Blanket Kick
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Notas iniciais
*2 DIAS PARA A VIAGEM*
Acordei cedo com Julia me balançando. Todas as meninas tinham dormido na minha casa, já que era a que morava mais perto do local do show. Ainda não acredito que estou sendo arrastada às 6 horas da manhã para ficar o dia inteiro em uma fila, esperando a apresentação do BTS. Se eu não fosse ficar um ano sem ver minhas amigas, com certeza teria dito não.
Enquanto tomava banho, comecei a pensar no dia anterior. Eu tinha ficado o dia inteiro com o Leo, já que hoje eu ficaria com as meninas. Nós fomos ao cinema e no meio do filme, enquanto eu comia a pipoca, senti meus dedos encostarem em uma caixinha de veludo. Olhei surpresa para o meu namorado, que tentava esconder um sorriso. Abri a embalagem e vi um lindo colar de prata com um pingente da letra "L". Quase chorei de emoção! Eu realmente não sei como vou fazer pra ficar todo esse tempo longe desse menino... meu coração apertou quando percebi que minha partida estava cada vez mais próxima.
—Mei, sai logo desse banho, menina! A gente tem que ir logo — Brenda gritou, batendo na porta do meu banheiro, interrompendo meus devaneios. Decidi não pensar em coisas tristes hoje, afinal essa é minha última saída com minhas amigas.
Sai do boxe, coloquei um short e uma camisa que a Julia tinha me emprestado, escrito "ARMY UNTIL THE END" e com uma foto dos meninos. Absolutamente não é meu estilo, mas não queria contrariar as garotas. Eu sou aquela garota que fica quietinha e aceita o ritmo que a banda toca. Odeio que os holofotes fiquem em mim e odeio confusão, então eu geralmente só aceito o que as pessoas me mandam fazer.
—Tá bom, gente, vamos logo pra lá — falei me dirigindo às outras quatro meninas na sala.
Pegamos um táxi até o estádio e ficamos por dez horas (D E Z H O R A S) na fila, em pé, no calor e com fome. Confesso que fiquei bem irritada e que considerei ir embora, mas valeu a pena. A vibe do lugar estava tão boa que quando a primeira música começou a tocar, eu nem me importei com a multidão me esmagando ou com o som exageradamente alto, só comecei a gritar e pular com minhas amigas. Devo admitir, eles são muito bons dançarinos e cantores. Eu sempre gostei mais do J-Hope e do Rap Monster, mas percebi que todos eles são realmente muito bonitos.
O show acabou e nós voltamos pra minha casa. Minha mãe queria conversar sobre o show, mas eu estava tão cansada que só deitei na cama e dormi.
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*1 DIA PARA A VIAGEM*
Acordei 15h do outro dia, com minha mãe me sacudindo dizendo que eu deveria aproveitar meu último dia no Brasil, já que eu viajaria no dia seguinte pela manhã. Tomo um banho correndo e saio pro shopping com ela, para comprar presentinhos para meu irmão Kwan e meu pai e algumas roupas pra mim.
Ai meu Deus, é amanhã! Começo a fica muito nervosa e minha ansiedade ataca. As horas parecem se arrastar e voar ao mesmo tempo. Me deito mas não consigo dormir;não consigo pensar em nada específico também. Quando o despertador toca, quase morro de excitação. Eu devo chegar ao aeroporto às 19h, mas por mim nós já estaríamos lá.
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*DIA DA VIAGEM*
Mamãe, como sempre, se atrasa e nós chegamos ao aeroporto por volta das 19h30. Comprei um refrigerante para tentar me distrair, mas é simplesmente impossível. Mando uma mensagem pro meu pai, avisando que em algumas horas embarcaria, mas ele não me responde. Quando o relógio bateu 20h em ponto, ouço várias risadas conhecidas e percebo que minhas amigas tinha vindo se despedir. Abraço todas, já sentindo saudades de cada uma delas. Brenda e Giovana estavam se debulhando em lágrimas junto de minha mãe. Eu ODEIO chorar em público; sempre achei que isso era um sinal de vulnerabilidade, mas o que eu posso fazer se vivo rodeada de pessoas emotivas?
Faltando 20 minutos pro embarque, veio um menino moreno com uns cachinhos muito fofos correndo em nossa direção, com um enorme buquê de rosas brancas. Leo!
—Ah! Ainda bem que... conseguir chegar... a tempo! Fiquei com... medo de só te ver... entrando no — ele disse esbaforido, com sua respiração ofegante cortando as palavras. Além das flores, ele me deu um chocolate e uns chicletes para que eu pudesse comer no avião. Sério, ainda não nasceu pessoa mais fofa e atenciosa que meu namorado.
—Passageiros do voo 3942: favor comparecer ao balcão de check-in para o embarque — uma voz estridente soou pelo salão. Socorro, é agora. Isso está realmente acontecendo. Dou um abraço nos meus avós, que também tinham chegado de última hora; dou um beijinho na Brenda, Julia e Giovana, que já estavam pedindo por notícias; quando me aproximo da Carol, vejo que ela colocou seus óculos escuros.
—Ah, não creio. Carol chorando?
—Cala a boca, sua chata. Fica bem, tá? E não se esquece de entrar no Skype todos os dias!
Abraço minha melhor amiga com força e ando até minha mãe, que estava tentando segurar as lágrimas.
—Esqueceu alguma coisa? Documento? Passaporte? Seu pai e seu irmão vão te buscar no aeroporto, né? Você quer desistir? Ainda dá tempo — ela falou tão rápido que quase não entendi. Minha mãe tem sido meu porto seguro por todos esses anos e vai ser difícil viver sem ela, mas eu preciso buscar minha independência. Abraço-a apertado, tentando tranquilizá-la.
—Mãe, tá tudo bem. Se cuida, tá? — dou um beijo em sua testa e me dirijo à pessoa que parecia mais abalada do que todas.
—Eu vou esperar por você, Mei, eu te prometo que vou.
—Eu também vou esperar por você, amor — chego mais perto dele e digo baixinho — Vou esperar por você até voltar pra podermos... você sabe — sussurrei, corando. Ele me puxa pra um beijo e eu me derreto em seus braços.
—Última chamada para o voo 3942. Repetindo: última chamada para o voo 3942.
Me solto do abraço de Leo, pego minhas malas e caminho até o portão de embarque. Dou uma última olhada para minha família e meus amigos. Droga, tenho que virar pra frente ou vou querer desistir. Com esse pensamento em mente, entrego minha passagem à atendente e entro no portão de embarque, deixando todos para trás.
Minha nova vida, minha vida coreana, começa agora...
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