Blood Brothers

9 Nem tão mal assim


Sarah saia pela porta do dormitório quando Ramon apareceu na sua frente.

– Rose ainda tá dormindo? – perguntou mal conseguindo conter a euforia.

A menina fez uma careta de desprezo pela demonstração de emoção desnecessária.

– Está sim – respondeu e, empurrando a porta, completou – Pode acordá-la, se quiser.

Ramon não hesitou e entrou no quarto quase todo verde, logo localizou Rose em sua cama e se assustou com o contraste que as cortinas verdes faziam com a quantidade de coisas cor de rosa que havia ali. Tinha a boia de dragão, um elefante de pelúcia e até a miniatura de um Elfo. Talvez ela tivesse razão quando reclamava dos presentes que seus pais lhe davam.

Ramon se aproximou da cama e chamou baixo:

– Rose, acorda.

Ela nem se mexeu.

A porta do banheiro abriu de repente deixando sair uma névoa úmida e quente, logo atrás vinha a silhueta de Lola em seu roupão purpura. Ramon se assustou, não havia ouvido o barulho do chuveiro.

– Desculpa, Sarah me deixou entrar, não sabia que ainda estava aqui – disse e ao reparar na roupa da menina completou – Vou sair para você se trocar...

Ela pegou umas roupas sobre a cama e sorriu para ele.

– Não precisa, me troco no banheiro – Lola disse piscando um dos olhos – Mas se quiser acordar a Rose tem que cutucar.

E entrou novamente no banheiro cheio de névoa.

Ramon segue o conselho da menina e cutuca Rose enquanto a chama mais uma vez, ela não se move e ele cutuca mais forte dessa vez.

– Me deixa dormir Sarah – Rose resmungou colocando o cobertor sobre a cabeça.

– Sou eu Rose, Ramon, acorda ai.

Rose descobriu apenas os olhos e se assustou quando viu que Ramon estava sentado ao lado da sua cama a encarando.

– Oi – ela disse esfregando os olhos – Aconteceu alguma coisa? – perguntou confusa pela visita.

Lola saiu do banheiro, tirou a toalha do cabelo e jogou sobre Rose.

– Nada de atracação do dormitório! – falou rindo e saiu.

– Vai se ferrar! — Rose gritou quando Lola já havia saído.

– Beijei a Lily – Ramon falou sem conseguir mais segurar.

– Quê? – Rose achou que não havia entendido bem.

– Beijei a Lily — ele repetiu abrindo o maior sorriso que conseguiu.

Rose soltou um gritinho agudo que pareceu algo como “Aaah! Eu não posso acreditar nesse acontecimento revolucionário e milagroso, Merlin amado!” e se sentou em um pulo.

Ramon gargalhou com a reação da amiga.

– Do que está rindo? – ela perguntou.

– Acorda de bom humor é!? – zoou ela — Nunca te vi tão espontânea.

– Releva né, acabei de acordar – ela respondeu ficando séria – Já contou para o Scorpius?

– Não, vou falar com Alvo antes, ele pode acabar contando sem querer.

– Tem razão.

Ficaram um tempo em silêncio até que Rose jogou o travesseiro com toda a força em Ramon.

– Ei, o que foi!? – ele protestou.

– Me deixou na mão ontem para ficar se agarrando! Fiz o trabalho de transfiguração todo sozinha – ralhou Rose.

Ramon fez uma expressão de culpa.

– Foi mal, nem me lembrava desse trabalho, ainda bem que é em dupla, salvou minha pele.

– Pois é, já perdi a conta de quantos favores me deve, sou uma amiga tão boa que nem cobro.

– Já que é uma amiga tão boa, vai logo tomar banho para a gente tomar café, preciso do seu apoio moral para contar ao Alvo.

– Ele não desconfiou dessa sua cara sorridente? – Rose fez graça.

– Não falei com ninguém desde ontem, você é a primeira.

– Que honra! – ela zoou.

– Fica ainda mais engraçadinha de pijama rosa – Ramon devolveu a zoação.

Rose mostrou a língua em resposta.

– Tudo bem, eu deixo você se esconder no meu dormitório enquanto eu tomo banho. – disse entrando no banheiro.

– Não estou me escondendo! – Ramon protestou, mas ela fingiu não ouvir.

***************

Rose comia sua torrada distraída quando ouviu Ramon anunciar:

– Alvo, precisamos conversar.

Foi tão de repente que ela engasgou a começou a tossir descontroladamente. Alvo a encarou e ela prendeu a respiração tentando disfarçar.

– Pode falar cara – Alvo disse de virando novamente para Ramon.

– Gosto da Lily – ele soltou e pelo menos dez cabeças se viraram para ele na mesa.

Scorpius começou a rir sem controle e Rose ainda se recuperava. Alvo se mexeu desconfortável na cadeira.

– Vamos lá fora – disse entre dentes.

Eles levantaram e saíram do salão, várias cabeças acompanharam o trajeto. Rose desejou ter a capa de invisibilidade para assistir.

– Não acredito que ele teve coragem – Scorpius comentou – O que eu não daria para ver a conversa.

– Isso porque você não sabe a melhor parte – Rose respondeu.

– E o que é?

– Nós beijamos – Lily, que estava parada atrás de Scorpius, anunciou.

– Lily! – Scorpius cumprimentou – Senta aqui — disse abrindo espaço ao seu lado.

Alguns sonserinos torceram o nariz, mas Lily era tão querida que a maioria não se importava com o fato dela ser da Grifinória.

– Então agora é oficial? – Rose fez graça com a prima.

– Não exatamente, mas as coisas estão mudando muito. – ela respondeu sorridente.

– Graças a Merlin, já não aguentava mais seu mau humor!

Lily mostrou a língua em resposta.

– E vocês, é para quando? – provocou.

– Amanhã, Lily querida, amanhã em Hogsmeade – Scorpius respondeu piscando para Rose, que revirou os olhos.

– E a Alene? – Rose perguntou seca.

– Já resolvi amor, por você eu faço tudo – ele respondeu.

Rose levantou as sobrancelhas, mas não aguentou e riu.

**************

– Porra cara, como você fala isso na frente de todo mundo? – Alvo perguntou irritado logo que saíram do salão.

– Alvo, se acalma, não tenho nada a esconder, eu gosto dela, não é o que queria saber? – Ramon perguntou nervoso, mas querendo sorrir, era por ela e por ela faria qualquer coisa.

Alvo respirou fundo algumas vezes antes de falar novamente.

– O que aconteceu para me dizer isso? – perguntou entre dentes.

Ramon sentiu um calafrio percorrer seu corpo ao pensar nos muitos beijos e carinhos que havia trocado com Lily na noite anterior.

– Nós estamos juntos – respondeu, era seu dia não ia fraquejar.

Alvo voou para cima dele e o segurou pela gola da camisa. Ramon recuou alguns passos, mas apenas para tomar coragem.

– Se acalma – falou tirando a mão do amigo da sua camisa.

– Você beijou a minha irmã!

– Desculpa cara, mas eu gosto dela, sei que você é meu amigo e não quero perder sua amizade, mas eu gosto dela. Não quero ter que escolher entre os dois, mas eu não posso deixar nem você nem ninguém me impedir de viver isso.

Alvo tinha uma das mãos na boca e os olhos no chão, não se moveu e Ramon continuou.

– Nunca me senti assim antes, não posso evitar ficar perto dela, é impossível. A Lily é tão linda e tem uma personalidade tão divertida. Ela é perfeita cara, não posso me afastar... Não consigo, mesmo se quiser – desabafou.

Alvo ainda mantinha a posição e depois de um tempo de silêncio fez um movimento brusco que fez Ramon achar que ele avançaria nele, mas na verdade o abraçou.

– Tudo bem – Alvo disse quando se separaram – Se tem que ser alguém, que seja você.

– É sério cara?

– É sim, mas se em algum momento você a fizer sofrer, eu mato você – avisou.

– Nunca vai acontecer.

Ramon não podia acreditar, achou que não era possível, mas estava ainda mais feliz do que antes.

***************

A noite na sala comunal, Rose brincava colocando e tirando o dedo para um diabrete tentar morder, às vezes ele pegava e ela o estrangulava em troca, fazendo o bichinho ficar com ainda mais vontade de atacá-la.

– Ele vai acabar te mordendo feio – Alvo avisou.

Rose não havia visto ele se aproximar e sorriu ao perceber que ele estava falando com ela por conta própria.

– Onde arruma essas coisas? – ele perguntou.

– James me deu, ele pegou para perturbar umas garotas.

– Sempre ele.

Rose parou de olhar para o diabrete e focou o rosto de Alvo um momento, foi o tempo de o bichinho agarrar em seu dedo médio e morder com toda a força. Ela soltou um gritinho de dor.

– Filho da mãe! – exclamou enquanto o estrangulava com a mão boa.

– Não faz isso, ele vai ficar com mais raiva.

– Não importa, olha o que ele fez – Rose respondeu mostrando do dedo sangrando.

– É um diabrete né, esperava um beijinho? – Alvo brincou – Vem cá, me deixa dar um jeito nisso – completou pegando a mão machucada dela.

Ele fez um movimento com a varinha e os vários cortes pequeninos que os dentinhos haviam feito desapareceram.

– Obrigada futuro medibruxo da família — Rose agradeceu.

– Sempre a disposição – ele respondeu e sentou numa poltrona ao lado de Rose.

Rose colocou o diabrete dentro de uma gaiola e tapou com um lenço para ele sossegar.

– Você já sabia? – Alvo perguntou depois de uns minutos.

– Do que?

– Lily.

– Ah! Não... Quer dizer, fiquei sabendo meia hora antes – Rose respondeu, Ramon já havia lhe contado o que tinha acontecido entre ele e Alvo.

– Ele fez o que eu esperava, não tinha como reagir de outro jeito – Alvo disse tentando justificar a permissão.

– Eles ficam bonitinhos juntos – ela disse.

– Pelo menos não brigam mais – ele concordou.

– Vou sentir falta...

Alvo encarou Rose incrédulo.

– Vai sentir falta deles estragando nossas festas?

– Uma briga de alter egos de dragões cuspidores de fogo inimigos mortais não é tão comum! – ela justificou e os dois começaram a rir.

Devagar foram retomando o fôlego até que estavam sérios encarando um ao outro.

– Senti sua falta – ela disse.

Alvo sorriu, “Você não sabe o quanto” pensou.

– Quer ajuda em Runas? – ele ofereceu.

– Com certeza. Não entendi absolutamente nada na última aula.

– Vou buscar os livros – ele disse se levantando.

Quando Alvo virou as costas, Rose não pode evitar o sorriso. Talvez as coisas não estivessem tão ruins assim.

***************

Scorpius havia perdido o jantar, ficara conversando com Lily e Ramon nos jardins e acabou perdendo a noção do tempo. Estava muito satisfeito por eles serem finalmente um casal, ele e Lily sempre se deram bem e Ramon era como um irmão. Ver os dois se beijando ao invés de gritando um com o outro era uma grande evolução.

Os chamou para ir à cozinha, mas eles estavam mais interessados em se alimentar da saliva um do outro. Scorpius resolveu ir dormir assim mesmo, talvez Alvo tivesse algum chocolate no dormitório.

Encontrou Alene e Joan no Saguão de entrada. Quando se aproximou, acenou para elas e brincou:

– Meninas, essa hora perambulando pelo castelo, vão se meter em problemas. – e continuou andando para as masmorras.

Reparou que Joan cutucou Alene como quem diz “Vai falar com ele”. Estranhou e resolveu perguntar.

– Tudo bem?

– Tudo – Joan respondeu sorrindo e, nem tão disfarçadamente, deu uma leve cotovelada em Alene que e encarou com raiva.

– A gente pode conversar? – Alene disse pouco à vontade.

– Claro.

– Ali – disse Joan apontando para uma sala vazia – Vocês podem conversar ali – completou os empurrando para dentro da sala.

– Te vejo na sala comunal Lene, tchau Scorpius.

Joan virou as costas e saiu apressada. Os dois continuaram olhando a porta onde ela havia passado por algum tempo.

– Desculpe a Joan. – Alene disse.

Scorpius sorriu.

– O que quer conversar? – perguntou ainda sorrindo.

Alene ficou um tempo o encarando, pensando no que dizer, se dizer. A voz de Joan ecoava dentro da sua cabeça “Diz como você se sente, ele não tem como saber se você não falar”. Respirou fundo.

– Estou meio confusa... eu sei que você disse que ter ciúme da Rose não tem fundamento e que você não ia se afastar, vocês são amigos desde sempre e eu entendo isso – ela começou e Scorpius parou de sorrir, mas continuava a encarando amável.

Ela respirou profundamente mais uma vez e continuou.

– Não quero te afastar dos teus amigos, mas faz alguns dias que não me procura e vejo você agindo diferente com ela, não exatamente como amigos agem...

Scorpius não sabia o que dizer e optou por continuar em silêncio.

– Pode parecer que eu estou te cobrando alguma coisa, mas não é isso, sei que não estamos namorando, mas achei que estivéssemos juntos...

– Estamos juntos – Scorpius interrompeu sem pensar.

– Você até desmarcou de ir a Hogsmeade comigo... Disse que não vai, mas eu sei que vai com ela.

– Desculpa – foi tudo que Scorpius conseguiu pensar em dizer.

– Não quero que me peça desculpas, quero que seja sincero comigo, estou te falando como me sinto, porque não faz o mesmo? – Alene disse olhando dentro dos olhos dele.

– Você é uma garota incrível Lene, não quero te magoar e, sinceridade não é bem o meu forte.

– Não custa tentar... – ela insistiu num meio sorriso triste.

Scorpius encarou os olhos castanhos profundos da menina. “Por esses olhos vale a pena tentar” pensou.

– É confuso para mim também Lene, eu gosto de estar com você, conversar, ouvir sua risada, te beijar, gosto de você... – ele disse e viu um sorriso nascer no rosto da menina, tinha que continuar – Mas a Rose... Ela sempre foi como um sonho sabe, nunca achei que realmente ficaria com ela, mas sempre tentei, nunca parei para pensar sobre isso e vivia bem assim. Até que apareceu você e foi diferente, não foi como sempre, fiquei mais feliz e não tinha mais vontade de sair com as outras garotas.

Scorpius encarava a parede ao lado e suspirou pesadamente.

– Continua, está indo bem – Alene incentivou.

Ele a olhou e abriu um meio sorriso.

– De repente a Rose mudou, pareceu menos interessada no Alvo, ela sempre ficava falando o tempo inteiro dele quando ele não estava perto e isso não acontecia mais. De repente ela pareceu incomodada com a forma que eu falava de você e eu percebi que poderia ser ciúme, que ela poderia estar gostando de mim.

– Você gosta dela?

– Não sei, gosto de você, mas não sei o que sinto por ela. E é esse o problema, preciso descobrir. Quando era criança sempre disputava com Alvo quem casaria com ela.

– Menina de sorte – Alene comentou triste.

– Lene, eu não quero que fique assim, nunca quis te magoar, queria poder evitar tudo isso... Eu gosto de você.

– Mas ainda prefere ficar com ela não é? – ela perguntou com os olhos avermelhados.

– Preciso descobrir. Não estou te pedindo para esperar, seria absurdo. Mas preciso dessa chance, para não me arrepender depois, não posso não tentar.

– Só queria entender e agora eu entendo. Tudo bem, vou me deitar.

– Sabe de uma coisa? – ele disse quando percebeu que ela iria embora – Você tinha razão sobre a Lily e o Ramon, eles são um casal agora e eu estou faminto porque passei a hora do jantar com eles. Não quer ir até a cozinha? Tem uns bons petiscos lá! – convidou-a, não sabia bem porque, mas no momento só pensava em ficar um pouco mais com ela.

– Sério que sabe como chegar lá? – ela perguntou surpresa.

– Não faz ideia do quanto conheço esse castelo.

***************

– Vamos para a sala comunal? – Ramon sugeriu a Lily.

Eles estavam desde a hora do jantar fugindo e se escondendo pelas salas e corredores do castelo.

– Claro que não, você não vai passar despercebido. – Lily respondeu rápido.

– Estou falando da comunal da Sonserina, é obvio que não pretendo entrar em uma sala vermelha e dourada.

– Ah sim! E porque eu iria para a sua sala comunal fria e verde? – ela parou de repente colocando as mãos na cintura.

– Por que ninguém vai te dedurar lá!

– Não importa, não gosto das masmorras.

– Ei – ele disse a puxando para um beijo – Só não quero que seja pega.

Ouviram barulho de passos se aproximando e Ramon a puxou para dentro de uma sala onde permaneceram em silêncio até os passos não serem ouvidos mais.

– Viu só, se não houvesse essa sala estaríamos ferrados – ele comentou.

– Espera um pouco – Lily falou olhando em volta – Essa sala não existe!

– Nós estamos nela Lily, como pode não existir?

– Existe, mas não o tempo inteiro, é a Sala Precisa, aparece quando você precisa dela. Devem ter reconstruído, meu pai disse que foi destruída na guerra.

– Ok, velhas histórias da família...

– Você fala como se não os conhecesse.

– Acho que da próxima vez que seu pai me ver ele não vai ser tão amigável.

– Bobagem. Fecha os olhos. – Lily pediu.

– Para quê?

– Fecha logo!

Ele fechou os olhos e ela fez o mesmo enquanto desejava com todas as forças que a sala se transformasse. Ela abriu os olhos primeiro e ficou tão impressionada com o que viu que exclamou:

– Ual, isso é incrível!

Ramon abriu os olhos e viu que sala havia ficado incrivelmente menor, havia uma poltrona enorme que parecia ter sido feita para o Hagrid, uma TV de trouxas também grande, muitas caixas do que pareciam ser filmes trouxas, ele já havia visto alguns na casa dos Potter, havia também um tapete felpudo e várias almofadas.

– Você fez isso? – ele perguntou.

– Parece que sim.

– Sempre quis ver um desses filmes. – Ramon contou.

Lily estava olhando com atenção caixinha por caixinha.

– Olha o que tem aqui. – disse jogando uma caixa para Ramon.

“O Exorcismo” ele leu na capa preta e vermelha.

– O que é exorcismo? – ele perguntou confuso.

– Algo bem assustador! – ela respondeu.

– É real?

– Acho que não, sei lá, não acredito muito em demônios.

– Demônios? Não vai ficar com medo?

– Se eu ficar, terá que dormir comigo! – ela respondeu sorrindo.

– Sério? – Ramon perguntou com um sorriso safado e ela concordou. – Veremos muitos filmes assustadores daqui para frente!

Lily lhe deu um tapa em resposta, mas ele não ligou, a puxou e beijou profundamente.

***************

– Essas mesas parecem as do salão principal – Alene observou enquanto comia um bolinho.

– Elas ficam abaixo, os elfos põem a comida aqui e ela aparece lá em cima.

– Incrível! Tenho que trazer a Joan aqui. Não tem problema, não é?

– Claro que não, sempre venho aqui quando estou com fome. Os elfos adoram, tem uma que é muito amiga da Rose – ele falou e percebeu que o sorriso de Alene sumiu.

– Desculpa, foi em querer... – ele disse sem graça.

A menina balança a cabeça e volta a sorrir.

– Senhor Malfoy, as tortinhas – uma pequena elfa chamou por Scorpius com uma bandeja nas mãos.

– É Scorpius Ellora, já te disse. – ele corrigiu pegando uma tortinha de carne de dragão e comendo a metade.

– Essa é a melhor de todas – disse levando a outra metade até a boca da Alene, mas a menina fez uma careta.

– Não quero, odeio carne de dragão!

– Impossível alguém não gostar disso. – ele disse comendo a outra metade.

– Eu não gosto. Tem suflê de rins aqui? – ela perguntou para a pequena elfa.

– Temos sim, senhorita – ela respondeu e estalou os dedos fazendo aparecer um grande suflê.

– Isso sim é comida – Alene falou colocando uma colher do suflê na boca.

– Deve ficar bom junto, seu prato preferido e o meu. – Scorpius falou já colocando uma colher de suflê sobre uma tortinha. – Hum, Uma delícia!

– Que nojo!

– Que isso, você nem provou, só prova vai – ele insistiu levando a tortinha até a boca dela.

Alene ao invés de morder a tortinha, tentou pegar só o suflê com a boca. O que acabou sujando um pouco seu rosto.

– Ei espertinha, assim não vale – ele a censurou – Sujou todo o rosto.

Ele fez como se fosse limpar para ela, mas Alene foi mais rápida e se limpou antes. Ficaram um tempo se encarando. Várias coisas se passavam pela cabeça dela, mas o pensamento que mais claro era “Beije-o”. Balançou a cabeça e tomou um pouco de suco de abóbora. Ele ainda a encarava.

– Bigodinho – ele disse, se aproximou mais um pouco e passou a mão nos lábios dela.

Ela riu sem graça. “O que ele tá fazendo?” pensou.

– Adoro as suas sardinhas, sabia? – Scorpius falou enquanto acariciava as bochechas da menina.

E sem prévio aviso a beijou, ela, meio surpresa meio feliz, correspondeu à altura. Mas antes que pudesse aprofundar o beijo ele se afastou. Scorpius mantinha os olhos fechados e a cabeça baixa.

– Lene eu não... não queria. – disse – Na verdade eu queria sim... mas... eu não... Desculpa Lene. – disse por fim e saiu da cozinha ainda abalado deixando para trás uma Alene bem pior.