.:Max:.

Mais um dia preso nesse inferno e as coisas iam piorando cada vez mais. Eu podia sentir meu corpo cada vez mais fraco; estavam sem nos dar sangue desde o incidente de Alma e os outros. Nada de Anastácia e para piorar em meia e meia hora os encapuzados vinham coletar nosso sangue, cada dupla de encapuzados retirava uma quantia relativamente grande o que me deixou pior, eu pude perceber algumas veias saltando de meus braços e eu sabia o que aquilo significava. Eu estava secando lentamente.

Todo esse clima de silêncio e fraqueza fazia meu corpo ansiar por memórias em que me sentisse feliz ou triste, sempre me questionou o quanto o vírus vampiresco é engraçado (Ele nos faz querer rever nossa vida, nossos momentos mais profundos, lembranças quando estamos em nosso estado terminal) e não a primeira vez em que estou nessa situação, é como se eu estivesse revivendo meu passado, voltando ao começo, as memórias começaram a se revirar em minha mente como flashbacks. Eu podia ver as imagens se formando e se tornando um filme completo em minha cabeça.

–Veneza, 1515

Depois da longa guerra travada com os Redwine era hora dos guerrilheiros das províncias das terras frias descansarem em um longa temporada no verão das terras quentes da Europa, Maxwell e seu pai Izaquiell foram para a grande e bela Veneza passar alguns meses com a colônia para uma ‘folga coletiva’’ com os outro guerrilheiros, os Yordanov se hospedaram em uma estalagem renomeada da época, a guerra lhes trouxeram fama, dinheiro e muitas mulheres. Max estava no seu age, o filho mais velho de Izaquiell fora o melhor vassalo no campo de batalha e havia matado o Grande Redwine XVIII, festas com muito vinho e mulheres eram feitas todos os dias para Max desde que ganharam a batalha, mas ele não queria tudo aquilo Max sempre fora um homem de modos, quieto e nobre que lutava pelo seu povo mas era muito modesto, achava que suas conquistas não eram nada sem seu exercito, coisa que seu pai achava ao contrário fazia questão de que todos fizessem de seu filho um ‘’Rei’.

Max estava cansado e entediado de viver apenas da folia depois da guerra, agora gostaria de aproveitar a cidade o que ela podia lhe oferecer, ele escapou sorrateiramente da festa da estalagem e caminhou pela cidade, a noite estava reluzente no céu e seu brilho acaba se ofuscando a beleza do rapaz, seus cabelos eram grandes e castanhos claros, seus olhos eram azuis claros e brilhavam como cristais, pele rosada e bocas sadias, um homem na flor da idade que fora aproveitar da cidade. Max caminhou pelas lacunas e pontes que interligavam a cidade, até achar um lugar peculiar, um bordel diferente onde a maioria das clientes eram homens, havia apenas homens que se tocavam e se abraçavam, trocavam caricias em meio a musica e bebidas, Max não pode se conter a curiosidade e adentrou no lugar, acanhado seguiu conhecendo o que ali havia, homens de todos os tipos trocando caricias.

Passou-se algum tempo e Max sentiu-se intimidado e indescritivelmente atraído por tudo aquilo que ali havia, até quando fora abordado por um homem de porte grande, ele era forte seus olhos eram vermelhos como sangue, sua pele era clara como a neve, sua boca era rosada como as flores, vestia roupas de porte e tinha um sorriso incrivelmente encantador, o homem chamara Max para uma dança e os dois passaram o resto da noite se conhecendo, no fim da noite algo incrível tinha acontecido, o homem fora tão galanteador e romântico que conseguiria roubar o primeiro beijo com outro homem de Max.

Max voltou para seu quarto com seu coração cheio de forças, ele estava se sentindo estranho, estava com algo em seu coração que jamais havia sentido, ele tinha se apaixonado por um desconhecido charmoso, seus sentimentos estavam confusos por sentir aquilo por um homem, tudo parecia ter mudado da água para o vinho em um piscar de olhos. Os dias passaram e Max nunca mais vira o homem, e o infortuno acontecerá, um epidemia tinha emplacado na idade de Veneza deixando dezena de pessoas drasticamente doente e fora infectado com a praga, em um semana o belo jovem estava de cama, com toda a seu vigor acabado, toda a sua força derramada a fora, a doença tinha-o acertado em cheio e tudo, seu pai e os outros rapazes da colônia tentaram de todas as formas encontrar uma forma de cura-lo e a curar seus outros colegas, mas não havia nada mais do que esperar pela morte. A cidade toda estava seriamente sensibilizada pela praga que atingia a maioria dos seus cidadãos, era um caos, as ruas estavam cheias de pequenas tendas que abrigavam os doentes, a morte vagava em todo lugar de Veneza e fora tão sério que a estalagem teve que fechar e Max e os outros acabaram tendo que viver como os outros: Jogados em tendas hospitalares e esperando para serem diagnosticados (Quanto tempo ainda tinham de vida).

Apesar de tudo, Max ainda se mantinha vivo por um fio de luz, enquanto a maioria não durava nem mesmo duas semanas e mais uma fatalidade tinha chegado em sua vida, seu pai também fora contaminado e acabou falecendo em três dias de infecção, Max havia recebido outro baque e agora não havia mais o que esperar dessa vida, não tinha a quem recorrer, não tinha mais família e agora só se restava se entregar para a doença. Nos seus últimos dias, Max mal podia falar, apenas gesticulava com as mãos e observava o triste cotidiano de mortes e desespero, mas algo inesperado surgiu, era como um Anjo que vinha do céu lhe salvar, aquele mesmo homem que lhe dera um beijo tinha voltado e ele entrou em sua tenda, Max não conseguia se expressar ou dizer qualquer coisa, apenas as lágrimas escorriam pelo seu rosto.

– Do que choras meu doce homem? Estou-me aqui para-lhe trazer a salvação. – Disse o homem, sua voz era grave, mas suas palavras soavam como uma brisa fresca.

Max não entendia o que o seu misterioso amado podia fazer por ele, nada fazia sentido ele não podia ter a cura para aquilo que tinha.

– Eu sou sua cura, e agora irei lhe curaste dos males terrenos, e você entrará para o sono da morte. Não se desesperes, assim que acordastes irei mostra-lo o luar novamente.

Não havia escolha, ele tinha que aceitar essa condição mesmo que não fizesse sentido algum, era o homem em que ele amava e se ele dizia que podia salva-lo então tinha que confiar nele. O homem mostrou um par de presas grandes e pontudas e Max ficou apavorado, era uma criatura que tinha se transformado a sua frente e ele jamais tinha imaginado o que ele era. O homem mordeu o próprio pulso e fez com que seu sangue escorresse e caíssem na boca de Max.

–Beba, não tenhas medo..

Max obedeceu-o e bebeu seu sangue lentamente, depois de alguns minutos com o sangue em seu corpo, Max tinha morrido.

Acordou em uma cama grande e bem aconchegada em um quarto bem iluminado com uma decoração digna de um palácio, riqueza cercava o lugar. Max não podia entender o que havia acontecido consigo mesmo mas sabia que tinha mudado, tinha sentido um animal nascer dentro de si e ele estava pronto para sair para a caça.

Parecia que eu estava vivendo tudo aquilo de novo, a nostalgia tinha tomado conta de meu corpo agora, podia me sentir fraco, podia me sentir um inútil jogado a morte, mas eu vivi minha vida, fui transformado pelo vampiro mais leal que dia eu tinha conhecido, criei a donzela guerreira. a mulher que mudou minha vida novamente e depois mais um presente, criei mais um guerreiro; um homem com a vitalidade que se igualava a minha (É comum eu me sentir tão emocional um pouco antes de morrer? ).

Notas finais
Capítulo escrito por: Thiago.