Blood Brothers

6 Deixando rolar - I


Notas iniciais
Oi :D Desculpem a demora, tô com pouco tempo para escrever! Esse capítulo era para ser maior, mas dividi em dois pra não demorar tanto a postar...

A última semana de setembro e a primeira de outubro passaram tão rápido que Rose nem pensou nos seus problemas. Não tivera quase avanço nenhum em relação à Scorpius, o garoto parecia gostar da Alene e Rose desconfiava que se ele não fosse tão mulherengo já tinha pedido a menina em namoro, foi a primeira vez que sentiu algo bom ao pensar nisso.

Scorpius havia faltado à última aula de Astronomia, essa era a única aula que eles tinham sem a presença de Alvo ou Ramon e Rose planejava se aproximar do amigo enquanto observavam o céu. Durante a aula de Defesa contra as Artes das Trevas ela havia perguntado se ele iria, reclamando que não gostava de assistir sozinha e Scorpius garantiu que iria, desde aquele momento um sorriso grudou no rosto da menina e só foi apagado quando viu Alene quase saltando em cima da mesa para cumprimentar Scorpius enquanto eles entravam no salão principal para o almoço, Joan fazia companhia a ela cumprimentando Ramon que, Rose pode perceber, não parecia muito feliz.

Quando se sentaram à mesa e a menina viu que Scorpius e Alvo estavam distraídos conversando sobre Quadribol e decidiu perguntar a Ramon o porquê do bico.

– O que houve Mon? – ela sussurrou para o amigo, se inclinando para só ele ouvir

– Não é nada

– Não tá mais afim da Joan? – Rose pergunta ignorando a resposta anterior

– Não... – ele responde desanimado

– Então dá um fora ué! – ela fala um pouco alto chamando atenção de Alvo que levanta o olhar ao mesmo tempo em que Rose coloca um pedaço de empadão na boca para disfarçar, não parece convencer, mas faz com que Alvo volte a conversar com Scorpius – Desculpe – murmura para Ramon

– Não dá para dispensar a menina, Scorpius vai me matar... – Ramon fala depois de um tempo – Preciso que você entre em ação para me livrar

– Cara, você e o Alvo sempre tem que pegar uma amiguinha para o Scorpius ficar feliz, fala sério, porque ele não se vira sozinho? – Rose fala irritada, mas ainda sussurrando

– Você conhece o Scorpius.

Ficam um tempo comendo em silêncio até Rose tomar coragem para perguntar o que estava na sua cabeça.

– Não quero que se ofenda, mas tem alguma coisa haver com a Lily? – ela pergunta fechando os olhos acreditando que o amigo ficaria furioso, mas não veio resposta e ela reabriu para fitar o rosto pensativo de Ramon com os olhos fixos na mesa da Grifinória – Já é um avanço você não estar com raiva...

O menino correu seu olhar para o rosto da amiga, mas não parecia ter ouvido a pergunta por que apenas sorriu, fazendo Rose franzir as sobrancelhas.

– Do que você está rindo?

– Eu não estou rindo

Rose pegou uma colher limpa e colocou na frente do rosto de Ramon para que ele visse seu próprio sorriso.

– E então? – ela perguntou

– Ah Rose, eu te contei o que aconteceu naquele dia, achei que talvez a gente fosse se falar agora... Mas parece que nem aconteceu... Nem deve ter acontecido mesmo... – completou num tom quase inaudível

– Foi ela que falou contigo, não foi?

– Foi – Ramon respondeu sem saber onde a amiga queria chegar

– É a sua vez

– Como assim?

– Você é mais esperto que isso Ramon! – Rose fala indignada – É a sua vez de falar com ela educadamente

– De falar com quem? Com a Joan? Ela está mesmo atrás de você cara... – Scorpius pergunta se metendo

– Fica na sua Scorpius, a conversa está reta – Rose responde emburrando

– Adoro suas grosserias meu amor – ela fala sarcástico

– Disponha – a menina rebate e Scorpius como se tivesse ouvido um eu te amo, sorri com todos os seus alvíssimos dentes e pega a mão da menina para plantar um beijo delicado. Ela fica feliz com a reação do amigo e acaba sorrindo de volta.

– Gosto quando consigo fazer seu bico virar sorriso princesa – Scorpius fala

Rose sente o impulso de responder mal criada, mas se segura pensando que precisa agir de forma diferente para que ele perceba.

– Também gosto – finalmente responde

Scorpius, que nunca esperaria essa reação da amiga, sente algo parecido com euforia.

– Você ouviu isso? – pergunta para Ramon enquanto se levanta da cadeira passando por cima da mesa e sentando entre Rose e Ramon, abraça a amiga e beija seu rosto

Alvo se levanta da mesa bruscamente e sai andando em direção à saída, Rose faz menção de se levantar, mas Ramon a impede.

– Deixa que eu vou – diz e segue Alvo

– Que aconteceu? – Scorpius pergunta a Rose

– Não sei – a menina mente

– Alvo está meio distante essas últimas semanas, desde que vocês sumiram, aconteceu alguma coisa entre vocês? Brigaram ou algo assim?

Rose não querendo mentir mais apenas balança a cabeça negativamente.

Depois de alguns minutos as sobremesas aparecem e Scorpius corta um pedaço de pudim tão enorme que chama a atenção de Rose.

– Para que esse exagero? – ela pergunta apontando para o prato dele

– Cortei para nós dois amor, como nos velhos tempos – ele diz sorrindo

– Quando comíamos todo o pudim da sua mãe sem nem cortar? – ela fala rindo – Bons tempos

– Tenho que aproveitar sua onda de bom humor, não é todo dia que você me deixar ficar tão próximo – Scorpius fala tentando disfarçar a magoa na voz

– Não é minha culpa se você gasta todo seu tempo se agarrando com garotas fúteis – Rose responde

– Qual é Rose, eu sempre deixei claro que prefiro me agarrar com você! – ele fala sério olhando nos olhos da menina.

Rose encara Scorpius por um momento, mas não aguenta e começa a rir, ele acaba acompanhando.

– Como você consegue fazer isso? Falar essas coisas tão naturalmente... – a menina pergunta ainda rindo

– Não sei, acho que é um dom – ele responde

– Pena que você use sem critérios – Rose fala indiferente

– Não sabia que te incomodava

– Não disse que incomoda

– É meio que um vício, mas se me permitir usar contigo, não uso com mais ninguém – ele fala olhando novamente dentro dos olhos dela que eram incrivelmente parecidos com os dele.

Rose dá de ombros e Scorpius entende que deve dar o assunto por encerado.

– Pudim? – ele pergunta pondo o braço sobre os ombros da menina, que se aninha afirmando com a cabeça.

Passam o restante da sobremesa comendo pudim a meia colher para cada um, sentindo como se estivessem novamente na cozinha da mansão Malfoy escondidos de baixo da mesa.

*******

– Ei Alvo, espera! — Ramon gritou para o amigo que caminhava apressado em direção ao jardim

Alvo fingiu não ouvir e continuou seu caminho o mais rápido que podia sem correr. Ele não queria, mas se sentia traído pelo amigo e não queria brigar com ele, sabia que não poderia fugir para sempre, mas iria evitar o máximo que pudesse. Já Ramon não queria deixar para depois, vendo que o amigo não pararia, deu uma corridinha para alcançá-lo. Quando chegou ao lado de Alvo eles já estavam no jardim.

– Eu só quero ficar sozinho um pouco cara – Alvo fala baixo, segurando a raiva

Ramon não respondeu, apenas continuou andando ao lado do amigo, eles diminuíram o ritmo e caminharam a passos lentos em direção a Floresta proibida. Ele não sabia o que dizer, sabia que Alvo estava lá no dia que disse a Rose que ela deveria tentar ficar com Scorpius, ela havia lhe contado, imaginava que Alvo tivesse ficado com raiva, mas não tinha como saber. Nessas duas semanas ele ficou distante de todos, mas não disse nenhuma palavra sobre o assunto, sabia que uma hora ele iria explodir, só não sabia o que aconteceria e apesar de temer um pouco a reação do amigo, não queria perdê-lo, queria explicar porque tinha dito aquilo e talvez ele entendesse, mas ele não conseguia falar, não sabia o que falar e por isso ficou quieto, esperando que Alvo dissesse alguma coisa.

Alvo sentia tanta raiva que estava difícil não azarar o amigo, já tinha dito que queria ficar sozinho, mas Ramon continuou ao seu lado, de alguma forma além de irritado estava sentido algo parecido com orgulho por isso. Agora eles já estavam dentro da Floresta e o silêncio estava começando a incomodá-lo. Resolveu confrontar Ramon antes que sua raiva piorasse e ele o atacasse antes de ouvir qualquer coisa.

– Que história é essa de falar com a Lily? – as palavras saíram antes que ele pensasse.

Ramon ficou ainda mais confuso com a menção de Lily, achava que falariam de Rose, pior, achava que por causa da Rose ele nem tinha notado a parte que ela citou como Lily gostava do seu cabelo.

– Lily? Achei que estava aborrecido por causa da Rose...

– Estou! – Alvo quase gritou, Ramon arregalou os olhos para o amigo e se afastou um passo – Mas isso não te dá o direito de se aproximar da minha irmã, afinal, não deixamos de ser amigos.

– Não vai acontecer novamente – Ramon disse sem demostrar emoção e Alvo acenou com a cabeça.

Eles andaram mais uns minutos em silêncio e Ramon ficou se perguntando se seria só isso, seus pensamentos não duraram muito porque Alvo parou bruscamente e virou de frente para o amigo. Ramon esperou que ele dissesse alguma coisa, mas Alvo não se mexeu.

– Eu sei que você está irritado comigo cara, mas eu só falei o que achei ser o melhor – Ramon falou sério encarando o amigo

– O que você achou se melhor? – Alvo perguntou com um débil sorriso de lado – Você sempre soube cara! Sempre soube o quanto eu sou louco por ela!

– O Scorpius também! Você não pode fingir que não! – Ramon falou

– O Scorpius não sabe o que quer! Ele quer todas, a Rose é só um desafio para ele, só isso! Para mim não! – Alvo gritou meio descontrolado

– Isso é o que você quer que seja verdade Alvo, porque ele é seu amigo e não quer competir com ele, mas você sabe que não – Ramon disse com a voz incrivelmente calma para seu estado de nervos – Você estava lá também...

Alvo pareceu ter tomado um soco na alma, seus ombros baixaram repentinamente e quando ele voltou a falar sua voz parecia não ser usada há séculos.

– Você podia ter falado para ela tentar comigo, eu merecia uma chance... A Rose sempre foi confusa, ela pode estar errada...

– Você não deveria ter ouvido a conversa – Ramon falou – Não pode fazer isso, se você não estivesse ouvido estaria tudo bem

– Não estaria não, estaria tudo na mesma, eu só não iria saber a verdade – Alvo respondeu num tom seco e baixo

– Cara, não se trata de saber a verdade, eu só disse o que eu pensei ser melhor para a Rose, ela me pediu um conselho e eu dei. Qual é o problema nisso?

– Então você sabe que o melhor para a Rose é estar com o Scorpius? – Alvo pergunta ainda apático

– Você estava lá cara, você sabe o que aconteceu, não fui eu quem decidiu!- Ramon responde se irritando – E a Rose e o Scorpius são tão meus amigos quanto você, não te devo mais do que a eles!

– Não me deve nada – Alvo disse e logo virou as costas para o amigo e saiu andando de volta para o castelo.

Ramon resolveu não segui-lo, talvez precisasse mesmo de um tempo sozinho. A única coisa que ele conseguia pensar era no que tinha dito a Alvo, não chegaria mais perto dela, seria o pior preço a se pagar.

*********

A tarde passou muito rápido enquanto Rose e Scorpius se divertiam na aula de Herbologia, o professor Longbottom era incrível e estava os ensinando a cuidar de plantas que pareciam ser encantadoras, mas eram perigosíssimas. Eles mal perceberam o mau humor de Alvo e Ramon que fingiam interesse na aula.

Quando a aula terminou estavam suados e cobertos de terra, Rose e Scorpius caminhavam na frente conversando animados e, Alvo e Ramon, a dois metros de distância um do outro, vinham atrás se arrastando.

Chagaram as masmorras e Rose declarou que iria tomar um banho e que já voltava para a sala comunal. A menina chegou ao dormitório e teve a brilhante ideia de aproveitar enquanto sabia a senha do banheiro dos monitores e tomar um super banho lá. Sorridente, ela pegou suas coisas e saiu em direção ao banheiro, quando passou de novo pela sala comunal, não viu nenhum dos meninos por ali.

Ela chegou rapidamente ao banheiro usando uns atalhos, deu uma espiada em volta para verificar se estava sozinha e entrou no aposento que mais parecia um salão com piscina interna.

Trancou a porta para que ninguém pudesse entrar e ligou as muitas torneiras que tinham ali, de uma delas saia uma água cheia de bolhas e com um cheiro maravilhosamente bom, lembrava show de rock e quadribol, a menina abriu um pouco mais essa.

Rose tirou suas roupas e entrou na água morna da banheira, resolveu que ficaria ali até seus pés e mãos não terem mais tato. Fechou os olhos e se deixou relaxar.

*********

– Eu cheguei primeiro! – Scorpius protestava

– Eu já estou aqui – Alvo falava de dentro do chuveiro

– Estou me coçando todo, tinha alguma coisa naquela terra que o professor me deu – Ramon diz se coçando

– Para de drama, depois sou eu, cheguei primeiro, eu que era para estar no banho – Scorpius falou aborrecido

– Mas cara, eu estou ficando todo vermelho! – Ramon falou olhando horrorizado para os braços

Alvo ria dos amigos enquanto enrolava no banho.

Ramon resmungava e Alvo ria, Scorpius ouvindo o som dos amigos se lembrou do banheiro dos monitores e sem querer que eles se lembrassem também, saiu do banheiro para o dormitório e de lá foi silenciosamente em direção a melhor banheira do castelo não sabendo que alguém já tinha tido essa ideia.

Notas finais
Querendo saber o que acontece? A segunda parte não demora...