Blood Lines - Kissed by Death
14 It Comes Back To You
.:Richard and Max:.
Estava pensativo, encarando o copo de café quente intacto na sua frente. Em sua mão, um copo de uísque repousava quase cheio. Aproveitou e deu outra bebericada. Porque precisava de algo tão forte esses dias?
Um súbito barulho o fez olhar para a entrada de seu escritório.
– Chefe? — Lincoln o encarava, entreabrindo a porta e apenas deixando a cabeça e parte do torso visíveis. — Estou indo. Já fiz tudo que me pediu.
Pousou o copo na mesa, expirando. Lhe dava um sorriso cansado.
– Certo, obrigado. Até amanhã.
Ele o retribuía, lhe acenando antes de fechar a porta. O via sair pela janela e quando o mesmo fora embora, voltava à pegar o copo e olhar o horário. Eram seis da noite. Estava quase chegando o crepúsculo.
Virou-se para sua janela de vista panorâmica, observando aquela cena. Para um lugar que continha a maior taxa de pluviosidade do país, o céu estava limpo, mostrando apenas algumas nuvens brancas e fofas. Uma Lua crescente começava à se erguer no céu e brilhar mais enquanto o sol desaparecia no horizonte. Estava ansioso por aquela noite. Tal pensamento o fez sorrir de canto. A razão, porém, era conscientemente desconhecida para ele.
Após estacionar o carro na vaga estreita que tinha no estacionamento subterrâneo da sede da AVI, desliguei o carro e fiquei encarando a parede feita de cimento, eu estava pensativo sobre como as coisas iriam acabar se tornando em torno de mim, meu relacionamento com a AVI e com Richard, iriamos virar amigos agora? Mais do que isso? Não sei, eu não sei ver o futuro mas espero ser útil nessa missão. Aliás o baile é daqui a dois dias e temos que ficar na espreita. Levante-me e sai do carro trazendo comigo uma pasta grande e preta, era um pasta empresarial que me dava um toque mais sério, e o que continua nela realmente era sério, eu caminhei até o elevador em um hall pequeno com paredes brancas espelhadas com uma camada grossa de vidro, as luzes eram fortes e deixavam meu reflexo quase transparente, me olhei em uma das paredes ajeitando minha jaqueta de couro preta, meus olhos vermelhos se sobressaiam em meu visual, eles estavam brilhantes resultado de uma boa alimentação na noite passada, calça jeans e um par de botas pequenas morram escuro, eu estava pronto para reunião mas algo ainda me deixava nervoso, o que seria? Depois de tantos anos na terra algo ainda me deixava com aquela famosa sensação ''frio na barriga'' ? É incrível ver como nós ainda somos vulneráveis.
Subi ao andar indicado a uma das secretárias da recepção do térreo, ele se encontrava no 6º andar na sala ao corredor a direita, era a porta com o símbolo da sessão policial da AVI, levei o meus passos leves e calmos até a porta, observando cada detalhe da instalação, AVI e eu mantínhamos um relacionamento a distancia assim se podíamos dizer, eu havia vindo aqui pouquíssimas vezes e nunca cheguei tão longe. Me aproximei da porta e pude ouvir sua respiração de longe, ouvi seu coração batendo acelerado e agitado, um leve sorriso cobriu o meu rosto, era bom saber que eu ainda causava algum dano colateral em alguém, ainda mais nele , ergui o punho direito e dei três toques de leve na porta e aguardei seu retorno, mas antes ajeitei a franja dos meus cabelos e dei uma ultima espiada em uma das paredes espelhadas.
Já fora avisado da vinda do outro desde a recepção, então logo se livrara das bebidas e fora ao espelho em um dos cantos da sala, vendo seu reflexo.
Ajeitou seu sobretudo habitual de trabalho que escondia sua roupa casual e a maior parte de sua gravata vermelha. Seu rosto parecia ter um misto de ansiedade. Franziu o cenho e o reflexo fez o mesmo. Era estranho... Depois de tantos anos. Ainda pensar que seria capaz de sentir algo assim. Ajeitou alguns fios rebeldes do cabelo e então ouvira os passos se aproximando de sua porta, consequência do ambiente extremamente vazio. Olhou na direção da porta e se afastou do espelho após uma última olhada.
Se aproximou e abriu a porta. Estranhamente, parecia mais cordial que ele atendesse do que mandasse entrar. Mas parecia que o outro estivesse o visitando em sua casa. Que estranho...
Quando terminou de abrir a porta, o encarou o que pareceu ser uma eternidade. Seus olhos, antes que o deixavam apreensivo e mal humorado, vermelhos como sangue ( será que realmente era sangue? ). Os encarou com cortesia, abrindo um suave sorriso, lhe dando passagem.
– Bom saber que aceitou meu convite. — Andou alguns centímetros para o lado, lhe dando passagem. — Por favor, entre.
Assenti com a cabeça e ainda mantinha o sorriso fraco no rosto, adentrei ao local e observei os detalhes (Oh, como Richard é formal e cordial, nunca imaginei que ele pensava que dava para esconder o cheiro de bebida por aqui) , caminhei até a cadeira próxima a sua mesa e me sentei, ajeitando a maleta sobre minhas coxas, meus olhos circulavam pela sala buscando detalhes, buscando qualquer informação que me fosse valiosa ou que pudesse dizer mais sobre sua personalidade, além da bebida, encontrei livros, muitos papeis e arquivos, alguns vasos com plantas o que deixava o local arejado e mais ''limpo'', a sala era chique mas simples ao mesmo tempo, mas o que mais me chamou atenção foi ver aquela vista por de trás de sua mesa, a vista panorâmica que dava o luxo de poder ver o mar da costa de Seattle sempre que pudesse isso me trazia algo importante sobre Richard, ele era sozinho e levemente amargurado, procurando onde se refugiar em lugares pacíficos e naturais ( o que me traz tranquilidade, não queria que ele fosse nem mais nem menos do que vejo a minha frente). Eu o encarei da mesma forma que ele me encarava
–Boa noite, Richard. — Coloquei a maleta cuidadosamente sobre sua mesa.
–Como tens sido seu dia? — Talvez fosse a pergunta mais idiota que fizera, mas parte de mim realmente queria saber como foi seu dia.
Fora pego de surpresa pela pergunta. Não esperava por tal. Porém, iria responder, não era nada de mais.
– Hm... Foi agitado, como a maioria dos dias aqui.
E dava uma risada leve, pegando uma pasta na escrivaninha e pondo na mesa de centro do cômodo, que possuía dois sofás de ambos os lados. Ocupou um deles e fez um gesto para o outro se sentar também.
Quase ofereceu-o se queria algo para beber, mas lembrou do que ele era e que seu paladar era hm... bem limitado. Portanto, mordeu o lábio, se repreendendo.
– E o seu? — Logo acrescentando.- Estou curioso pelo motivo que me contatou. Embora, coincidentemente, eu também tenha alguns assuntos urgentes para tratar com vós.
Me levantei segui o outro, me sentei no sofá me acomodando e olhei, esbocei um sorriso de canto do rosto, coloquei a maleta sobre a mesa de centro e abri as travas que ficavam nas laterais, girei o mecanismo que as travava e liberei a porta superior relevando um punhado de papeis que estavam ajeitados em uma pasta transparente que ficavam na parte esquerda da maleta, na direta ficava uma outra pasta mais escura de cor bege e nela continham fotos, e no canto inferior tinha uma caixa preta fechada com um sensor.
–Minha ... noite está sendo boa por enquanto, mas vamos ao que interessa. — Ergui o peito e olhei Richard de forma séria e aquele sorriso se esvaiu de meu rosto.
–Eu pedi para que Frank e Cassie investigassem as propriedades de Steven, que ficavam nesse endereço aqui.. — Ergui a pasta transparente e tirei uma ficha que continha informações legislativas dos domínios que Steven tinha, processo delicado que todo Xerife tinha que se importar com a chegada de um vampiro em seu território.
–Ele matinha esses lugares a há alguns anos mesmo antes de ser vampiro, atualmente todas casa estão sendo leiloadas ao governo. Mas o que me trouxe aqui foi o que continha nas casas, algo perturbador. — Deixei a pasta transparente de lado e peguei a de cor bege, ergui ela e a abri, nela continha as fotos tiradas por Frank dos corpos, símbolos e sangues encontrados nas propriedades de Steven, eu as espalhei pela mesa de centro de forma que ficassem claramente visíveis ao outro, e então levantei meu olhar para ele, analisando suas expressões ao ver as fotos.
Observou o outro adotar uma atitude séria e fez o mesmo. Quando se tratava do trabalho, nada ficava à sua frente, nublando seus julgamentos.
Atentamente, ouvia a história do outro. Ao mencionar Frank e Cassie, o rosto de ambos vinha em sua mente. Como será que estava a novata? Achava que estava em boas mãos, contudo. Quando prosseguia, explicando sobre as propriedades de Steven, visualizou as fotos. No início com um pouco de surpresa, mas logo se recompondo e dando-lhe um olhar mais analítico. Pegou uma das fotos, cuja a que pegara focava um símbolo que parecia ancestral. Lembrou vagamente da conversa ao telefone que teve com Max à vários dias. Certamente... Parecia símbolos de extremistas religiosos. Lembrava-se da grande comoção que sucedera a revelação da existência dos vampiros. Fora, inicialmente, anos de caos generalizado antes que a diplomacia pudesse ser selada e o mundo pudesse andar aos trilhos.
– Pelo que parece, as vítimas de Moon Forest não foram as primeiras de Steven. O modus operandi parece ser o mesmo. — Dizia, convicto, deixando a foto novamente na mesa e olhando-o com ar profissional. — Então, no que posso ajudá-lo?
–Esse símbolo é de uma antigo grupo vampírico da Idade Medieval, suas práticas eram das mais diversas na época, envolvendo religião, sacrifícios, vários assassinatos que na época acabaram sendo encobridos. O grupo tinha e pelo visto ainda tem muita influencia, mas mesmo assim é desconhecido, seus costumes são guardados em segredos pelos membros da organização, eles se chamam de ''Os Aniquiladores'' — Tentava não soar muito nerd ou algo que entediasse o outro, pego novamente a pasta transparente e dela tiro um conjunto de folhas que estão grampeadas umas as outras, e entrego-as a Richard.
–Eu trouxe esses textos que explicam um pouco melhor sobre eles, bem a minha visão sobre o caso e sobre Steven é que ele e um pequeno grupo de vampiros e o que formaria uma pequena colmeia, estaria levando Os Aniquiladores como um religião e praticando seus costumes, talvez esse grupo tenha um líder e ele comande os ataques que estão acontecendo pela cidade. Eu trouxe tudo isso para você pois achei de extrema importância você saber. Ontem a noite eu fiz uma ligação há um colega, um vampiro mais velho que eu e pedi informações sobre eles, ele disse que já ouviu falar neles e que eles ''Costumavam aniquilar humanos e vampiros que não se enquadrassem no idealismo Aniquilador.'' , os desaparecimentos e esses corpos podem estar totalmente relacionados a eles e vim saber sua opinião profissional sobre isso além de lhe informar sobre o caso. -Dei um singelo sorriso para ele, era comum sorrir nessas horas, transparecer calma era algo que eu costumava fazer sempre nesses momentos, e de certa forma Richard me deixava confortável e tranquilo, não era o encontro que eu queria mas mesmo assim era bom discutir esses assuntos com alguém que os entendesse.
Aceitava de bom grado o conjunto de folhas que constituía o assunto sobre os denominados "Os Aniquilados". Desde o começo, se manteve inclinado levemente na direção do outro, com as sobrancelhas levemente franzidas, ouvindo-o com atenção e mostrando que estava prestando.
Abaixou o olhar para o amontoado, folheando-o vagamente. Leria isso mais tarde.
Pousou o amontoado ao seu lado, no sofá e, debaixo de todos os arquivos dele, retirou sua pasta, de modo discreto.
– Acho que, se o que fala é verdade, então há dezenas, senão centenas, como Steven por aí. Fazendo isto. — E levou o dedo à uma das fotos de um corpo ensanguentado. — A minha pergunta é o que eles desejam com isso tudo. Se os seus não tivessem descoberto a cena do crime, nunca teríamos sabido dessa trama de sacrifícios ou... seja lá o que for.
Encostou-se no sofá, abaixando o sofá, encarando as fotos. Em todos os seus anos de trabalho... Aquele era o caso mais estranho que já pegara. Tal coisa o deixou receoso. Fechou os olhos por alguns instantes, momentaneamente esquecendo do outro ali presente e organizou seus pensamentos, expirando e abrindo-os novamente.
– Seja o que for, vamos impedi-los antes que atinjam seu objetivo. Creio que o departamento pode fazer uma busca aos vampiros que podem ter relação com tudo isso. — Disse, decidido.
– Agora... — Reuniu as fotos e as deixou organizadas em um canto, liberando espaço na mesa. — Que eu necessito de sua ajuda. Pode ser que os vampiros desaparecidos tenham relação com esse caso, mas algo me diz que é algo diferente.
E pousou a pasta na mesa, abrindo-a e mostrando-o nomes dos vampiros ( os quais ele já sabia desde a reunião na Sexxx Dreams ) além de mais um vampiro de, aparentemente, quase 3 séculos de vida. Junto à eles, agora continha endereços de lugares que decidiram investigar após receberem denúncias anônimas ( cortesia de John ). A grande maioria estava riscada, significando que já fora checado, mas sobrara três endereços.
– Eu sei que me disse que não os conhecia. — Apressou-se a dizer, olhando-o após deixar a pasta perto dele para que ele visualizasse. — Mas gostaria de ajuda à investigar esses endereços, pois acho que seu conhecimento como Xerife pode ser bem-vindo.
Me ajeitei sobre o sofá e cruzei as mãos apoiando meus cotovelos sobre os braços do sofá, prestando atenção no que o outro falava (É tudo uma grande bola de neve que vai nos arrastando junto para fim do poço) depois de um tempo era de acostumar com os casos mais bizarros.
–Infelizmente algumas perguntas ainda não temos respostas mas desde já agradeço e seria de grande ajuda se o seu departamento investigasse esses vampiros. — E então encarou a pasta e os nomes dos vampiros, notou as observações, nomes riscados e coisas comuns que um departamento policial faria com fichas de desaparecidos. (O que me intriga é que vampiros não são tão fáceis de serem ''sequestrados'' )
–Claro, seria um prazer ajuda-lo no que for preciso nesse caso — Me inclinei para visualizar melhor os endereços postos próximo a mim.
***
– O primeiro endereço. — Anunciava, já com as mãos no volante e prestes à dar partida no carro. — É de um prédio abandonado à alguns quilômetros aqui, na parte residencial da cidade.
Deu uma rápida olhada para o outro, que ocupava o banco do passageiro ao seu lado. Quase balbucia para ele pôr os cintos, mas achava que isso seria desnecessário, uma vez que ele era um vampiro... Ou era apenas preocupação?
– A pista que iremos seguir é a do vampiro Jonathan Young. Eu falei dele para você na reunião à alguns dias. Já que não o conhecia, perguntei à uma fonte. — Disse, fazendo uma breve ultrapassagem no carro à frente, logo o olhando rapidamente, continuando. — Ele era um humano, nascido e criado em Miami, até ser transformado em 1926. Desde então, se mudou constantemente pelo mundo. Até achar uma parceira e se fixar aqui em Seattle. Ele desapareceu faz três semanas.
Lá estava eu sentado no banco de passageiro ouvindo as coordenadas do outro, eu passei o caminho todo quieto, o observando, assentindo com algumas informações ditadas e balançando os dedos e os batendo no apoio da porta do carro (Algo estava me deixando impaciente, Richard talvez não saiba com quem está lidando, vampiros desse tipo não vão deixa-lo viver se o pegarem) Mesmo assim eu aceitei ajuda-lo e lá estamos, um vampiro daquele estilo conforme fora descrito já passou por Seattle há alguns meses atrás, Jonathan já procurou por imóveis pela cidade para viver com sua parceira e eu fui o ''guia turístico'' da cidade por um tempo, mas achei que ter conhecido mesmo que breve Jonathan não nos traria vantagem nenhum então permaneci quieto observando as paisagens urbanas e naturais correndo por nossa volta no carro.
Mexeu os dedos levemente sobre o volante, agora com o assunto morto. Observava a estrada noturna à sua frente, iluminada pelos postes públicos e faróis de dezenas de carros que o acompanhavam naquele sentido. Tinha consciência que aquele era um caso... anormal. Mas estava no ramo há quase três décadas. Se havia perigo, ele iria enfrentar. Até porque fora essa a vida que escolhera.
Por segundos, vasculhou sua mente, à procura de algum assunto no mesmo nível para quebrar o gelo. O olhou de relance pelo canto do olho e voltou á olhar para a estrada. Visualizou a placa de "Quilômetro 23" e conferiu o GPS. Estavam quase chegando.
– Como tem sido com a novata? Deu problemas?
Olhou para a direita, para o outro, com um ar mais curioso do que de julgamento. Estranhamente, continuou o olhando, esperando a resposta. Sua mão deslizando suavemente no volante para a direita e o carro fazendo o mesmo, fazendo-o ir, aos poucos, para o acostamento. Percebera isso logo depois e lentamente virou o volante para a esquerda, pigarreando baixo e fixando o olhar na estrada. O que fora aquilo?
Virei o rosto para o outro e ergui uma das sobrancelhas (O que ele tinha em interesse com Cassie? AVI sempre foi de ficar em cima dos recém-criados mas Richard tinha uma má tendência para puxar assunto sobre ela)
–Cassie está bem, ela está se adaptando rápido e aprendendo nossos costumes e leis, Cassie é uma garota inteligente e ágil, não dou mais de dois meses para ela já estar sob total controle.
Alias, eu fora um mal ''criador'' a Cassie, todo esse tempo eu me senti como seu responsável e seu criador e até agora conversamos poucas vezes, eu deveria instrui-la mais e estar mais presente em seu cotidiano, apesar que deixei para que Frank e Dot lidassem melhor com a novata, o que provou que os dois gostaram mais do que imaginei. Percebi o deslize de Richard e não pude conter um riso abafado por uma das minhas mãos, o melhor de tudo era perceber o quanto ele ficava desfocado ao me olhar, me sinto atraente de novo.
– Bom, bom...
Comentou, vagamente, assentindo para ele e voltando-se para a estrada. Decidido em evitar contatos visuais, não vira seu gesto com a mão.
Tomou a próxima saída, abandonando a estrada e adentrando nas ruas dos bairros residenciais. Estava apreensivo pelo o quê poderia encontrar lá. Não enfrentara um vampiro desde que levara um tiro no ombro à algumas semanas. Felizmente, não tivera sequelas. O seu treinamento com armas comprovara isto.
Á medida que dirigia pelas ruas, guiado pelo GPS, olhava em volta, vendo as casas abandonadas. Pelo que bem lembrava, aquela parte da cidade seria restaurada, uma vez que servira de refúgio para vários humanos na Grande Comoção, evento que vampiros rebeldes, ao serem revelados ao mundo, começaram uma carnificina que durou semanas. Era digno de filme de terror agora.
– E... Chegamos. — Estacionou na calçada, olhando o sobrado e o número que o identificava. Era aquele prédio. Sua fachada era marrom e estava se desgastando. Tábuas de madeira bloqueavam a maioria das janelas, embora a porta parecesse normal. Bom... De qualquer forma, iria arrombar se não abrisse.
Desligou o carro e puxou a chave da ignição, prendendo-a ao cinto com agilidade ( um gesto que tem o hábito de fazer desde o começo da carreira ). Tirou sua arma, uma pistola automática, do coldre na cintura e checou o pente, ejetando-o do revólver e, ao ver tudo em ordem, pondo novamente, travando-a e guardando novamente no coldre. A pistola era uma das recentes invenções da Divisão Científica. Ela tinha um mini leitor de digitais no gatilho ( sendo que só ele poderia atirar ) e um mecanismo que trocava de balas comuns para balas de madeira, estas sendo mais compridas, sendo praticamente mini estacas. Ouvira falar que o departamento estava explorando o uso de raios ultravioletas em balas. Mas não era sua área, deixaria isso com os nerds.
– Estou pronto, vamos?
Virou-se para o outro, adquirindo uma postura profissional.
Sai do carro rapidamente, algo ali dentro estava nos deixando entediados e o clima não era dos melhores, primeiramente observei o local que parecia estar abandonado há anos, cheirava mal e era pouco iluminado, depois virei para Richard e comecei a observa-lo, observar seu profissionalismo e como ele ficava estranhamente sexy segurando uma arma. Um lado meio estava achando toda aquela pose ''Oh, sou um policial cuidado comigo'' , eu sempre fui um vampiro estranho, alguns diziam zombando de mim que eu era um ''vampiro sensitivo'' geralmente meu ''instinto'' animal dizia que algo de ruim ia acontecer e acontecia e hoje não era diferente, mas eu sou um vampiro com anos de experiência nesse ramo sombrio, tomei a frente de Richard e virei o rosto para ele.
–Eu vou ir na frente e você me dá cobertura. — Eu disse com um leve sorriso no canto da boca e adentrei ao local puxando uma grande tabua de madeira que impedia a passagem pela porta com facilidade.
Andei alguns passos e ali estávamos no Hall de entrada do prédio, dei passagem ao outro enquanto eu analisava o lugar meticulosamente, procurando qualquer sinal de vida ou de perigo no perímetro em que estávamos, de inicio era difícil dizer que qualquer vida estava habitando o lugar, até o momento eu não tinha ouvido qualquer respiração ou batimento cardíaco a não ser os de Richard.
Concordou ao ouvir o outro, dando uma breve olhada em volta, vendo se havia alguém/algo junto à eles e logo o seguiu para o prédio.
Adentrava logo após ele, abaixando o olhar para o chão. Uma mancha formava um ângulo de 90 graus até a parede. Estranhamente, havia pequenos fragmentos de madeira ali. Aqueles prédios foram abandonados faz 5 anos, mas tudo indicava que houve visitantes recentes.
– Alguém esteve aqui recentemente. — Diz, se aproximando dele e olhando o saguão. — Fique atento.
Havia arcos levando para outros cômodos e uma escada em L que levava ao segundo andar.
– Tem problema em nos dividirmos para explorar? Posso ficar com o primeiro andar e você com o segundo.
Segui os passos do outro e fui ficando na espreita a todo momento prestes a revidar se fosse preciso, olhei Richard e estranhei franzindo o cenho (A real intenção era irmos juntos ou ele queria mesmo levar um mordida de alguém? )
–Por mim tudo bem..., tome cuidado. — E então subitamente subi as escadas como se fosse o vento e cheguei a um corredor cheio de salas com as portas escancaradas mostrando salas de reunião, de comando, computadores quebrados e com as peças espalhadas pelo chão, eu decidi entrar uma por uma para checar o que tinha por ali. A maioria das salas não continha nada de muito interessante apenas ver a mobília e os computadores destruídos e alguma ou outra sala tinha marcas de sangue que eram de humanos, o sangue já estava seco e por meus cálculos estavam ali por volta de uma semana. Segui até o final do corredor escuro e desgastado, nele continha uma porta dupla grande e azulada, a cor estava desbotada e cheia de manchas escuras, e as abri e entrei em um salão grande de reuniões, nele tinha uma mesa oval grande de madeira e cadeiras escuras a rodeavam, algumas estantes continham pastas cheias de arquivos, do outro lado tinha uma parede completa feita de vidro que formava um janela panorâmica semelhante que Richard tinha em sua sala, mas ela estava toda coberta com um pano sujo , um trapo acinzentado felpudo, logo me direcionei as estantes e comecei a pegar os arquivos e a folheá-los eram arquivos da empresa que ali ficou alguns anos atrás, eram fichas de funcionários, registro de aluguel de automóveis, lista de checagem do prédio, contas, notas fiscais e alguns projetos.
Franziu levemente o cenho ao vê-lo erguer a sobrancelha. Ele desaprovara o ato? Ele poderia fazer aquilo em segundos e voltar. Porém, era surpreendido pela despedida, mas antes que pudesse dizer o mesmo, ele sumira num piscar de olhos. Vampiros... Pensava, revirando os olhos e seguindo para o cômodo seguinte, cauteloso.
O que parecia ser um refeitório possuía apenas bancadas e armários parcialmente comidos por cupins. O piso da parte da cozinha estava estranhamente limpo, porém. Não parecia abandonado. Retirou um objeto cilíndrico do bolso e fez um leve gesto com o polegar, revelando uma luz ultravioleta. Dava um leve sorriso de canto ao ver traços de sangue sendo revelados. Achou um rastro e começou a segui-lo. Saiu da cozinha e foi indo para a sala de estar, com o ar igualmente abandonado. O rastro o levou até uma porta branca. Abaixou o cilindro e sacou sua arma, adotando uma postura defensiva. Com a mão livre, abria rapidamente a porta, logo mirando a arma à sua frente. Se deparou com um breu, onde só se via o que a claridade da janela iluminava, isto é, as escadas que seguiam para baixo: um porão. Ligou a luz novamente e o rastro de sangue continuava. Não teve outra escolha senão seguir o rastro.
Desceu as escadas; cada passo seu fazendo ranger o degrau de madeira. Ao chegar em solo firme, porém, perdia o rastro. Acabava ali. Franziu o cenho e guardou o cilindro, pegando sua lanterna do bolso e a ligando, usando a arma em uma mão e a lanterna em outra. De repente, ficava tonto com um cheiro de putrefação que impregnava o ar. Olhou, a esmo, explorando dentre os móveis velhos que ali jaziam. Após alguns minutos, achou o que parecia ser tanto a fonte do rastro e o fedor que lhe ardia as narinas. Um cadáver jazia à sua frente, com a pele estranhamente enrugada e mole, como se não houvesse nada o preenchendo por dentro. Erguia a lanterna até o rosto semi-desfigurado, iluminando os traços macabros. Aquele era Jonathan Young. Sua ultima feição sustentava dor e terror no olhar, parecia que fora petrificado.
– Deus do céu...
Guardava a arma no coldre, erguendo a mão e protegendo o nariz com o paletó. Ele parecia... drenado? Um vampiro... sem sangue.
Fiquei ali lendo aquelas papeladas uns bons 15 minutos, já era tempo o bastante para ficar ali sem ter muito o que fazer , além de que Richard estava muito ''quieto'', era melhor eu checar se ele estava a salvo. Fiz todo o percurso de volta ao Hall de entrada do prédio e segui pelo refeitório que aliás cheirava a sangue, então segui o cheiro que me levou as escadas e de lá eu já podia ouvir Richard respirando, mas algo se moveu pelo refeitório e voltei logo, eu olhei pelo lugar, procurando por toda a sua extensão a origem do barulho. De início nada havia ali, mas eu estava ouvindo pequenos batimentos, a pulsação era acelerada e descontrolada como se fosse o coração de uma máquina pulsante que não para de trabalhar. Caminhei sobre o refeitório e não avistei nada além alguns pássaros que formaram um ninho no canto superior do refeitório, e nesse meu momento de distração olhando os pequenos pássaros, alguém passou correndo para as escadas e lá fui eu correndo rapidamente para a direção do alvo.
Adentrei em uma sala escura, mas graças a minha visão apurada eu podia compreender o que ali havia Richard estava agachado analisando um cadáver de um vampiro, talvez fosse que tivesse corrido para cá, para ver de perto o corpo, mas algo mudou minha opinião.. alguém estava respirando ali , e eu o avistei, era um homem alto usando roupas rasgadas, ele tinha cabelos encaracolados e seus feições eram assustadoras, olhos arregalados e as veias de seus músculos estavam saltadas, em sua pele escorria o suor e seu cheiro era de sangue fresco com uma mistura de café e maconha, bela combinação.
O homem correu sorrateiramente até Richard e apontou uma adaga de porte médio em suas costas e levantou o braço e o jogou contra sua espinha, ele iria fincar a adaga nas costas dele mas eu fui mais rápido, eu corri em minha velocidade aumentada na direção do homem e o segurei pelo pescoço antes de que conseguisse atingir Richard, eu o levei até a parede e o pressionei a ela, eu apertei com força seu pescoço e deixe minhas presas saírem e falarem por si só que ele estava se metendo com as pessoas erradas, deixei a boca semiaberta como de um tigre minutos antes de dar o bote.
–O que pensa que ia fazer, moleque? — Disse as palavras em um tom feroz e agressivo, liberei um pouco a tenção que punha em seu pescoço para deixa-lo falar.
Ficou distraído demais analisando o corpo do que prestando atenção à sua volta. E então o movimento dos dois vultos e o barulho de impacto o fez sacar a arma e apontar para a origem no mesmo segundo.
– Mas que porra...
Fitou Maxwell de olhos arregalados imprensando o homem corpulento e alto contra a parede. No chão, perto deles, jazia uma adaga. O que acabara de acontecer?
O homem rosnou para Maxwell, se debatendo mas não conseguindo sair.
– Me solte! Escória! Quando eu me soltar, vou beber do seu sangue em uma taça!
Seus olhos passavam de Max para Richard, as pupilas energéticas se movendo à todo o tempo. Ou aquele cara tinha abusado da cafeína, ou estava drogado. Acreditava mais na segunda hipótese.
"Você... Tentou me matar?!" Rugiu Richard, se aproximando e pondo a arma no crânio do homem, fazendo-o congelar na hora. "O que aconteceu aqui? Responda!" E pressionava o orifício da pistola na cabeça do homem.
– Espera! — Ele apressou-se à dizer, parando de se debater. — Espera, espera! Eu falo! Não me mate!
Ele ainda dava alguns breves olhares para Maxwell. Algo naquele olhar o fez ficar mais irado ainda. Parecia que o outro desejava ele.
"Denis... Meu... nome... é Denis!" Ele conseguiu falar, embora com dificuldade por estar na mira de uma arma. "Eu fui mandado aqui para desovar o cara... e só! Foi o Liam que me mandou!" Ele continuou, falando o nome como se eles fossem conhecer. Franzia o cenho, olhando para o outro. E acabava de lembrar que ele provavelmente salvara sua vida.
Eu estava tentando ser muito paciente mas se aquele garoto levantasse a voz mais uma vez para mim, sim ele iria perder a cabeça. Olhei Richard e notei o que ele estava tentando fazer mas já era arriscado ficarmos ali e ainda mais fazer um interrogatório que provavelmente não nos levaria a muitas informações agora, então decidir agilizar um pouco para nós dois.
–Com quem você trabalha? Em que grupo você pertence. — Eu dizia aproximando meu rosto ao dele e olhando fixo em seus olhos, minhas pupilas dilataram assim como as dele e ele logo entrou em um estado de transe prestando atenção a mim e só me respondendo.
–Eu trabalho com a facção, eles nos dizem o que fazer e em troca nos dão o que queremos, o sangue dos sanguessugas. — Dizia Denis de forma robótica sem expressar qualquer emoção, apenas olhando a mim fixamente.
–O que você faz por esse sangue?
–Eu desovo os vampiros, coleto seu sangue e órgãos e os levo a sede.
Então cessei a hipnose e olhei Richard franzindo de leve o cenho e puxei o garoto para baixo e em movimento rápido o imobilizei puxando seus braços para trás e os prendendo com a minha mão direita, decidi que se ele começasse a falar iria ser incrivelmente irritante para nós então com a mão livre virei um soco de esquerda mais rápido do que ele poderia prever e ele desacordou na hora, olhei Richard e sorri tentando passar um pouco de confiança (afinal ele tinha acabado de quase ser morto, eu acho que ele estaria um pouco em ''choque'' ).
Observava o interrogatório do outro fazendo um leve muxoxo. Trapaceiro, pensou.
A medida que ouvia os relatos de Denis, hipnotizado por Maxwell, mais ficava incrédulo. O que ele lhes contava era uma espécie de tráfico de órgãos! Com vampiros! Poucas vezes fora surpreendido nos seus anos de carreira, mas naquele momento, estava pasmo. O que vampiros tinham de tão valioso para serem dissecados?
Piscava, por reflexo, ao ver Denis ser desacordado pelo soco de alta velocidade. Achou meio exagerado. Mais um pouco, poderia ter quebrado a mandíbula dele. Mas ao lembrar que o outro quase o matara, achou pouco, e ficou satisfeito pelo soco, sorrindo. Olhou para Maxwell e vira que ele sorria também. Algo no seu estômago chacoalhou.
– Vamos levá-lo para o AVI.
E o ajudou à carregar Denis, que jazia desacordado, embora achasse que não era necessário porque o outro podia erguer o Denis facilmente.
Ao chegarem até o carro, deixaram o corpo inconsciente do homem no banco traseiro. Sacou o celular e fez uma rápida ligação ao AVI, contando-lhes tudo e solicitando uma equipe forense e que preparassem a sala de interrogatório. Teria uma longa noite pela frente.
Logo após, entrou no carro, vendo o outro fazer o mesmo. Antes de dar partida, porém, olhou Max.
– Você... Provavelmente salvou a minha vida lá dentro. Obrigado.
E esboçou um estranho sorriso, o primeiro sincero que deu para um vampiro em anos.
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