Blond Hair
2 Returning To The Past
Notas iniciais
"Don't wanna close my eyes
I don't wanna fall asleep
'Cause I'd miss you baby
And I don't wanna miss a thing"
A mulher estava me observando sem falar nada. Nossos olhos se encontraram suavemente durante alguns segundos, mas ela rapidamente os separou.
Tirei minha camiseta e entreguei para ela sem hesitar. Percebi que a loira me fitou por alguns segundos e isso me deixou louco.
Ela vestiu a camiseta e gargalhou.
– Desculpe se o cheiro não lhe agrada – Disse com um meio sorriso no rosto.
– Não é isso – Admitiu – Só que pareço você vestindo isso.
– Quem mandou dar uma de enfermeira, agora perdeu sua blusinha de grife – Falei sério.
– Pensei que você estivesse sozinho – Falou ignorando o que eu havia falado – não tem cara de muitos amigos – Sorriu.
– Realmente nunca tive e não é agora que desejo fazer uma – Isso não era a verdade, havia algo nela que me chamava atenção.
– Você queria saber onde consegui o cavalo, não é? – Indagou novamente ignorando o que eu havia falado.
– Sim, sempre quis ter um cavalo. E ver um agora, no estado como o mundo está. – Balbuciei e prossegui – Não consigo nem cuidar de mim mesmo – Sorri sem mostrar os dentes.
– Na verdade, ele sabe de cuidar sozinho – Falou sorrindo e olhando para o animal. – Ele sempre foi meu amigo, quando esse apocalipse aconteceu, ele era o único que pude contar – Contou tristemente. – Sobrevivemos muito tempo em uma fazenda abandonada
– De quem você ganhou ele? – Perguntei demonstrando interesse.
– Da minha tutora – Contou em quanto acariciava a crina do cavalo. – Mas e você? Onde estão seus amigos? – Perguntou.
– Bem longe daqui – Respondi ríspido
– Você é sempre assim? Tão mal humorado? – Gargalhou.
–Sempre.
A ruiva abraçou seu corpo para espantar o frio. Acariciou novamente o animal e virou-se para mim:
– Ah algo em você que me intriga – Admitiu.
– Digo o mesmo sobre você – Soltei um sorriso sarcástico e prossegui – Tentou me matar, me salvou, tirou sua roupa para me seduzir e agora deseja ser minha amiga. Um tanto quanto intrigante, não acha? – Direcionei novamente meu olhar a loira fingindo estar ofendido.
– O que me intriga realmente é por que você se tornou tão duro e tão CHATO... – Falava novamente como se eu não a tivesse respondido – Você esconde algo, eu sei disso, esconde sempre um sorriso – abriu um sorriso largo e intenso.
– Obrigado pelos elogios – Disse convencido – Mas eu não sou a única pessoa estranha aqui – analisei sua expressão e segui – Você gosta mesmo deste cavalo, não é?
– Muito, com certeza o que aconteceu de melhor comigo até agora. Ele me entende, um grande companheiro. – Confidenciou e a baixou a cabeça.
O vento estava forte, um frio repentino surgiu, uma tempestade estava por vir. Susan levantou-se do chão, abriu sua mochila e tirou algo dela.
– Melhor montar essa barraca – Disse montando-a – Eu não gosto de dormir ensopada e creio que você também não.
Quando terminou ajudou-me a entrar e logo em seguida fez o mesmo. A barraca era pequena, ficamos colados um no outro.
A chuva começou e eu a detestava, não lembro direito o porquê, mas desde criança tivera ódio do rugido que os trovões fazem. O céu escuro oscila e eu amaldiçoei até os parentes mais distantes daquela mulher que me fará ficar ali, MACHUCADO.
– Você está bem? – Ela indagou entre sussurros.
– Ótimo – Respondi sarcasticamente com a voz embargada.
Susan parecia à vontade, entretanto não deixava de ter sua aparência atormentada.
– Se me contar o que ouve com você, conto o que houve comigo – Pediu sinceramente. Revirei os olhos, mas assenti, minha curiosidade era imensa, precisava saber sobre o passado daquela mulher.
– Mas começaremos por você – Disse ajeitando-me para escutar a história.
– Tudo bem contarei o pouco que sei – Sorriu com serenidade, ajeitou-se no chão e começou – Fui achada em um beco perto de Atlanta, eu tinha aproximadamente três anos de idade. A mulher que me achou cuidou de mim. Me ensinou tudo que sabia sobre cavalos, agricultura, armas, homens... – Contava aos poucos, com um olhar vago – Ela não tinha ninguém, assim como eu, me treinou e me cuidou até sua morte, então deixou sua fazenda a meus cuidados. Infelizmente alguns anos atrás um grupo de saqueadores entraram lá e eu não pude fazer nada para impedir, apenas fugi junto do meu amigão aqui – Bufou cansada e sorriu para o cavalo – Então desde ai estamos vivos vagando por ai, como Walkers – Sorriu tristemente.
– E não sabe nada de seus pais, não lembra como eram? – Indaguei interessado.
– Só que minha mãe não tinha condições para me alimentar, então me jogou fora. Lembro um pouco de seu rosto, seu cheiro – Contava chorosa.
– Não vá chorar, não suporto ver mulheres chorando – Realmente não suportava, pois não sabia lidar com isso.
– Não se preocupe – murmurou limpando suas poucas lágrimas. – é sua vez, me conte.
– Minha mãe era uma vagabunda e meu pai um viciado, fim – Sorri ironicamente.
– Com certeza você tem mais o que falar – A ruiva disse indignada arqueando as sobrancelhas.
– Tenho, mas acho totalmente desnecessário, nem te conheço direito – Esbravejei e fiz uma careta.
– Apenas desabafe. Você prometeu que contaria – Relutei um pouco, mas assenti.
– Fui criado em uma fazenda como você. Tinha muitos irmãos, mas minha mãe foi largando-os por ai, então só restamos eu, Marle e uma garotinha que ela acabará de parir. Como você pode ver minha mãe realmente era uma vadia, servia apenas para dar e botar crianças no mundo. – Susan escutava a história um tanto quando surpresa e assustada – Meu pai era um alcoólatra de merda que quando tinha vontade espancava meu irmão e minha mãe. Fugimos e deixamos nossa adorada família sozinha. – Suspirei e prossegui – Eu não lembro de nada, Marle que me contou essas histórias, acho que era muito pequeno para recordar. Desde ai sempre fui eu e Merle contra o mundo.
– Você nunca mais teve notícias de sua mãe e de sua irmã? – Perguntou interessada.
– Nunca quis saber – Fingi não me importar.
– E seu irmão, o que aconteceu com ele? – Perguntou um pouco perdida.
– Ele foi deixado pelo grupo, procurei por ele por um longo tempo, mas deve estar se virando sozinho, o Marle realmente possui sete vidas – Disse serio.
– E o grupo, você gosta deles? – Coçou a cabeça.
– Quantas perguntas – Assenti e falei – Já te disseram que tem uma voz enjoativa? – Brinquei mudando de assunto.
– Já te disseram que é mal humorado? – Compartilhamos uma risada e nos entre olhamos – Aé lembrei... Eu disse.
– Boa noite – Cortei o assunto. Deitei, fechei os olhos e fingi dormir.
– Pode deixar que fico de guarda Cinderela, sem problemas – Falou sarcasticamente.
– Não fará mais nada que sua obrigação – Tapei meu sorriso com as mãos e me virei de costas para ela.
Fale com o autor