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1 Nice to meet you, where you been?
Notas iniciais
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Capítulo I — Nice to meet you, where you been?
By Allison Reynolds
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Meu reflexo em um dos espelhos da entrada do velho apartamento indicavam que já tive dias melhores. A maquiagem borrada, os olhos de ressaca e os cabelos revoltos pelo vento eram apenas um mero detalhe se fosse considerar o cheiro forte de bebida que exalava de meu sobretudo vermelho.
Não que eu me importasse realmente com tudo aquilo.
Depois que a sua vida começa a desabar acompanhada por suas crenças, você apenas senta e observa os destroços, esperando, de alguma forma, ser retirada daquele poço que você mesmo construiu em volta de si.
Era mais ou menos assim que as coisas estavam andando. Ou talvez andariam se aquele envelope vermelho sangue não estivesse esperando-me logo na entrada.
Eu sabia o que era, apesar de há muito tempo não ver um. Mais precisamente desde a época que os Greengrass tinham alguma estima.
Isso foi há muito tempo, acredite.
Em um primeiro momento, enquanto rasgava o envelope para ter um vislumbre do papel creme, decidi apenas ignorar aquela tentativa falha do ministério de unir as famílias bruxas tradicionais da Europa. Sem qualquer dúvida aquela era apenas mais uma forma de se passarem por bons senhores, como se qualquer fato de uma guerra de alguns anos atrás tivessem sido apagados.
Enquanto meus olhos corriam as letras douradas e desenhadas do papel, um leve sentimento de nostalgia atingiu-me com a vinda das lembranças que as épocas de glória proporcionavam.
Eu sentia falta de possuir a seda dos vestidos emoldurando meu corpo, as diversas fragrâncias de perfumes, as jóias tão brilhantes quantos as estrelas que cobriam o céu naquele inverno. Sentia falta de um época que não voltava mais.
O espelho à minha frente não me deixava esquecer a minha real situação.
As noites eram as únicas coisas que restaram, talvez pela amnésia momentânea que diversas doses de Whiskey de fogo podiam proporcionar. Isso apenas para esquecer o buraco que abria-se mais e mais em minha vida, eu estava entrando em decadência.
Estava vazia, sem vida.
Como um último suspiro, meus olhos refletiram um brilho a muito tempo perdido. Convenci a mim mesma que eu merecia uma última noite com a velha glória de ser uma bruxa de sangue nobre, não que eu desse importância para isso nos tempos atuais.
Foi assim que meus saltos ecoaram pela entrada do salão do ministério, a seda do último vestido que me restara era como um abraço reconfortante. Eu conseguia ouvir a melodia de uma música clássica que a muito tempo não penetrava em meus ouvidos e, como se de uma hora para outra, meus dedos ansiavam por tocar algumas teclas de marfim.
O gosto do champagne era estranho em minha garganta, talvez por ter me acostumado com as doses fortes de bebidas baratas. O álcool que penetrava em minhas veias nem chagava a fazer cócegas, então eu tinha certeza de não estar louca ao sentir certos olhares sobre mim.
Matthew Smith não era o que eu podia chamar de amigo. Eu lembro que trocávamos alguns beijos no canto escuro da torre de astronomia, ou às vezes outras coisas mais na sala precisa. Nada que o motivasse a andar em minha direção para manter uma conversa casual, então, por um instante, torci para que não viesse em minha direção e que o fato de ele estar me encarando por diversos segundos tenha sido apenas uma impressão causada pelo meu ego infinitamente grande.
Bom, não era.
_Fiquei sabendo sobre seu pai, meus pêsames.
Eu não gostava da forma como ele falava, parecia que meu pai estava morto ou algo assim. Se bem que o fato de descobrir depois de anos que sua esposa o traía e isso resultar em um divórcio altamente abordado pela mídia fosse um bom motivo para se pensar em algo do tipo.
_Oh, tudo bem. Ele vai sobreviver, minha mãe é uma vaca. — Respondi com a voz polida e, até mesmo, um tanto irônica.
Sim, eu poderia ter utilizado palavras melhores para demonstrar todo o amor que meu coração guardava por minha mãe, mas todo esse tempo reclusa em meu apartamento sem as aulas de etiqueta das quais era forçada a frequentar me tornaram sincera — E eu não via isso como algo ruim, sinceramente.
Ele pareceu se assustar com minhas palavras pois engasgou-se levemente com a bebida. Logo ignorou minha ironia para dizer:
_Sobre seu pai eu não sei, Astória. Mas eu não sobrevivo a esta noite sem uma dança com você.
Eu teria negado, e até mesmo rido da cantada barata, se algumas colegas de Hogwarts não tivessem acenado animadas do outro lado do salão. Eu não tinha mais tanta paciência para pseudo-damas da alta sociedade como há algum tempo, toda aquela falsidade que exalava de seus peitos plastificados e de seus cabelos falsamente alisados eram demais para meu estômago segurar a bebida recém ingerida por mais de dois minutos.
Aguentei fortemente a mão de Matthew me conduzir em uma entediante e suave dança. Duas ou três vezes ele tentou manter uma conversa e perguntar sobre meu paradeiro, mas não dei espaço para tal intimidade.
Quando a música nos brindou com suas notas finais, respirei aliviada por ter me poupado de uma conversa extensa e fútil. Agradeci Matthew pela breve dança e pretendia voltar a me sentar sozinha e aproveitar de minha bebida, mas ele parecia ter planos diferentes dos meus.
Seus dedos seguraram meu pulso em um convite a iniciar uma nova dança. Tentei reunir toda a educação que me restava, fruto das aulas de etiqueta forçada, para me livrar de mais algun momentos ao seu lado.
Matthew era insistente.
Draco Malfoy ocupava uma mesa vazia com toda a elegância que seus dois anos de reclusão não poderiam fornacer. A verdade é que ele tinha um certo charme com aquele ar misterioso, como se estivesse sempre a planejar algo.
Com o canto de olho observei ele pousar suavemente a taça com líquido dourado e levantar-se ajustando o paletó em corpo. Ele se movia em minha direção, com um olhar determinado, como se quisesse concertar alguma coisa.
_Acho que a moça já deixou claro que não deseja sua companhia, Smith.
A voz de Draco era rouca e calma ao proferir as palavras, ele seria mais atraente se não tivesse sido companheiro de brincadeirinhas sexuais de Pansy Parkinson durante os anos de colégio. Ou, pelo menos, era isso o que minha irmã Dafne fazia questão de lembrar, uma vez que eu nunca cheguei a me interessar por essas questões triviais.
_E oque você tem a ver com isso, Malfoy? — Perguntou Matthew com um breve tom de repúdio em sua voz. — Nem deveria estar aqui, para começo de conversa.
Seu tom não era agradável, senti uma breve ânsia por responder àquelas palavras à altura, mas Draco foi mais rápido:
_Tem toda a razão, Smith. Com licença, Astória.
E com um aceno de cabeça retirou-se elegantemente do recinto. Eu não sabia por qual fato ficara mais surpresa: Se por Draco Malfoy saber meu primeiro nome, ou se por ter evitado entrar em uma discussão com Smith. Seja qual for, aposto que demandou um alto esforço mental para ambas as coisas.
Ao longe, eu ainda escuta Smith se gabar por qualquer feito que sua pouca idade permitia que tivesse conquistado. A verdade é que minha atenção estava nas costas do Malfoy, que se afastava aos poucos para o exterior do salão.
Aquilo me deixou um tanto incomodada. Sua reação à expressão de Matthew, sua tentativa frustrada de me livrar de companhias indesejadas... Não fazia muito o seu tipo.
Não que eu fosse íntima do Malfoy para saber sobre sua personalidade, mas recebi tantos relatos de minha irmã que me considerava sua irmã siamesa.
20 segundos. Foi o tempo que hesitei antes de totalmente ignorar Smith e ir atrás de Draco. Seus cabelos loiros em contraste com a noite escura não era dificil de ser localizado. Tive que chamar por seu nome duas, três vezes antes de ser atendida. A expressão em seu rosto era de desconfiança e confusão.
Quando parei à sua frente, percebi que não tinha realmente alguma coisa para dizer. Minha vida era movida por impulsos insanos, algo que ainda não tinha explicação.
_Ãhn, Obrigada por ajudar a me livrar de Matthew. — Improvisei com a voz um tanto ofegante pela breve corrida.
Ele arqueou uma das sobrancelhas:
_De nada. — Respondeu com descaso. — Não que eu tenha ajudado muito, seu amigo parece não gostar de mim. Não que precise de muito para isso.
_Ele não é meu amigo.
O silêncio pairou entre nós tão denso quanto o ar frio que penetrava minhas narinas. Ele não disse mais nada, apenas acenou e começou a se afastar a passos lentos. Eu não me movi, continuei ali, focalizando na enorme fonte que existia na entrada, então me surpreendi com sua voz, poucos segundos depois, perguntando se eu precisava de companhia para chegar em casa.
Eu não precisava de uma babá, eu sabia aparatar em qualquer lugar perto de meu apartamento e caminhar sem ser roubada ou estuprada, eu era uma bruxa afinal. Mas algo me impeliu a acenar positivamente com a cabeça, como uma criança em choque.
Ele esperou eu me aproximar para caminharmos até um local seguro para aparatar. Draco não era de falar, percebi. Mas aquilo não me incomodava, eu apreciava o silêncio, não era algo constrangedor ou desconfortável. Era neutro.
_Como você sabe meu nome? — Perguntei sem me com ter.
Ele me encarou, sua expressão querendo dizer o óbvio:
_Não lembro muito de você em Hogwarts, mas sei que é irmã da Dafne. A irmã mais nova que se tornara a ovelha negra ao entrar para a Corvinal. — Colocou as mãos nos bolsos. — Eu lembro de ela sempre reclamar de você. Era chato. Dafne é chata, na verdade.
Eu tive que rir. Sim, ele tinha toda a razão, Dafne conseguia ser uma pessoa intragável, era legal ver ele reconhecer isso e eu finalmente acreditar que eu concordar com isso não era apenas uma birra de irmã mais nova.
_E ela fica cada vez mais intragável quando a conhece. — Falei, ácida.
Ele arriscou um meio sorriso, foi estranho porque nunca tinha visto o Malfoy sorrir, era como se isso fosse humanamente impossível para ele.
_Sabe de uma coisa? — Continuei. — Você está me devendo uma dança.
Suas sobrancelhas se arquearam com o meu comentário, como se o fato de ele dever alguma coisa fosse novidade. Ainda mais dever alguma coisa a mim.
_Segundo ano. — Expliquei. — Você era um tanto metido naquela época. Durante o baile de inverno, lembra? Seu amigo, Blaise, eu acho, disse que você dançaria com a garota que conseguisse roubar uma garrafa de Whisky de fogo para batizar o ponche. Eu era um tanto tonta naquela época, então acabei ganhando.
Draco piscou algumas vezes, como que lembrando do evento em questão.
_Foi assim que ele conseguiu aquela garrafa? — Perguntou um tanto atordoado. — Tenho que te agradecer, Astória. Você me presenteou com meu primeiro porre.
Ele não tinha qualquer vida na voz para um evento adolescente tão importante, mas parecia um tanto menos infeliz do que há alguns minutos, quando me defendeu de Matthew.
_De nada, oras. — Sorri.
Quando nossos passos finalmente nos levaram ao beco escuro, estendi minha mão para ele, logo sentindo a conhecida sensação de náuseas e ouvidos entupidos que a aparatação me causava. Segurei seu braço por mais alguns instantes antes de finalmente conseguir me equilibrar nos saltos.
Eu sempre odiei aparatar.
Nos encaramos por alguns instantes na frente de meu prédio decadente. Ele não fez qualquer tipo de pergunta sobre a minha moradia, o que agradeci. Ele suspirou antes de murmurar um “Adeus, Astória” e dar meia volta, provavelmente indo para casa.
Enquanto procurava a chave em minha bolsinha de mão, me surpreendi mais uma vez com um toque suave em meu ombro.
_Sabe de uma coisa? — Começou Draco em uma voz que me pareceu um tanto nervosa. — Eu estou seriamente tentando me livrar de qualquer dívida do passado. De verdade. Então... se eu estou te devendo uma dança, bom, eu vou pagar. Quem sabe em alguma próxima festa do ministério, ou...
Ele suspirou, sem saber como continuar.
_Vou esperar então. — Sorri.
Ele apenas confirmou com a cabeça e, mais uma vez, murmurou uma despedida.
Observei seu andar calmo pela calçada pensando que talvez mais uma festa dos bons senhores do ministério não fosse ser uma má ideia.
Eu não tinha nada a perder, afinal.
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