.:Serena and Frank:.

Era acordada pela enfermeira, sendo servida pelo almoço do Hospital St. Germain. Enquanto comia, Lincoln fora autorizado à fazer uma breve visita.

– Oi Serena. — Ele a encarava com certa pena. Odiou isso. Era exatamente esse tipo de olhar que queria evitar de todos. Ser uma coitada. Vulnerável. — Como está se sentindo?

– A mesma. Morrendo. — Dizia, logo pondo uma batata assada na boca.

Lincoln se remexeu incomodamente pela frieza da resposta. Serena suspirou e largou os talheres.

– Desculpe-me Lincoln. Só... Olhe em volta. Eu pareço bem?

Erguia os braços, e a manga do roupão hospitalar descia revelando uma agulha espetada no seu braço, que estava ligada à um saco de sangue vampírico. Estava prolongando sua vida, mas morrendo a cada dia que passava.

– Eu entendo... — Ele assentiu, mexendo na sua mecha de cabelo, agora roxa. — Ainda não encontraram nada para ajudá-la. Mas... — Ele olhou para a cabeceira. E sabia o que ele olhava.

Olhou também: O cartão de Frank jazia ali, intacto. Desde ontem, ele parecia estranhamente tentador. E agora mais do que nunca.

Desviou o olhar e voltou ao desjejum, balançando a cabeça.

– Não vou fazer isso. Não quero... Mas... — Abaixava os braços, fechando os olhos começando à ficar marejados. — Eu não quero morrer, Lincoln. Não quero ser uma vampira. Eu quero ser humana.

Estranhamente, Lincoln não sabia como se portar diante aquela situação, mas foi até ela e tocou seu ombro, num gesto de apoio.

– Vampirismo não é uma maldição. Pode ser a chave para a sua doença. Isso é certo.

Deu um riso nervoso, enxugando um dos olhos.

– Você parece ele falando. — Olhou-o, logo percebendo sua feição confusa, acrescentou. — Frank.

Ela respirou fundo, o encarando.

– Acha que eu devo falar com ele? Digo... Ele pode me salvar. Sou orgulhosa, mas não sou cega. Se for a única opção...

– Então ligue para ele. — Interrompeu Lincoln, lhe dirigindo um sorriso terno. — Não quero perder minha amiga nerd.

Uma enfermeira aparecia na entrada, avisando que o tempo da visita havia se esgotado.

– Só pense nisso, certo? — Ele dizia, voltando sua atenção para Serena. — Alex e Joan mandaram lembranças. Tchau. — Ele acenou para ela, ainda mantendo o sorriso, e saiu.

Encostou a cabeça no travesseiro, cansada. O garoto tinha razão, deveria ligar...

Olhou para o celular na mesa de cabeceira e o cartão junto ao mesmo. Já tinha se decidido.

Num gesto simples e rápido, esticou o braço e pegou ambos os objetos. Observando o cartão, começou à discar o número.

***

O som estava em meu quarto, estava tocando algum rap latino alto pelo home theater, eu estava no chuveiro tomando banho quando ouvi o som do meu celular tocar e de inicio o ignorei, estava ensaboando meus braços mas o som estava me incomodando e ele não parava. Me enxaguei e desliguei o chuveiro e então sai do banheiro andando nu pelo quarto, sentindo as gotas escorrerem pelo meu corpo, me aproximei do celular que estava jogado em minha cama e vi o que era, era um mensagem de voz desconhecida, franzi o cenho e tombei de leve a cabeça pro lado, caminhei para perto da janela e olhei lá fora, ninguém me veria nu pois a vista era deserta, e mesmo se alguém visse não me importaria, fixei meu olhar para as arvores da estrada e movi um dos dedos no celular para ouvir a mensagem.

Do outro lado da linha, ouvia-se ruídos baixos. Sussurros quase inaudíveis, barulho de algo se arrastando, pareciam cadeiras de rodas... Logo ouvia-se, em destaque, a voz de Serena.

Estranhamente fraca e soando fraca, ela começava à falar:

– Ei, Frank. Aqui é a Serena... Você não atendeu o celular, então resolvi deixar um recado. Eu hm... — Ouvia-se um suspiro. — Precisamos conversar. Estou no Hospital St. Germain. Tive uma crise de hemoptise e agora estou internada desde ontem. Gostaria que viesse... Enfim, É isso. Tchau.

E a mensagem acabava.

Um súbito sorriso veio em meu rosto e logo me distanciei da janela, em minha velocidade eu abri um de meus armários, escolhi uma camisa de gola v esverdeada, uma calça jeans escura e um par de sapatos marrom escuro. Me vesti em segundos e ajeitei o cabelo no espelho do banheiro, segui até a minha mesa do computador e peguei as chaves do carro.

Passei pelo corredor e me aproximei do quartinho de Cassie, dei três toques na porta.

–Cassie estou saindo, qualquer problema me ligue. — Disse próximo a porta e ela assentiu com um ''Ok'' .

Não levei muito tempo para achar o hospital que era na parte central da cidade, estacionei a caminhonete no estacionamento aberto do hospital e segui rumo a recepção. Chegando lá me aproximei do balcão de informações onde lá estava uma moça ''grande'' ela era gordinha e branquinha, se eu não pudesse ouvi-la respirar diria que é uma vampira, ela tinha cabelos cacheados que batiam em seu ombro, não aparentava ter mais que 35 anos, pelo que observei não tinha aliança nos dedos então era solteira, era minha deixa.

–Boa noite senhorita, uhm.. eu estou um pouco perdido — Me inclinei no balcão e me aproximei da mulher mas nada muito intimidador, esbocei um sorriso de canto a ela.

–Estou procurando uma prima minha que está internada, poderia localizar o quarto dela para mim?

–C-Claro.. — Disse a mulher, ela piscou várias vezes, parecia perdida e definitivamente atraída por mim o que era obvio, continuei sorrindo.

–O nome dela é Serena Sparks, ela está internada por causa do câncer no pulmão.. — A mulher assentiu e logo foi para perto do computador, escreveu rapidamente o nome de Serena e a localizou, virou o monitor para mim e olhei, Serena estava internada no quarto 287, acenei a mulher e pisquei para ela antes de pegar o elevador, subi ao 3º andar e fui rapidamente ao quarto que ficava no corredor a direita, me aproximei da porta e dei três toques com o dedo indicador e abri a porta, adentrei no quarto e olhei Serena em pior estado, dei um singelo sorriso da melhor forma que eu poderia dar, eu já vi muitos morrerem por doenças e me sentia um pouco mal por saber que meu sangue não poderia ajuda-la, ver alguém em seu estado final é cruel e triste, Serena tinha que estar pronta para ''viver'' uma nova vida comigo.

Estava assistindo tediosamente à televisão embutida na parede do quarto. Uma daquelas novelas sem graças. Infelizmente, não tinha como trocar de canal, então continuou assistindo. Ao ouvir a porta ranger, olhava para a mesma, esperando que fosse alguma enfermeira ou doutor vindo lhe dar a dose de remédios daquele dia.

– ...Ah! — Fazia um gesto de surpresa ao ver Frank. — Você veio.

E bem rápido, até. Pensou, enquanto o via. Observava seu olhar e suspirava.

– Não me olhe assim. Já basta os enfermeiros...

Teve vontade de esconder o rosto, não aguentava mais o olhar de pena dos outros. Odiava essa doença. Odiava tudo isso. Até a comida era ruim.

Me aproximei dela e dei uma breve risada, fiquei do lado de sua cama observando seu traços e vendo como eles estavam se esvaziando e se perdendo, mas ela estava certa toda essa comoção não iria levar em nada.

–Oh, minha querida, viver na guerra te traz muitos traumas e acredite em mim já vi pessoas em estados piores.. -Ergui minha mão direita e a encostei em seu rosto acariciando sua bochecha.

–Você continua jovem e bonita como na primeira vez que lhe vi, mas então me digas o que quer comigo? você mudou de ideia?

Sentiu seu rosto pálido esquentar, ficando vermelho, após o toque carinhoso seguido do elogio. Jovem e bonita... Como soava cômico na sua mente, agora que estava perto da morte.

– Talvez sim... Talvez não. — Ajeitou-se na maca, ficando sentada na mesma ao invés de deitada. — Eu preciso saber o porque você está oferecendo isso para mim. Nunca nos vimos. Acho que até para alguém gentil, isso é suspeitamente gentil demais. Entende? — Sorriu fracamente, achando suas perguntas válidas.

–Serena eu te conheço um bom tempo.. , eu venho a observando todo esse tempo, eu a observei viver sua vida miseravelmente triste. Escondendo sua sentença de morte de seus colegas e amigos, eu a vigiava algumas noites e eu podia dizer em um discurso o quanto amargurada e triste você se sentiu todo esse tempo.. Não me leve a mal , sou um vampiro forte e estou completando em breve 100 anos de existência e quero continuar o legado que Max me passou, eu quero lhe proporcionar uma nova vida assim como ele fez a mim. — Sentei em uma cantinho que sobrava da maca e a olhei, eu matinha meu sorriso galanteador de sempre e tombei a cabeça, agora passava os dias em que eu tirava um pouco do meu tempo para observar Serena.., ela conquistou algo em mim e isso me fez a achar digna de ser a minha progênie.

– ... Oh. Isso é... embaraçoso. Embora bonito da sua parte. — Franzia o cenho, olhando-o.

Começou a se sentir estranhamente envergonhada. Ele a conhecia, mas não sabia nada sobre ele.

– Hm... Espero que entenda o que estou passando nesse exato momento. — Respirava fundo e começava á falar. — Você me abordou naquele dia e me ofereceu uma chance. Não uma chance... Uma solução. Para o meu problema. Eu nunca o conheci, mas você veio a mim e me ofereceu do nada mesmo assim... Não me entenda mal, é realmente um gesto muito nobre da sua parte, mas... O que aconteceria depois que eu me transformasse... a partir de você?

– Eu li sobre... Mas nada melhor do que alguém que já viveu na prática.

–Eu não vou aliviar para você só por que está doente, quando eu te transformar tudo irá virar de ponta cabeça na sua ''vida'', tudo que viveu no passado vai ser esquecido em algumas horas e você vai viver o presente intensamente, você vai sentir uma imensa sede por sangue, será feroz, ágil, forte, mas você sentirá tudo em dobro como: dor, amor, ódio, saudades, tristeza e assim por diante. — Algumas memorias dos meus primeiros dias como vampiro se passaram em minha cabeça e lembro que Max teve trabalho em lidar comigo, eu já era rebelde quando humano e isso triplicou quando me tornei vampiro.

–Vindo de mim será como se eu fosse seu tutor, seu professor, serei o cara que irá ditar as regras a você, eu serei seu superior e seu fiel companheiro para a eternidade. Serei responsável pelos seus atos no ''mundo vampírico'' e no mundo humano. Então assim que aceitar a minha proposta e for transformada iremos viajar, vamos sair de Seattle e iremos para um lugar onde só nos dois podemos ficar e lá te treinarei e quando voltarmos você será como nós, ''Vampiros Civilizados''.

Ouviu tudo de bom grado, feliz por não ouvir eufemismos por causa de sua condição terminal. Gostou disso. A maior parte ouvira de amigos que leram sobre o mesmo que ela sobre a transformação e os efeitos dela no vampiro recém-criado, mas com ele ditando tudo parecia tão vivo... Ela sentia que ele não falava em geral, se referia à ele. usando suas experiências e ditando-as de modo tão forte que era quase palpável. Pela primeira vez em meses, se sentiu atraída por ele. Não pela sua beleza ( certo que ele era galante e lindo ), mas pela sinceridade com que falava.

Após ouvi-lo, ficava alguns momentos olhando-o, mas com ar de pensativa, sem realmente estar o observando. E se... Sim sim, poderia funcionar... Mas não desviaria do objetivo inicial... Seria perfeito, aliás... Pensava consigo mesma, abrindo um singelo sorriso, feliz pela conclusão dos seus pensamentos.

Se recompôs e disse:

– Certo, digamos que eu aceite. O que eu teria que fazer? Assinar algum contrato?

–Oh não, não, mas todo novo vampiro deve assinar o Livro de registros que é feito do Xerife da cidade, é um controle de vampiros do território e é uma tradição ''milenar'' dos vampiros. — Dei um riso de leve com sua pergunta.

–Assim que se transformar você vai se apresentar a Max como mais nova vampira do território dele e irá seguir sua vida guiada por seu criador, assim como Cassie tem feito, o diferencial é que seu criador a largou e Max e nos a tomamos com nossa protegida e progênie. Mas isso nunca acontecerá com você, Max me ensinou tudo o que sei e isso será passado a ti. — Desci a mão de seu rosto e levei ao seu braço direito e o acariciei e me aproximei um pouco mais dela.

–Você vai viver tudo aquilo que sempre quis Serena, vai poder ter a vida de seus sonhos. A sede por sangue nunca para e nunca diminui fique sabendo disso, além que ser vampira irá te dar uma nova chance mas terás que abrir mão de ''regalias'' humanas, como ter filhos... — Isso sempre foi um problema para vampiras, nós homens podemos ter filhos (Oh, se podemos sorte a minha que em 1967 a Janne abortou o bebê antes que eu tivesse virado pai novamente).

–E sobre seus cabelos e sua aparência, fique tranquila quando você voltar na noite seguinte tudo está na sua melhor forma, o vírus te dará um ''up'' e será como era antes do câncer. — Me lembrei quando metade de minhas pernas tinha sido acabadas pelas balas que levei na guerra e no dia em que acordei como vampiro elas voltaram, torneadas e belas como sempre foram.

Ah, claro... O Livro de Registros... Como poderia esquecer? Era como criar uma identidade para ser reconhecido como um cidadão, só que agora vampiro.

Ouvindo a continuação do pequeno discurso, refletia sobre o desejo de possuir filhos. Nunca a atraiu ser mãe. Ou passou pela sua cabeça. Talvez consequência de sua infância, quem sabe... E ainda influenciada pelas altas teorias de excesso populacional que era famosa pelos cientistas em geral. Achava que, se estivesse curada e fosse humana, ainda poderia adotar. Será que teria força de vontade para conseguir adotar sendo uma vampira?

E quanto a aparência, ficava aliviada. Embora não fosse muito vaidosa, era reconfortante a notícia. Na sua mente, a aceitação crescia espantosamente. O que dizer sobre a oferta tentadora daquele estranho charmoso?

– Eu aceitarei esses termos, diante de algumas condições. — Diz, olhando-o séria. — Eu quero morrer naturalmente, sem apressar meu estado. E isso tem que ser depois do baile.

Levantei da cama e a encarei por alguns segundos e assenti, era uma condição justa e uma animação subiu sobre mim, eu finalmente iria me tornar um criador e agora eu teria um propósito e a quem ser fiel a mim assim como sou a Max.

–Certo, condições aceitas, eu lhe darei meu sangue hoje e no dia do baile e assim então terá meu sangue no seu organismo e provavelmente quando você morrer, eu estarei ao seu lado. — Dei três tapinhas leves em sua coxa sem nem sequer atentar pela súbita ousadia.

–Peça ajuda aquele seu amigo de mechas coloridas com o vestido e esteja boa para o baile para o sábado. — Sorri e levei meu pulso próximo a minha boca e minhas presas saltaram de minha boca rapidamente, mordi meu pulso e logo o meu sangue transbordou e vazou para fora, me aproximei de Serena e a levei meu pulso a sua boca deixando o sangue escorrer pelos seus lábios secos e sem cor dando a eles a energia em que precisavam, com a mão livre segurei seu rosto e o aproximei para deixa-la confortável, foi breve e depois de uns dois minutos e afastei meu pulso de sua boca, era o suficiente e a mordida se regenerou em segundos. Me afastei da cama e acenei com a cabeça.

–Até o baile. -me inclinei e dei um beijo em sua bochecha, me ergui de volta e logo sumi com minha velocidade deixando a porta semiaberta e chegando ao carro em um piscar de olhos, liguei a ignição e voltei para o Sexxx Dreams.

Notas finais
Capítulo escrito por: Thiago e Matheus