Blood Brothers
7 Deixando rolar - II
Notas iniciais
Scorpius chegou ao corredor do banheiro dos monitores sem grande dificuldade, nesse horário muitos alunos ainda circulavam pelo castelo. Quando ele disse a senha a porta não se moveu, a primeira coisa que pensou foi que a haviam trocado, mas não saberia explicar porque, resolveu tentar abri-la.
– Alohomora – sussurrou e para sua surpresa a porta abriu.
No momento que entrou no banheiro percebeu que já havia alguém ali e certamente era por isso que a porta estava trancada, iria dar meia volta e sair silenciosamente antes de arrumar uma detenção. Mas algo o distraiu, havia uma touca preta ao lado de vestes da sonserina jogadas no chão, e ao olhar na direção da banheira reconheceu os cabelos castanhos dourados volumosos de Rose jogados na borda.
– Estamos em sintonia hoje – ele disse em voz alta, antes de pensar.
Rose, que no momento quase cochilava, se levantou no susto apontando a varinha para Scorpius.
O menino paralisou por dois segundos com a visão da amiga nua, e então se sentiu profundamente envergonhado e virou de costas ao mesmo tempo em que acenou com a varinha, fazendo aparecer em Rose um biquíni azul que lhe coube perfeitamente.
– Me desculpe! — ele falou desesperado ainda sem se virar – Sou um idiota, desculpa Rose, eu não queria, devia ter imaginado que estaria assim, era óbvio, me desculpa! Sou realmente um idiota!
Scorpius estava sem reação, não tinha coragem de se virar, já tinha visto garotas nuas, não era inexperiente, mas com Rose nunca imaginou que pudesse acontecer algo assim. Ela era perfeita, muito mais bonita do que parecia por debaixo das roupas ou do que sua imaginação poderia criar, mas para seu espanto ele não se sentia excitado, se sentia chocado e muito envergonhado, era como se tivesse feito algo realmente proibido, algo condenável.
– Acho que é seguro se virar agora – a menina falou depois de um tempo, tentando passar segurança, mas sua voz tremeu.
Scorpius sentiu um arrepio ao ouvir a voz dela, foi como se confirmasse que o que havia acontecido era real, não era imaginação, ele tinha visto Rose nua e agora precisava se virar para encará-la. Então, lentamente ele se virou para a amiga, Rose não estava mais dentro da banheira, se encontrava a menos de dois metros dele, não olhava em seus olhos e tinha a face muito vermelha, Scorpius teve a sensação que a dele estava igual ou pior.
– Desculpa! – ele repetiu – Eu realmente não queria...
– Eu sei, tudo bem, mas você não devia entrar em banheiros trancados – ela brincou e Scorpius ficou ainda mais vermelho – Obrigada pelo biquíni – completou e sorriu sem graça.
Scorpius sorriu de volta e eles ficaram parados, ambos olhando para o chão, sem coragem de se falar por quase meia hora ou talvez tenham sido apenas alguns minutos, não saberiam precisar. Foi tempo suficiente para que o déficit de memória recente de Rose fizesse seu trabalho e ela voltasse a agir como se nada tivesse acontecido.
– Já que você teve a mesma ideia que eu, acho que posso dividir essa humilde banheira contigo – Rose disse sorrindo para Scorpius, que ainda se sentia muito inseguro – Desde que você esteja de sunga, é claro.
Ele riu, mas não respondeu.
– Está de sunga? — foi mais direta.
Scorpius afirmou com a cabeça e Rose apontou sua varinha para ele fazendo suas roupas desaparecerem, ela evitou olhar para o corpo do menino, não queria piorar a situação.
Entrou novamente na banheira e vendo que ele ainda estava parado no mesmo lugar apontou novamente a varinha para o amigo.
– Aguamenti – ela falou e saiu um jato de àgua da sua varinha que molhou Scorpius.
A menina gargalhou com a cara que ele fez e Scorpius foi correndo em sua direção e pulou dentro da banheira.
– Aqua Eructo – ele disse e criou um jato de água muito maior que derrubou Rose dentro d’água ao mesmo tempo em que criou um escudo em volta de Scorpius.
Scorpius observava a superfície cheia de espuma por trás de seu escudo d’água, esperando a hora em que Rose levantaria para revidar, ela estava demorando e ele começou a se preocupar, quando seu escudo já afinava, não pode ver exatamente o que aconteceu, pois Rose levantou e gritou:
– Bombarda – e a água que formava o escudo jorrou por todo o banheiro com tamanha força que Scorpius foi arremessado para trás.
A brincadeira estava ficando séria, Rose não admitia erros e era ainda mais rígida consigo mesma, já Scorpius adorava tira-la do sério e sabia que ganha-la era o melhor jeito de fazer isso.
– Levicorpus – Scorpius disse ao se levantar, mas Rose foi mais rápida.
– Protego – a menina falou e o escudo não deixou o feitiço de Scorpius atingi-la.
– Aequora Teggo – ele revidou e um paredão de água se formou ao seu redor e foi deslizando em direção a Rose.
Ela lançou novamente o Protego, mas ele não impediu a massa de água que se desfez sobre a menina fazendo-a sumir no meio daquele volume imenso.
Dessa vez, Rose demorou um pouco mais para se levantar, e quando o fez Scorpius apenas a encarou, sem escudo, ela tinha no rosto um sorriso sádico e ele teve a sensação de sentir um pouco do mesmo.
– Rictusempra – ela falou contraindo o rosto num sorriso vitorioso e Scorpius imediatamente começou a gargalhar, se dobrando sobre o próprio corpo quase encostando o rosto na espuma sobre a água.
Ele não conseguia executar o contrafeitiço, ainda não sabia feitiços não verbais e não conseguia nem ao menos respirar, quanto mais falar.
– Quando resolver que eu ganhei é só levantar os braços em rendição – Rose falou rindo tanto que parecia ter sido atingida pelo próprio feitiço.
Scorpius a olhou gargalhando e com os olhos em fendas causando uma expressão indecifrável, mas ela continuou impassível.
– Você sabe que eu não vou desistir – ela avisou.
O menino, que já estava começando a ficar roxo, lentamente levantou os braços e Rose no mesmo momento disse:
– Serenus – e Scorpius se acalmou gradativamente.
Eles se sentaram de frente um para o outro dentro da enorme banheira.
– Não foi justo, eu não tinha chance de defesa! — Scorpius tentou ralhar com Rose, mas seu riso fazia o sermão perder o efeito.
– Ah, para! Você sempre diz que foi roubado quando perde — a menina respondeu também rindo.
– E você sempre rouba para ganhar.
– Só porque nunca perdi para você? — Rose pergunta.
– Já perdeu sim! Você sempre perde no Paquático — ele constatou sorrindo.
– Isso nem é um jogo de verdade – ela desdenhou.
– É sim, daqui a alguns anos você verá como ficará famoso.
– Scorp, ninguém além de você e Lily acredita que isso possa virar um esporte. É só um pato de borracha enfeitiçado sendo atirado de um lado para o outro – Rose disse revirando os olhos.
– Não é não! É um pato enfeitiçado para evitar os tacos enquanto você deve bater nele com os tacos – Scorpius piscou fazendo um movimento com os dedos indicando o trocadilho — e fazê-lo cair no campo do inimigo, tudo dentro d'água é claro – completou.
– Eu sei bem as regras, já joguei alguma vezes, não é – ela falou irônica.
– Vamos jogar? — ele perguntou com os olhos brilhando.
– Mas só é legal com quatro ou mais – Rose argumentou.
– Achei que só eu e Lily achavamos legal – o menino falou rindo.
– Eu não falei que não era legal, só que não era um esporte de verdade – ela se defendeu e Scorpius riu de como ela nunca admitia um erro – Vamos chamar a Lily e o Mon então?
– Acha uma boa ideia? — Scorpius perguntou inseguro.
– Acho a melhor das ideias! — Rose fala e pegando sua varinha, faz saírem dela dois aviões de papel que voaram para a porta do banheiro e sumiram de vista.
Alguns minutos se passaram enquanto eles conversavam até que Lily irrompeu pelo aposento.
– O que houve Rose? Você está bem? — Lily perguntou um pouco histérica.
Rose sorriu para a prima, Lily não sorriu de volta, passou os olhos pelo local e franziu o cenho quando viu Scorpius submergindo de dentro da banheira.
– O que você escreveu no bilhete? — o menino perguntou quando viu a expressão indignada de Lily.
Rose gargalhou antes de conseguir responder:
– Nada demais, só que precisava dela para uma emergência no banheiro dos monitores...
– E que era tão importante quanto a morte de um ente querido – Lily completou olhando ameaçadora para a prima.
– Foi só para você vir logo – Rose justificou.
– Achei que você estivesse grávida! — berrou Lily.
Rose gargalhou alto, mas Scorpius pareceu mesmo preocupado com a hipótese.
– Existe essa possibilidade? — ele perguntou com a voz mais baixa do que queria.
– Claro que não, fala sério, nenhuma possibilidade – Rose disse ainda rindo.
O menino pareceu se aliviar.
– Escreveu o mesmo para o Ramon? — Scorpius perguntou.
– Você chamou o Zabini? — Lily perguntou antes mesmo de Scorpius terminar a frase, ela tentou disfarçar o entusiasmo com uma careta.
– Claro que chamei, e não, eu não escrevi o mesmo, só falei que a Lily estaria aqui de biquíni, deve ser o suficiente... — Rose falou fingindo indiferença.
Scorpius parecia se divertir, já Lily estava a beira de azarar Rose, mas de repente ouviu-se um barulho e logo viram que Ramon também entrava no banheiro.
– Acho que perdi alguma coisa... O banheiro dos monitores agora é uma espécie de clube com piscina? — ele perguntou olhando de rosto em rosto.
– Você veio aqui para me ver de biquíni? — Lily foi direta.
– Eu? — Ramon perguntou confuso – Não entendi... Você nem está de biquíni...
– Então foi por isso mesmo! — concluiu irritada.
– Não, não foi – ele se apressou em negar – Vim porque Rose me mandou um bilhete dizendo para vir ajuda-lá em algo importante...
Antes de Ramon terminar a frase a ruivinha já estava encarando a prima raivosa, Rose cochichava com Scorpius e não percebeu na hora.
– Ham ham – Lily limpou a garganta com a intenção de chamar atenção da prima.
– Foi só uma brincadeira pequena, para você chegar mais rápido – Rose falou com a cara mais inocente que conseguiu.
– Brincadeira estúpida! — Lily afirmou – Para que me chamou então?
– Paquático – Scorpius respondeu por Rose, levantando o patinho de borracha que ele havia conjurado a pouco.
Lily sorriu para ele.
– Tudo bem, mas eu não vou jogar com a Rose – ela disse lançando outro olhar raivoso para a prima.
– E é por isso que você vai perder! — Rose debochou, mas Lily nem se deu o trabalho de responder.
– Tenho que ir até a sala comunal colocar um biquíni – a ruivinha informou.
– Nem pensar, o Scorpius pode resolver isso – Rose rebateu.
– E como, exatamente, ele vai fazer isso?
– Faz sua magia príncipe – Rose falou debochada olhando para Scorpius que imediatamente pegou a varinha e apontou para Lily. E em um segundo as vestes do uniforme sumiram dando lugar a um biquíni lilás.
– E você, está de sunga? — Rose perguntou para Ramon, o menino, que estava hipnotizado olhando Lily, sacudiu a cabeça antes de negar.
Scorpius fez com que as roupas de Ramon também sumissem dando lugar uma sunga branca. Lily suspirou com a visão do corpo atlético do menino e como ele também a olhava, seus olhares se encontraram por um momento, mas ambos desviaram logo depois. Rose riu, mas ninguém reparou.
– Eu e você conta eles? — Lily perguntou para Scorpius que acenou positivamente.
– Claro que não! — Rose protestou – Ramon só jogou uma vez, assim nós vamos perder de lavada!
– Eu não vou jogar com você! — Lily falou para a prima.
– Já joguei duas partidas, e vamos ser eu e Lily de um lado, e Rose e Scorpius do outro, está resolvido – decidiu Ramon.
Lily abriu a boca para protestar, mas Ramon sorriu para ela, o que pareceu fazê-la esquecer.
Scorpius marcou os campos dentro da banheira com linhas luminosas, deu um taco para cada um e pegou o patinho para lançar o feitiço que ele mesmo havia inventado.
Todos já estavam dentro da banheira em seus campos esperando Scorpius lançar o pato.
– Prontos? — ele perguntou, todo acenaram – Vocês sabem as regras, cada pato rebatido é um ponto e se ele já tiver sido rebatido antes, dois pontos.
Scorpius deu a tacada inicial no patinho que foi diretamente na direção de Lily, a ruivinha manteve o taco escondido nas costas até o último segundo quando puxou e rebateu, com efeito, para cima de Rose. Rose se posicionou para rebater, mas foi antes da hora e o pato desviou quando estava a menos de 10 centímetros. O patinho bateu na água e Scorpius tentou rebatê-lo, mas só conseguiu levantar um pouco da água da banheira.
– Um a zero – constatou Scorpius e pegou o pato dentro d'água arremessando para o outro campo , onde Lily recomeçou o jogo.
***************
A partida durou quase uma hora, dois tempos de 25 minutos, Lily e Ramon ganharam os dois, o que tornou o terceiro desnecessário. Eles chegaram a conclusão que era melhor sair do banheiro de dois em dois, Ramon e Lily foram na frente e caminhavam lado a lado em direção a sala comunal da Grifinória.
– Então, como estão as coisas? — perguntou Ramon depois de alguns minutos, tentando puxar assunto.
– Normais – a menina respondeu, mas na hora se arrependeu porque não havia nada normal em caminhar ao lado de Ramon Zabini.
– Sério? — ele perguntou rindo.
– Tá, talvez nem tão normais assim, mas boas – ela respondeu retribuindo o sorriso.
– Viu, eu não sou tão ruim assim.
– É o que parece – ela concordou e eles andaram mais uns minutos, quietos.
– Porque está sendo gentil comigo? — Lily perguntou de repente, quebrando o silêncio.
Ramon olhou para a menina por um momento, não sabia resposta para a pergunta dela, ele mesmo havia se perguntado isso algumas vezes ultimamente.
– Na verdade, eu não sei por que não era gentil com você antes – ele respondeu e Lily sorriu.
– Quer dar uma volta no jardim? — ela perguntou.
– Está me chamando para sair? — Ramon fez graça.
– Estou te dando uma outra oportunidade de ser gentil, vai aproveitar ou não? – ela devolveu a pergunta erguendo as sobrancelhas.
Ramon acenou positivamente e colocou os braços sobre os ombros de Lily, a menina hesitou por um segundo, mas gostou da sensação de estar tão próxima e se deixou levar.
***************
– Vamos? — Scorpius perguntou.
– Sim, vou verificar o corredor.
Rose foi até a porta do banheiro, olhou dos dois lados e não viu ninguém, voltou para chamar Scorpius e os dois saíram silenciosamente.
Já iam virando o corredor em direção as masmorras quando uma voz fina e irritante os assustou.
– Scorpiuzinho não passamos mais tempos juntos, estou com saudades amor.
Eles se viraram e viram Lara fazendo um biquinho que a fazia parecer ainda mais ridícula do normalmente.
– Oi Lara – Scorpius respondeu meio surpreso meio animado.
Rose revirou os olhos e virou as costas para ir embora, mas Scorpius segurou seu braço.
– Eu vou contigo – ele disse olhando dentro dos olhos dela, que fez cara de impaciente, mas continuou no lugar.
– Lara, amanhã a gente faz alguma coisa, que tal? Estou um pouco ocupado agora – ele disse abraçando a loira.
– Ocupado para mim? — a menina fez um bico ainda maior e Rose não conseguiu se conter e soltou uma risadinha abafada.
Lara reparou e se virou com cara de poucos amigos para ela que fingiu nem notar.
– É realmente importante Larinha, amanhã poderemos ficar bastante tempo juntos – ele insistiu.
A menina já havia começado a protestar, mas outra pessoa se juntou a eles a interrompendo.
– Oi – Alene cumprimentou todos.
Rose acenou e olhou para Scorpius querendo rir, o menino que ainda abraçava Lara de lado,
soltou-a tão rápido que ela se assustou.
– E ai Lene, tudo bem? — ele perguntou com um sorriso amarelo.
– Tudo. Se esqueceu, não é?
– Esqueci de que?
Alene suspirou pesadamente antes de responder.
– Combinamos de eu te ajudar em transfiguração hoje – ela explicou.
– Caramba é mesmo, eu esqueci – ele falou batendo na testa.
– Foi o que eu disse – Alene falou e Rose soltou outra risadinha abafada que acabou chamando a atenção da menina, Rose disfarçou rapidamente dando uma tossida e olhando para os pés.
– Desculpa Lene, a gente pode estudar amanhã, Rose não vai me deixar esquecer, não é? — Scorpius falou enquanto seus olhos suplicavam a ajuda de Rose.
Rose acenou com a cabeça em confirmação.
– Mas amanhã você vai ficar comigo – a voz irritante de Lara se fez perceber.
– Quem é ela? — Alene perguntou como se só agora tivesse notado a loira.
Scorpius olhou novamente para Rose em mais um pedido mudo de ajuda, a amiga revirou os olhos.
– É minha amiga – Rose respondeu por Scorpius.
– Não sou não – Lara rebateu.
– Não liga – Rose falou olhando para Alene – Ela tem problemas mentais sérios – completou piscando um dos olhos.
– Quem você acha que é para falar assim comigo? — Lara respondeu levantando a voz.
– Sou sua amiga – Rose respondeu entre dentes se aproximando da garota e colocando as mãos sobre seus ombros – E você já estava de saída, não é mesmo? — completou empurrando Lara pelo menos um metro.
– Ei me solta sua trombadinha – a loira gritou se soltando.
Rose empunhou sua varinha, mas respirou fundo, se virou para Scorpius e disse:
– Te vejo nas masmorras.
Pegou Lara delicadamente pelos ombros e deu alguns passos largos arrastando a garota. Apertou com força um dos ombros da menina e ela estremeceu.
– Quietinha – Rose disse entre dentes no ouvido de Lara – Eu só vou falar uma vez então é melhor prestar bastante atenção. Você vai seguir em frente e virar no corredor a direita, vamos dar mais três passos e vou te soltar – ela apertou novamente o ombro da loira, dessa vez com tanta força que seus próprios dedos doeram – Você conhece a minha fama, mas não sabe do que sou capaz, ou faz o que eu digo ou vou fazer a sua vida ser tão dolorosa que você vai me implorar para morrer – Rose completou num tom realmente assustador e piscando um dos olhos para a menina, a soltou e ficou parada observando Lara fazer exatamente o que ela havia mandado.
– Rose – Scorpius chamou.
Rose se virou e o menino fez sinal para ela se aproximar. Ela caminhou até onde Scorpius e Alene estavam, parou a dois passos dos dois.
– Vou contigo – informou ele.
Scorpius se aproximou de Alene como se fosse beijá-la, mas a menina virou o rosto e ele plantou um beijo em sua bochecha. Rose acenou para Alene, que mal retribuiu. Scorpius se juntou a ela e eles começaram a caminhar em direção as masmorras.
Rose esperou estarem longe o bastante para não serem ouvidos.
– Ela ficou com ciúmes da Lara? – perguntou.
– Não, de você.
– De mim? — Rose perguntou incrédula – Por isso não falou comigo direito... Mas não entendo, ela sabe que sempre fomos amigos.
– Ela reparou nos nossos cabelos molhados, perguntou se tínhamos tomado banho juntos, eu disse que não, depois que sim, mas que a Lily e o Ramon também estavam, o que não ajudou muito, enfim, eu gaguejei e ela não ficou feliz. – ele resumiu
– Mas você explicou do Paquático?
– Expliquei, mas ela acha que o Ramon e a Lily já são um casal e não quis ouvir muito as minhas explicações.
– Vou falar com ela – decidiu Rose.
– Não acho uma boa ideia, ela pediu para eu me afastar de você.
– Não acredito! Que vaca, isso é absurdo!
– Pois é, eu disse que ela estava delirando e que isso não ia acontecer, por isso ela ficou daquele jeito que você viu.
– Muito bem – Rose parabenizou o amigo – Mas ainda me deve um favor.
Scorpius franziu o cenho como se não houvesse entendido.
– Loira, saltitante e sem cérebro, te lembra algo? — ela explicou.
– Ok, eu realmente não saberia como me livrar da Lara – ele concordou pensativo – Não sei nem como você fez isso.
– Digamos que eu saiba amedrontar quando quero.
– Por isso que eu digo, primeiro os amigos depois as garotas – Scorpius definiu.
– Ei, eu sou uma garota! — Rose reclamou rindo.
– Não, você não é uma das garotas, é a garota – ele falou piscando para a amiga e sorrindo.
Rose concordou e retribuiu o sorriso.
****************
Lily e Ramon estavam sentados debaixo de uma árvore, a menina ria muito enquanto o garoto contava uma história animado, de vez em quando levantava para demostrar algo. Não perceberam um certo sonserino, magro e de cabelos muito negros se aproximar.
– O que estão fazendo? — Alvo perguntou num tom severo quando chegou perto o suficiente para que pudessem ouvi-lo.
Lily levantou rápido e foi andando em direção ao irmão parecendo ainda mais irritada do que ele.
– Estamos conversando – ela disse apontando o dedo no rosto de Alvo – E você não tem nada haver com isso!
– Não estou falando contigo Lilian – Alvo disse e se virando para Ramon completou – Achei que tivéssemos um acordo!
– Que acordo? — Lily perguntou.
– Vai para o seu dormitório Lilian – Alvo falou.
– Você não manda em mim – a menina rebateu.
– Sou seu irmão mais velho.
– E mesmo assim não manda em mim!
Ramon se aproximou da menina segurou seus ombros delicadamente e a encarou.
– Lily, por favor, eu preciso conversar com o Alvo – disse e continuou encarando seus olhos verdes num sorriso doce.
Lily bufou, mas virou as costas e deixou os dois sozinhos.
– Qual é a tua cara? — Alvo perguntou assim que Lily se afastou o suficiente para não ouvir – Porque está se aproximando dela? É algum tipo de aposta ou algo assim?
– Não tem nada demais Alvo, a gente só estava conversando.
– Como não tem nada demais, vocês nunca se deram bem, do nada resolveu se aproximar da minha irmã – Alvo disse exasperado – Me lembro muito bem de compara-la com um dragão e agora conversam como dois namoradinhos!
– Eu não sei o que está acontecendo está bem, eu só... gosto dela – Ramon disse o final quase inaudível.
– Você gosta dela? – Alvo perguntou rapidamente.
– Não – Ramon respondeu ainda mais rápido e Alvo encarou o fundo dos seus olhos – Ah! Eu não sei está legal, não sei, é muito confuso e... intenso.
– Quando você resolver se gosta ou não dela, venha falar comigo sobre o assunto, enquanto isso, para o bem dela e para o seu bem, é melhor que fique longe – disse Alvo.
– Mas eu não sei se consigo, ultimamente ela tem sido como um imã para mim – Ramon respondeu com sinceridade.
– Então vai ter que ser mais forte que isso. Ok? – Alvo falou impassível.
– Ok – Ramon respondeu desanimado.
***************
Já eram quase onze horas da noite quando Scorpius lembrou a Rose da aula de Astronomia. O dia tinha sido tão divertido que ela havia esquecido o real motivo do seu bom humor, ia fechar o dia com chave de ouro.
Ela ainda ficou um tempo fazendo as tarefas com Ramon, até subir ao dormitório para por sua capa e ir à aula.
Foi caminhando com Scorpius até a torre mais alta do castelo e chegaram uns minutinhos antes, ficaram observando as estrelas que tinham no céu, a noite estava nebulosa e não dava para ver muita coisa.
Os alunos iam chegando aos poucos, logo depois a professora chegou e começou a explicar algumas formações de estrelas que indicavam mudanças nos acontecimentos do mundo bruxo. Rose não prestava muita atenção, só conseguia pensar em como havia se divertido com Scorpius e tentava pensar em uma forma se aproximar mais.
A professora pediu para que localizassem as formações e as esboçassem em seus pergaminhos colocando os significados ao lado. Rose e Scorpius revessavam o telescópio.
– Está vendo alguma coisa?- Scorpius perguntou quando a menina tinha os olhos no céu.
– Não, nada – ela respondeu desanimada passando o telescópio para ele – Acho que não tenho muito talento para isso.
– Nem eu – Scorpius falou tirando os olhos do telescópio – Só faço por sua causa. Mas se não gosta, por que faz?
– Eu gosto, só não tenho talento. Faço porque me lembra da tia Astória, você e eu de noite na Mansão Malfoy — Rose respondeu simplesmente.
Scorpius pareceu bastante surpreso, mas não disse nada.
– Bom saber que faz por minha causa, achava que tinha puxado o talento da sua mãe – Rose disse rindo.
Scorpius também riu.
– Você é mais importante do que pensa, Rose – ele disse e vendo a dúvida no rosto dela completou – É só deixar eu me aproximar mais.
Ela fez um leve aceno com a cabeça e eles voltaram a examinar seus telescópios.
Naquela noite Rose demorou a dormir, demorou a conseguir fazer sua mente parar de repassar os momentos do dia, se sentia profundamente feliz, havia muito tempo que não se divertia tanto. Um dia normal tinha se transformado num dia perfeito, Scorpius disse coisas muito profundas e apesar dele sempre falar assim, dessa vez pareceu real, pereceu realmente verdadeiro. Pensou sobre Ramon e Lily e em como até Alene achava que poderiam ser um casal, apenas Alvo não admitia. Alvo, era o que havia de errado, o que estava faltando, mesmo com toda a distração do dia ainda sentia falta de Alvo, sentia como se faltasse uma coisa muito importante, essencial. Convenceu sua mente de que sentia isso porque nunca havia ficado tanto tempo longe dele, e ele a estava tratando tão friamente como nunca havia feito antes, sentia falta do seu primo e amigo, seu irmão.
Depois de muito tempo conseguiu desligar a mente e dormir, mas não foi um sono sem sonhos.
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