Notas iniciais
Este capítulo funcionará como uma espécie de Filler para a fanfic contando como seria a participação de Satsuki no capítulo 592 do mangá, para compensar o tempo que fiquei sem escrever a história original. [Nota: Esse filler pode conter pequenos spoilers sobre a Satsuki. Não abandonei a fanfic e nem pretendo, mas o bloqueio criativo desta vez foi forte... É claro, já melhorou um pouco, então o próximo capítulo da história original já está pela metade. Esperem por ele ainda esse ano, haha] Boa leitura e me perdoem qualquer coisa.

Por um momento achei que tudo ocorreria bem, Mayuri havia conseguido trazer os arankars de volta e aquilo, por mais que fosse estranho, significava ter uma grande vantagem contra os Quincies. Eu estava disposta a ajudá-los na batalha, meu poder era outro e eu tinha mudado completamente, sentia-me mais forte e disposta. Talvez tenha sido o efeito da Bankai hollowficada que Urahara criou para nós e o treinamento rígido que tive durante a última batalha. Os Arankars eram os adversários perfeitos para aquelas garotas, eu confiava neles para destruí-las, mas tinha algo mais que me perturbava... Definitivamente, a Quincie zumbi não era “normal”, e mesmo que pudesse me custar toda a energia, se fosse preciso eu usaria o meu poder máximo para detê-la.

Charlotte estava indo bem na batalha contra Bambietta enquanto eu esperava o momento certo para atacar a garota zumbi. Eu não sabia o nome dela e nem me importava com isso, não costumo lembrar de coisas tão irritantes, só queria acabar logo com ela. Se eu a atacasse no mesmo momento que Mayuri certamente não daria certo, então esperei que ela tomasse a partida.

Charlotte atraiu minha atenção para sua batalha com o barulho da explosão do Cero, ele havia atingido Bambietta em cheio e sem nenhuma dificuldade. A garota zumbi se mexeu finalmente, desembainhei a zanpakutou e esperei alguma reação.

– Uaaaah, que forte! – disse ela, dirigindo-se a Charlotte — Acho que a Bambi-chan não é o bastante para você, não tem jeito. Pode apareceeer capitããão!

Capitão? Então ela havia transformado um dos nossos capitães em zumbi? Não... Não podia ser. Depois disso não acreditei mais no que estava vendo, meu coração congelou e minha garganta ficou seca, não podia ser verdade. Então... Ele realmente estava morto? Não conseguia parar de tremer e nem podia desviar o olhar, tudo o que consegui falar de imediato foi o seu nome.

– Toush..iro...

Parado em cima dos escombros e com um olhar vazio, estava Hitsugaya. Ele usava o uniforme branco do exército Quincie e sua pele estava um tanto escura, então entendi o que estava acontecendo. Hitsugaya tinha caído em batalha, ela se aproveitou disso e o transformou em zumbi também e eu não pude fazer nada! Não cheguei a tempo para levar ele e Matsumoto até Isane, não cheguei a tampo para ajudá-los na batalha... O Meu ódio não podia ser demonstrado com palavras, eu queria matá-la, levar aquela quincie para o inferno com as minhas próprias mãos.

Não tive outra reação a não ser essa, mas saí de meus devaneios com o som da voz de Mayuri.

– Hmm... Esse vai ser difícil – disse ele, e então olhou para Charlotte – então, acha que consegue dar conta dele também ou eu vou precisar pedir aos outros?

– Como se esse zumbi baixinho fosse páreo para mim – respondeu ele – deixe isso comigo.

Não!– aumentei o tom da voz – eu cuido disso!

– Você, garota? – Mayuri me lançou um olhar duvidoso – pensei que ele fosse importante para você, quer mesmo matá-lo?

– Importante para mim ou não – disse eu – ele está prestes a usar sua espada contra a Soul Society, e como tenente é meu dever acabar com ele.

– Oh, interessante! – Mayuri esboçou um pequeno sorriso – e eu achando que você era do tipo que se emociona fácil. De qualquer forma, isso será bem divertido.

Eu o ignorei, por mais que aquilo fizesse o meu sangue ferver, ele ainda era um capitão e estava lutando a favor da Soul Society, não podia tratá-lo mau por mais que ele me irritasse e também nem tinha tempo para isso.

– Chega de conversa! – disse a Quincie zumbi – Vai lá, capitão, você precisa matar a sua namoradinha agora!

Hitsugaya me lançou um olhar vazio, não fazia idéia de quem eu era, não mais. Eu saltei para perto de Charlotte e coloquei a mão em seu ombro.

– Se você for mesmo capaz de matá-la, faça isso direito – disse para ele – lute com ela e faça-a implorar pela morte, e se eu não chegar a tempo para te ajudar com isso, faça-a sentir como é estar no inferno!

Ele pareceu incomodado comigo, definitivamente não queria que eu tivesse colocado a mão em seu ombro, mas sorriu confiante e disse:

– Você não precisa me dizer como lutar, menina feia – Charlotte mexeu no cabelo – pode deixar que eu resolvo isso.

Preferi não subestimá-lo, afastei-me e encarei Hitsugaya que parecia estar esperando que eu atacasse primeiro. Preparei-me e liberei a verdadeira forma de minha espada.

– Tamashī o tōketsu – disse calmamente – Gyakuryu.

Em poucos segundos outra espada surgiu na ponta da corrente que eu segurava, como de costume estava coberta de gelo e pesava bem mais que o normal. Ele havia me dito que a guerra seria difícil, mas não imaginei algo tão terrível... De qualquer forma, não era o Hitsugaya, ele jamais faria aquilo por vontade própria, e se eu tivesse que matá-lo...

Investi contra ele, nossas laminas se encontraram em um “X” duas vezes enquanto eu tentava atingi-lo diretamente, empurrei-o para trás com as espadas e tentei atingi-lo inúmeras vezes no rosto, mas ele desviou de todas. Ergui Gyakuryu enquanto usava a suporte para me defender e desferi um golpe em seu ombro, mas ele saltou para longe. Hitsugaya correu até mim e tentou me atingir na barriga, defendi-me fazendo sua zanpakutou deslizar para o lado e aproveitei para chutar sua barriga, fazendo-o se afastar. Aquilo não pareceu tê-lo afetado muito, mas é claro que eu já esperava, já havia lutado com Hitsugaya antes e sabia que seria difícil derrotá-lo. Quando ele finalmente ficou de pé, avançou em minha direção e saltou segundos antes de me atingir.

– Hyouryuu Senbi! – disse com uma voz calma e cortou o ar com a espada.

Joguei-me para o lado e saltei em sua direção, sabia que não seria fácil atingi-lo, já que ambos podíamos controlar o gelo. Infelizmente eu não tinha animo nenhum em tentar feri-lo, queria que alguma coisa inusitada acontecesse e fizesse a luta terminar.

Agora estávamos no ar, teríamos mais liberdade para prosseguir com a luta. Tentei acertá-lo por trás, mas ele foi mais rápido e parou minhas espadas jogando-me para trás. Afastei-me mais, saltei e cortei o vento com a espada na horizontal.

Hyosho! — gritei, e lâminas de gelo foram atiradas na direção de Hitsugaya.

Ele usou a lâmina da espada para desviar minhas lâminas de gelo, então ficou parado no mesmo lugar olhando para mim.

– Venha! – disse eu, formando um “x” com as espadas – Ta esperando o que?

– Nunca pensei que teria de lutar com você, Satsuki – disse ele, de repente – não de verdade.

Fiquei sem ação, agora tinha certeza de que a zumbificação feita pela Quincie zumbi não interferia diretamente nas memórias da vítima, apenas as tornavam seus subordinados.

– No entanto – continuou ele – você está hesitando em me atacar. Qual é o problema? – agora ele andava em minha direção – eu sou... Tão importante assim pra você?

Arregalei os olhos, Hitsugaya desapareceu da minha frente e apareceu poucos segundos depois atrás de mim, pela distração eu não consegui me voltar para ele a tempo, dando-lhe total liberdade para desferir-me um chute nas costas. Eu caí em uma velocidade incrível, atingi o chão formando uma pequena cratera e tentei não ficar deitada por muito tempo. Levantei-me lentamente e observei a minha volta, os outros ainda estavam lutando... Por um momento eu havia esquecido a presença deles, pareciam estar com tantos problemas quanto eu.

Finalmente fiquei de pé, Hitsugaya estava parado na minha frente pronto para me atacar mais uma vez. Droga, eu tinha que matá-lo! Mas mesmo que eu quisesse não saberia como... Eu podia usar aquilo nele, pensei, mas se o usasse agora, talvez não conseguisse ajudar os outros com a Quincie zumbi.

– Você não é o Toushiro – minha voz tremia de raiva – esse pode ser o corpo dele, mas o Hitsugaya que eu conheço jamais empunharia a espada contra a Seireitei!

– Se é isso o que você pensa – ele mostrou um pequeno e sinistro sorriso – lute sério comigo!

Assim que ele o disse, investi contra ele, dessa vez deixando-o ver o ódio que eu estava sentindo. Não me preocupava mais saber que aquele era o corpo de Hitsugaya, mataria uma das pessoas mais importantes para mim novamente porque aquela era a minha obrigação.

Ele tentou me atingir na cintura, mas eu saltei e fiquei de pé equilibrando-me na ponta da lâmina de sua espada, fazendo-o baixá-la. Desferi um golpe em seu rosto causando um corte em sua bochecha, e aquilo foi tudo o que consegui fazer. Ele era tão rápido quanto eu, aquilo era só mais uma desvantagem. O que eu poderia usar contra ele?

Ataquei-o de frente repetidamente tentando acertar seu rosto, e ele se defendeu sem nenhuma dificuldade. Usei o shunpo para desviar-me de seu próximo ataque e consegui tempo o suficiente para desferir um golpe em suas costas que rasgou seu uniforme e expôs um grande ferimento. Seu rosto possuía uma expressão de dor, mas ele não ficou parado para esperar que eu o atacasse novamente, desviou-se e continuou a tentar me atingir, mas foi interrompido pela voz de uma garota, era a Quincie.

– Vocês dois estão me entediando! – disse ela, parando sua própria luta para falar conosco – Talvez eu deva deixar isso um pouquinho mais interessante... Senhorita tenente, por que não vem dar uma mãozinha para o seu capitão?

Então nem mesmo Matsumoto conseguiu escapar dela, agora sim seria muito mais difícil. Minhas mãos doíam, segurei a empunhadura das espadas com tanta força que elas sangraram. Matsumoto finalmente apareceu, possuía o mesmo olhar vazio que Hitsugaya e agora estava vindo em minha direção, eu não podia ficar ali parada, voltei-me para Hitsugaya e me preparei para continuar quando alguém segurou meu ombro.

– Cuide de Matsumoto – disse ele – eu lutarei com Hitsugaya.

– Kuchiki taichou?! – disse meio surpresa – mas, eu...

– Você é forte, tenho certeza de que mesmo sendo difícil você conseguiria matá-lo – disse ele – não estou lhe subestimando, se foi o que pensou. Mas temos que acabar logo com isso, Kurosaki Ichigo ainda precisa de nossa ajuda.

Baixei a cabeça e afrouxei os nós dos dedos, senti minhas mãos arderem. O capitão Kuchiki não esperou uma resposta, apenas entrou em minha frente e tomou partido da minha luta contra Hitsugaya. De certa forma me senti aliviada, fiquei de costas para ele e me preparei para atacar Matsumoto.

– Kuchiki taichou... – falei – obrigada.

– Você não tem pelo que agradecer – disse ele, simplesmente – agora vá!

[...]

Corri em direção à Matsumoto, quando finalmente nos encontramos, nossas espadas colidiram formando uma cruz. Matsumoto me encarou friamente e disse:

– Unare, Haineko!

Nesse momento sua espada se transformou numa grande nuvem de cinzas e me cercou, eu sabia que se encostasse nelas eu seria cortada e definitivamente não queria isso. Concentrei-me, ergui as espadas formando uma espécie de pirâmide e gritei:

Reisui, Kato Okami! – nisso, uma luz azulada surgiu do chão e envolveu as cinzas de Haineko, congelando-as.

Usei a espada para estilhaçar o gelo e investi mais uma vez em direção à Matsumoto que agora já havia recuperado a forma de sua espada, consegui me desviar de um de seus golpes e joguei-me para o lado no momento em que ela baixou a guarda, assim pude atingir sua cintura. Ela segurou o ferimento por um momento e logo se voltou para mim, lançou as cinzas de Haineko mais uma vez e conseguiu ferir meu braço, por sorte não atingiu meus nervos.

Matsumoto tentou perfurar meus pés, mas eu pulei por cima dela e esperei que se virasse, era a minha chance de Pará-la. Antes que pudesse me atacar novamente, enrolei as correntes em Haineko e então juntei as espadas, e enquanto Matsumoto tentava se soltar, finquei as lâminas em sua barriga.

Higetsu! – falei, e mais uma vez uma luz azulada apareceu emanando de minha espada, congelando Matsumoto lentamente.

Senti-me horrível, mesmo que aquilo não fosse matá-la. Afastei-me lentamente enquanto ela congelava. Finalmente tinha terminado, caí de joelhos no chão ao lado dela e tentei respirar mais devagar, estava exausta. Olhei para o capitão Kuchiki que continuava sua luta com Hitsugaya, ele parecia estar indo bem, já que Hitsugaya parecia bem mais indisposto para lutar. Eu queria terminar logo com aquilo mesmo que fosse deixar o capitão com raiva, usaria aquela técnica primeiramente em Hitsugaya, e depois usaria a ultima vez com a Quincie zumbi, eu precisava fazer aquilo.

Levantei-me e corri até eles, Byakuya estava prestes a desferir um golpe em Hitsugaya quando eu apareci atrás do mesmo. Antes que Byakuya pudesse golpeá-lo, adiantei-me e finquei as espadas nas costas de Hitsugaya, bem na altura de seu coração. Respirei fundo, baixei a cabeça e pronunciei as palavras certas.

Tamashi... o Kurosu [congele a alma/atravesse a alma]

Minhas espadas agora eram completamente feitas de gelo, até mesmo as correntes haviam sido congeladas. Hitsugaya curvou-se e cuspiu sangue, havia conseguido Pará-lo também. Senti através da lâmina de minhas espadas quando suas veias sanguíneas e o seu coração foram congelados, doeu pensar como a sensação seria, mas eu esperava que fizesse efeito. Aquela técnica podia congelar o coração e o sangue de quem as minhas lâminas tocassem, certamente causaria intenso desconforto,e durante a Bankai... O resultado era melhor ainda.

O corpo de Hitsugaya se desprendeu das espadas e começou a cair, usei o shunpo para alcançá-lo antes que atingisse o chão e o acomodei em meu colo delicadamente. Acabou, pensei, ele teria feito a mesma coisa. Byakuya resolveu me seguir, parou na minha frente e observou enquanto eu encarava os olhos de Hitsugaya.

– Eu poderia tê-lo feito – disse o capitão – mas ele era importante demais para você, foi melhor assim.

– Sim – respondi – mas não acabou ainda.

Deitei o corpo de Hitsugaya no chão e me levantei, definitivamente não estava me sentindo bem. Meu corpo tremia, senti uma força tremenda abalar a minha reiatsu e uma vontade terrível de gritar. Eu a mataria, minha técnica era perfeita para ser usada contra aquela maldita e ninguém iria interferir!

Fiz uma breve reverência ao capitão Byakuya como sempre fazia ao encontrá-lo e voltei correndo para o campo de batalha. Eles ainda lutavam, Charlotte parecia já ter derrotado Bambietta, mas estava caído aos pés da Quincie zumbi, era a minha chance de tomar as rédeas da batalha. Subi nos escombros mais perto deles, respirei fundo e apontei minhas espadas na direção da Quincie.

– E eu aqui achando que você era super forte só porque derrotou a Bambi-chan – dizia ela enquanto pisava em Charlotte – ela era uma inútil também, não tem problema.

– É melhor você olhar para mim – disse eu – Sabe, eu não sou covarde o suficiente para atacar alguém pelas costas.

A Quincie se dobrou para trás para poder me ver, parecia impressionada.

– Ooh, então você matou mesmo aquela peituda e o capitão dela? – perguntou-me – eu te subestimei demais, eu acho. Quem eu deveria fazer lutar com você ago-

– Pare de enviar esses seus zumbis de merda para lutar em seu lugar – interrompi – você vai lutar comigo, seu traveco arrogante!

Ela tinha uma cara muito estranha, seu olhar era vidrado e ela não parecia nem um pouco intimidada, mas eu também preferia assim, queria poder tirar aquele sorriso sarcástico do rosto dela com as minhas próprias mãos.

– Tudo bem, então – disse finalmente, então se voltou completamente para mim – vou lutar com você.

Ergui as espadas formando um “x” e a encarei, teria apenas uma chance para matá-la e eu não desperdiçaria. Concentrei toda a minha reiatsu e todo o ódio que estava sentindo, respirei fundo e continuei.

– Eu tive que matar uma das pessoas mais importantes para mim, não espere que eu tenha piedade – soltei uma risada e lancei-lhe um grande sorriso sinistro – eu vou tirar tudo de você começando pela sua arrogância, e quando eu finalmente terminar, vou fazê-la implorar pela morte!

Baixei as espadas na altura do pescoço ainda formando um “x” com as mesmas e gritei:

BAN-KAI! FURIDAMU KODOKU TOBOE, GYAKURYU

Uma luz branca se misturou ao vento e me envolveu formando um rodamoinho, quando ele se desfez, pude ver o efeito da Bankai Hollowficada. Por cima do meu uniforme rasgado havia uma espécie de manto completamente branco que lembrava os pelos brancos de um lobo, minhas mãos estavam cobertas de gelo e uma gola de cristais do mesmo material cobria meus ombros e meu pescoço, ainda havia metade de uma mascara de gelo cobrindo parte do meu rosto, devia ser a tal mascara Hollow. Eu me sentia muito mais forte, sentia que podia destruir qualquer coisa e definitivamente venceria aquela luta. Eu a faria se arrepender, ia mostrar-lhe o verdadeiro inferno, e ele era feito de gelo.

Saí de controle, tinha esquecido que isso poderia acontecer, meu sangue já havia entrado em contato com o DNA Hollow uma vez e nada de bom aconteceu, mas eu não me importava. Urrei de raiva, minha voz estava tão distorcida que até mesmo eu fiquei assustada, corri em direção à Quincie zumbi e segurei-a pelo pescoço lançando-lhe para cima, quando já estava bem alto, subi até sua altura e a chutei para baixo. Ela caiu em uma grande velocidade no chão abrindo uma nova cratera, levantou-se cambaleando e olhou para cima tentando me localizar.

– Oh, você é má... Isso realmente doeu – disse ela – mas não é o bastante, como exatamente pretende me matar?

– Eu pretendo te fazer sofrer primeiro – respondi – se eu quisesse matá-la logo no início, já o teria feito!

Desci rapidamente fazendo o chão tremer, corri até ela e me preparei para socá-la. Percebendo que eu não usaria a espada tão cedo, a Quincie mordeu o dedo e tentou jogar o sangue em minha direção, mas eu desviei e acertei seu rosto, jogando-a mais uma vez no chão. Afastei-me tentando calcular seu próximo ataque quando levantasse, obviamente ela tentaria me sujar com o seu sangue, eu não podia feri-la de forma alguma, não em outro lugar que não fosse o coração.

Finalmente ela ficou de pé e começou a rir.

– Você é só uma Shinigami revoltada – disse ela – vou perguntar de novo. Como você pretende me matar?

Soltei uma risada fria, investi contra ela e a mesma sumiu de vista aparecendo atrás de mim, suas mãos estavam sujas de sangue e ela estava tentando encontrar uma chance para me atingir, mas eu fui bem mais rápida. Envolvi as correntes da empunhadura e seus braços e joguei-a por cima do ombro fazendo-a colidir com uma grande pilha de escombros.

Pensei que tinha terminado, eu só teria que andar até ela e fincar minhas espadas em seu coração. Estava muito enganada. No momento em que me aproximei dela, os soldados do esquadrão 11 apareceram e saltaram para cima de mim, golpeando-me cegamente. Desviei enquanto pude, mas alguns deles conseguiram me ferir. Segurei as correntes da empunhadura da espada suporte e girei Gyakuryu no ar tentando afastar os soldados da melhor forma que conseguia.

Quando finalmente tinha acabado com todos, a Quincie zumbi surgiu em meio à multidão, parecia estar se divertindo muito com tudo aquilo, e de certa forma eu também estava. Meu corpo tremeu de ansiedade e senti o peito ficar frio, deixei-a chegar perto o suficiente e me preparei para desviar de suas mãos ensanguentadas. Quando tive a chance, agachei-me e desferi dois únicos golpes em suas pernas, cortando seus nervos. Tive muito cuidado em fazê-lo, se deixasse o sangue dela espirrar em mim tudo estaria acabado e eu fracassaria, mas tudo ocorreu bem, o sangue sujou apenas a lâmina das minhas espadas.

Instantaneamente ela caiu de joelhos no chão, sustentando-se apenas pelos seus braços.

– Neh – resmungou ela, ainda com aquele sorriso idiota no rosto – você vai mesmo matar uma garotinha indefesa?

– Eu não vou matar você – disse aproximando-me lentamente – isso só irá parar você por um tempo. Aliás, eu to sabendo que a punição que vocês Quincies recebem do seu senhor pelo fracasso é bem pior do que a morte pelas mãos dos Shinigamis, eu queria que você vivesse o suficiente para saber como é.

Dessa vez ela pareceu perturbada, virou o pescoço da melhor forma possível para conseguir me olhar e mostrou-me uma expressão assustadora.

– Parece que enfim você não vai mais incomodar ninguém – Juntei minhas espadas rapidamente e as finquei com cuidado em suas costas, na altura de seu coração – Tamashi o Kurosu – sorri – Gyakuryu!

E em uma pequena explosão, o corpo da Quincie foi transformado em gelo puro, tanto por dentro quanto por fora. As camadas de gelo eram quase indestrutíveis, perfeitas para mantê-la ocupada por um bom tempo até que pudesse ser punida pelas mãos de sua própria raça.

Quanto a mim, minha Bankai foi-se dissolvendo aos poucos. Em alguns segundos eu estava de volta com o meu uniforme normal, meu emblema de Tenente da décima terceira divisão estava sujo de sangue (o meu sangue) e meu corpo todo doía, mas eu não tinha tempo para descansar.

Ignorei Mayuri que parecia estar me chamando e cambaleei até o outro lado do campo de batalha onde o corpo de Hitsugaya e Matsumoto estavam, quando cheguei, sentei-me ao lado de Hitsugaya e o puxei para o meu colo, a cor de sua pele tinha voltado ao normal. Fiquei ali, quieta por alguns segundos esperando alguma coisa acontecer, mas foi inútil, ele já deveria estar morto.

– Ei, eu estava falando com você! – disse Mayuri, que havia me seguido até ali – você é tão mal educada assim?

– Mayuri taichou – falei tentando ignorar a dor que sentia na garganta – você acha que... Eles ainda podem estar vivos?

– O que? – ele fez uma careta – o que quer dizer com isso?

– Você trouxe os Arankars de volta a vida – olhei-o tentando conter o choro – por favor, tente trazê-los de volta também!

Mayuri coçou o queixo e depois cruzou os braços.

– Ora, vá pedir para o Kisuke fazer isso! – respondeu-me – ele não é melhor que eu? Então certamente ele conseguirá trazer o capitão da décima divisão e sua tenente de volta.

Calei-me, baixei a cabeça e pus-me a olhar o rosto de Hitsugaya. Não consegui conter as lágrimas por muito tempo, era demais para mim. Não foi um choro alto, muito menos solucei, apenas deixei que as lágrimas rolassem do meu rosto para o dele, e Mayuri pareceu ter percebido isso.

– Ah, mas que situação – disse ele – pare de chorar igual a uma criançinha, eu vou ver o que posso fazer. Nemu!

– Sim, Mayuri-sama? – disse Nemu, que apareceu do nada.

– Traga a mulher e o garoto, não temos muito tempo.

– Sim, Mayuri-sama.

Nemu correu até Matsumoto, pegou-a no colo e a jogou por cima do ombro, depois veio até mim e fez o mesmo com Hitsugaya que antes estivera no meu colo, depois foi embora deixando-me sozinha com Mayuri.

– Obrigada – disse eu.

– Não agradeça –disse ele – eu disse que vou ver o que posso fazer, não garanto que eles estejam vivos – olhou-me uma ultima vez e então foi atrás de Nemu.

Fiquei sentada no chão por um tempo até ter forças para me levantar de novo, o que não demorou muito. Eu ainda estava em um campo de batalha, e se demorasse mais um pouquinho para me levantar, certamente acabaria sendo atacada de surpresa.

Durante a minha trajetória até a enfermaria não conseguia pensar em outra coisa a não ser os meus momentos com Hitsugaya e Matsumoto desde o primeiro dia em que entrei na Seireitei. Eles eram insubstituíveis, e se eles morressem... Eu não saberia mais o que fazer.

Hitsugaya sempre dizia que o meu coração era tão frio quanto o de Gyakuryu, mas, no entanto, acho que ele estava errado.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Lembrando que isso é um Filler e também só aconteceria no mangá se a Satsuki fosse incluída no mesmo, ou seja, algumas mudanças que foram feitas no texto são improváveis no mangá.