Blood Lines - The Rise from the Shadows
3 Aftershock
.:Richard:.
Olhou pela janela do avião. Havia uma pequena tempestade pouco abaixo da altitude que estava. Um trovão ribombou, como se aquela grande massa de nuvens carregada fosse sua consciência. Estava absorto em seus pensamentos desde que o grupo se separou dos vampiros. Dot estava certa, pensou ao relembrar da conversa do hotel após o evento. Por mais que quisesse se juntar à ela em busca dos sequestrados... Max, corrigiu sua mente. E pensou no rosto do outro automaticamente, sendo invadido por uma ânsia de angústia. Não podia abandonar seu dever. E poderia fazer muito mais de Seattle do que na estrada com a mulher vampira.
Um ruído de engasgo lhe tirou de seus pensamentos. Olhou para o lado automaticamente para ver Lincoln engasgando-se com a batata chips na poltrona ao lado da sua. Joan, que estava perto, esboçou o que parecia ser uma tentativa de sorrir, ou rir, da cena, mas o ar pesado ainda pairava sobre eles, sendo quase palpável.
Porém, decidido a não perder a cabeça, deu-lhe alguns tapas nas costas, ajudando-o a se aliviar. E funcionou.
– Obrigado. – Disse-lhe ele, esboçando um sorriso de gratidão.
Algo de normal era percebido em sua aparência. Devido ao atentado à festa, a mecha colorida de Lincoln fora quase completamente queimada, forçando-o a cortá-la. Agora seus cabelos ondulados e cor de chocolate caíam em cascata no lado esquerdo de seu rosto, enquanto o direito estava raspado como era de praxe.
Elevou os cantos da boca, em um sorriso sem dentes, mas ainda sim um sorriso. Era o primeiro desde os eventos da festa. Ao perceber isto, lembrou-se que deveria conversar com o outro.
– Ei. – O chamou, fazendo-o olhar para si no mesmo instante. – Eu devo te agradecer pelo o que me disse lá na festa. Foi hm... – Mordeu o lábio inferior, receoso. Não estava acostumado em demonstrar tanta gratidão. – Foi um ato de coragem.
Um rubor dominou a face de Lincoln, que desviou o olhar, com um sorriso singelo surgindo em seus lábios.
– Ora, não foi nada. – Então ele recompôs seu ar animado de sempre, voltando a olhá-lo. – Você precisava de um sacode para largar de ser tão orgulhoso!
Ele deu um riso leve, lhe empurrando com o ombro, brincando.
Em outra ocasião o repreenderia pelo ato, mas sentiu-se estranhamente melhor pelo gesto.
Perto deles, Joan, que os observava, tirou sua mecha roxa de perto do olho, deixando-o completamente. Ela sorriu.
Era reconfortante perceber que todos, exceto ele, ao tomarem sangue do Max para curarem suas feridas durante o ataque, estavam praticamente os mesmos.
Abaixou seu olhar para sua mão esquerda enfaixada. O sangue vampírico não fora o bastante para curar aquela região. O que na verdade fora uma má ideia, pois teve que reabrir as feridas para retirar os estilhaços, mas fora com boa intenção.
Ao relembrar disso, umedeceu os lábios, voltando à olhar a janela. Ainda se lembrava do gosto do líquido rubro de Max em sua boca. Fora como quebrar um tabu dentro de si mesmo ao realizar o ato de beber seu sangue. Teve gosto de algo metálico, mas estranhamente achou-o bom.
Novamente, uma voz o tirou de seus pensamentos. Essa, porém, era feminina e agradável, anunciando que pousariam no Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma dentro de vinte minutos.
Recostou-se na poltrona, fechando os olhos. Finalmente poderia ir para casa e descansar. No dia seguinte, porém, começaria o caos. Após o ataque terrorista na festa, todas as organizações governamentais estavam em alerta. Teria um dia cheio amanhã. E não tinha escolha, agora era pessoal. Enfrentaria o desconhecido com prazer, se isso significasse resgatar Maxwell, e os outros raptados. Era seu dever.
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