Blood, Love and Sand.
5 Insanidade dos Erros.
Notas iniciais
Sentado em minha cama, um cigarro é minha única companhia. São apenas 10 horas da noite, o jantar já foi servido e todos se preparam pra dormir. Dormir é tudo que menos quero agora, pois sono resulta em sonhos e sonhos resultam em preocupação. Precisava de algo pra relaxar, pra descansar a mente e ficar suave. Levanto e coloco minha camiseta preferida, dos Red Hot Chili Peppers, uma calça jeans e meus Vans gastos. Um pouco de perfume pelo corpo e saio de meu quarto com um plano já em mente.
O dormitório da 5°coorte era um local simples e bagunçado. Mas parecia ser familiar e aconchegante como uma casa de avó. Alguns campistas se preparam pra dormir, outros afiam suas armas em cantos. Alguns conversam e dão risada com garrafas de Heineken na mão. Parecem se assustar quando me avistam, mas um deles não se preocupa. Ele sorri e vem falar comigo:
– O que nos dá a honra de tê-lo aqui, caro pretor? – Diz ele com uma falsa reverência e uma Heineken ainda fechada na mão.
– Vai se fuder, Yoshi. Mas agradeço a bebida, realmente to precisando. – Tiro a tampa e tomo um gole, apenas pra refrescar a garganta.
– To zuando cara, sabe que é bem vindo aqui. Sente-se com a gente, vamos beber e brindar mais um dia de vida. Afinal, o que seria da vida sem os amigos por perto? – Ele sorri, com seus cabelos encaracolados sendo bagunçados pela brisa forte.
– Prometo outro dia passar aqui e beber contigo cara. Mas estou procurando a Annie. Sabe onde ela está ?
– Eu to aqui, filho da puta. – E quando dou por mim, estou jogado no chão, com uma pequena me abraçando. Ela não era muito alta, mas era forte. Me prendeu num abraço forte e apertado, e sentia sua respiração contra meu peito. – Estava com saudades de você. Me diz, tá suave?
–To suave Annie, e tu?
–To suave gato. Você está cheiroso. Pretende me conquistar?
– Já te conquistei a tempos. Pretendo algo mais ousado. Preciso de um rolê. Eu, você, minha moto roubada, bebidas e algumas drogas. Suave?
– Suave. Me dá 5 min pra pegar umas coisas. – Ela entra em no seu dormitório e volta com uma jaqueta de couro, alguma grana, e pequenos pacotes com algumas drogas. – Maconha, um grana pras bebidas e ecstasy, porque sim. Vamos?
– Vamos. – Nos despedimos de Yoshi e saímos pelo Portão Decumaniano. Já no túnel, vejo outros dois soldados montando guarda. Annie se apressa na frente e suborna cada um deles, enquanto ligo a moto que usei pra vir pra cá. Ela volta correndo e sobe na minha garupa. – Porque subornou-os ? Está comigo, não ia dar problema.
– Não ia dar pra você, gato. Pra mim as coisas são diferentes. Espero que Lana não fique com ciúmes de você de novo. Enfim, acelera. – Engato a primeira e acelero.
O vento noturno vem de encontro ao meu rosto, enquanto manobro entre os carros. Estamos seguindo para Berkeley Hills à procura de aventura. Ou confusão. Suave, talvez os dois. Troco a marcha e acelero mais ainda, pegando 120Km/h. A sensação infinita que passava por meu corpo era alucinante. Com um leve toque nas costas, percebo que Annie quer que paremos. Paramos perto de um posto de gasolina e sentamos na grama.
– Bem, o que pretende fazer Gui?
–Sei lá, você que manja das festas, das putarias, das drogas. Me diz o que consegue arrumar gata. – Sorrio, depois de um soco de leve no meu braço.
–Então tá. Deve ter alguma festa por ai que podemos entrar de penetra. Na verdade, meu faro de festeira aponta uma festa a 1,5 Km daqui. Levanta e vamos nessa, porra. – Ela se levanta animada e corre pra moto comigo logo atrás. Subo e vamos, dirigindo loucamente pela noite.
Diziam que os filhos de Baco acham festas com facilidade, mas me surpreendi com o que Annie encontrou. Uma HP, numa casa mais afastada que as outras. A música parecia te convidar para um show insano, onde ninguém é de ninguém. O local era bonito, uma casa de dois andares, vários quartos e quintal grande. O local perfeito. Aproximando-me mais, percebi uma placa dizendo “Harpa 18th Birthday”. Uma festa de 18 anos, realmente o que precisava. Paro a moto em frente a um jardim, e Annie me estende a mão aberta, e uma pílula em sua palma.
– Uma apenas, e vamos curtir. Se entrarmos lá, saímos apenas de manhã. Suave gato?- Ela sorri.
–Suave gata. – Se ela sorri, eu sorrio também. Ambos ingerem juntos e entramos na casa. Mal pensávamos que essa noite traria tantos problemas.
Insano seria a palavra que melhor se adaptaria a situação. Primeiro vem a euforia, e seu corpo parece estar pronto para explodir. A música parecia estar impregnada no ar, como se pudesse ver as ondas sonoras. Pessoas se transformavam em vultos, e tudo era colorido. Bem, não há como explicar a sensação, apenas experimentando pra saber. Annie dançava do meu lado, com uma garrafa de Vodka na mão. O ambiente era selvagem, um sofá com casais se pegando e trocando, como se fossem um só. A vibe era intensa, e a energia que transbordava das pessoas vinha de encontro ao meu rosto. Vou até a cozinha e abro a geladeira, lotada de Vodka, Whisky, Absinto e Tequila. Escolho a garrafa de Absinto, e volto pra onde deixei Annie. Mas onde tinha a deixado mesmo? Decido dançar apenas, e puxo uma garota pra mim. Ela era linda, realmente muito linda. Usava um vestido curto e decotado, seu corpo parecia esculpido. Cabelos ruivos e pele branca, que me lembrava uma atriz famosa de alguma novela brasileira. Ela me beijava no pescoço, depois na bochecha, e depois pulava pra outra bochecha, como se quisesse me provocar. Pego em sua cintura e puxo pra mim. Ela sobe e desce até o chão, com uma sensualidade digna de uma deusa. Seus olhos verdes me prendiam, e eu me sentia impotente. Ela me puxa pelas escadas, e apenas a sigo como um cão adestrado, notando seu rebolado. Casais se pegam nos corredores, como se não precisassem de quartos para fazer o que faziam. Ela me puxa para um quarto escuro e me joga na cama. Uma cama de casal grande, e dois abajures acessos de cada lado da cama. Ela me olha, como uma tigresa pronta pra um ataque. Lentamente, abre o vestido nas costas. O barulho do zíper misturado a perfeita visão do corpo dela aparecendo me deixam excitado. Ela usava lingerie vermelha, tinha uma barriga sarada, com uma tatuagem na região pubiana. Parecia ser um coração cercado de espinhos. Seus peitos eram firmes e grandes. Ela se aproxima um passo de cada vez. Sobe na cama e se aproxima. Sinto seu cheiro doce e hipnotizante, encostados nos travesseiros, ela senta em meu colo e dança pra mim. Pega minhas mãos e coloca em suas costas, na região do fecho da lingerie, indicando-me para abrir. Com facilidade o fecho abre, e a parte de cima cai em meu colo. Quase como se fosse predestinado, a música muda para algo calmo mas excitante, associando-se a minha situação. A droga começa a perder o efeito, pois as cores vivas estão sendo substituídas pelo escuro. Meu coração e minha mente estão voltando ao normal, e então noto a ruiva em meu colo. Assustado, jogo ela pro lado e corro para a porta. Antes de sair, olho para trás e me deparo com o quarto vazio. O que foi aquilo?
Corro pelas escadas e me deparo com Annie na cozinha, beijando uma garota só de calcinha e sutiã. Pego seu braço e vou puxando pela sala de estar até chegar à porta de entrada. Ela parece não entender o que acontece, e luta comigo. Com um esforço, consigo leva-la para o quintal e pro outro lado da rua, onde minha moto ainda estava. Jogo-a na calçada e tento lembrar coisas simples. Meu nome, o nome de minha mãe, minha cor favorita, de quem sou filho. Finalmente falo:
–Não sei o que houve, mas tinha algo errado naquele lugar. Não sei se percebeu.
– Estou bem, a droga já esta passando o efeito. Cara, que noite. Parecia que podia ficar lá pra sempre. Eu me senti... EU BEIJEI AQUELA GAROTA MESMO? MEUS DEUSES, LANA VAI ME MATAR. – Ela grita.
– Calma, vamos deixar isso aqui. Sei que não teve intenção. Aquele lugar... Parecia te prender numa atmosfera da qual perdia seus sentidos e sua razão. Nada mais importava, apenas o aqui e o agora. Vamos ir embora. – Ela acena com a cabeça e sobe na moto. 10min depois estamos fora da cidade. Uma sensação de culpado me apedrejava no fundo da mente. Marie era a menina que eu amava, então como consegui fazer aquilo? Era como... Se minha mente, mesmo que se mantivesse sã, meu corpo não obedeceria. Sentia-me como um lixo, alguém que não merecia ser um pretor ou alguém tão importante quanto. Se eu fosse namorado de verdade de Marie, teria traído ela com uma desconhecida qualquer. Teria magoado ela, e desde que nos conhecemos, prometi cuidar dela para mim mesmo. E eu teria falhado. Quando chegasse ao Acampamento, iria acordá-la, iria dizer como sou um idiota e como eu não a mereço. Mas também diria como a amo e como quero cuidar e proteger ela. Que não sou um exemplo, e que talvez não seja o garoto de família que mais combina com ela. Mas que eu seria aquele que a faria sorrir sempre, com aquele sorriso que derrete meu coração e minhas entranhas. Seria o homem e guerreiro da vida dela. Daria tudo de mim para vê-la feliz. Não sei por que fui tão idiota por ter demorado tanto pra contar isso. Ela saberia de tudo. Nessa Noite.
Chego ao Acampamento, e percebo que os soldados não estão de guarda. Eu e Annie descemos da moto e corremos pelas campinas em direção ao acampamento. Está escuro, parece ser 04h00minhoras da manhã. O que me assusta são as luzes e os murmúrios. O Acampamento todo esta acordado, como se fosse de manhã e todos estavam indo treinar. Ouvi alguns choros, e algumas ordens sendo gritadas. Reconheci a voz como sendo de Andrew. Peguei na mão de Annie e saímos correndo em direção ao som. Parei em frente ao dormitório feminino da 2°coorte, e Andrew esta sem camiseta, com apenas um shorts, dando ordens e gritando. Então ele se vira e olha em meus olhos. Ele fica mudo, e caminha em minha direção lentamente. Procuro Marie em meio à multidão, mas não a vejo. Finalmente ele chega perto de mim e diz:
–Gui. Onde esteve cara? QUE PORRA ESTÁ PENSANDO EM FAZER, FUGINDO NO MEIO DA NOITE E VOLTANDO SÓ AGORA. SEU IDIOTA, PARECE QUE NÃO APRENDE NUNCA. Marie... Marie... – Ele trava, e olha para baixo fixamente.
–Diga Andrew. Diga. — Uma pausa.- ANDREW, ME DIGA QUE PORRA QUE ACONTECEU COM MARIE!!!!
–Ela... Foi sequestrada.
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