Blood Brothers
10 Hogsmeade - I
Scorpius, Rose, Lily e Ramon saíam do castelo em direção aos jardins, onde os alunos se organizavam para ir à Hogsmeade.
– Rose, eu preciso te falar uma coisa. – Scorpius tentou chamar a atenção.
Ela não respondeu, estava distraída rindo das reclamações de Lily sobre o penteado de Ramon, ele tinha o cabelo trançado junto à cabeça hoje.
Scorpius esperou ela fazer seu comentário e a chamou novamente:
– Preciso falar com você.
Dessa vez ela percebe e o encara em uma pergunta muda.
– Sozinhos. — ele disse olhado para o casal que se beijava.
– Eles nem estão ouvindo. — Rose respondeu ao observar os dois.
– É importante. — Scorpius falou parecendo aflito.
Ela concordou e o pegou pela mão com a intenção de levá-lo a outro lugar, mas a voz da diretora a parou.
– Atenção todos, por favor, se dirijam as carruagens para embarcarmos a Hogsmeade.
Rose se virou para Scorpius e deu de ombros.
– Me fala lá. — disse.
Scorpius quase não acreditou, precisava contar logo. Ela o estrangularia de qualquer jeito quando soubesse que ele havia beijado a Lene, seria melhor que fosse o quanto antes, enquanto ainda poderia ficar pelo castelo. Estava absolutamente ferrado.
Quando chegaram, Lily sugeriu que fossem tomar um sorvete. Era a primeira vez de Lily com os alunos em Hogsmeade e acabou que eles concordaram em fazer sua vontade. Foram até a sorveteria que havia sido aberta há pouco tempo. Com o frio que fazia não era de se admirar que estivesse vazia, mesmo com o sabor Gelo Quente, o preferido de Lily, que prometia gelar a boca e aquecer o corpo, a sorveteria não era muito atrativa no meio daquele gelo todo.
A ruivinha não escolheu seu favorito, mas um de menta com framboesa e colocou a cobertura da casa Lava Vulcânica, que prometia o mesmo efeito do sorvete quente. Ramon escolheu um de pistache, Scorpius e Rose o mesmo, torta de abobora com chocolate.
– Que espécie de sorvete é esse Lily? — Ramon provocou ao perceber a cor mesclada de verde e vermelho quase cintilantes.
– A melhor espécie, sabores inventados pelo Sr. Waber, ele é muito bom nisso, deveria experimentar. – Lily respondeu sem se importar com a careta que ele fez.
– Prefiro meu pistache. — Ramon disse convicto.
– Na minha opinião parece amendoim – ela provocou.
– Não parece não! — ele rebateu, parecendo ofendido.
Rose e Scorpius se entreolharam como quem diz “Isso não vai dar certo”.
– Bom, para mim parece. E se quer saber, também acho bem comum e o que é comum, é sem graça. — Lily falou comendo seu sorvete sem se abalar.
– Qual é o seu problema com o meu sorvete? Eu sou uma pessoa comum! — Ramon falou já mudando um pouco o tom.
– Só acho que deveria experimentar, nunca mais ia querer pedir um desses – ela falou apontando com desdém para o sorvete do menino.
– Não quero, gosto do meu. – disse sério.
– Não tem coragem sonserino? — Lily perguntou carregando de ironia a última palavra.
– Lily! — Rose chamou sua atenção, mas ela não ligou.
– Tudo bem é só admitir, temer não é defeito para um sonserino. — Lily continuou provocando, rindo.
– Lily, tem três sonserinos com você na mesa. — Scorpius informou.
Ela abriu mais o sorriso.
– Três pessoas a quem falta coragem. — completou e soltou uma risada sonora.
Antes que terminasse de rir, sem preparo nem aviso Ramon bateu com o sorvete no nariz da menina lambuzando todo seu nariz de verde claro. Rose e Scorpius começaram a rir imediatamente.
– Porque fez isso? — Lily perguntou parecendo prestes enlouquecer.
– Disse que não tenho coragem, provei o contrário. — Ramon se justificou também querendo rir da face irritada e toda lambuzada de sorvete que Lily exibia.
Ela parecia a ponto de azará-lo e Rose afastou um pouco a cadeira da mesa esperando pelo pior. Mas Lily surpreendeu a todos quando enfiou o sorvete dela com toda a força dentro do rosto de Ramon. O tempo estacionou por um momento, o clima ficou tenso, os dois ficaram sérios se encarando por um momento e, de repente, começaram a rir.
E sem que Rose ou Scorpius esperassem, Ramon deu mais uma vez com o sorvete do rosto da menina e ela, claro, revidou. Rose e Scorpius se entreolharam novamente e ela fez sinal para eles saírem de lá. E foi o que fizeram sem o casal todo sujo nem perceber.
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Alvo andava ao lado de James, o irmão o havia dito que era realmente importante o que tinha para lhe dizer. Não estava levando muita fé, mas ele parecia mesmo ansioso.
– Vamos até o meu dormitório, lancei vários feitiços lá, é mais seguro. — James sugeriu andando como um agente secreto.
– Tudo bem, mas porque tudo isso? — Alvo perguntou não entendo o motivo de tanta dramatização.
– Você vai entender. — James respondeu e Alvo deu de ombros.
Os dois continuaram o caminho em silêncio, haviam poucas pessoas no castelo, apenas os alunos dos primeiros anos.
Quando chegaram à sala comunal da Grifinória não foi diferente, só havia crianças ali e a maioria olhava admirada para Alvo, o que o incomodou um pouco.
– Porque estão me olhando assim? — perguntou a James.
– Cara, você parece uma fotocópia do papai na sua idade, junto com Grodrico Griffindor e o diretor do qual você herdou o nome ele é quem mais fez história por aqui.
– Fico feliz por ser da Sonserina. — Alvo pensou alto.
– Por quê? — James perguntou sem entender.
– Talvez se eu viesse para cá ficasse convencido como você.
James riu do comentário.
– Vai sonhando maninho, vai sonhando. — disse bagunçando os cabelos de Alvo.
Entraram no dormitório de James e Alvo se surpreendeu com a organização e a claridade do local. Preferia mil vezes os vitrais para o lago do que todo aquele sol entrando pelas janelas. Com 11 anos queria ir para a Grifinória e hoje não conseguia nem medir o quanto era grato ao Chapéu seletor por aquele não ser o seu dormitório.
James se sentou na cama arrumada e indicou a cadeira vermelha ao lado da cama para Alvo, que se sentou também.
– Primeiro queria te pedir para não me julgar. — James começou – Eu descobri quando tinha 10 anos e você sabe como a mamãe pode ser assustadora, ela me assustou muito no dia, o suficiente para eu falar só hoje, seis anos depois. Não foi minha culpa.
Alvo o encarou surpreso. James parecia aflito e ao mesmo tempo empolgado.
– Não tenho porque te julgar ou culpar. — Alvo respondeu impaciente.
– Espera eu contar para dizer isso.
– Então fala logo! — Alvo ordenou.
James respirou algumas vezes.
– Tudo bem, eu tinha ganhado umas orelhas extensíveis do tio Jorge e estava testando quando ouvi mamãe e tia Mione conversando, no começo parecia qualquer bobeira de mulher, sobre filhos, casa...
– Direto ao assunto. – Alvo cortou a narração.
– Cara, você é muito chato! Sempre quis contar isso! — James se defende.
– Depois você conta essa versão, no momento eu prefiro a objetiva.
James soltou um muxoxo e disse de uma vez:
– Ok, ouvi tia Mione e a mamãe falando que Rose e Scorpius são irmãos gêmeos.
Alvo achou que não havia ouvido direito, sua primeira reação foi perguntar desesperado:
– Que? Scorpius é filho da tia Mione e do tio Ron?
James sorriu com a ideia.
– Não cara, pior. Rose e Scorpius são filhos da tia Mione com Draco Malfoy.
Alvo arregalou os olhos, não conseguia imaginar como isso seria possível. Sua cabeça parecia querer explodir. Rose não era uma Weasley, não era sua prima, era irmã de Scorpius, irmã gêmea. E o mais importante, ela não podia estar apaixonada por ele, era seu irmão.
Apesar da surpresa absurda, sentia um alívio no peito. Rose realmente o amava, só estava com ciúmes do Scorpius, completamente aceitável já que ele sempre foi mulherengo e de repente começou a pagar de apaixonado. Ela era dele. Mas estava com Scorpius agora, podia estar o beijando, beijando seu irmão. Alvo tinha que impedir.
– Precisamos ir a Hogsmeade. — declarou se levantando e tentando arrastar James.
– Ei, calma ai, por quê? O que houve? — James perguntou confuso tentando resistir aos puxões que o irmão lhe dava.
– Rose está com Scorpius em Hogsmeade. — Alvo disse como se explicasse tudo.
– E dai? — James perguntou conseguindo se soltar de Alvo.
– Você não entende, eles estão juntos. — respondeu exasperado e tentou novamente segurar James, mas ele esquivou.
– Eles sempre estão juntos, são amigos. – James disse ao irmão, não entendia qual era o problema de Alvo.
– Idiota. Como um casal, estão juntos como um casal. — Alvo falou quando finalmente conseguiu segurar James pela camisa.
– Merlin! — James gritou pegando na blusa de Alvo também e o encarando – Temos que impedir! Precisamos chegar o mais rápido possível.
E os dois irmãos saíram disparados pelo dormitório.
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– Para onde agora? — Scorpius questionou.
– Que tal Gemialidades Weasley? — Rose sugeriu.
– Boa ideia, pregar peças vai nos aquecer um pouco.
– Vamos. — ela disse o pegando pela mão e seguindo para a loja.
Existia uma filial da loja no local onde foi um dia a Zonko's.
Rose e Scorpius olhavam novidades nas prateleiras, quando um grande barulho e uma nuvem de fumaça surgiu no ambiente, Jorge apareceu entre ela.
– Oi Crianças. — ele cumprimentou se curvando.
– Tio! — Rose o abraçou – Como fez isso?
– Na verdade eu só aparatei, essa fumaça é uma das minhas invenções. Fica bem respeitável, não é?
Rose e Scorpius riram e concordaram.
– Então, primeiro passeio a Hogsmeade do ano? Precisando de estoque? — Jorge perguntou.
– Sim, estávamos pensando em pregar umas peças para espantar o frio. — Scorpius falou.
Jorge sorriu.
– Conheço esses rostinhos, mas cuidado com quem usar, tem bruxos perigosos por aqui. — ele disse e os meninos concordaram – Querem saber? Vocês parecem responsáveis. Pelos meus tempos, vou dar a vocês uma coisa em que ainda estou trabalhando. Venham comigo.
Rose e Scorpius sorriram um para o outro, teriam algo exclusivo, melhor do que imaginavam. E seguiram Jorge, que os levou até o seu escritório. Rose já havia estado no do Beco Diagonal, mas não nesse. Era bem menor, mas tinha muito mais coisas espalhadas para todos os lados. Parecia mais um depósito.
– Eu gosto de criar aqui. — Jorge falou como se lesse os pensamentos da sobrinha – Me sinto mais próximo de Hogwarts.
Ele ficou algum tempo sem falar nada enquanto Rose e Scorpius fuçavam as pilhas de coisas envolta.
– Vamos aos negócios. — Jorge falou de repente indicando as duas cadeiras na frente de sua mesa a eles.
Eles se sentaram e Jorge tirou uma caixa de madeira de debaixo da mesa e a colocou sobre.
– Esses – disse enquanto segurava pequenas bolinhas verdes espinhosas entre os dedos – São os Fumitos.
– Não gostei do nome. — Rose disse.
– Também não, pode rebatizar depois de usar. — Jorge concordou.
Rose sorriu com a ideia.
– O que eles fazem? — Scorpius perguntou pegando um nas mãos.
– Tem que tomar muito cuidado, porque eles são realmente perigosos...
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– Agora que já provei minha coragem é a sua vez, Casa dos gritos? – Ramon perguntou a Lily enquanto andavam pelo vilarejo.
– Não, lá não tem nada de assustador! –Lily rebateu.
– Que isso! – Ramon disse parando e a pegando pela cintura – É o local mais mal assobrado de toda a Grã-Bethânia, como pode dizer isso?
– É a verdade, não passam de lendas.
– Então vamos lá para você provar que não tem medo. – Ramon provocou.
– Não preciso provar nada. – Lily foi firme.
– Tem razão, mas você sabe não indo vai deixar a questão em aberto e terá que admitir que tem medo. – Ramon disse ainda a segurando pela cintura.
– Não vou e nem vou admitir.
– Ah é? – ele perguntou posicionando os dedos nas costelas da menina.
– Uhum. – ela respondeu, era um desafio claro.
Ramon estreitou os olhos e começou a fazer cócegas nela.
Lily começou a rir descontroladamente e pediu para que ele parasse entre as risadas, Ramon fez mais devagar, mas não parou.
– Admite o medo? – ele perguntou.
– Não. – Lily respondeu entre risadas.
Ele aumentou o ritmo das cócegas, mas Lily não se rendia, já estava ficando roxa e sem que Ramon esperasse, a menina juntou toda sua força e passou uma das pernas pelos tornozelos dele. Ramon foi com tudo para o chão e como ainda segurava Lily, levou-a junto.
Lily caiu sobre Ramon, que estava com as costas na neve batida, eles gargalhavam. Lentamente suas respirações foram voltando ao normal, o riso foi se transformando em sorriso, que por sua vez foi cansando aos poucos restando apenas uma sombra em ambos os lábios.
– Você é tão perfeita, como posso não ter percebido? – ele perguntou acariciando o rosto dela.
– Realmente, não sei como não percebeu. – Lily sorriu maldosa.
Ele sorriu e aproximou ainda mais seus rostos, através das camadas de tecido podia sentir a neve sob suas costas, mas não se importava. Havia um corpo pequeno e incrivelmente quente sobre o dele. Ela fazia ele se sentir como numa enorme banheira quente.
– Fico louco com esse seu sorriso negro. – Ramon disse quase colando os lábios nos de Lily.
Ela acabou com a distância que ainda existia e o beijou, era irresistível. Ramon a apertou mais contra o corpo e escorregou uma das mãos para o pescoço delicado e a sentiu estremecer. Lily sentia como se pudesse permanecer ali para sempre, nos braços dele, o beijando, não poderia haver nada melhor.
– Lily! – James gritou horrorizado quando visualizou a irmã deitada sobre um garoto aos beijos. – Zabini? – ele não acreditou no que via.
Lily se assustou com o grito do irmão e levantou rápido, Ramon também se levantou e bateu a neve das vestes. Lily estava vermelha, Ramon pensou que fosse por vergonha, mas quando a ouviu falar viu que era de raiva.
– James – ela disse em um tom ameaçador – O que quer?
James parecia a ponto de explodir. Nem encontrava palavras para se expressar.
– O que vocês pensam que estão fazendo? Deitados ai se... se beijando! – ele disse gesticulando exasperado.
– Cuida da sua vida James! Você não tem nada haver com isso. – Lily foi firme.
James não estava acreditando no que acontecia, Alvo chegou a achar que ele pegaria Lily no colo e a levaria com ele.
– Como não? Você é minha irmãzinha! E você, o que acha que está fazendo? – perguntou se dirigindo a Ramon.
Ramon arregalou os olhos, nervoso, não sabia como agir para minimizar os problemas e antes que pudesse pensar em algo útil, Lily respondeu por ele.
– Não te interessa James! – ela disse e levantou os olhos para o céu – Porque tenho que ter dois irmãos? Vocês podiam ser meninas, tornaria minha vida tão mais fácil.
– Deixa isso para lá cara. – Alvo falou colocando a mão no ombro do irmão.
James o encarou confuso.
– Você sabia? – perguntou, mas Alvo não respondeu.
– Você sabia! – afirmou dessa vez – Que traição! – James estava desolado.
– Não importa – Alvo disse sério – Temos que ir.
– Mas é a nossa irmãzinha – James disse apontando para Lily – Como pode?
Alvo balançou a cabeça.
– Depois resolvemos isso cara, precisamos achar Rose e Scorpius. – ele disse nervoso e James despertou.
– Tem razão. Vocês os viram? – ele perguntou ao casal.
Lily virou as costas para o irmão, mas Ramon respondeu.
– Na sorveteria, acho que uma hora atrás. – informou.
James avançou até ele, retirou a varinha das vestes e a apontou, quase encostando, para o rosto de Ramon. Alvo o pegou pela manga.
– Vamos logo cara! – disse ao irmão.
James concordou com a cabeça, abaixou a varinha e saiu andando com Alvo atrás. Antes que se afastasse muito ele parou no caminho e virou, apontando novamente a varinha para Ramon.
– Essa conversa não terminou. – disse e rapidamente voltou a se afastar caminhando.
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