Notas iniciais
Bem galera, esse é o primeiro capítulo, tentarei postar pelo menos 2 por semana, ou no mínimo 1. Espero que gostem, é isso, obrigado ;)

Um pequeno raio de sol intruso entra pelo vão de minha janela. Sinto um cheiro bom de pão, e aquele aroma gostoso de pizza, o simbolo da Itália. Ao longe pode se ouvir o barulho dos carros, e os diferentes idiomas que se encontram em Roma, unidos e se transformando numa bela sinfonia.

Bom, prazer. Chamo-me Guilherme. Guilherme Barbosa. Estranho né, um nome brasileiro e um sobrenome italiano? Pois bem, isso que acontece quando se junta uma brasileira com um italiano. Minha mãe é dona de uma Empresa Farmacêutica. Ela produz remédios, o que é um problema, pois ela incrivelmente tem remédio para TODO tipo de dor/doença. Meu pai, pelo o que ela contava, era um italiano que ocupava um cargo importante aqui, apesar de nunca ouvir falar dele. Ela mentia dizendo que ele morreu quando ainda era uma criança. Mais pra frente entenderá porque é uma mentira. Morávamos em São Paulo, mas ela decidiu se mudar para a Itália, por causa do crescimento internacional de sua empresa. Pois bem, voltando a falar de mim, tenho 17 anos, olhos azuis e cabelo castanho claro. E sou filho de Júpiter. Mas espere, não comentei antes? Deuses, como sou idiota. Sabe aqueles deuses romanos que você estudou na escola? Marte, Jupiter, Vênus, Netuno? Sim, esses mesmos, que tem nomes de planetas. Eles ainda existem. Sempre existiram. Desde os tempos antigos. Desde César Augusto, Rômulo e Remo e... Ah, você entendeu. Eles tem relações com humanos, e a partir disso nascem os Semideuses. Como eu. Você deve estar achando isso muito legal e tudo mais, mas vá com calma, mal sabe pelo o que já passei. Sorte que tenho meus amigos do Acampamento Júpiter. Sim, existe um lugar para nós, semideuses, vivermos em paz. Um local protegido pela névoa, uma espécie de magia que nos protege dos humanos, confundindo sua visão. Um local onde podemos treinar, nos proteger, treinar, descansar, e treinar. Sim, muitos treinos, mas sou acostumado a isso. Enfim, descobri que era um filho de Júpiter aos 13 anos, depois de brigar com um valentão no Brasil e eletrocuta-lo. Ninguém entendeu bem como isso aconteceu, mas naquele dia descobri que algo em mim era diferente além do meu TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Quando contei a minha mãe o que aconteceu, ela não parecia assustada, mas me olhava com um olhar pesado e triste, como se soubesse que algo estava pra acontecer. Pegamos um avião direto para os Estados Unidos, Califórnia. Alugamos um carro e ela me levou pra uma cidadezinha, chamada Oakland Hills. Lá conheci um dos lugares que mais amo e odeio. Acampamento Júpiter. Bom, já conhecem bastante de mim, podemos continuar.

Sento em minha cama, ainda sonolento e com os olhos semicerrados, e procuro Optimus e Maximus em cima do criado mudo. Optimus e Maximus são presentes de meu pai, Júpiter. São duas cimitarras, feitas do mais puro ouro imperial. Porque uma cimitarra? Também não sei, mas sempre as achei lindas. Cada lamina contém a descrição “Júpiter Optmimus Maximus” que significa “ Júpiter o Melhor e Maior”. Pode achar meu pai metido por se intitular assim. Talvez ele seja mesmo. Somos assim às vezes, ou parecemos ser. Melhor que os outros não fiquem sabendo de sua opinião, pois raios vindo do céu límpido está se tornando muito comum ultimamente. Optimus e Maximus possuem um cabo de madeira bem macio, média de 70 cm, e o mais legal de tudo: São assim só quando ativadas. Quando não são, tem o formato de dois anéis, um de ouro com um emblema de um raio e outro, também de ouro, com o emblema de uma águia. Coloco-as em cada anelar e crio coragem pra me levantar. Olho em meu relógio e vejo que são ainda 08h00min. Meu avião só parte daqui algumas horas. Tenho tempo. Saio rápido em direção à cozinha, pois um cheiro doce e quente de pão me alucina.

–Bom dia, filho. Estou atrasada, mas fiz pão para você. Tenho uma reunião importante com as filiais europeias, então preciso ir. Sua passagem está na gaveta da sala de estar. Se cuide, cuide de seus guerreiros, seja um bom pretor e fique vivo. Preciso ir, te amo, te vejo daqui algumas semanas. – Ela diz isso, enquanto sai correndo pela porta, usando roupas até simples, para a diretora de uma das maiores empresas fabricantes de remédio do mundo.

–Suave mãe. Sem problemas. Até mais. – puxo uma cadeira e ataco o pão, ainda morno, com muita vontade. Minha mãe é uma líder nata, acho que por isso ela exige tanto de mim como pretor. Sim, sou um pretor. Depois da ultima guerra, Jason simplesmente desapareceu. Jason é meu irmão, ambos somos filhos de Júpiter. Ele me escolheu para sua coorte quando cheguei ao Acampamento. Até hoje não sei o que viu em mim. Talvez por ironia do destino, outro filho de Júpiter ficou com seu cargo. Isso foi há seis meses, e até hoje não temos notícia dele. O Acampamento diz que ele já morreu, mas tenho esperanças em meu maninho. Reyna é pretor junto comigo, temos uma boa amizade, concordamos na maioria dos assuntos. Mas às vezes noto o olhar triste dela pra mim. Talvez seja por minha semelhança com Jason, ou talvez porque ela deseja mais Jason em meu lugar. Não sei, nunca saberei.

Depois de um bom café, costume brasileiro que aderi com facilidade, me levanto e volta para meu quarto. Abro as gavetas e recolho minhas roupas, normalmente camisetas de bandas como Red Hot Chili Peppers, Blink 182 e Oasis. Algumas camisetas roxas do Acampamento, com sua descrição “SPQR”. Algumas calças e minha toga, a qual uso no senado durante as reuniões. Reuniões tão legais e animadas quanto uma corrida de tartarugas mancas. Junto tudo numa mala, pego minha passagem, minha carteira com a quantidade de dinheiro necessária pra mim e um maço de cigarros. Antes que se assuste, não costumo fumar sempre. Não cigarros pelo menos. Saio pra rua, acendo meu cigarro e fico admirando a paisagem que me cerca.

Não sei se comentei, mas amo Roma. Você pode ver o contraste do antigo com o moderno, carros luxuosos passando por ruas de paralelepípedos, que com certeza algum imperador já transitou. Pessoas passeando, fascinadas por toda aquela beleza que os romanos deixaram pra trás. Não vejo diferença de Roma para o Acampamento, ambos são iguais. Chamo um taxi, e em italiano, peço ao motorista pra me levar ao aeroporto. Recebo um sorriso e um “boun giorno”, bom dia em italiano. Ele dirigi rapidamente até lá, o rádio falando sobre os comentários de algum jogo de futebol. Acho que hoje era a final do Campeonato Italiano, entre Roma e Inter de Milão.

Em 20 min ele me deixa no aeroporto. Deixo cinco euros de gorjeta e me dirijo para a área de embarque. Depois de tudo resolvido, e depois de passar pela segurança e seus detectores de metais, embarco no avião. Enquanto vou em direção a minha poltrona, vejo os outros passageiros, receosos e nervosos. Sinto-me feliz por não me sentir assim, sou filho do deus dos céus, me sinto melhor no céu do que na terra, pra ser verdadeiro. Sento, coloco meus fones e ligo meu Ipod. Começa tocando Whiskey In The Jar, do Metallica. Troco pra algo mais calmo, e começa Wonderwall, do Oasis. Fecho os olhos e relaxo, esperando o avião subir.

Sinto uma mão em meu ombro, abro os olhos e me deparo com Jason, sangrando, usando armadura e espada. Seu olhar aterrorizado se fixa em mim, seu cabelo loiro todo sujo de areia, com sangue seco. Ele tenta falar, mas não consegue. Estou aterrorizado, mas ninguém ao meu redor parece percebê-lo. Então ouço sussurros saindo de sua boca, algo difícil de entender. De repente seu corpo explode em raios e sangue.

Acordo assustado. Percebo que foi só um sonho. Não, não foi só um sonho. Semideuses não tem apenas “sonhos”. Tinha algo ali, algo muito ruim.

Penso em suas palavras, uma simples frase que fez meu coração pulsar loucamente. “Mate todos e sobreviva”, foi o que ele disse. “ Mate todos e sobreviva, irmão”.