.:Max:.

Mais dois dias se passaram e meu estado só piorava, mas as vezes a luz vem da onde se menos espera, eu, Alma, Ennel e Anastácia estávamos planejando sair dali o mais rápido possível, continuávamos presos naquela mesma sala, os guardas nos davam copos com pequenas medidas de sangue, aquilo estava longe de ser uma quantia que nos daria o que precisamos: ‘’Força’’ mas íamos nos fortalecendo lentamente com as quantias diárias, eram duas vezes por dia em um intervalo de 12 horas, eles faziam um esquema muito bem bolado, armando no mínimo 30 encapuzados em duplas, cada dupla ficava encarregada de alimentar um vampiro, um deles nos entregava os copos e o outro apontava uma besta com uma flecha de prata em nossas cabeças (Quanta sutilidade não é? ). No meu ''grupo'' de vampiros, pois eram os únicos vampiros que eu tinha contato ali, decidimos implantar um plano para sair desse lugar, combinamos que; Alma iria ser a cobaia (Ela mesmo se candidatou, parecia que estava realmente disposta a se sacrificar por aquilo, espero eu que não aja sacrifícios, e se caso tiver houver, iremos intervir) , ela iria persuadir um dos guardas a abrir o portão, logo após ele abrir (Se der certo, claro) Ennel iria ataca-lo e nós iriamos dividir o sangue com os outros vampiros, eu e Anastácia iriamos verificar as instalações dos Aniquiladores e localizar o Encapuzado de Azul o que acreditamos ser o líder e por um fim a ele e a aos outros malditos que nos fizeram sofrer.

Hoje era a noite que íamos colocar o plano em pratica, eu e Ennel estávamos em nossos lugares, prontos para qualquer intervenção, foi bom ver que Ennel estava conosco, ele é Xerife de Los Angeles, ele aparentava ter 28 anos e era um homem energético, quando soube que estávamos planejando algo para sair dali ele não hesitou em querer ajudar. Alma caminhou para próximo ao grande portão de prata, atrás dele havia apenas um guarda que estava sentado em uma cadeira feita de madeira, ele estava lendo um livro pequeno e velho, Alma se aproximou ao máximo que podia.

–Guarda.., guarda.. Oh.. eu me sinto tão fraca.., acho que estou quase para secar, poderia me trazer um pouquinho de sangue? – Disse ela, tinha ajeitado os cabelos cacheados para parecer mais acaba, rasgou algumas partes da roupas e fez alguns cortes nos braços para dar uma impressão de mais vulnerável.

–Não posso te dar sangue nenhum, fique longe demônio.. – O encapuzado a olhou sobre o livro inexpressivo e logo voltou a sua leitura.

–Você sabe quem sou eu? Sabe não é? Olhe para mim.. – O encapuzado a olhou e estreitou os olhos. Alma cantou um trecho de uma de suas musicas mais conhecidas, mesmo naquele estado e fraca sua voz permanecia forte e bela, todos na sala prestaram a devida atenção a sua voz.

–Alma! Oh é você então.. , pena estar aqui eu já comprei alguns de seus álbuns.. – Ele levantou da cadeira e a olhou entusiasmado (Oh, acho que conseguimos!) , ele assentiu e logo se afastou indo a uma sala próxima dali, depois de alguns minutos ele trouxa um copo com uma quantidade maior de sangue e se aproximou do portão.

–Como vou lhe dar o sangue? Estou sem meu parceiro.., não posso Alma – Disse ele, todos nós pudemos sentir o ‘’doce’’ cheiro do sangue e ficamos todos alerta, Alma o olhou e deu um breve sorriso.

–Venha.., eu não vou te machucar, eu só quero um pouquinho de sangue e prometo cantar sua musica favorita. –Tudo estava saindo como planejado, a persuasão de Alma estava funcionando, o homem abriu o portão e entrou rapidamente, ele caminhou até Alma e lhe entregou o copo, ela pegou o copo sorrindo e levou a boca e bebeu todo o sangue em poucos segundos, depois olhou o homem e antes que ele pudesse se virar para voltar para fora Ennel apareceu atrás dele e deu-lhe um soco de esquerda e o homem desacordou.

Ennel abaixou próximo ao homem e olhou a mim e Anastácia e com o sinal dela ele puxou o braço do homem, rasgou a manga e suas presas logo saíram e ele mordeu seu antebraço e o sangue escorreu e logo todos os vampiros levantaram rapidamente e correram até o homem para pegarem um pouco do sangue.

Parecia pouco mas aquele homem conseguiu dar um pouco de sangue para todos nós, era o suficiente para sairmos dali, seu corpo estava jogado pelo canto da sala com suas vestes rasgadas e sua pele toda perfurada por furos fundos. Alma arrancou um pedaço do pano de sua túnica e usou como ‘’luva’’ para poder abrir o portão.

–Iremos seguir em frente e averiguar qual é a próxima saída, voltamos para avisa-los o caminho e caímos fora daqui, entendidos? – Disse Anastácia no meio da sala em tom alto, foi a primeira vez que sua ‘’personalidade’’ de autoridade tinha se incorporado, e ninguém questionou , haviam buchichos de desconfianças mas não era o bastante para enfraquecer as instruções da Rainha. Alma e Ennel decidiram que iriam conosco averiguar o local e lá fomos nós, nós quatro saímos pelo portão e seguimos pelo corredor iluminado pelas tochas, Alma e Ennel abriam as portas em que passamos; a maioria delas eram salas de experimentos, cheias de instrumentos médicos, macas e muito sangue mas não continham nada muito interessante. Eu e Anastácia seguimos a frente olhando os corredores, usamos nossa velocidade para circular pelo lugar em poucos segundos e nada do nosso primeiro objetivo; Achar uma saída. Haviam cerca de 5 corredores a frente, e já tínhamos passado por 3 deles, aquilo parecia mais um labirinto de corredores e porta infinitas, mas a nossa esperança não se acabou, em um conversa rápida em uma das salas de experimentos decidimos nos separar, Alma seguiu ao corredor da esquerda, Ennel ao norte, Anastácia ao lado oeste e eu leste, segui correndo e passando por portas, abri algumas e nada interessante até que abri uma das portas , era uma sala extensa com paredes pintadas de cinza e tijolos antigos, o que era mais estranho era que a sala era todo preenchida por máquinas antigas que pareciam estar fora de ação fazia alguns anos, canos grossos se interligavam pelo teto e juntavam umas as outras, eu pouco vi daquilo mas pelo meu conhecimento eu pude perceber que eram máquinas de operação de algum veiculo, me aproximei de um painel feito de ação cheio de botões de diversos tamanhos e cores, tinha uma placa feita de prata na parte superior do painel, e nela estava escrito; ‘’TRAIN OPERATOR PANEL’’ e ficou claro para mim onde estávamos, estávamos em uma instalação antiga da operação de trens de algum lugar o que dificultava de nos sermos achados.

Tudo estava calmo, fiquei ali analisando as máquinas por alguns minutos e quando eu estava saindo da sala pude ouvir alguns gritos vindo dos corredores de antes (Será que um deles foi pego? Preciso ajudar!) corri rapidamente entre o corredor e segui o som dos gritos, fui passando de corredor á corredor até chegar ao local, nele estava cheio de encapuzados eles estavam em circulo e estavam fazendo algo a alguém e agora pude ouvir melhor os gritos; eram de Alma, não pude vê-la, me escondi em das salas do corredor e fiquei espiando pela porta, pude ver também um dos guardas segurando os braços de Ennel e o prendendo com algemas de prata (Droga! Droga! O que deu errado? ) eles passaram e levaram os dois para longe e depois de um tempo eu sai da sala, caminhei e fui fazendo o caminho que os guardas fizeram sorrateiramente mas antes mesmo que eu percebesse algum outro vampiro passou, um vulto em minha direção, eu me movimentei rapidamente para desviar, mas ele logo veio atrás depois da investida e me atacou com algo que parecia ser um bastão em minha cabeça e eu desacordei.

***

Acordei naquela sala de início, os outros vampiros estavam lá todos agitados e andando de um lado paro outro, me ergui e consegui ver que os portão estava fechado mas do lado de fora estava cheio dos guardas, pude avistar Ennel que estava com um grande machucado na região da barriga, uma ferida obviamente feita por prata, levantei e corri rapidamente até ele.

–Ennel! O que houve? O que aconteceu? – Eu dizia agitado, agachei próximo a ele e pousei uma das mãos em seu ombro, ele estava um pouco desnorteado.

–Tudo deu errado Max... , pegaram a Alma... – Ele colocou a mão sobre o machucado e gemeu baixinho pela dor.

–Como assim? Me diga.. , o que houve?

–Eu não sei bem o que houve, mas eu estava caminhando por um dos corredores quando vi um vulto correndo, era um dos vampiros aqui da sala ele não conseguiu aguentar a espera e saiu sem nós, ele conseguiu chegar a saída mas haviam guardas lá e quem estava mais próximo ao corredor da saída foi Alma, ela correu para salvar o vampiro, mas os dois foram pegos e desde ai os corredores se encheram deles.. dos encapuzados e eu vi o de azul.. – Sua palavras ecoaram como um soco em meu rosto (Mas que merda! Por que aquele idiota foi sair sem nós? Estragou todo o plano.) sentei ao lado dele e ficamos ali nos condenando pelo acontecido, além disso eu não consegui achar Anastácia em nenhum lugar.., o que era muito estranho eles deveriam já tê-la achado. Alguns minutos se passaram e os guardas entraram na sala eram penas cinco deles e um deles era o encapuzado azul, ele estava carregando um saco pesado que parecia conter dois corpos e foi ali que pude imaginar o que era; Ele sacudiu o saco e jogou dali o corpo de um dos vampiros, era um homem com aparecia de ter uns 50 anos, gordo e com os olhos esbugalhados, pelo seu corpo haviam veias saltadas o que significava que ele estava em estado de vegetação, tinha secado e outro corpo era o de Alma, ela estava também em estado vegetativo. Eu logo me ergui e olhei tudo espantado, os outros vampiros se calaram e observaram a cena.

Com os corpos estirados ali no chão, parecendo estátuas de pedra, o encapuzado finalmente revelou seu rosto junto aos outros guardas que ali, eram pessoas com rostos comuns, mas ele em comum não tinha nem 30 anos, cabelos ondulados que batiam na altura do queixo, ele olhou todos com um olhar de ódio e se pronunciou.

–Vocês demônios causaram tudo isso.. , agora ele está aqui entre nós, o senhor irá sentencia-los.. — Todos que ali estavam ficaram atentos aos movimentos do homem, e todos os outros guardas deram espaço para entrada de um homem, ele caminhou em passos largos e firmes adentrando a sala, uma túnica preta longa que se arrastava pelo chão, usando o capuz na cabeça escondendo o seu rosto, pela túnica continha aquele mesmo símbolo cromado pela cor dourada o que dava aquele ar assustador no homem, ele parou diante dos dois corpos ali e ergueu as mãos tirando seu capuz; Revelando um rosto severo e másculo, cabelos negros curtos e sua barba cobria boa parte do rosto, os pelos pretos tinham um tonalidade brilhante mesmo na escuridão, seus olhos era alaranjados, um tonalidade que eu nunca havia visto em um vampiro antes, só consegui distingui-lo como vampiro, por que não se podia ouvir qualquer pulsação pela sala.

–Dela aqui venho, venho como o Senhor Mensageiro, aplicar-lhe as regras do submundo. – E assim que sua voz grossa e forte ecoou pela sala, todos outros guardas repetiram suas palavras.

–Vocês acharam que podiam fugir? Foram tolos o bastante para acharem que tinha ainda uma chance de conseguir se livrar daqui? – Ele rodeou os corpos e olhou um por um, quando seu olhar parou em mim pude sentir como se estivesse sendo enforcado por correntes de prata, era algo frio e macabro, eu não conseguiria explicar em palavras.

–Nada irá tira-los daqui, vocês foram sentenciados e escolhidos para A Colheita. Aqui és seu Inferno. –Ele deu um breve sorriso de canto e parou de novo em frente aos corpos.

–Este ser o recado aos que tentarem fugir! – Ele ergue a mão direita na direção do corpo do vampiro e de Alma e logo fechou o punho, e subitamente chamas nasceram dos corpos dos dois e elas foram crescendo e se espalhando, tomando conta de todo o corpo de Alma.

–O retorno dela está breve! – Ele disse e logo os outros guardas repetiram suas palavras, ele afastou as mãos, olhando fixo as chamas que ali pairavam sobre eles, deu um sorriso de canto novamente e todos os guardas saíram da sala, trancando o portão.

Me senti angustiado e triste, ali estava eu olhando o corpo de minha amiga pegando fogo, ela se sacrificou por nós e imaginei que eu poderia fazer algo, podia unir forças para salvar ela antes que fosse tarde.., mas se eu intervisse acabaria como ela, estou preso novamente aqui e talvez seja mesmo o meu fim, só espero que eu ainda posso dizer um Adeus aos meus vampiros e poder descobrir quem é esse vampiro.., (E pelo que pude observar, ele controla o fogo.., o que significa que é um dos vampiros antigos de algum clã, ele pode ser mais forte do que imagino.)

Notas finais
Capítulo escrito por: Thiago.