Notas iniciais
Olha gente... Esse capítulo vai ser só uma introdução narrada pela Bonney, de como foi a história dela e do Ace. No próximo capítulo virá o Blaze-chan e tudo mais~

Sempre fui uma pessoa ruim de se lidar. Não tinha amor, era apenas uma escrava dos tenryuubitos com uma estadia melhor, por causa de meus poderes. Nunca fui amada, nem amei ninguém. Eu gostava da minha tripulação, mas não tinha grande afeto por nenhum deles. Por ninguém, mesmo depois de adulta.

Mas aí você chegou.

Chegou de uma maneira que me irritou muita, invadindo meu navio e comendo a comida da minha cozinha.

Lembro que fizemos uma competição de quem comia mais rápido, eu engasguei e você terminou primeiro, seu premio foi ficar no meu navio o tempo que quisesse.

Você ficou pouco tempo.

Odeio ser sentimental e parecer frágil, mas isso tenho que dizer...

Esse tempo foi o suficiente para você amolecer meu coração.

Mesmo que, dentre todas as nossas noites, apenas na ultima eu, por vontade própria, tenha dito que lhe amo, eu amava desde muitos dias.

Não sei o que vi em você. Até hoje mesmo, me pergunto o que foi. Não sei se foi esse seu jeito sonhador, ou se foi por esse rosto com sardas.

Realmente não sei.

Só sei que você foi a única pessoa mexeu comigo.

Sabe Ace... Eu nunca lhe contei. Uma vez, quando fui visitar o Barba-branca, ele me contou sobre você, o novato no navio. Eu olhei de longe, você parecia bem irritado, e de algum modo assustado, mas preferi não lhe perturbar.

Haha... Quem diria aquele garoto rebelde se tornaria o amor da minha vida.

Eu tentei me vingar, Ace. Tentei... Mas não era páreo para aquele maldito do Barba-negra. Ele ainda ousou perguntar se eu gostaria de me tornar sua amante! Mandei ele se foder!

E pra piorar, ele ainda chamou o meu pai.

Pai... Urgh, se é que posso chamá-lo assim. O fato é que eu passei um tempo em Impel Down.

Lá eu chorei demais em silencio. Doeu... Ah, doeu muito. Não estou falando da minha luta.

Estou falando de perder você.

Isso doeu demais em mim.

Nunca achei que choraria tanto pela morte de alguém que não fosse o Barba-branca...

Não fui a guerra pelo simples fato de que te conheço, você ficaria com muita raiva se eu fosse.

Me recompus, quando lembrei de seus palavras.

"Você é uma mulher forte, esperta e diferente, Bonney! Acho que foi por isso que me apaixonei! Hehe"

Tinha que mostrar para você que não iria me entregar.

Que não iria morfar ali como uma qualquer.

Como eu consegui uma brexa pela segurança do edifício ainda fraquejada pela invasão do seu irmão, eu fugi.

...Foi aí que vi que um de seus sonhos se tornou realidade.

Eu estava grávida.

A supernova, Jewelry Bonney, grávida do líder da segunda divisão dos piratas do Barba-Branca, com a recompensa de 500,000,000 de berries... Portgas D. Ace.

Tinha que proteger bem esse bebê.

Até que minha gestação foi calma, consegui ficar um tempo numa vilazinha. Não queria aumentar a idade do bebê. Não dentro de minha barriga.

Quando nasceu... Veio um menino. Sinceramente, a sua cara. Os cabelos eram da cor do meu, os olhos também, mas o resto todo era seu.

Lembrei-me de uma mulher muito gentil, do East Blue, que você tinha comentado comigo. A moça que, segundo você, te ensinou a ser educado.

Foi duro... Mas uma criança não sobreviveria muito tempo se ficasse comigo, que além de estar sem tripulação, estava mais vulnerável por estar com um bebê.

Por fim, depois de alguns meses navegando, cheguei ao East Blue. Tive que ameaçar bater em algumas pessoas pra conseguir informação de onde ela morava.

Até que consegui achar a casa.

– Você é a Makino?! — indagou a mulher, sentada na janela. Makino estava no sofá fazendo crochê, e se assustou.

– Quem é você? Espera... Eu já te vi em algum lugar... Você é Jewelry Bonney, certo?!

– É... Sou sim. — respondeu indiferente. Bonney percebeu que Makino encarava com curiosidade o "embrulho" em seus braços. — olha, Ace me contou que você era como uma irmã mais velha para ele. Quero que você cuide do nosso filho. — informou curta e grossa. Ela abriu o embrulho, e revelou o resto sereno do bebê de 7 meses de cabelos rosados,

A mulher arregalou os olhos.

– "Nosso"...? Então esse bebê é...

– Neto do rei dos piratas, filho de Portgas D. Ace, e da única mulher supernova, Jewelry Bonney... Espero que esteja disposta a criá-lo.

Makino se aproximou de vagar, e pegou a criança no colo, admirando-a.

– O criarei como meu próprio filho.

Aquela mulher...

Não a conheci muito bem, mas deu para ver em seus olhos...

...que ela saberia muito bem como criar nosso filho, Ace.

– Seu nome é Blaze.... Significa Chama. Para lembrar do pai.

– Portgas D. Blaze, hm... Adorei. — ela arrumou o bebê em seus braços, dando mais aconchego a ele. Olhou para cima, iria convidar Bonney para tomar um chá. Mas tudo que viu foi uma bolsa com algumas coisas do bebê, e um bilhete.

"Se eu sobreviver ao Novo Mundo, voltarei para vê-lo"

Espero que não tenha ficado irritado, Ace. Mas acho que você entende, somos piratas, mesmo que eu ame este bebê, não posso abandonar tudo para criá-lo. Nem mesmo se quisesse eu poderia.

"Mesmo que eu ame este bebê..."

É incrível a capacidade de uma mãe amar seu bebê. Mais incrível ainda é pra mim, que sequer amei alguém além de você.

Haha... As vezes eu fico imaginando se nós não fossemos piratas. Se fossemos um jovem casal com um filho, vivendo uma vida tranqüila, criando o Blaze...

Seria bom.

Mas melhor ainda são as aventuras que vivemos. No fundo eu queria até mesmo que você entrasse na minha tripulação e se tornasse meu imediato. Duvidava que você aceitaria, então nem disse nada.

Poderíamos ter deixado o Blaze com seu irmão... Não o mugiwara, e sim o Revolucionário Sabo. Lá nos revolucionários eles aceitam crianças, sabia?

Bem, Ace. A vida é assim.

Me arrependo de não ter ido à guerra. Eu queria muito ir.

Torci com todas as minhas forças para o barba-branca, o mugiwara, todos que estavam ali lutando para salvá-lo, obterem sucesso.

Mas foi em vão.

Você morreu.

Morrer...

Enquanto todas as pessoas comemoravam, eu chorava escondida.

É incrível esse mundo em que vivemos, não é?

É apenas ter o título de marinheiro que você já é reconhecido como uma boa pessoa.

É só se tornar um pirata, que você já é reconhecido como uma pessoa cruel e má.

Todos vêem as coisas dessa maneira, e quando um pirata famoso morre, como é no seu caso, todos comemoram. Mesmo sem saber quase nada sobre você.

Agora já é tarde para ficar se lamentando.

Eu só vim aqui mesmo para conversar um pouco com você.

É bom.

Isso me lembra as conversas que tínhamos enquanto víamos o nascer do sol.

Estou parecendo uma garotinha apaixonada falando essas coisas pra você.

Seria tão bom se eu pudesse vê-lo de novo, te tocar.

Mas é impossível.

Queria que houvesse um meio de você reviver.

...

Acho que já lhe contei tudo que tinha para dizer Ace. Agora vou ir pro mundo, tentar juntar uma nova tripulação para ir em direção ao novo mundo.

Tranquila por nosso filho estar bem, sã e salvo.

Lá vou eu, Ace.

Me deseje sorte.

Ah,

E eu te amo.

E assim, Bonney saiu caminhando dali, com lágrimas quentes escorrendo em seu rosto.

O que ela não sabia, era que a alma de Ace, que sempre estava ali, ouvindo quando alguém ia visitá-lo, mais uma vez estava lá.

– Desculpe por fazê-la sofrer, meu amor. Eu também te amo, Bonney. Demais... — ele sorri, com lágrimas escorrendo — Um filho... Se é assim, não precisa se preocupar. Eu ainda estou vivo.

Duas coisas em mim ainda vivem.

Nosso filho, Blaze...

...e meu amor por você, que é eterno.

Notas finais
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