Notas iniciais
Desculpem a demora e boa leitura.

A reiatsu estava distante e forte, mas não estávamos conseguindo descobrir de onde ela vinha. De repente Hitsugaya parou de correr, olhei para ele e vi que não estava bem, seus olhos se arregalaram enquanto ele olhava para o nada.

– Toushiro, o que foi? – perguntei.

– A reiatsu deles – respondeu ainda como se estivesse em transe – eu sei de onde vem!

Ele nem me esperou, mudou de direção e eu fui atrás dele, nunca pensei que o veria tão desesperado daquele jeito, e aquele pânico na voz... Para onde ele estava indo? Hitsugaya disse para que Hyourinmaru e Gyakuryu ficarem por perto, eles eram tão quietos que mal sentia a presença dos dois. Passamos pela casa dos Kurosaki e encontramos com Ichigo saindo de casa, mas não paramos para falar com ele e se eu desviasse muito o meu olhar, acabaria perdendo Hitsugaya de vista.

Ei! Ei! – gritou Ichigo enquanto nos distanciávamos – Para onde estão indo?

Não sentiu essa reiatsu, Ichigo? – gritei de volta.

Não ouvi se ele respondeu, já estávamos longe demais e finalmente consegui alcançar Hitsugaya que já empunhava a espada.

– Toushiro, para onde estamos indo? – perguntei ofegante – para que esse desespero todo?

– Eles vão pega-la – disse ele – a vovó Haru!

Definitivamente não sabia de quem ele estava falando, não conhecia ninguém com aquele nome, mas ela parecia ser muito importante para Hitsugaya. Continuamos correndo, dobramos a esquina, subimos a ladeira e demos a volta até chegar à entrada de uma casa com muros de pedra e madeira. De fato a reiatsu vinha de lá, agora eu podia senti-la melhor e bem mais forte, Hitsugaya disparou para dentro da casa e eu fui atrás dele.

[POV: Hitsugaya]

Corri o mais rápido que pude para lá junto de Satsuki, mandei que nossas Zanpakutous esperassem do lado de fora e adentrei a casa. O que eu temia estava acontecendo, um Grand Fisher estava segurando-a de cabeça para baixo pronta para devorá-la enquanto outro apenas observava, vovó Haru parecia estar inconsciente, saltei para o telhado da casa onde o Grand Fisher estava e cortei fora a pata que ele usava para segura-la, fazendo-o urrar de dor. Peguei-a no colo antes que caísse e voltei para o chão.

– Vovó Haru! – chamei inutilmente, sabia que não acordaria naquela situação. Voltei-me para o Grand Fisher que ainda reclamava da dor de ter perdido uma das patas – Como vocês estão se multiplicando tão rápido, hã!?

– Sim – disse Satsuki, que agora estava parada ao meu lado – Não existia apenas um? De onde diabos vocês estão saindo?

– Ah, mulher... – o hollow que antes nos observava sem ação se aproximou – vocês shinigamis vivem em um mundo perfeito, não é?

– O que quer dizer? – perguntou ela desembainhando a espada.

– Para serem como nós, os espíritos devem ter feito coisas terríveis antes de serem levados pela morte – disse ele – e tudo o que vocês tem que fazer é sair por aí caçando espíritos como nós, estragando nossa diversão.

Satsuki investiu contra o hollow. – Tem razão – disse ela enquanto saltava para cima dele – talvez seres como vocês sejam realmente as vítimas, pois não tem poder suficiente para nos enfrentar!

Ora seu verme insignificante, eu irei acabar com vocês!

Voltei minha atenção para o hollow que estivera prestes a devorar a vovó Haru, ele parecia estar se preparando para me atacar. Finalmente ele se mexeu, desviei de seu golpe com dificuldade tentando não deixar a vovó cair, coloquei-a no chão com cuidado e voltei-me novamente para ele. Saltei, cortei fora suas garras avermelhadas e aproveitei a distração para cortar ao meio a sua mascara. Comparando-o aos outros que havíamos enfrentado, aquele parecia ser bem mais lento e burro, derrotei-o facilmente.

Infelizmente não podia dizer o mesmo sobre o que Satsuki enfrentava, ele era muito rápido e ágil, desviava-se de seus golpes com facilidade e contra-atracava rapidamente. Ele envolveu Satsuki com o seu pelo, mas ela escapou usando o Hyosho. Os espinhos de gelo cortaram o pelo do Grand Fisher dando passagem para Satsuki, que parecia despreocupada.

De repente o hollow olhou em minha direção, ele ignorou Satsuki e lançou seus tentáculos feitos de pelo com a intenção de pegar vovó Haru que ainda estava deitada no chão à meu lado. Defendi fazendo seu pelo atingir a lâmina da minha espada, olhei para Satsuki que já se preparava para atacá-lo e disse: — Pegue a vovó Haru e tire-a daqui, eu cuido dele!

Ela não discutiu, usou o shunpo para chegar mais rápido até mim e pegou a vovó no colo, levando-a para longe. Agora eu estava mais tranquilo, cortei o pelo do Grand Fisher e saltei, desviei-me de seus ataques e quando estava bem perto, finquei a espada em seu peito. Ele gritou e usou suas garras para tentar me prender, mas eu as cortei fora e finquei a espada em sua mascara, fazendo-a quebrar.

Seu moleque...

Enquanto ele era reduzido a sombras, comecei a procurar por Satsuki que parecia não estar mais no quintal, saí da casa e a encontrei sentada ao lado de vovó Haru, que pelo jeito havia acabado de despertar. Hyourinmaru e Gyakuryu observavam de longe, pareciam estar preocupados conosco quando entramos, mas assim que eu apareci, eles se tranquilizaram.

Andei até lá e ajoelhei-me perto delas. – Vovó, você está bem? – perguntei.

– Estou sim, querido, obrigada – ela olhou para Satsuki – a sua amiga curou o meu ferimento, já me sinto melhor.

Encarei Satsuki. – Conseguiu curá-la sozinha?

– É eu aprendi um kidou de cura há algum tempo atrás – respondeu ela – não é grande coisa, mas ainda assim serviu.

Lancei-lhe um olhar agradecido, nem tinha reparado que vovó Haru havia se ferido. Eu me levantei e estendi as mãos para que elas pudessem fazer o mesmo. – Espero que isso não aconteça novamente. – comentei.

– Não se preocupe, se eles voltarem tenho certeza de que Ichigo cuidará de tudo – disse Satsuki, tranquilizando-me – Ah, a propósito – ela se voltou para a vovó Haru – a senhora é mesmo a avó do Toushiro?

– É quase isso, querida – disse ela enquanto nos guiava de volta para sua casa – eu o conheci há muitos anos atrás quando ele era mais novo, cuidei dele como se fosse realmente o meu neto. E veja só como ele cresceu, virou um belo rapaz, não acha?

Satsuki me lançou um sorriso amigável, torci para não estar corado por causa do comentário da vovó Haru. Ela cuidou de mim quando fui designado para o mundo real para ganhar experiência eliminando hollows, ela era uma ótima pessoa, não podia imaginar algo ruim acontecendo com ela.

Fazia muito tempo desde a minha ultima visita a vovó Haru, quase não tive tempo de falar com ela por causa dos acontecimentos e o trabalho na Soul Siciety, fiquei meio preocupado sobre isso, pois já era bem raro eu conseguir visitá-la. Sentei-me na varanda com Satsuki enquanto ela caminhava pelo quintal, parecia estar a procura de alguém ou de algo. Finalmente o que ela estava procurando apareceu de uma pequena moita no jardim, um gato preto pulou para os pés de vovó Haru que agachou e o pegou no colo, perecia ser um filhote ainda. Ela caminhou até nós se se sentou ao lado de Satsuki, passando o gato para o colo da mesma.

– Eu encontrei o pequeno Ichi faz alguns meses – disse vovó Haru, enquanto observava o gato brincar no colo de Satsuki – ele passou a me fazer companhia, é um ótimo gatinho.

– Ele é uma graça! – disse Satsuki, voltando-se para mim – aqui, capitão! – ela colocou o filhote na altura do meu rosto, como se quisesse que eu o pegasse.

O gato cheirou o meu nariz, o que por algum motivo fez Satsuki rir. Tentei ignorar a vergonha e passei o gato para o meu colo, acariciando-o.

A vovó sorriu e mexeu no cabelo, levantou-se e antes de entrar, perguntou: — Afinal, o que os dois fazem aqui? Estão trabalhando?

Deixei o gato descer e voltei o olhar para vovó Haru. – Nós tínhamos de investigar o mundo real, achamos que algo está para acontecer. Nosso trabalho já estava feito, mas essa cabeça dura – apontei para Satsuki – insistiu em ficar mais, só espero que isso não nos traga problemas.

– Olha quem fala – Satsuki cruzou os braços – se não tivéssemos ficado, não teríamos salvado a senhora Haru! Não seja tão orgulhoso.

– EU sou orgulhoso? – fuzilei-a com o olhar – tudo bem é verdade que nós conseguimos salvá-la, mas isso não quer dizer que você não está encrencada. Aliás, você é muito arrogante!

Ela empalideceu e sorriu nervosamente. – Eu não sou arrogante, seu baixinho!

Meu sangue ferveu e meu corpo todo tremeu, não acreditei no que ouvi. Puxei Satsuki pela gola de seu kimono e ela fez o mesmo com o meu. – Você tem a mesma altura que eu, sua idiota! – disse eu.

Ouvi a risada de vovó Haru e soltei Satsuki imediatamente.

– Vocês são uma gracinha juntos – a vovó sorriu para nós.

O rosto de Satsuki parecia estar tão vermelho quanto o meu só que ao contrario de mim, ela conseguiu pronunciar algumas palavras. – Não é isso, senhora Haru – ela agitou as mãos na frente do rosto – a senhora deve ter entendido tudo errado!

– Sim – falei – não tenha impressões erradas!

Vovó Haru não pareceu ter desistido daquela idéia, continuou rindo e dizendo o quanto éramos “bonitinhos” até que finalmente tivemos de ir embora. Antes de irmos, prometi a vovó que voltaria para vê-la assim que pudesse e ela insistiu que eu levasse Satsuki novamente.

Finalmente nos juntamos às nossas zanpakutous e abrimos o portal para voltar para a Seireitei, e como esperado, alguns já estavam dando por nossa falta. O primeiro a vir falar conosco foi Kuchiki Byakuya, que perguntou se havíamos encontrado algo a mais no mundo real depois que ele foi embora. Contei a ele tudo o que aconteceu com relação aos hollows e a reiatsu estranha que nós sentimos, depois me despedi de Satsuki que pareceu ter se lembrado na mesma hora de que ainda era uma tenente e que devia explicações para o seu capitão.

Ela foi realmente de grande ajuda, e de fato se não tivesse insistido para que ficássemos provavelmente vovó Haru teria sido devorada pelos hollows. Hyourinmaru e eu decidimos voltar para o escritório para fazer os relatórios, definitivamente estava na hora de fazer algo quanto àquelas aparições no mundo real, Satsuki tinha razão.

[...]

[POV: Satsuki]

Agora eu teria de enfrentar o pior inimigo de todos: O meu capitão com raiva. Bem, era até difícil pensar em uma pessoa como ele sentindo raiva de alguém, mas eu tinha ido longe demais sem nem mesmo avisá-lo. Tinha certeza de que ele não iria tolerar uma terceira vez, então tinha que tomar muito cuidado.

Corri para o escritório do capitão da décima terceira divisão, respirei fundo e bati na porta, não demorou muito ela abriu. Sougyo no Kotowari me observavam surpresos, pareciam tentar lembrar de onde me conheciam até que perceberam o meu emblema de tenente da décima terceira divisão.

– Ei, tia – disse um deles – você consegue carregar a gente?

– Carregar vocês? – olhei-o confusa.

As zanpakutous simplesmente pularam no meu colo e eu fui obrigada a segurá-los. Tinha duas escolhas, ou eu permanecia com os dois no colo, ou os deixava cair. Preferi desafiar a minha força, entrei no escritório carregando-os enquanto Gyakuryu me seguia em silêncio. Como esperado o capitão estava lá, parecia estar bem ocupado com os relatórios e os outros documentos.

– Perdão, capitão Ukitake – disse eu – acho que lhe devo uma explicação.

– Não precisa – disse ele, sem olhar para mim – Kuchiki Byakuya já me contou tudo, você e Hitsugaya decidiram ficar no mundo real... Sei que foi necessário, mas você devia ter falado comigo antes de ir para Karakura.

– Eu sei, por isso vim me desculpar – Sougyo no Kotowari pularam de cima do meu colo e foram para o outro lado do escritório – capitão, nós precisamos falar com Kisuke Urahara!

– Kisuke Urahara? – ele finalmente olhou para mim – para quê?

– Sinto que se não fizermos logo algo, essa história não vai acabar bem... – respirei fundo – quero pedir novamente ao mestre Genryuusai para que nos envie em uma missão no Hueco Mundo!

O capitão pareceu surpreso, parou de escrever e voltou completamente a atenção para mim. – Não podemos simplesmente pedir permissão a ele, Satsuki-san. Se insistir é capaz até mesmo de causar algum problema para si mesma!

Ele tinha razão, aquilo poderia acabar até mesmo com o meu posto como tenente, mas eu não conseguia parar de pensar no que aquele Grand Fisher me dissera, no que aquela voz estranha no meu sonho me dissera e na missão que Gyakuryu havia mencionado. Eu precisava tentar, precisava fazer alguma coisa para ser mandada para o Hueco mundo e descobrir de uma vez por todas o que estava acontecendo, e eu sabia que não era a única que pensava assim.

– Serei paciente, capitão – disse eu, finalmente – mas... Temo que terei de contatá-lo novamente, não posso simplesmente ficar parada sabendo que tem algo de errado acontecendo e que isso me diz respeito.

– Diz respeito a você?

Calei-me, não tinha mais como esconder o que estava acontecendo. Preparei-me para contar o que aconteceu comigo em Karakura quando um dos subordinados do esquadrão treze adentrou o escritório parecendo desesperado.

Capitão Ukitake, tenente Satsuki!

– O que aconteceu? – o capitão se levantou.

– A oficial Kuchiki Rukia e o substituto de Shinigami, Kurosaki Ichigo, acabaram de informar que viram algumas zanpakutous vagando pelo mundo real!

Empalideci, encarei Sougyo no Kotowari que pareciam perfeitamente normais e até mesmo surpresos com o que ouviram, depois desviei o olhar para Gyakuryu, que parecia estar tão surpresa quanto.

O capitão pousou a mão no meu ombro. – Resolveremos isso hoje, Satsuki-san. Por ora temos de resolver esse problema!

Assenti e corri para fora do escritório juntamente ao subordinado que veio nos dar a notícia.

Notas finais
Review?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.