Blade Of Fate

10 The Snow of the Hero


– Argh...! – o homem gritava, após ter a espada atravessada em seu peito.


Isaac retirou a espada, guardando-a. O seu trabalho estava feito. No local que o homem havia lhe direcionado – um estranho templo, culto de algo certamente não aceito pela sociedade – ele havia matado todos. Eram vários magos, então ofereceram alguma resistência, porém nada que ele não pudesse lidar com. Antes de sair e dar o trabalho como cumprido, ele resolve explorar o tempo, procurar por sobreviventes ou alguma coisa que seja de valor para vender depois.

Ele estava mexendo em uma pequena bancada, quando algo chama a sua atenção.

Uma pequena adaga. Era negra, assim como a espada Greyveil, ou seja, também feita de Dark Ore. Ela estava com algumas rachaduras aqui e ali, além de estar quebrada em alguns pedaços – não havia como ser usada. Porém, algo atraiu o ruivo para aquela adaga, sem pensar duas vezes, ele a guardou no seu cinto. Saindo do templo, ele começa a pensar no próximo destino.


– Agora terei que ir a Bergsink. – ele começou a pensar. – Pegar suprimentos para o resto da viagem.


Isaac estava absorto em seus pensamentos, até que algo molhado cai em sua cabeça, ele olha para cima, e se surpreende com o que estava acontecendo.


– Neve...? – ele elevou a mão, como para sentir os pequenos flocos de neve que caíam em cima dele. – Mas aqui não deveria nevar...


Observando que estava começando a nevar mais forte, ele resolve correr para Bergsink, antes que seja muito tarde. Por sorte, Bergsink não era muito longe do local que ele estava, mas quando ele chegou, notou que ele estava errado sobre não nevar. A cidade estaca coberta de neve, como se não tivesse visto o Sol durante muito tempo. Telhados brancos, assim como as ruas, e ao longe, um grande castelo acinzentado.


– A escola de magia de Bergsink. – ele suspirou por um momento. – Perda de tempo...


Ao longe, Isaac vê um grupo de velhos conversando. Se aproximando, ele consegue ouvir um pouco da conversa.


– Dizem que é tudo por causa daquela caverna...! – o ruivo se aproximou, interrompendo a conversa.

– Desculpe-me, mas podem me dizer o porquê dessa nevasca?


Os senhores se assustaram com o jovem que subitamente aparecera. Eles hesitaram, dando passos para trás. Uma voz vinda de trás de Isaac se dirige a ele.


– Começou a alguns meses atrás. – era um homem elfo, alto e de barba-mal feita negra, assim como seus cabelos curtos. – Uma caverna apareceu fora da cidade, e logo depois, uma nevasca interminável. Desde então, os ataques viraram comuns...

– Ataques?

– Sim... Hordas de esqueletos vivos... – o homem então parou, e esticando a mão, continuou. – Desculpe pela minha grosseira! Eu sou Neil, professor na Escola de Magia!

– Huh... – Isaac hesitou, mas logo aceitou o cumprimento, inventando uma pequena mentira. – Eu sou Isaac, viajante.

– Muito prazer, Isaac! É uma pena, porém, que nossa cidade tenha tão pouco a oferecer a viajantes como você... Huh?


A conversa foi interrompida por um barulho de sinos extremamente alto que ecoava pela cidade. Rapidamente, soldados de Bergsink apareceram, enquanto os poucos civis que estavam nas ruas procuravam refúgio em suas casas.


– O que é isso? – perguntou o mercenário, olhando para Neil.

– São eles... – o professor então gritou para alguns soldados que estavam perto. – Bloqueiem a entrada central, não deixem nenhum passar! – ele se virou para Isaac. – Você deve se proteger. Vá até a Escola de Magia e busque proteção lá!

– Não. – ele respondeu, dando um passo para frente. – Eu vou ajudar.

– Bem, se deseja isso... Venha comigo!


Neil correu para uma das entradas da cidade, e Isaac o seguiu. Chegando lá, alguns soldados já estavam lutando com o que parecia improvável – exércitos de mortos-vivos. Entre os vários soldados, dois claramente se destacavam. Um deles, que ia para cima dos inimigos com um grande machado, e outro que lhe dava suporte com um arco.


– Aaaaaaagh! – gritava o primeiro homem, de cabelos e barba negras e compridas. Ele rapidamente cortou um dos seus inimigos com o machado, e, pouco antes de outro lhe atacar, uma flecha pode ser vista perfurando-o.

– Hey! Johan! – exclamava o outro. Ele era aparentemente mais jovem, mais ou menos da idade de Isaac. Cabelos castanhos ligeiramente compridos e barba rala. – Tome cuidado! Você não vai querer morrer para esses caras!

– Vê se fica quieto, Greg! Eu estou bem aqui!

– Heh... – Greg suspirou. – Sempre o mesmo idiota... Huh?


Naquele momento, um morto-vivo conseguiu se esgueirar para atrás de Greg, e rapidamente lhe acertou o braço, não deixando espaço para o homem escapar, o que o fez logo cair no chão, deixando seu arco também cair.


– Droga... – ele pôs a mão direita sobre seu ferimento, encarando o monstro que gritava algumas palavras impossíveis de entender.

– Greg! – Johan tentou sair de onde estava, mas travada pela grande quantidade de mortos-vivos que o cercaram. – Droga...


O monstro ia atacar Greg, mas logo Isaac se mexeu, e dando um corte rápido com sua espada de mithril, conseguiu cortar a cabeça do ser, fazendo com que o esqueleto rapidamente caísse no chão.


– Hey, você está bem? – disse o ruivo, oferecendo a mão para o arqueiro.

– Haha... Sim, estou. – ele respondeu, aceitando a ajuda para levantar. – Obrigado.

– Greg! – Johan havia acabado com o restante dos esqueletos, e finalmente apareceu para ver o amigo. – Tudo bem com você?

– Tudo certo, Johan. Não precisa se preocupar.

– Olha, mas esse ferimento não é pouca coisa... – Neil se aproximava dos três, com um olhar pensativo. Ele logo se vira para um soldado que já descansava, lhe chamando a atenção. – Vá chamar a Anna, por favor.


O soldado apenas fez um movimento com a cabeça, concordando, e logo saiu, realizar o que lhe havia sido pedido.


– Sr. Neil! Não é necessário! – Greg falava para o velho, tentando convence-lo. – Eu estou bem! Argh! – ele foi travado pelo soco que Johan havia lhe dado em seu braço, o que fez a dor se agravar.

– Isso prova que você não está bem, esperto. – o homem suspirou e logo se dirigiu a Isaac. – E obrigado a você, estranho, por salvar meu parceiro idiota. – ele então ergue a mão para um cumprimento. – Eu sou Johan, autoproclamado berseker. E este é meu amigo e companheiro de viagens, Greg.

– Eu sou Isaac Greyveil. Viajante.

– Um viajante por essas partes, huh? – disse Greg. – Provavelmente está interessado nos acontecimentos dos últimos tempos, não?

– Mais ou menos... O que exatamente está acontecendo aqui?

– É difícil de explicar, eu e Greg chegamos aqui a dois meses e resolvemos ficar para ajudar as pessoas da cidade. Infelizmente, não temos informações do que pode ter ocorrido para a cidade ficar assim....

– Se é informações que vocês querem. – Neil começou, atraindo a atenção dos três. – Eu consegui algumas novas enquanto pesquisava sobre os ocorridos... – ele então olhou seriamente para eles. – Mas eu precisarei da ajuda de vocês.


Eles ficaram ali, no silêncio, por alguns segundos, até que uma voz feminina gritava o nome de um dos homens.


– Professor Neil! – a garota que chegava em um grande manto branco que cobria todo seu corpo, e que deixava somente o seu rosto e algumas mechas de seus cabelos loiros a mostra. Ela se aproxima de Neil, e, o olhando com seus grandes olhos azuis, começa a falar. – O senhor me chamou?

– Sim, Anna. – ele se virou para Greg. – Ele se machucou seriamente no último confronto com os esqueletos. Você pode cura-lo?


A garota deu um sorriso, fechando os olhos e fazendo um sinal de positivo com a cabeça. Enquanto isso, Isaac começou a pensar.


– Essa garota... Anna... Aonde eu já ouvi esse nome...?


– E então, Sr. Gregory, consegue mexer o braço? – ela perguntou, já terminando de curar o braço dele.

– Sim, Sra. Anna! – ele disse, movimentando o braço em círculos, como se para testa-lo. – Muito melhor agora!

– Então, se você já se recuperou... – o professor se aproximou. – Me sigam por favor. – os quatro começaram a segui-lo, mas ele logo se virou e olhou para Anna. – Você não, Anna. O que eu vou falar com Johan, Greg e Isaac é confidencial.

– Hmpf... – ela fez um bochecho de irritação, mas logo aceitou as palavras do professor e parou de segui-los.


Após alguns minutos, os quatro já estavam sentados numa mesa no escritório de Neil. Era um escritório muito bem preparado para um mero professor, e Isaac começou a ter suas dúvidas sobre a ocupação do elfo. Entretanto, ele não teve tempo de aliviar suas preocupações, porque Neil já começou a falar.


– Então, sobre os incidentes que andam ocorrendo... Creio que vocês ouviram alguns rumores na cidade.

– Várias pessoas estão dizendo que tem a ver com uma caverna que apareceu misteriosamente aqui perto... – Johan disse. – Mas são apenas rumores.

– Mas esses rumores... São a pura verdade. – os três levaram um pequeno espanto, mas logo voltaram aos olhares sérios. – Pelas minhas pesquisas, existe uma grande fonte de energia vinda da caverna. Pode ser esse o motivo da neve e dos esqueletos.

– Mas... Como essa energia começou? Não faz muito sentido ela simplesmente aparecer do nada! – Greg falou, um pouco exaltado.

– Vocês podem rir de mim pelo que eu vou falar... Mas eu acho que tem a ver com a lenda de Nate Riversoul.

– Nate Riversoul? – Johan perguntou, tentando se lembrar melhor do assunto. – Não é aquele cavaleiro que salvou Celes séculos atrás?

– Ele mesmo. – Neil respondeu. – A lenda de Nate Riversoul é falha em muitos aspectos, por isso nenhum historiador tem realmente certeza do que aconteceu naquela época. Coisas como quem era Nate Riversoul ou os seus seguidores ainda são um mistério para nós.

– Mas aonde aparece a ligação entre a lenda e o que estamos enfrentando aqui?

– ... – o homem parou, silenciando-se por alguns segundos. Ele olhou para a janela, aonde a neve ainda caia por entre os telhados de Bergsink. – Zack Silversun.

– Zack Silversun? – perguntou Isaac. – Quem é esse?

– Temos razões para acreditar que ele era um dos seguidores e amigos de Nate Riversoul. Zack foi um dos primeiros líderes do clã Silversun, e também um dos mais importantes. Um homem frio como o gelo e leve como a água. Um ser diferenciado. – ele novamente olhou para os três outros que estavam na sala. – Creio que o espírito dele tenha acordado.


O espanto dessa vez foi maior. Um espírito acordar é coisa de estórias imaginárias e fantasiosas, não da vida real. Entretanto, era difícil não acreditar em Neil, especialmente pelo olhar sério que ele fazia.


– E aonde nós entramos nisso...? – os três olharam para Isaac, que já havia retomado a calma. “É para ele a solução para o problema mais importante que a própria causa?” era o que pensavam. – Você não nos trouxe até aqui e falou tudo isso apenas para nos deixar informados, não é? O que nós temos que fazer? Qual é a nossa parte nisso?


Neil riu. Aquele garoto havia visto por entre ele. Talvez ele fosse bom em fazer isso? Ou talvez já tivesse passado por algo parecido? Não. Ao olhar nos olhos de Isaac, o elfo percebeu que ali só tinha uma frieza que poderia congelar até mesmo o gelo.


– Eu preciso de guerreiros fortes para ir até a caverna. Por isso trouxe vocês dois. – ele olhou rapidamente para Johan e Greg. – Já você, Isaac... Eu quero que você me conte o que sabe sobre Nate Riversoul.

– E porque você acha que eu sei algo sobre ele?

– Porque você é um Greyveil. – ele fechou os olhos, pensando nas suas próximas palavras. – Os Greyveils foram uma das famílias mais poderosas durante a primeira guerra. Creio que eles devem ter tido contato com Riversoul, mesmo que um pouco.

– Infelizmente, mesmo que esse cavaleiro tivesse ligações com os Greyveils, eu não sei de nada.

– É uma pena. – ele então se levantou, indo em direção a Isaac. – Então não há mais porque você ficar aqui. Pode seguir seu caminho.

– Me deixe ajudar vocês. – aquelas palavras fizeram um pequeno sorriso abrir no rosto de Neil. – Porém eu quero algo em troca também.

– Diga o que quer e será dado, sem problemas.

– Dinheiro. Apenas isso.

– Hoho... Ganancioso, hein? – ele então começou a andar até a porta. – Vamos nos aprontar, então?

– Antes, pode me responder uma pergunta?

– Claro.

– Porque você que está cuidando disso, e não o Senhor da cidade? E porque um simples “professor”?

– Bom... – ele suspirou levemente. – Bergsink é controlada pela escola de magia... O diretor da escola é considerado o líder da cidade. E pode se dizer que eu sou o tal diretor.

– Foi o que eu pensei. – Isaac riu levemente. – Vamos então.


Eles aprontaram tudo que precisariam para chegar até a caverna, próxima a Bergsink. No salão de entrada da escola, Neil havia reunido, além dos três mercenários, cinco de seus melhores alunos para ajudar na luta, além de alguns poucos soldados da cidade.


– Senhores. – disse Neil para os mercenários. – Estes são alguns de meus melhores alunos. São exatamente o poder de fogo que precisamos para explorarmos a caverna.


Neil logo seguiu com um mini discurso sobre o que iriam procurar na caverna. Sobre ela ser a raiz dos problemas da cidade, entre outras coisas. Isaac, um pouco afastado, notou um pequeno ser que vestia um grande manto que cobria todo seu corpo, incluindo seu rosto. Este ser, ao notar o mercenário o observando, se escondeu rapidamente.


– Isaac, tudo bem? – Johan perguntou, notando o olhar fixo do ruivo.

– Sim, tudo bem...


Logo após aquilo, eles começaram a seguir para caverna. Foi decidido que Johan e os soldados iriam na frente, como primeira linha de ataque, com os vários magos no meio, e com Isaac e Greg na retaguarda, fazendo assim um pequeno “círculo” entre os magos.

Isaac levou o tempo da viagem até a tal caverna observando a natureza a sua volta. O gelo tinha destruído as plantas, de ambientes quentes, e deixou vários animais recolhidos em suas casas – alguns ficaram sem elas por causa da neve. Voltando a sua atenção ao grupo, ele percebe algo. Se virando para Greg, ele pergunta.


– Greg, sobre os alunos do Neil...

– O que tem eles?

– Não eram... Apenas cinco? – ele apontou para o grupo que ia pouco a sua frente.

– Realmente. – respondeu o arqueiro, franzindo a testa. – Talvez um que tenha chegado atrasado tenha se juntado ao grupo, nunca se sabe.

– Talvez...


Eles continuaram andando pelo caminho que seguia pela neve até uma grande montanha. “Haildusk”, o ruivo pensou, lembrando que Gale mencionou ela como o único lugar que ele poderia concertar a espada Greyveil. Ignorando-a, ele segue o caminho junto do grupo até um lado mais obscuro da montanha. Nesse lado, uma caverna estreita poderia ser vista.


– É aqui. – disse Neil, parando todos do grupo. – Nós tivemos sorte de não termos encontrado nenhum monstro no caminho, mas todo cuidado é pouco lá dentro. – ele foi respondido com um movimento de cabeça coletivo do grupo. – Certo, nosso objetivo é achar o motivo dessa neve. Fiquem juntos e não lutem sozinhos!


Um a um, os soldados, juntos de Johan foram entrando, logo, Greg e os magos também entraram. Mais atrás, porém, um dos últimos magos parou, frente a entrada da caverna.


– Vamos lá, ou não vai alcançar os outros. – Isaac disse, se aproximando do mago.

– Huh... Heh... Eu... – a voz feminina era meio nervosa.

– Hmpf... – ele suspirou baixinho. – Venha comigo.


Ele pegou a garota pela mão, a puxando para dentro da caverna, apesar dos pequenos murmúrios, provavelmente de protesto, feitos por ela. Adentrando a caverna, eles percebem o quão escura ela era, a ponto da visão, mesmo com as tochas que os soldados levavam, ser muito reduzida.


O que podia ser visto, porém, não parecia ser uma formação natural. Alguns pilares e estatuas deixavam claro que aquele local havia tido alguma presença de um ser vivo.


– Hmm... – Neil começou a observar uma das estatuas. – Pela arquitetura das peças... Isso deve ser de mais ou menos 500 anos atrás...

– Então não tem nada a ver com o tal Zack, não é? – falou Greg, um pouco mais atrás.

– Não sabemos ainda. Essa caverna com certeza é misteriosa.


Eles voltaram a andar pelo caminho reto que adentrava o local. Atrás, Isaac dava pequenos empurrõezinhos para a maga andar, o que ela fazia com relutância.


– Você podia parar de me empurrar. – ela disse, se virando levemente para o ruivo, ainda com o capuz cobrindo sua cabeça.

– Mas de que outro jeito você andaria? Não me parece que consegue fazer isso por conta própria.

– Ah é?! – ela aumentou um pouco a voz e começou a correr em direção ao grupo, que estava ligeiramente mais na frente. No meio do caminho dela, um pequeno “click” pode ser ouvido. – Huh?

– Droga. Cuidado!


Isaac saltou, pegando a garota antes que o chão desmoronasse em baixo de seus pés. Neil, Greg, Johan e os outros, ouvindo o barulho, voltaram para ver o que tinha acontecido. Eles encontraram um grande buraco no meio do chão.


– Isaac? Você está bem? – Johan gritou.

– Sim! – de baixo, o garoto gritou de volta. – Acho que nós ativamos uma armadilha!

– Nós? – Neil se aproximou do buraco. – Mas quem está aí com você?

– Hmm... – ele olhou para a garota que tentava se levantar ao seu lado. – Uma das suas alunas, Neil!

– Huh? – o velho mago olhou para o lado, vendo os seus cinco estudantes ali, meio confusos, e voltou-se para o buraco. – Mas Isaac, todos os meus alunos estão aqui!

– O que? – o ruivo novamente olhou para a maga, que deixou seu capuz cair, revelando seus olhos azuis e seus longos cabelos loiros. – Espera, você não é....

– Anna... – ela falou baixinho, hesitando um pouco nas palavras. – Knoll.

– Você é a garota que curou o Greg, mais cedo!

– O que?! – Neil gritou, ouvindo as palavras de Isaac. – Anna, você está aí?!

– S-sim! – ela gritou, ainda hesitando.

– Porque diabos você fez isso, garota?! – o homem não conseguia se acalmar, mesmo com Johan tentando segura-lo, para que esse não caísse. – Você tem ideia da encrenca que está metida?

– M-me desculpe, professor! – Anna então baixou um pouco a cabeça. – Mas eu queria vir também...

– Droga, Anna! Você sabe que não pode fazer isso!


O silêncio então reinou por alguns minutos, até que Isaac o cortou.


– Eu cuido dela.

– Huh? – a garota olhou para ele.

– Isaac, você vai mesmo fazer isso? – perguntou Neil.

– Sim. – ele respondeu, seco.

– Então tá. – o professor suspirou levemente. – Vou confiar em você. Por favor cuide dela. – Isaac respondeu com um movimento de cabeça, que não poderia ser visto por Neil.

– Mas mais importante... – começou Johan. – Vocês tem como sair daí? Afinal, é perigoso simplesmente tentarmos tira-los daí sem saber o quão profundo é.

– Hmmm.... – Isaac criou uma pequena chama na sua mão, iluminando levemente o local. – Tem uma galeria que sai daqui. Pode ser que consigamos algo seguindo por ela.

– Certo. – Greg falou. – Então nós nos encontramos depois.

– Sim. Boa sorte para vocês.

– O mesmo para vocês.


Dando uns últimos boas sortes, o grupo de cima continuou o caminho que seguia antes de ser interrompido. Embaixo, Isaac começava a andar pela galeria que lhe aparecia.


– Vamos. – ele disse para Anna, olhando de canto para a garota.

– Sim... – ela hesitou por alguns segundos, mas continuou. – Obrigado, senhor.

– Não sou senhor. – ele continuou. – Isaac Greyveil é meu nome.

– Eu sou Anna Si... Knoll.

– Certo, Anna. Vamos lá.


Os dois seguiram a galeria ligeiramente estreita por alguns minutos, até uma pequena abertura por qual uma luz azul passava chamar a atenção do ruivo. Fazendo um movimento, ele sinalizou para que ela o seguisse.


– Wow...! – os dois exclamaram, observando o local que eles estavam.


O local tinha uma aura calma e serena, com luzes azuis que iluminavam um altar que continha uma bandeira vermelha com uma espada. O altar também tinha um cetro de pedra preso no meio, como uma estátua, e um tipo de pedra no meio.


– Mas o que é isso...? – a garota perguntou, mesmo não esperando resposta.

– Eu acho que... – ele tentou falar, observando melhor o local, mas foi impedido por uma dor de cabeça forte que o tomou. – Argh...

– Isaac! Você está bem?!


Ela se aproximou do garoto, que começa a se ajoelhar e levar as mãos à cabeça, numa dor horrível. Do nada, uma voz começou a ecoar na cabeça dele.


“Inhaber der stein, hore meinen ruf.” Era o que a voz dizia, numa linguagem estranha. Isaac sentiu dor atrás de dor, até que ele finalmente gritou.


– NÃOOO!


E perdeu a consciência, caindo na frente do altar.


“Inhaber der Stein, hore meinen ruf. Gesicht das shicksal des schwertes.”


Hear my cry. The fate of the sword.


This is the end – and the beginning.



Fim do capítulo.