Bleach: Darkness of the Past

20 O Sofrimento de uma Alma Sem Nome


Notas iniciais
Hey *--* Gomen pelo atraso pessoal! Tive uns probleminhas com a internet 3 Enfim, gostaria de agradecer mais uma vez pelos comentários e favoritos que a fic tem recebido ♥ Fico muito feliz também com o número de visualizações no AS e aqui no Nyah! Juntando ambos os sites, BDOTP já tem mais de 4.400 visualizações *o* nunca esperei por isso tudo! Obrigado a todos! Essa primeira temporada vai terminar com 23 ou 24 capítulos (isso se até o final eu não escrever nenhum extra!). Bom, sem mais delongas, vamos ao capítulo!

Hisana sentia-se cada vez mais desnorteada. Tudo parecia desmoronar ao seu redor, como se cada estrutura que a mantivesse erguida cedesse, fazendo todo seu “eu interior” se desfazer em uma imensa chuva de escombros. Seu corpo estava tenso e seu cérebro tentava processar a notícia que acabara de receber, mas não obteve sucesso.

Não podia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Uma guerra havia acabado de ser declarada e seu irmão desapareceu.

Aquilo era demais pra ela.

Seu coração palpitava freneticamente, deixando-a ofegante.

— Hisana-san, se acalme... Sei que é difícil pra você, principalmente nesses tempos de guerra. Mas eu quero que saiba que Kaien não está nas mãos dos inimigos.

Agora, Hisana sentia seu coração encher-se de alívio, mas que logo se transformou em confusão.

— Eu não estou entendendo...Então, onde ele está?

— Eu não sei, Hisana-san. Mas...- Urahara pegou um pedaço de papel do bolso. — Ele deixou isso.

Com as mãos trêmulas, Hisana pegou o pequeno pedaço de papel das mãos de Urahara. Começou a ler.

“ Para minha família,

Só quero deixar bem claro que eu estou bem, mão não posso dizer onde estou. Acredite, vocês saberão quando chegar a hora. Não se preocupem comigo. Uma guerra está chegando e vocês precisam se esforçar para vencê-la...Sim, eu sei de tudo que está acontecendo na Soul Society.

Por favor, sobrevivam...

Kaien

Hisana não sabia o que pensar. Seu irmão sabia de tudo, mas por que ele foi embora?

A informação caiu como um raio na shingami. Kaien foi embora. Mas pra onde?

Leu e releu novamente o bilhete, não havia dúvidas, aquela caligrafia era dele.

— Hisana-san...Não faço ideia de como Kaien soube. Ele foi a minha loja depois de se encontrar com você, ele estava preocupado com seu comportamento e sabia que algo estava errado...É claro que eu não contei nada, mas tenho certeza que Kaien não descobriu isso sozinho.

— Então, alguém contou a ele?

— Acredito que sim, e, seja quem for, não possui reiatsu.

— Um humano?

— Sim.

— Mas, como um humano saberia o que acontece na Soul Society?

— Não sei, Hisana-san. Mas Kaien deve ter ido embora com essa pessoa.

Hisana ficava cada vez mais confusa e perturbada.

— Por que Kaien faria isso?

— Isso só ele poderá nos dizer Hisana-san.

*****

HUECO MUNDO

— Alucard-sama, os exércitos estão prontos.

A voz de Klein despertou Alucard de seus pensamentos.

— Finalmente...- Comemorou o rei, sem demonstrar emoção alguma. — Klein.

— Sim, Alucard-sama?

— Você ficará aqui assim como eu, iremos quando chegar a hora. Além do mais, você precisa ficar de olho nele.

— Fala do garoto?

— Sim. Você ficará aqui e irá observá-lo.

— Hai, Alucard-sama.

— Agora, vamos erguer Hueco Mundo novamente...

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SOUL SOCIETY

ALGUMAS HORAS DEPOIS...

Eles estão perto. Muito perto.” pensou Masaki, enquanto olhava para o céu límpido e perfeitamente azul da Soul Society. Todos os esquadrões foram divididos em grupos mistos, que foram espalhados por toda extensão de Sereitei. Masaki estava junto de alguns shinigamis do 8º esquadrão, além de outros do 6º esquadrão, inclusive Ginrei e Renji. Cada grupo defenderia uma determinada área de Sereitei. Seu grupo ficou responsável por defender o Portão Norte, a principal entrada para Sereitei. Mas, Masaki sabia que os inimigos jamais entraria pela porta da frente, embora tivesse certeza que uma hora ou outra, a guerra chegaria até eles.

Um arrepio lhe percorreu a espinha. Em breve a batalha começaria.

Sentiu uma mão tocar carinhosamente em seu ombro, por um instante achou que fosse Ginrei tentando lhe acalmar, mas não, era Suzelle.

— Suzelle! O que está fazendo aqui?

— Só vim te dizer uma coisa.

— O que?

Ela sorriu docemente.

— Masaki, sei que está com medo...Todos estão.

— Eu não tenho medo da morte, Suzelle. Tenho medo de não ser forte o suficiente para defender meu lar.

— Mestra, lembre-se, você é forte! Sempre foi e sempre será.

— Hai, obrigado Suzelle. — Masaki sorriu, agradecida.

— De nada, mestra. Lembre-se, sempre que precisar, eu estou aqui.

Suzelle desapareceu, deixando apenas uma poeira dourada e brilhante no ar.

*****

Hisana sentiu o vento bater em seu rosto suavemente. Respirou fundo, não estava pronta, mas era a médica responsável pelo grupo que defenderia a Central 46 e, portanto, teria que ser forte. Ela sentiu um frio na barriga, estava com medo. Muito medo.

Tudo que ela queria era correr para sua casa, se esconder em baixo de algum cobertor e acreditar que tudo o que estava acontecendo não passava de um terrível pesadelo, que logo ela acordaria e ele desapareceria e tudo que restaria seriam os dias felizes com sua família. Mas Hisana sabia que isso era impossível...A guerra logo chegaria e precisava estar pronta.

O 4º esquadrão foi inteiramente dividido. Cerca de 3 shinigamis médicos eram enviados para cada um dos grupos espalhados por toda a Sereitei. Hisana foi a escolhida para auxiliar o grupo que protegeria a Central 46, graças aos poderes de cura de Madelline. Além dela estavam Isane, a tenente de seu esquadrão e Mei, a nova 5º posto do 4º esquadrão. Em seu grupo também estavam a tenente do 12º esquadrão, Nemu; o tenente do 9º esquadrão, Hisagi; o tenente do 1º esquadrão, Sasakibe; além de muitos homens da Omnitsukido. Seu grupo estava entre os mais fortes.

Hisana sentia-se deslocada, queria que seus pais estivessem ali para confortá-la. Queria que Kaien estivesse lá também...Fechou os olhos ao se lembrar da hora em que disse para seus pais sobre o desaparecimento de Kaien. Assim como ela, Ichigo e Rukia não entendiam o porquê de Kaien ter ido embora sem deixar maiores explicações, mas depois ficaram preocupados por saber que ele estava com alguém que pode não ser confiável.

Hisana suspirou. Precisava confiar em seu irmão, se ele foi embora com alguém, essa pessoa com certeza é confiável.

Balançou a cabeça e voltou a se concentrar na guerra.

****

Defendendo a sede do 1º esquadrão, principal alvo dos hollows estava o grupo mais forte, formado apenas por capitães do Gotei 13, inclusive o próprio comandante Yamamoto. Todos eles fitavam o longe como se soubessem que os inimigos viram por lá. Eles foram escolhidos para lutarem contra os vasto lordes. Unohana era a única médica responsável por esse grupo.

Bem atrás das figuras imponentes do capitães estava um jovem shinigami que seria o mensageiro, recebendo mensagens de todos os outros grupos, mantendo os capitães informados de tudo o que acontecia por Sereitei, através de borboletas infernais.

De onde os capitães estavam eram possível toda a paisagem de Sereitei.

Byakuya, por mais que se esforçasse, sabia que era impossível ver sua família dali. Yoruichi estava liderando o grupo responsável por defender as terras nobres da Soul Society, embora todas as famílias nobres já tivessem sido evacuados para algum lugar seguro. Já Ginrei estava bem mais distante, defendendo o portão principal de Sereitei, junto com Renji e Masaki.

Só espero que eles sobrevivam...” pensou Byakuya antes de voltar a olhar o horizonte.

*****

Ichigo estava atento, mas nada acontecia. Seu grupo teria que defender a sede do 12º esquadrão, o lugar onde estava praticamente todos os estudos sobre todos os shinigamis, hollows, quincys, fullbringers e até humanos. Todo o conhecimento científico da Soul Society estava na sede do 12º esquadrão e era tudo precioso demais para ser perdido na guerra. Haviam shinigamis do 3º,5º e 9º esquadrão no grupo, além dos 3 médicos responsáveis por auxiliá-los caso se machuquem. Mas havia mais alguém ali, uma presença que Ichigo achara que não sentiria ali em Sereitei.

— Urahara-san!? O que faz aqui?

Urahara ajeitou seu chapéu da mesma maneira habitual e olhou para o céu.

— Kurosaki-san, eu não vivo mais na Soul Society, mas eu jamais deixaria esse lugar ser destruído.

— É, você tem razão, Urahara-san. Sabe, eu daria qualquer coisa para que essa guerra não acontecesse, pelo menos assim, eu poderia ir procurar meu filho.

*****

Rukia mantinha um semblante sério, embora sentisse que seu coração aos poucos estava se despedaçando, a cada passo que dava se sentia cada vez mais distante de sua família. Ichigo lutaria na sede do 12º esquadrão, Hisana na Central 46 e Kaien continuava desaparecido. Ela só queria que todos estivessem juntos de novo.

Seu grupo era responsável por defender o território do 2º esquadrão, juntos com os homens da Omnitsukido, era um dos maiores grupos formados, afinal, era no subterrâneo das terras do 2º esquadrão que estavam presos os maiores criminosos e traidores da Soul Society, inclusive Aizen Sousuke, que ainda pagava sua sentença.

Rukia sabia que não seria fácil a batalha que estava por vir, teriam que ser fortes, pois, se esses shinigamis acabarem sendo libertados, a chance de a Soul Society ganhar essa guerra passaria de pequena para impossível.

****

Uma borboleta infernal voava lindamente até a sede do 1º esquadrão, quando finalmente chegou até lá pousou sobre as mãos do mensageiro, imediatamente o rapaz ficou tenso, seu rosto perdeu a cor lentamente. Os capitães lhe lançaram um olhar de expectativa e ao mesmo tempo receio. Logo, ele lembrou-se de sua função.

— Comandante! Acaba de chegar uma mensagem!

— E o que ela diz? — perguntou Yamamoto sem temer a resposta, permanecia com um semblante impassivel apenas olhando o belo horizonte de Sereitei.

— Uma grande quantidade de hollows da classe adjuchas acaba de sair de uma Garganta e está cercando o grupo responsável pelo portão Norte!

Byakuya e Hitsugaya ficaram tensos. Seus filhos acabaram de entrar em uma guerra.

— Quem enviou essa mensagem?

— O líder do grupo, Abarai Renji, tenente do 6º esquadrão.

O comendante fechou os olhos e soltou um suspiro pesado.

— Então, finalmente começou...

*****

MUNDO REAL

— E então, está pronto Kaien? — perguntou Kyoichi.

Kaien estava sentado em sua posição habitual para meditar. Ambos estavam muito longe da cidade de Karakura, embora Kaien não soubesse exatamente que lugar era aquele onde estava, era apenas uma floresta bem alta, de onde era possível ver o horizonte. A quanto tempo não tinha uma vista dessas?

— Tem certeza que isso vai funcionar? A última vez que eu tentei meditar para entrar no meu Mundo Interior não deu muito certo.

— Ainda me resta uma pequena quantidade de poder, é isso que me permite continuar vivo, mesmo após tanto tempo...Vou usar esse poder que me resta para enfraquecer o selo que você possui.

Kaien logo compreendeu o que aquilo significava.

— Espera! E quanto a você? O que vai acontecer?

— Eu já vivi demais, Kaien. Vi coisas ruins, fiz coisas ruins, eu só quero morrer fazendo algo pelo bem do meu antigo lar, mesmo que seja tarde. Lembre-se tudo o que eu lhe falei, todas as informações que eu lhe passei serão úteis, é fácil controlá-lo, basta enxergar seu sofrimento e salvá-lo, só assim você conseguirá encontrar seu lado humano.

— Você não pode fazer isso Kyoi...! — não conseguiu terminar. Kyoichi tocou sua testa e foi como se sofresse um choque, a energia passava por todo seu corpo, logo, tudo ficou escuro e Kaien mergulhou em sua própria consciência.

“Uma pequena gota d'água caiu no rosto de Kaien, despertando-o. Ele fez um grande esforço para abrir os olhos, mas suas pálpebras estavam pesadas demais para serem abertas, por fim, decidiu continuar deitado até sua força retornar. Manteve os olhos fechados, tudo estava em silêncio, mas era possível ouvir o som das gotas caindo no chão.

Ficou concentrado apenas em ouvir o som das gotas d'água se chocando contra o chão áspero do lugar onde estava. Outra gota cai em seu rosto, ele não queria ficar deitado. Voltou a tentar abrir os olhos, dessa vez conseguiu, mas tudo o que viu foi o breu.

Uma escuridão interminável o rondava, acolhendo-o de uma maneira estranha. Kaien levantou a mão com dificuldade e tirou a água fria que escorria por seu rosto como lágrimas geladas e sujas. Suspirou.

O cheiro de mar invadiu suas narinas, e ele sentiu uma sensação familiar...Ficou ali, apenas deixando aquele cheiro lhe invadir...

Foi aí que se lembrou.

Arregalou os olhos, mas tudo o que viu foi à escuridão, mas era uma escuridão familiar. A umidade era familiar. O cheiro também.

Estava na caverna. A caverna que tanto temeu.

Ainda meio desnorteado, tentou se levantar. Sentiu seu corpo mole, não conseguia se manter firme no chão e cambaleava pelos cantos, segurando-se nas paredes úmidas e escorregadias da caverna em que morava seu hollow interior. Kaien sobressaltou-se.

O hollow morava ali, e ele estava indo em sua direção, procurando-o em meio ao breu. Tinha pouco tempo, a força de Kyoichi não duraria para sempre, precisava desfazer o selo. Sentiu uma pontada de tristeza e amargura, quando voltasse, Kyoichi não estaria mais vivo. Se tudo der certo, seria eternamente grato a ele.

Aos poucos, sentia que seu corpo ganhava força e equilíbrio. Agora Kaien conseguia andar normalmente, embora continuasse segurando as paredes da caverna para se guiar no meio do breu. Pensou no que fazer quando encontrasse o hollow. Kyoichi lhe dissera que era necessário trazer a alma do humano que se tornou hollow de volta, assim, sua consciência despertaria e o hollow o serviria se essa fosse a sua vontade. Mas isso não seria tão fácil. Kaien não fazia ideia do que dizer. O conselho de Kyoichi ecoou em sua mente.

— Para controlar seu hollow interior você precisa fazer com que sua máscara quebre sozinha. Para fazer isso, precisar fazer seu lado humano despertar. Quanto mais fazê-lo se lembrar da vida humana, melhor.

Kaien continuou andando em qualquer direção, sem saber aonde chegaria. O cheiro do mar aos poucos ia desaparecendo. A caverna era mais extensa do que ele imaginara. Ele quase escorregou, a umidade aumentava, deixando a caverna ainda mais lisa e escorregadia, mesmo estando cada vez mais distante do mar. Andou mais devagar, atento. A quanto tempo estava andando? Kaien grunhiu, precisava encontrar logo aquele hollow.

Por um instante achou que a caverna não teria fim. Tateou as paredes, tentando desesperadamente enxergar, mas não via nada.

Outro passo.

Não havia chão.

Ele cai em um enorme buraco.

Kaien gemeu de dor ao erguer-se lentamente, não fazia a menor ideia de que havia um buraco na caverna. Suas costas arderam, estavam arranhadas. Abriu os olhos com dificuldades e se assustou ao ver uma luz branca no fundo da caverna, era tão linda. Caminhou até a luz e viu que era uma pequena pedrinha. Ele se perguntou como algo tão belo podia estar em uma caverna tão imundo quanto aquela. De repente, sentiu sua presença sendo inibida pela da pedra.

Era como se sua existência fosse um nada perto dela...Sentia sua própria vontade desaparecendo, a pedra é forte...

Se afastou bruscamente da bela pedra com o coração palpitando freneticamente. Seja lá o que for aquilo, ele quer distância...Parou, atônito, ao ver uma figura pálida presa por corrente azuladas e brilhantes que continham reiatsu.

A criatura estava desacordada. A máscara estava exatamente da mesma maneira, a não ser pelo símbolo do selo que ficava na lateral esquerda do rosto.

Kaien sentiu um arrepio ao ver seu hollow interior depois de anos. Nunca o havia visto tão vulnerável. Se fosse o mesmo Kaien de alguns anos atrás, já teria o matado.

Ele sabia o que precisava fazer. Kyoichi deixara o selo enfraquecido agora bastava libertar o hollow e ele despertaria. Nunca imaginou que um dia estaria nessa situação: Libertando o hollow por vontade própria. Chegava a ser irônico.

Caminhou até a criatura adormecida que estava envolvida por correntes. Ergueu a mão e, com a ponta dos dedos, tocou a máscara de tanto lhe assombrou.

As correntes brilharam forte, a luz aumentava e Kaien logo se afastou. Sentiu as costas ferida bater na parede úmida da caverna, logo sentiu dor e ardência no local. A luz emitida era tão forte que Kaien usou as mãos para cobrir os olhos. Logo depois uma força invisível o fez cair de joelhos no chão. Sentia dentro de algo denso e pesado...

Reiatsu.

Ele havia despertado.

Uma risada maléfica cortou o ar e Kaien trincou os dentes com força. Odiava aquela risada.

— Eu sabia que um dia você me libertaria, mestre.

Um imenso peso que estava sobre si desapareceu e ele pôde, por fim, abrir os olhos. Viu o hollow ali, bem a sua frente. Se levantou, só então percebeu que ambos estavam do mesmo tamanho.

— Nossa, mestre. Você parece mais velho, ficou mais inteligente também?

Kaien fechou os punhos. Será que o hollow era sarcástico assim no lado humano também?

— O que foi mestre? Ficou mudo? Ah, não importa. Você deve ter tido um ótimo motivo para ter me libertado, sabia que você não aguentaria ser um humano para sempre. Bom, agora me diz, por que me libertou? É melhor caprichar na resposta porque serão suas últimas palavras.

“Então esse era o plano dele desde o começo, fazer eu selar Ryuu junto com ele, para que depois que eu voltasse atrás e o libertasse ele me matar, seria fácil já que estou vulnerável.” pensou Kaien. Suspirou, não iria ser fácil, mas precisava tentar. Sua vida estava em jogo.

— Sabe, tem sim um motivo pra eu estar aqui...

— Ah, finalmente resolveu falar... E então, qual seria esse motivo?

— Eu quero controlar seu poder.

O hollow ficou em silêncio por dois segundos, logo depois, gargalhou alto. Kaien apenas rezava para que o lado humano dele não fosse tão irritante assim. A risada do hollow ecoava por toda caverna, Kaien sentiu vontade de tapar os ouvidos.

— Mestre...- ele dizia em meio a gargalhadas. — Você ficou tão...Engraçado! Hahaha!

Mas Kaien não riu.

— Sabe, todos os hollow possuem uma parte humana dentro de si...Uma alma que sofre...

O hollow parou de rir instantaneamente e deu um passo para trás.

— Hm? Que idiotice é essa, garoto? — Rosnou o hollow.

Kaien ouviu um pequeno ruído e arregalou os olhos ao ver que a máscara agora, possuía uma pequena rachadura, quase imperceptível. Continuou:

— E ele não consegue conter esse lado humano quando ele começa a se manifestar... As memórias de seu sofrimento voltam, é impossível não sentir a dor dessa alma...

— Pare de dizer essas coisas ridículas, mestre! O que deu em você afinal!?

Outra rachadura, maior que a outra.

— E, por mais que eles se esforcem, a consciência humana é mais forte...

— CALA ESSA BOCA, SEU INÚTIL!

— Me deixe curar sua dor... Por que se esconde nessa forma de vasto lorde? Não deixe esse ódio domina-lo, mostre pra esse hollow que você é mais forte.

— PARE! QUER QUE EU TE MATE?

Os chifres demoníacos evaporaram. O hollow se afastava de Kaien com as mãos sobre a máscara. Kaien suspirou, agora viria a parte que ele classificou como a mais difícil. Limpou o coração de qualquer ódio e ressentimento que sentia.

— Eu...Eu estou disposto a perdoá-lo por tudo que fez. Tudo.

Um pedaço da máscara caiu no chão, mas Kaien não pôde ver o rosto do hollow, pois ele colocou as mãos para cobri-lo.

— Me diga, qual é a sua dor? Todos sofremos por alguma coisa. Pelo que você sofre?

— Pare...Maldito!

Kaien deu um passo a frente. O hollow foi para trás, ainda com as mãos cobrindo o rosto agora parcialmente coberto pela máscara que se deteriorava.

— Eu sou seu mestre e você precisa me obedecer. Por isso eu estou mandando que você se livre do ódio e venha até mim.

O hollow estendeu um dos braços, ainda de cabeça baixa, como se tentasse encontrar algo em que segurar.

— Mestre... — Sussurrou o hollow. Sua voz parecia quase amargurada. — ....pare com essa merda...

— Ah, só agora que eu lembrei. Qual é o seu nome?

O hollow caiu de joelhos, a máscara que sempre lhe cobriu o rosto evaporou completamente, revelando um jovem rapaz de cabelos lisos e tão negros quanto os seus; os olhos eram castanhos e rosto com traços suaves. Ele fitava o vazio como se estivesse inconsciente.

Kaien se surpreendeu. Foi rápido demais. Então, esse era o motivo do sofrimento do seu hollow interior? O nome?

O rapaz caiu no chão da caverna e, lentamente, virou a cabeça em direção à Kaien.

— M-mestre...? — A voz soou cansada mas era exatamente a mesma. Kaien logo estranhou a falta de sarcasmo e ignorância na voz. Sorriu.

— Yo. Bem-vindo. E então, qual é o seu nome?

O jovem suspirou antes de falar:

— Eu...Não tenho nome, mestre.

— Hum? Não tem nome?

O outro balançou a cabeça negativamente.

— Eu nunca vivi como um humano, mestre. Eu nasci junto com você e Hisana, além do mais, minha existência era um segredo que deveria ser guardado para sempre. Eu cresci junto com você, Kaien. Apesar de não parecer, eu nunca estive adormecido, mas eu não tinha poder nenhum para controla-lo, porque eu não tinha ódio. O tempo passou e eu sempre me perguntei, quem eu sou afinal? Mas nunca obtive resposta...É Torturante você nunca ser chamado por um nome... Por muito tempo eu imaginei como seria ser um humano pelo menos uma vez. E quanto mais os anos se passavam, mais eu se sentia confuso e perdido dentro de mim mesmo, não ter um nome ou uma vida é como não existir... Meu sofrimento transformou-se em ódio e este aumentou cada vez mais e foi graças a isso que eu evoluí e me tornei um vasto lorde.

Kaien ficou em silêncio, não sabia o que dizer. Como não pensou nisso antes? Seu hollow interior estava com ele desde o seu nascimento.

— Bom...Isso meio que torna você meu irmão, não é?

O hollow sem nome arregalou os olhos.

— Irmão...Como é ter um irmão?

— Eu tenho a Hisana, eu sempre quero protegê-la, embora a gente brigue de vez em quando.

— Hm...Mestre?

— Hum?

— Porque você libertou minha alma?

— Porque preciso da sua ajuda.

— Minha ajuda?

— Hai. A Soul Society está em guerra e preciso de seus poderes hollows.

— Quer que eu o ajude?

— Sim. Mas antes, eu queria perguntar uma coisa.

— O que?

— Qual era o seu objetivo?

— Meu objetivo?

— Sim.

— Queria assumir o controle sobre você e se libertar usando todo seu poder. Mas pra isso ele precisaria matá-lo aqui.

Foi quase a mesma coisa que aconteceu com Kyoichi. O vasto lorde que vivia dentro dele, Alucard, se libertou usando sua própria força.

– Obrigado, mestre.

— Hum? Pelo que? — Kaien ficou confuso.

— Por me libertar. É bom ter controle sobre meus próprios atos. Isso me torna mais perigoso ainda não é?

— Talvez. De qualquer forma, você está livre pra pensar do jeito que quiser. Se não estiver satisfeito em ficar preso aqui, então nós podemos arranjar uma solução...

— Não precisa. Eu vou continuar aqui nessa caverna, eu gosto daqui.

— Entendo — Kaien sentiu sua força esvair-se. — Meu tempo aqui está acabando...Ah! Quase ia esquecendo.

— O que? — perguntou o hollow, ainda deitado no chão, mas agora fitava o teto irregular da caverna.

— A partir de hoje, você se chamará Ren Kurosaki.

O hollow congelou. Seu mestre havia acabado de lhe dar um nome. De repente foi como se sua existência fosse finalmente reconhecida...Era como ter acabado de nascer...

— Ren...Esse é o meu nome?

— Hai! Bom, agora é melhor eu voltar, temos que lutar em uma guerra.

— Hai. Conta comigo.

— Tudo bem, Ren. Vou considerá-lo meu irmão, afinal, nascemos juntos, certo?

— Sim.

Kaien foi até o jovem e lhe estendeu a mão para que ele pudesse se levantar. Ren hesitou, surpreso mas logo aceitou a ajuda. Kaien, por sua vez, sentia como se tivesse acabado de vencer uma guerra que durou anos.

A guerra contra seu hollow interior.

Ren passou a mão sobre o rosto e a máscara voltou a cobri-lo. Logo depois tocou em Kaien e transferiu seu poder a ele.

— Hai! — Ele riu. — Chega desse drama desnecessário. Espero que não esteja enferrujado, garoto. Os inimigos são fortes!

Kaien sentiu uma pontada de tristeza ao escutar a palavra "garoto" sendo dita por Ren e não por Ryuu. Sacrificar seus poderes shinigami para sempre foi uma das coisas que ele teve que fazer para libertar seu hollow. Nunca poderia pedir perdão ao Ryuu, mas também não desistiria de encontrá-lo mais uma vez.

— Certo, vamos nessa!

Agora, tudo seria diferente.

Finalmente, as coisas virariam a seu favor.

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Portão Norte.

(Sereitei)

— HOERO ZABIMARU!!!

Renji golpeava o máximo de adjuchas que sua zanpakutou alcançava. Girava e desferia golpes rápido e precisos, mas eles eram muitos e vinham de todas as direções, portanto, era difícil se esquivar de todos os ataques e acabara com um dos braços ferido. Eles vinham de todas as direções sem parar... Era como uma chuva de hollows.

— Eles não param de vir! — Gritou Masaki enquanto colocava um escudo em volta dos shinigamis médicos, mas acabou sendo atingida e caiu no chão. Outro shinigami veio ajudá-la.

Ginrei estava alheio à situação dos outros shinigamis de seu grupo. Tudo que conseguia ver ao seu redor era hollows, estava cercado, mas continuava atacando e se defendendo com perfeição. Pulou sobre um dos adjuchas e tocou com a ponta do dedo indicador sua máscara.

— Hadou Nº 4...Byakurai!

O feixe de luz vermelho partiu a cabeça do hollow ao meio e logo seu corpo evaporou. Ginrei usou sua velocidade e pulou sobre outro adjucha cravando sua adaga na máscara, que quebrou em centenas de pedaços. Ele também evaporou.

Ninguém conseguia conter o Kuchiki.

— Venha e lute comigo...Suzelle! — Gritou Masaki enquanto se via entre um círculo de adjuchas, estava cansada, havia gastado reiatsu demais protegendo os médicos, agora se via sem saída. Sua reluzente zanpakutou brilhou ainda mais e se desmanchou, Suzelle apareceu. Os longos cabelos castanhos agora estavam presos e o olhar de Suzelle era sério e concentrado. Sua postura mudou completamente, agora ela era uma guerreira e mostraria seu poder.

A multidão de hollows pulou sobre Masaki e Suzelle que, juntas, criaram um escudo circular que as envolveu completamente. Masaki sentiu a pressão que os hollows faziam contra seu escudo, era muita força. Trincou os dentes e esforçou-se para manter o escudo intacto, mas, aos poucos estava perdendo sua força. Suzelle colocou mais reiatsu no escudo para diminuir o enorme esforço que sua mestra fazia.

O círculo de adjuchas parecia cada vez menor, Masaki e Suzelle se viam presas, mas logo a deusa das estrelas, Suzelle, fechou os olhos e foi como se o peso do mundo inteiro caíssem sobre os adjuchas que as cercavam.

Ela controlava a gravidade.

Pegou delicadamente nos ombros de Masaki e, como se o peso de seus corpos sumissem, elas levitaram e saíram de dentro do círculo mortal, que agora estava no chão, incapaz de se erguer.

Masaki estava prestes a agradecer a sua zanpakutou quando um grito a fez paralisar.

Os adjuchas haviam cercado Renji completamente e ele não pode se defender dos diversos Cero's que foram disparados em sua direção, a explosão foi grande e Renji cuspiu sangue. Seu braço direito foi completamente destroçado, havia sangue por todo o lado. Os adjuchas pularam sobre ele.

Sua reiatsu desapareceu.

Ele estava morto.

— RENJI-FUKUTAICHOU!!!- Gritou Masaki, logo correu até a multidão de hollows que pulavam sobre ele.

— Masaki, espere!!! É perigoso! — Gritou Suzelle, advertindo-a.

— Mas, temos que ajudá-lo!

— Não vai adiantar mestra...Não mais.

Ginrei parou sua performance impecável em combate ao ter certeza que a reiatsu de Renji havia desaparecido.Não é possível, pensou.

Com um giro conseguiu matar mais dois adjuchas. Estava prestes a ir até o corpo do tenente de seu esquadrão quando sangue atingiu seu rosto. Perplexo, Ginrei avistou vários membros de seu esquadrão terem seus membros arrancados, principalmente a cabeça. Havia sangue por todo lado.

Era um massacre.

Os adjuchas não paravam de descer dos céus como um terrível praga que nunca acabava.

Com uma das mãos, limpou o sangue de algum de seus companheiros que estava em seu rosto.

Como a batalha havia virado contra eles assim, de uma maneira para outra?

Voltou a olhar para frente em busca do corpo de Renji até que o encontrou, ao longe. Ele estava de bruços e os cabelos vermelhos estavam soltos e lhe cobriam o rosto. Estava sem o braço direito e seu corpo estava coberto de sangue. Viu uma sombra correr até ele, em meio aos adjuchas, logo a reconheceu.

Masaki.

Ela lutava para chegar até o tenente, acertando vários adjuchas com todo o poder que possuía, de soslaio viu Suzelle ajudando uma das médicas responsáveis pelo grupo se levantar, a perna da menina estava encoberta de sangue.

Mais um grito, que soou mais como um gemido de dor e agonia.

Lentamente, Ginrei virou a cabeça para ver o que nunca desejara em sua vida.

O enorme braço do adjucha atravessava a barriga de Masaki, erguendo-a no ar.

Seu coração congelou e se partiu em mil pedaços.

— MASAKI!!!

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Notas finais
Próximo capítulo: Aquela que Espalha a Vida. Eita *o* finalmente estamos chegando na etapa final antes da segunda temporada! Espero que estejam gostando XD Qualquer dúvida, opiniões e elogios deixem nos comentários!