Notas iniciais
Capítulo maior que os outros, a tendência é continuar assim. Esperem que gosto, vlw flw 2 beijos

“First born unicorn, hard core soft porn. Dream of Californication. Dream of Californication”. Suavemente essa música toca em meus ouvidos, e percebo que estou deitado na grama da Colina dos Templos. Marie. Dou um soco na grama, lembrando-se de como fui idiota na noite passada. Sento na grama e percebo que o sol acabou de nascer. Marie foi sequestrada na noite passada e ninguém sabe como. Simplesmente seus soldados ouviram seu grito e logo após uma luz. Quando chegaram ao quarto dela, que era separado dos demais, não havia nada, a não ser um cheiro fraco de queimado. Cheguei uns 30 min depois do acontecimento, com Annie. Andrew me contou o que aconteceu, mas confesso não ter prestado atenção em mais nada depois de “Marie foi sequestrada”. Minha língua travou, e me senti perdido no mundo, sem direção. Corri para meu quarto pronto pra pegar algumas coisas e partir atrás dela, mas Reyna pareceu adivinhar, pois me esperava sentada em minha cama. Depois de gritos e algumas lágrimas, ela me ajudou a pôr a mente de volta ao lugar. Sou um pretor, não posso largar meu exército e meu dever para ir atrás de uma pessoa amada. Ela prometeu mandar uma busca atrás dela, me deu um beijo na bochecha e saiu do quarto. Peguei meus fones de ouvido e meu Ipod e corri para a Colina dos Templos, e cá estou agora.

Levanto-me e percebo que não comi nada há muito tempo, então vou para o refeitório. No caminho, posso admirar o acordar do Acampamento. Pessoas falando, o som de armas sendo carregadas, o cheiro da comida, etc. Chegando ao refeitório, vejo alguns campistas apenas. Eles me olham fixamente, e sinto um pouco de desprezo no olhar. São guerreiros da 2°coorte. Sento num canto afastado e aceno para um espírito voador. Ele me traz uma bandeja com pães franceses, manteiga e uma xícara de café. O tradicional café da manhã brasileiro. Agradeço com outro aceno e começo a comer. O refeitório começa a encher, cheio de soldados com cara de sono. Acho que ninguém dormiu bem depois de ontem. É interessante como eles se organizam no refeitório: a 1°coorte fica em uma mesa junta dá 2°coorte, o que não é surpresa. A 3°coorte e a 4°coorte se mantém afastadas, mas não muito, em um estado de neutralidade. E a 5°coorte fica em um canto excluído, onde costumam chamar de “Canto dos Perdedores”. Não aprovo que chamem assim, mas não posso punir eles mais severamente do que com uma bronca. E a 5°coorte nem liga mais, ou pelo menos não aparentam. Estão acostumados desde sua falha no passado. Mas Yoshi e Annie tentam provar que a 5°coorte é mais do que todos imaginam, e eu realmente torço por eles. Então Reyna surge com um objeto coberto por um pano e pede silêncio a todos. Quando todos se calam, ela começa:

– Bom dia. Essa manhã acordei com um presente de Mercúrio. – Ela retira o pano e mostra uma espécie de caixa dourada, adornada em ouro imperial e escrito nas laterais “1°Torneio Olimpiano Romano” em diversas línguas, inclusive em latim. O mais curioso era ela não ter tampa e você não conseguir enxergar o fundo. Isso mesmo, era como se houvesse um buraco negro dentro da caixa. Realmente algo feito por um deus. – Vinha acompanhada com uma carta, que lerei agora. ”Romanos, aqui seguirá as regras do Torneio: 1- Apenas um vencedor por batalha, ou seja, alguém vai morrer. 2- Estarão permitidos poderes, então treinem eles também. 3- Armas mágicas são permitidas, e se quiserem encomendar alguma, escreva em um papel o pedido e coloquem na caixa, que logo receberão uma arma feita por Vulcano. 4- Essa caixa serve para se inscreverem, escrevam seu nome e seu progenitor num papel e coloquem aqui. Lembrando que não adianta tentar escrever por outra pessoa, nem colocar dois nomes ao mesmo tempo. Somos deuses, não somos idiotas. 5-Terão apenas três dias para se inscreverem. 6- O torneio começa daqui exatamente 1 semana. 7-Os doctores de cada coorte estarão aqui no período da tarde nos Campos de Marte. Podem treinar a vontade com eles, eles darão maiores explicações sobre os combates lá. 8- As batalhas serão na Arena já construída no Olimpo, e nós vamos buscar vocês aqui. 9- Acontecerão festas todas as noites, organizadas por Baco, aqui mesmo no Acampamento. Aqueles que não forem participar do Torneio podem ao menos participar das festas. 10- O prêmio ao vencedor será a Imortalidade. Acho que isso é tudo, lutem e sobrevivam, e se tornem deuses. Ass: Mercúrio”. Bem, isso é tudo. A caixa ficara aqui mesmo no refeitório, então podem vir aqui. Pensem bem antes de tomar qualquer ação, pois não terá volta. Obrigado. — Ela sai, não parecendo notar que estava sentado na mesa em seu caminho. Ou talvez não quisesse me notar. Tanto faz. Termino meu café e decido ir treinar nos Campos de Marte. Bater em bonecos de madeira sempre ajuda a extravasar a raiva.

Os Campos de Marte era o local onde tudo acontecia: desde jogos de guerra, treinos e caças a monstros até festas. Era grande o suficiente para abrigar todas as coortes, seja pra uma simulação de guerra ou pra uma festa organizada pelos filhos de Baco. Caminho para a área de treinos, onde havia alvos para arqueiros, bonecos de madeira, pesos e equipamentos de academia, áreas diferentes e posicionadas para simular diversas formas de combate, desde uma pequena floresta até vales. Somos treinados para saber lutar de todas as formas, com vantagem ou sem vantagem, em todos os tipos de terrenos. Os romanos do passado sofriam, pois lutavam desde desertos até montanhas ou praias. Não foi fácil ter o maior Império de todos os tempos. Enfim, chega de aula de história. Na área de bonecos de madeira, escolho aqueles com vários bastões presos a ele. Uma forma de treinamento que nos ajuda a atacar e ao mesmo tempo se preocupar com a defesa. Sinto um fio de eletricidade por meu corpo, e olho em volta pra ver se não há ninguém olhando. Não que tenha problemas com plateia, mas os pretores e comandantes não podem usar todo seu poder em simples treinos. Podemos facilmente matar alguém, já que nossos poderes e habilidades são muito superiores aos demais soldados. Mas eu precisava me soltar e destruir tudo. Sou aquele tipo de pessoa que guarda tudo pra si, todas as mágoas e tristezas. Já sofri muito com isso, mas descobri um método simples pra me livrar disso: Acumule tudo que tiver em seu peito e transforme isso em poder. Descarregue tudo. Sozinho, o máximo que pode acontecer é a destruição de bonecos, que facilmente são construídos novos. Optimus e Maximus brilham em meus dedos com o reflexo do sol. Inspiro lentamente e solto o ar. Com um toque, ativo os dois. Surgem então duas cimitarras, uma em cada mão. Feita do mais puro ouro imperial, o sol reflete seu brilho nelas, e por um segundo se assemelham a dois relâmpagos em minhas mãos. Olho para os cinco bonecos, alguns com bastões mais curtos e outros mais grossos. Fecho os olhos. Inspiro e respiro. Abro os olhos.

O primeiro ataque é em direção ao peito, pegando na madeira e fazendo um bastão perto do chão ir de encontro aos meus pés. Salto e revido com um ataque com a cimitarra direita. O bastão mais grosso vem de encontro ao meu peito, então uso uma proteção cruzada, que se baseia em defender qualquer ataque com as duas cimitarras formando um “X”. Depois de parar o ataque, empurro o bastão com tudo pra frente, fazendo outro tomar rumo as minhas costas. Me abaixo e ataco a altura da canela, abrindo um sulco na madeira, fazendo minha cimitarra ficar presa. Com o impulso causado, o boneco inteiro gira, fazendo um bastão vir em direção a minha cabeça e outro em direção ao meu peito. Como não estão vindos juntos, aparo o de cima com o cabo e o de baixo com a ponta da lâmina. Chuto um bastão perto do chão e me viro de costas. Um bastão vem com tudo em direção ao meu peito, aquele mais grosso. Reúno toda minha força e com um golpe só, corto a madeira ao meio. Abaixo e pego a cimitarra presa na madeira, e com outro golpe, corto o boneco em dois. Sinto eletricidade pura passando por meu corpo, então grito para os céus, convocando uma tempestade. Ela chega com rapidez, nuvens pretas como a noite e trovões. Ergo as lâminas e convoco dois raios, que rasgam os céus e atingem as cimitarras. Direciono a eletricidade para dois alvos de arco e flecha, que explodem e ainda queimam a grama ao seu redor. Inspiro profundamente pra me acalmar, e percebo que chamei um pouco a atenção. Logo mais apareceriam aqui pra ver o culpado, que todos sabiam ser eu, por ser o único filho de Júpiter entre os comandantes e pretores. Fecho os olhos e me concentro, mandando a tempestade embora, quando uma voz grossa e rouca tira minha concentração.

–Olha, parece que o garotinho está com raiva. Conseguiu até acabar com um terrível boneco de madeira. Mas... Será que consegue vencer algo que revide igualmente?

– Vá se fod... – Viro de costas e me deparo com um homem vestido ao estilo militar, com várias medalhas no peito e bordado “General Marte Ultor”. Trazia consigo um rifle preso em suas costas e seus olhos pegando fogo como sempre, me provocando ira. – Marte. O que você quer comigo?

–Estava passando e essa fantástica batalha me chamou a atenção. Essa é a força atual de um pretor? Nossa, deixe Marcus Crassus ver isso, ele teria um ataque do coração, mesmo morto. Isso é tudo que pode fazer criança?

–Não sou uma criança e esse não é todo meu poder. Diga logo porque veio aqui, antes que eu vá embora.

– Orgulhoso como pai, achando que o mundo é dele. Pois bem, fiquei sabendo sobre sua namoradinha. Maria, Mariana, Marta... Como é o nome dela mesmo?

–Marie.

–Isso mesmo, garoto esperto. Realmente uma pena ela ter sumido. Pera, ela foi sequestrada né? Como te contaram mesmo? Uma luz e um cheiro de queimado? Pergunto-me se seria igual a isso... — Ele desaparece numa bola de fogo, deixando um odor de queimado, para reaparecer em minhas costas. Sinto sua presença e giro Maximus, mas ele foi mais rápido e rebateu o golpe com seu rifle. Então ele riu e me empurrou, me fazendo voar por uns 5 metros. – Tem um sentido de batalha bom, mas não o suficiente pra me vencer, criança.

–ME DIGA O QUE FEZ COM MARIE, SEU CRETINO. OU FAÇO OS CÉUS EXPLODIREM EM RELAMPAGOS ATÉ TE MATAR. – Meu corpo é tomado por fios de eletricidade, meus olhos são tomados por um cinza escuro, cor de tempestades. Como eu sei que mudaram a cor? Não sei, mas são aquelas pequenas coisas da vida que nunca entenderemos. Sinto um cheiro de queimado, e percebo que a grama ao meu redor queimou. O som de eletricidade toma o ambiente. Marte dá uma risada rouca e começa:

–Um filho de Júpiter poderoso, sem dúvidas. Uma águia com garras afiadas. Pois bem, lembra-se de sua festinha com a filha de Baco? Lembra-se da ruivinha que você levou pra cama? Então, não era ninguém menos que Vênus. Era tudo parte do nosso plano. Mais dela do que meu, mas ok. Marie está bem, está escondida em meus domínios, onde nem um deus ou homem pode encontra-la. Você pode ter ela de volta se quiser, mas... Tem regras. Você precisa entrar no torneio, sem explicar a ninguém o motivo. Se vencer o torneio, Marie será libertada em segurança e entregue a você. Se morrer, bem... Pode ver ela também, no Mundo Inferior. “Lute e demonstre seu amor, vejamos até que ponto você ama ela. Se for capaz de se arriscar e matar pessoas por sua amada, pode ter ela de volta em seus braços. Pode sentir seus lábios e seu abraço quente. Seu sorriso que eu sei que te leva à loucura. Mas para isso, mate todos”. Essas foram as palavras que Vênus pediu para deixar. As minhas são: Dê-me um espetáculo garoto, e talvez se morrer, ela tenha uma morte rápida também. Na arena, só existe sangue e areia. Nada mais. Odeie-me, queira minha morte mais que tudo nesse mundo. Converta esse ódio em poder e mate todos que estão contra seu objetivo. Despeço-me aqui, faça como pedimos garoto. Mostre-nos que entre tantos, você foi a escolha certa. – Ela some novamente numa bola de fogo, deixando o já conhecido rastro de queimado para trás.

–NÃO, VOLTE AQUI. – Mas ele já tinha ido. Estava paralisado, meu coração batia na velocidade dos meus pensamentos. Imaginei Marie presa em algum lugar, chorando. Talvez nem ela soubesse o porquê estava ali. Eu precisava salva-la, independente do que acontecesse. Lembrei-me das palavras de Jason no avião. ”Mate todos e sobreviva, irmão”. Talvez fosse um aviso para mim, me deixando seu apoio para um futuro que ela já sabia que aconteceria. Precisava matar todos e precisava sobreviver, se quisesse Marie sã e salva. Não havia outra forma. Se for sangue que Marte quer, será sangue que ele terá. Decidido, saio correndo em direção ao refeitório, esbarrando em um campista que está chegando agora para os treinamentos matinais.

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Narrativa de Marie.

Tudo está escuro, sinto apenas um chão duro no qual estou sentado e as correntes que apertam meus punhos. Meu último pensamento é sobre como estava em meu quarto, então uma bola de fogo surgiu e eu desmaiei. Tento me mexer um pouco, mas meus movimentos são limitados. Precisava descobrir ao menos onde estava. No escuro seria difícil, mas ser filha de Febo tem suas vantagens. Concentro-me e fecho minha mão com força. 20 segundos se passam, então abro a mão e uma pequena bola de luz está em minhas mãos, capaz de iluminar o ambiente como uma vela. Olho ao redor e, para a minha decepção, existe apenas uma caverna. Que droga. O mais estranho é que estou limpa, do jeito que estava quando saí do banho, 10 minutos antes de ser sequestrada. Talvez não tivesse se passando tanto tempo assim. Será que Guilherme já teria voltado? Ele sempre me deixa preocupada, sumindo e voltando como se nada tivesse acontecido, com aquele sorriso safado dele. Ele e a filha de Baco têm um laço do qual não consigo entender. Nossa, eu estou aqui presa e fico pensando naquele idiota. Vou conversar sério com ele quando vê-lo de novo. Sobre suas sumidas, sobre seus cigarros e sobre sua total falta de preocupação com o mundo. Ai, que raiva.

–O que lhe deixa nervosa, minha cara?- Olho rapidamente pro lado e me deparo com uma mulher em pé, vestida de seda vermelha. Não consigo ver bem seu rosto, mas ela tem uma silhueta perfeita.

–Quem é você? – Falo assustada.

–Sou apenas uma espectadora, que gosta de ver os mínimos detalhes de uma história de amor. Está pensando em seu amor?

–Meu... Amor? – Sinto minhas bochechas serem tomadas pelo rubro característico de mim. – Não, ele não é meu... Pera, como sabe dele? Você que me prendeu aqui?

–Não exatamente eu, mas o plano foi meu. Jovens adolescentes que são separados e pare rever sua amada, o jovem garoto precisa sangrar e causar sangramentos para poder ter sua garota amada. Uma história digna dos tempos antigos. Lembra-me o trácio Spartacus em busca de sua amada Sura. Oh, estou empolgada.

–O que você está falando, sua louca?- Ela me olha como um psicopata, e rapidamente me arrependo de ter falado isso. Então num piscar de olhos, ela começa uma risada, que chega a ser linda como uma melodia. Em outro piscar de olhos, para de rir e fica totalmente séria, me olhando imóvel. Então finalmente diz:

–Não se preocupe garota, o banho de sangue está para começar. E você verá tudo isso ao vivo, prometo. – Então ela desaparece.