Blood Lines - The Rise from the Shadows
10 Lovers on the Sun
:Cassie:.
Chegamos ao esperado lugar.
Era um grande túnel escuro com plataformas elevadas nas laterais, o que parecia obvio que era um túnel dos trilhos do trem e metrô da cidade. Seguimos a trilha ao fundo da escuridão e silêncio. Sim, o torturante silêncio que nos cercava (Acho que é normal depois que uma louca tentar te beijar ). O caminho foi longo mas logo avistamos um trem abandonado; por fora parecia que podia ser ativo a qualquer hora, o platinado do aço cintilava pela escuridão expondo toda a extensão do veículo.
Dot e eu entramos em um dos vagões as escuras, Dot pediu para que nos separássemos e verificássemos os vagões — Não pude reclamar, acabei estragando o clima... -. Segui então para o vagão seguinte; os bancos estavam furados e rasgados, as paredes sujas e riscadas com símbolos e desenhos macabros, mas o que me chamava a atenção era um cheiro pútrido vindo do vagão seguinte. Continuei seguindo em frente mas meus movimentos estavam cautelosos e lentos, adentrei no vagão e me deparei com uma cena horrenda; No fundo do vagão jaziam alguns corpos desmembrados e amontoados uns aos outros, tinha sangue por toda parte, alguns insetos e moscas rodeavam os corpos. O que me deixava intrigada é que pelo cheiro aquilo parecia estar ali mais de duas semanas, caminhei me aproximando ainda mais e não pude imaginar quem seria capaz de fazer isso com as pessoas (Os Aniquiladores são selvagens, malditos que matam sem piedade), comecei a sentir algo estranho, é como se tudo estivesse girando a minha volta, a imagem a minha frente estava ficando turva e então fui forçada a fechar os olhos, cambaleei para lado e me segurei em uma das barras de apoio do trem, algumas imagens correram por minha mente elas nasciam como borrões feitos d’água e se formam em uma imagem nítida: Pude ver um corredor que tinha uma porta vermelha no fundo, meu corpo era um espectro percorrendo esse corredor, eu não conseguia me mover, não conseguia falar, apenas sendo levada a essa porta como um metal ao imã. Ao passar pela porta tinha um lance de estadas feitas de pedras, era um corredor estreito e com algumas tochas presas as paredes, meu corpo subiu novamente e havia mais uma porta grande e feita de metal e eu passei por ela e lá dentro tinha uma sala grande e espaçosa, com móveis antigos e uma enorme tela com um painel cheio de botões por baixo, em um cadeira estava sentado um homem grande de cabelos escuros e ,quando eu estava para finalmente ver seu rosto, as imagens em minha mente foram se dissipando. Logo abri meus olhos e avistei Dot, que me chacoalhava tentando me tirar desse transe, eu não sabia o que era mas algo significava, alguém estava tentando me dizer para seguir esse caminho. Estava tão confusa, tão perdida mas meus instintos diziam para apenas seguir esse ‘’mapa’’.
Durante o caminho que seguimos, tentei explicar o que aconteceu comigo, mas Dot parecia não compreender.
– Como assim? Cassie... Isso não é normal...- Dizia ela enquanto corríamos por um corredor cheio de portas trancadas.
– Eu não sei explicar, mas eu vi tudo isso em minha mente. É como se fosse... uma visão, uma memória de que já estive aqui, de que de algum modo conheço esses corredores.. – Não adiantava muito explicar, talvez ela jamais poderia entender (Talvez isso tudo esteja relacionado aos meus sonhos, será que sou uma vampira diferente? O que há de errado comigo? ).
–Não sei como isso é possível, talvez você seja.. – E quando ela iria dizer algo, ela parou no corredor, e logo entendi pois eu também estava ouvindo as vozes de alguns homens vindo do corredor a direita.
E então o plano era o seguinte: Eu iria despista-los entrando em das portas ao corredor da esquerda fazer alguns barulhos por lá, na sala do lado estaria Dot que logo entraria atrás deles. Corri sorrateiramente para a sala escolhida e entrei, a sala tinha sido escolhida pois estava cheia de macas e instrumentos médicos, ótimos para fazer barulho, segui até um armário que tinha vários e vários instrumentos como pinças, bisturis, agulhas, seringas e etc.., ergui a caixa cheia deles e a arremessei contra o chão que fez um som agudo dos instrumentos se chocando uns aos outros, os guardas não hesitaram e correram rapidamente para a minha sala, eu corri e me escondi atrás da porta e logo que o primeiro entrou lancei lhe um soco feroz contra o nariz e ele caiu de imediato, os outros 4 miraram suas bestas em mim e atiraram. Eu corri pro outro lado da sala. Não demorou muito e Dot entrou na sala como um vulto; ela alcançou dois deles e segurou suas cabeças e com um movimento brusco fez com que as duas cabeças se chocassem rapidamente, os homens desacordaram rapidamente, agora estavam faltando mais dois. Corri na direção de um deles que tentava sem sucesso acertar uma das flechas em mim, saltei em sua direção e o derrubei no chão, arrancei sua besta e a arremessei para longe. Minhas presas saíram subitamente e avancei em seu pescoço sem pensar duas vezes, suguei sangue suficiente para faze-lo desacordar, Dot apareceu na frente do ultimo e girou seu corpo e levantou um chute alto na direção do seu rosto (Outch! Eu não queria estar na pele dele, levar aquele chute ainda mais com o salto da bota, seria demais pra mim) o som estalante da batida me fez arfar e logo se afastar do pescoço do homem, nos recompomos e seguimos ao corredor seguinte sem deixar rastros.
Cerca de trinta minutos se passaram em correr e correr em corredores, depois desse tempo todo finalmente achamos o corredor da porta vermelha, pude sentir uma pequena satisfação e mostrei a Dot que eu não estava louca (Mesmo assim ela continuou achando que eu era).
Corremos em direção a porta grande vermelha e abrimos a porta, e ali estavam as escadas e a subimos rapidamente chegando a grande porta de feita de metal, eu e Dot olhamos uma a outra e ela fez um gesto com a mão para que eu abrisse a porta e abri, e avistei tudo exatamente igual como tinha visto antes, só que dessa vez uma trupe de seis guardas estavam ao lado da porta e miraram suas armas a mim e a Dot, não abrimos a boca para dizer nem uma palavra e durante alguns minutos o silencio reinou pela sala.., até que o homem que estava sentado na cadeira de frente ao painel virou-se e mostrou-se a nós; ele tinha a pele clara até mais clara que nossa, seus cabelos eram negros como tinha visto em minha ‘’visão’’ , tinha um rosto carrancudo e severo, feições másculas e marcantes, mas o que mais chamava atenção em seu rosto eram seus olhos que eram de cor laranja, um laranja vivo como se tivessem pequenas chamas vibrando dentro de seus olhos.
– Ora, vejamos o que temos aqui... Duas peregrinas circulando por nossas instalações – Disse ele, sua voz era forte, o tom me arrepiaria se eu estivesse viva.
–Quem é você? Mas que merda! Será que podem nos deixar fazermos o que viemos fazer? – Disse Dot rosando contra os guardas que apontavam as besta em nossa direção, ela estava nervosa e desconfortável (Eu também estava, é um saco ter várias dessas coisa apontadas para você).
–Eu sou seu maior, sou alguém que pode te destruir em pedaços.. – Ele deu um riso debochado e nos olhou com desdém.
–Meu maior porcaria nenhuma, aposto que é o líder dessa organização de merda! Eu vou acabar com vocês por terem feito o que fizeram.. – Dot estava borbulhando em fúria e correu rapidamente na direção do homem.
Antes que ela pudesse atacar, o homem a pegou pelo pescoço com apenas uma das mãos a ergueu para o alto, Dot se debatia e tentava se livrar do seu controle, mas qualquer esforço era inútil.
–O que você pensa que é para levantar a voz a mim, hein, ser inferior? – O homem rosnou de volta para Dot e apertou mais a mão e ela agonizava de dor.
Algo forte subiu pelo meu corpo, fechei os punhos com força e cerrei os dentes eu não podia ficar ali apenas assistindo-a sofrer daquela forma.
– LARGUE ELA!!! – Não pude me conter, soltei um grito e todos os guardas miraram suas bestas a mim, eu estava tomada por fúria assim como Dot e seria capaz de fazer qualquer coisa para salva-la.
–Ora, ora, temos um romance juvenil aqui.. – Ele tombou a cabeça me olhando, e as chamas de seus olhos pareciam crescer, a cor estava ainda mais forte e de fundo pude ouvir as risadas abafadas dos guardas.
–Solte-a! deixe ela em paz!
–Tudo bem. Eu vou solta-la.. – ele soltou a mão e Dot caiu no chão com pressão, e imediatamente corri em sua direção, ela não conseguia dizer nada mas pude sentir sua gratidão em seu olhar, eu a levei em meus braços e tentei conforta-la da melhor forma possível, não iriamos morrer aqui e agora, sussurrei em seu ouvido que tudo iria ficar bem e ela conseguiu voltar a si.
– Guardas, levem-nas a câmara da luz! Quero ver o final trágico das duas.. – Os guardas rapidamente lançaram suas flechas contra nós, e um atravessou meu ombro e a dor era tão atordoante que desacordei em alguns minutos.
***
Acordei em uma sala pequena feita de vários tijolos antigos que se pareciam a pedras, eu ainda estava atordoada pela flechada mas ainda podia sentir algo me queimando e cheiro de carne queimada, ergui levemente a cabeça e olhei pelo meu corpo, eu estava sem minha jaqueta de couro meus braços e ombros estavam exposto, não podia me mexer pois estava acorrentada nas mãos e nos pés por correntes de prata, eu estava deitada em uma mesa feita de mármore e ao meu lado estava Dot, ela estava da mesma forma que eu; deitada pela mesa acorrentada nas mãos e nos pés, algumas partes de sua camisa foram arrancadas e pude ver seus braços nus com suas tatuagens amostra, revirei meu rosto a procura de algo que nos pudesse tirar dali mas a sala só tinha uma porta no canto esquerdo e atrás de nós uma grande janela sem vidro algum, era como uma sacada que dava para fora e foi ai que tudo se encaixou em minha mente; Pude perceber que a luz do luar lá fora ia se pondo e o sol já estava para nascer, o que significava que eu e Dot estávamos condenadas a morrer a luz do sol.
Virei meu rosto a ela e pude ver suas feições tristes, ela estava olhando fixamente para a parede ao meu lado, várias coisas se passaram em minha mente mas eu não queria morrer, eu não podia morrer e não podia deixar Dot morrer daquele jeito tinha que ter outro jeito, outra chance.
–Dot, a gente tem que sair daqui de algum jeito..
– Não há saída, Cassie... Acabou tudo. –Disse ela melancolicamente.
– Não! Não pode ser! – Eu não podia admitir, e não podia aceitar.
– Eu sinto muito, Dot, eu sinto tanto por não ser melhor para você, por não ser o que você quer e eu tentei todo esse tempo chamar sua atenção, fazer você me notar – E de repente as palavras saiam da minha boca, minha mente empurrava meus sentimentos como um fluxo de um rio. – Eu tenho que agradecer você e ao Max, Frank por tudo que me deram.. – E as lágrimas de sangue começaram a escorrer.
– Não quero morrer, não quero te ver morrer... Eu não quero... Por que eu não sei o que é isso que sinto por você, mas você significa tanto para mim... eu acho que estou apaixonada por você e agora você irá queimar no sol por que eu tive um visão maluca e que dará no nosso fim. – Toda a tristeza e culpa vieram a tona, angustia, arrependimento e dor me enchiam por completo no momento, eu gemia baixinho e continuava a chorar sem parar.
Dot sorriu e esticou a mão, soltou um gemido de dor mas continuou a move-la em direção a minha e ela segurou minha mão, entrelaçou os dedos e seus olhos se encheram de sangue.
– Obrigada. – Foram suas únicas palavras, elas podiam ser nada mas naquela hora foram tudo para mim, seu olhar me dava conforto mesmo com a dor que ela também sentia por dentro, ela acariciou a palma da minha com os dedos, e pela primeira vez desde que me transformei vampira eu pude sentir quente, sentir-me abraçada e que finalmente eu tinha algum significado.
Ficamos ali no silencio, uma lutando pela para que aquilo que sentíamos no momento não acabasse a por algumas horas, atrás de nós o sol nascia preguiçosamente mas alguns filetes de raios de sol adentravam pela sala, eles eram tímidos e iam aos poucos se aproximando de nós, fazia tanto tempo que eu não via o sol que mal pude me lembrar o que ele realmente significava á nós: O fim absoluto, a morte pelo sol é a pior morte entre vampiros pelo que Max me disse uma vez, é a morte mais dolorosa e cruel entre nossas metade-vidas.
Mais algum tempo e os raios nos alcançaram.., ainda eram pouco mas a luz penetrou em nossas peles em algumas regiões e queimava como fogo, a dor era indescritível e mais lágrimas escorriam dos meus olhos.., Dot acenou com a cabeça e nós duas fechamos os olhos, eu apertei a mão dela ao máximo e ela retribuiu, e ali estavam na tortura mais cruel, aguardando pelo fim.
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