizada por ela. Sua namorada Lana é quieta, talvez até obscura. Cabelos pretos, uma pele morena âmbar, olhos sedutores. Uma guerreira nata, que ostenta com orgulho o título de uma das melhores guerreiras da 3°coorte. É uma pessoa que se preocupa com todos, seja lá quem for. Elas são como o Yin Yang. Mais pra frente vejo os irmãos Chris e Cook O’Connell, filhos de Mercúrio e, respectivamente, comandante e subcomandante da 4°coorte. São dois caras divertidos, loucas o suficiente para transformarem sua coorte no maior ponto de vende de bebidas e drogas do Acampamento e ainda ser guerreiros excepcionais, um sempre completando o outro, quase como se fossem um só. Avisto Richard Stonem, ou como gosta de ser chamado, Rich, comandante da 3°coorte e filho de Plutão. Um cara quieto, o qual numa batalha você com certeza subestimaria. E é ai que mora o perigo, principalmente se ele estiver com sua lança preferida, presente do próprio Plutão como reconhecimento pelas habilidades de Rich. Alguns passos pra frente e uma força sobrenatural vem do além e me joga no chão. Penso ser um ataque de gigantes, mas não, é apenas Andrew.

–Sua vadia, acabou de chegar é já quer desfilar pelo refeitório, bancando o pretor modelinho sem nem falar comigo? – Ele sorri e me levanta, depois me puxa para um abraço digno de um titã. Marie está do meu lado, apenas rindo da situação toda. Quando consigo forças o suficiente, digo:

– Sua vadia, me solta antes que esmague meus ossos. – Depois de ele me soltar, sorrio e dou um soco em sua barriga, que parece o mesmo que socar um guarda-roupa. – Está querendo me matar antes da sua revanche do ultimo combate?

– Vai se foder, da última vez eu não estava muito bem, mas amanhã terá jogos, peça a Reyna pra participar, e verá como melhorei. Tenho feito os guerreiros meus e de Marie treinarem juntos. – Diz ele com ânimo.

– É, fiquei sabendo de seus treinos. – dou uma piscada para Marie, que me retribui com o mesmo gesto. – Enfim, precisava falar com Reyna, mas vejo que ela não está aqui. Vou procura-la depois. Vamos nos sentar e comer em paz, como nos velhos tempos. – Procuro a mesa da 1°coorte, que como sempre, está junta com a da 2°coorte. Me sento, com Marie ao meu lado e Andrew na minha frente. Aceno para alguns espíritos, que trazem bandejas com pizza para mim, hambúrgueres para Andrew e Escargot para Marie. Não sei se comentei, mas essa garota além de linda é francesa e tem um leve sotaque, mesmo depois de se mudar para cá há vários anos. Incrível como essa garota ataca todos meus pontos fracos. Além disso, os espíritos tem o dom de trazer exatamente o que deseja comer, então um leve aceno e sua comida preferida já está a caminho. Andrew olha para meu prato e dá uma risada, dizendo:

– Me explica como alguém sai da Itália e já está comendo pizza de novo?

–Cara, cala boca. Come seus hambúrgueres ai. Essas coisas de americanos. – Dou uma risada e pego um pedaço de pizza de pepperoni.

– Se fosse natural daqui, ia entender como amamos isso. Enfim, como foi lá?

– Sem problemas, descansei, aproveitei um pouco o lugar e tudo mais. Como foi aqui?

– Reyna está pirando sozinha. Não se assuste se ela soltar Aurum e Argentium em cima de você. Estou feliz de te ver carinha, depois precisamos ter aquele papo sobre as filhas de Vênus. Apesar que ao que me parece, você está domesticado? – Ele sorri divertido, olhando eu e Marie, ambos vermelhos, ela bem mais que eu.

– Cala a boca Drew, que sua última tentativa de conquistar uma garota foi totalmente falha, e ainda perdeu pra aquele filho de Ceres. – Marie diz, com uma risadinha.

– Não tenho culpa se ela tinha uma queda por milho, trigo e aveia. – Ele diz, ofendido.

– Tinha esquecido como você era mulherengo, Drew – Completo com uma risada feliz.

– Olha quem fala. O Don Juan elétrico. – Ele responde, sorrindo também. Como tinha sentido saudades dele nessa estada em Roma. Nossas conversas, nossas lutas, nossos sonhos. Digamos que ele me completava assim como Marie, pois o que eu não podia comentar com ela, eu partilhava com ele. Conhecemos-nos durante treinos, eu sempre me dei bem com armas, então sempre fui considerado um “avançado”. E ele naturalmente era um guerreiro nato, então nos colocaram de duplas para treinamentos. Foi um começo meio difícil, já que nenhum dos dois aceitava a derrota, mas quem diria que se transformaria numa amizade tão forte? Poderia até dizer que mataria e morreria por ela, assim como por Marie.

– Cara, lembrei que depois precisamos conversar sobre um sonho meu com.... – Não consegui completar, pois de repente uma explosão calou o refeitório todo. Próximo ao dormitório da 5°coorte, surge um homem alto e forte, daqueles que você identificaria na hora como um lutador de UFC peso-pesado. Usava um uniforme militar tradicional, com uma bolsa que se me recordo dos documentários do History Channel, eram usadas para carregar granadas. Além disso, trazia um fuzil em suas mãos. Seus olhos literalmente queimavam, e despertavam em mim um desejo insano por mortes e brigas. Ao meu lado Andrew parecia ter visto um demônio, com olhos arregalados e totalmente tenso. Não precisei de mais pistas para entender que estava olhando para Marte Ultor, o deus das guerras. Ele se aproximou e bradou:

– Seus moleques, parem de olhar pra mim como se eu fosse Saturno. Garanto ser mais mortal que aquele velho enrugado. Fiz apenas uma visitinha para informar algo: Esse mundo tá uma droga. Na minha época, romanos viviam pela guerra. Ela era seu sustento, seu alimento diário. Vocês fingem brincar de guerra, e digamos que sua ultima vitória não foi lá grande coisa. Depois de uma discussão entre os deuses, chegamos a uma decisão. Está na hora de voltar as lutas entre gladiadores. E não essas lutas toscas que vocês fazem. Será algo mais pesado, mais vívido, mas emocionante. O vencedor do torneio receberá algo inédito: Vida eterna. Viverá no Olimpo, junto com os deuses menores. Terá poderes e tudo mais. Será um deus. Mas para isso, lutaram entre si em lutas até a morte. Apenas um vencedor. Não serão obrigados a participar, mas depois de entrarem, a única forma de fuga é a morte. Se preparem, pensem nos prazeres que apenas um deus tem privilégio. Matem e morram. E não confiem em ninguém. Na arena, só existe sangue e areia. – Dizendo isso, desapareceu em uma bola de chamas. Ouvia-se o barulho do vento, e jovens guerreiros tão calados como estátuas.