Blade Of Fate
11 Stone of Ice
Igreja de Goldensgreek. Uma noite de tempestade.
Era uma grande sala que estava quase que totalmente escura, com apenas alguns raios de luz de velas em cima de uma grande mesa redonda. Esses raios iluminavam cerca de quinze homens encapuzados que se sentavam na tal mesa.
– Você já falou com o Greyveil? – perguntava um deles, se direcionando a outro.
– Sim. Ele provavelmente já deve ter terminado a esta hora. – respondeu. – Você tem certeza que isso vai funcionar, padre?
– A guerra civil, a destruição de Saigos, a profanação do templo... – ele começou. – Tudo está em ordem! Ele logo vai-!
O diálogo foi interrompido por um barulho de porta abrindo bruscamente, revelando uma silhueta entre a chuva e os relâmpagos.
– Quem é você? Se identifique! – disse um dos homens encapuzados, se levantando.
– Hehe... – o homem abriu um sorriso sarcástico, e, olhando para trás, continuou. – Vamos. Não deixem nenhum vivo.
De trás dele, seis seres entraram no local. Minutos depois, tudo o que as velas iluminavam eram o sangue que saíam dos corpos encapuzados sem vida, que abraçavam o chão.
Sentado numa das cadeiras, com as pernas em cima da mesa, o homem abria um sorriso que só podia ser visto pelos agora frequentes relâmpagos, enquanto brincava com a cabeça ensanguentada do padre, se divertindo com as piadas sarcásticas e negras que contava para si mesmo, até um dos seres que lhe acompanhava interromper suas risadas.
– Todos estão mortos. – dizia a voz grossa. – E agora? – o homem só o olhou com uma cara séria, mas logo voltou a rir.
– Você é muito sério. Devia relaxar um pouco. – os dois continuaram se olhando. – Agora vem a parte difícil. Teremos que viajar.
– Para onde?
O homem parou por um segundo, logo olhando para a janela mais próxima, admirando a chuva. Um relâmpago logo se formou, iluminando o sorriso irônico e os olhos vermelhos sangue do homem.
– Ageon.
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– Huuh... – Isaac começava a abrir os olhos, já notando um par de olhos azuis que o fitava, preocupados. — ... Anna...?
– Isaac! Você está bem!
– Por quanto tempo apaguei? – ele começou a se levantar, percebendo estar no mesmo templo de antes.
– Não foi por muito tempo... 15 minutos no máximo.
O ruivo ficou de pé e começou a andar em direção ao altar no meio da sala. Ele finalmente notou a pedra azul que se encontrava em cima do tal altar.
– Essa pedra... – ele pensou, levando a mão a pedra. – Talvez...
Isaac aproximou sua mão a rocha azul, mas um pequeno raio de energia o fez retira-la.
– Ai. – ele deu um pequeno grito de dor. – Estranho.
Observando novamente a pedra, ele se vira para Anna, que somente observava.
– Tente pega-la. – ele disse, abrindo espaço para ela.
– Huh? – ela se espantou. – Mas porquê?
– Apenas faça o que eu diga. Confia.
A garota, meio relutante, seguiu até o altar e tornou-se rapidamente para Isaac, o ruivo só fez um movimento de positivo com a cabeça. Anna ergueu a mão, pegando a pedra azul e trazendo para junto de si.
– Uma safira... – comentou baixinho, e logo se virou novamente para Isaac. – E agora?
– Vamos sair daqui. – ele disse, se virando para a porta. – Temos que encontrar o resto do grupo.
– Sim! – ela respondeu, seguindo-o.
– Ela pegou a pedra tão facilmente... – ele pensou. – Tem algo estranho com essa garota.
Um pouco distante da dupla, o grupo formado por Greg, Johan, Neil e os magos da escola de magia estava explorando a caverna, embora sem sucesso em achar qualquer coisa interessante ou importante.
– A quanto tempo estamos andando? – reclamou Greg, suspirando.
– Não faz nem uma hora ainda, Greg! – Johan respondeu, com um pouco de raiva na voz, o que fez Greg se calar.
– Mas isso é muito estranho... – Neil começou, levando a mão ao rosto. – Nós não encontramos nenhum monstro durante todo nosso tempo aqui.
Os outros olharam para Neil, e depois entre eles mesmos. Todos sabiam que aquela situação não era esperada, afinal, a cidade já havia sido atacada por milhares de esqueletos nos últimos meses, só que o local de onde eles supostamente viriam, que deveria estar cheio desses mortos-vivos, está vazio. É um pouco surreal.
– E o que você acha que devemos fazer, Neil? – Johan perguntou, se aproximando do professor. – Quer voltar para a cidade?
– Nós temos que achar Isaac e Anna, mas seria mais fácil com mais gente... Bem... – O elfo já estava decidindo o que fazer, quando um de seus aprendizes o interrompeu.
– Olhe! – ele apontou para uma abertura, aonde uma luz branca podia ser vista. – Deve ter algo lá!
– Hmm... – Neil pensou, observando a luz que da abertura saia. – Vamos ver aquilo, depois voltamos à cidade pedir ajuda.
Todos concordaram e seguiram Neil pelo caminho até a luz. A sala aonde a luz pairava era grande e continha vários tronos, como uma sala de algum tipo de organização secreta.
O grupo começou a observar o local melhor, notando que, em um dos tronos, um esqueleto, que tinha uma espécie de coroa em sua cabeça, se mantinha imóvel, morto.
– Bom, pelo menos achamos algum desses esqueletos, não é mesmo? – brincou Greg, ironizando a situação.
– Esse esqueleto... – Neil começou a falar, atraindo a atenção dos outros para si. – Será ele de Zach Silversun?
O professor se aproximou do trono, observando o morto. Porém, antes de conseguir descobrir qualquer informação sobre o corpo, o elfo ouve alguns barulhos estranhos.
– Grrrr...
– O que foi isso? – perguntou Johan, notando o recuo de Neil.
– Sinto que não devemos ficar mais aqui. – o temor era visível na voz do professor, enquanto este se distanciava.
Os outros entenderem que ele não estava brincando, e decidiram sair do local o mais rápido possível.
– Grrr... Não sairão...
O grupo tentou fugir pelo mesmo portão pelo qual entraram, mas quando se aproximaram, o portão fechou, impossibilitando a passagem deles.
– O que houve?! – Johan e Greg gritaram, enquanto tentavam abrir o portão, sem sucesso.
– Vocês nunca sairão... Nunca!
A voz que ecoava pela sala era fria e sem vida. Eles se viraram, notando que o esqueleto que até estava sentado, começava a se mexer.
– Grrr... – o ser começava a se levantar, até ficar completamente ereto. – Meus sacrifícios... Todos estão aqui!
O esqueleto ergueu sua mão, magicamente aparecendo um grande cetro que ele começou a manejar. Ele apontou-o ao grupo, soltando um forte relâmpago, que eles rapidamente conseguiram defender com uma magia de barreira conjunta feita pelos magos.
– Magia de trovão... – Neil falou, preparando-se para contra-atacar. – Johan, Greg, se preparem!
– Certo!
– Pode deixar, chefe!
Os dois entraram em posição, com Johan na frente, socando seu machado, e Greg, mais atrás, com seu arco em mãos.
– Hehe... Haha! – o esqueleto começou a rir loucamente, logo levantando o cetro que emanava uma luz. – Vamos, meus servos!
Com apenas aquele gesto, esqueletos começaram a aparecer na sala em que antes não havia nenhum. Esses seres pegaram suas armas e começaram a ir em direção ao grupo, fazendo grunhidos grotescos a cada passo.
– Hurgh... – Greg se virou para o resto, um leve olhar de preocupação. – E agora...?
– Nós lutamos, Greg! – Johan pegou seu machado, colocando-o em posição de luta. – Não é como se tivéssemos escolha.
Os magos olharam entre si, logo se virando para os esqueletos, preparando magias variadas.
– Vejo que realmente não temos escolha... – Neil falou, enquanto criava uma pequena esfera azul em sua mão. – Vamos lá.
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Isaac e Anna estavam andando a algum tempo, enquanto procuravam por uma saída daquele local. Eles continuaram assim por alguns minutos, até ouvirem um alto barulho.
– Você ouviu isso? – disse Isaac, parando e olhando para a garota. – Parecem... explosões...
– Vem de lá, não? – Anna apontou para uma abertura na esquerda, aonde variadas luzes poderiam ser avistadas.
Os dois foram até o local da abertura, e olhando por uma pequena brecha dela, puderam ver de onde a luz vinha.
– Mas o que?! – Isaac falou, espantado.
– É o grupo do professor Neil! – disse Anna, ao seu lado.
Neil, Johan e Greg estavam num canto da sala, ajoelhados e com vários machucados. Perto deles, podia ser ver corpos de magos e soldados de Bergsink. E logo à frente dos três, aquele enorme esqueleto andante que, com seu cetro, usava suas magias de relâmpago constantemente, enquanto Neil rebatia com suas magias de ar.
– Ele é muito forte... – Neil parou por um segundo para retomar o ar, afinal, a batalha era difícil. – Agora entendo porque ele era um dos seguidores de Nate Riversoul... Esse poder...
– Temos algum jeito de vencê-lo? – perguntou Greg, ao seu lado.
– Quase nenhuma. – o professor respondeu. – Eu não tenho como aguentar para sempre, as magias dele são muito poderosas.
– Professor! – gritou Anna, chamando atenção do trio na sala, que prontamente olhou para a abertura e, consequentemente, avistou a dupla. – Estamos aqui!
– Anna! – Neil gritou de volta, com um olhar misto de preocupação e raiva. – Isaac, pegue a Anna e saiam daqui! É perigoso demais!
– Mas professor...!
– Você ouviu o velho, Anna. – Isaac falou, puxando ela pelo ombro. – Vamos antes que aquele monstro pare para perceber que estamos aqui!
– Eu não vou deixar o professor, Isaac!
Isaac tentava, mas a garota não saia da brecha. Logo, o esqueleto conseguiu achar o local de onde vinham aqueles “pequenos zumbidos” de incomodação. E olhando para a brecha, voltou a falar.
– Mais sacrifícios... Apenas esperem enquanto eu termino com ess—Huh?
Ele parou, olhando para a Anna que retrucava com Isaac. O esqueleto fitou dentro dos olhos de Anna, e começou a perder a calma, andando em direção a ela.
– Você.... VOCÊ...!
– Anna, Isaac, cuidado! – gritou Greg, vendo que os dois não haviam notado o monstro se movendo pela sala.
Eles mal tiveram tempo de entender as palavras de Greg antes que aquela parede que separava os dois do esqueleto viesse abaixo. Tanto Isaac quanto Anna acabaram caindo no chão pelo impacto, com o demônio olhando para Anna com uma expressão raivosa.
– Você... Após tanto tempo... Você voltou...
– Huh? O que você quer dizer? – Anna perguntou, olhando para ele.
– Você, seu maldito... DEVE MORRER!
O monstro ergueu seu cajado, invocando mais relâmpagos para irem atacar Anna. Porém, no momento que eles iam acerta-la, uma barreira de fogo os parou.
– Droga... – Isaac resmungou, entre os dois. – Eu realmente queria ter simplesmente saído daqui sem maiores problemas... – ele fez um movimento de braço, quebrando tanto a barreira de fogo quanto os relâmpagos. – Mas pelo visto vou ter que acabar com uma pilha de ossos primeiro.
– Você também está aqui, Greyveil... AAAAAAAAAAAARGH!
O esqueleto começava a perder o controle, e criava relâmpagos sem parar. Isaac conseguiu proteger tanto ele mesmo quanto Anna com outra barreira de fogo, mas infelizmente ele não conseguiria aguentar por muito mais tempo.
– O que aconteceu com esse cara?! – ele falou, retirando a Icegale com a mão que não estava controlando a barreira. – Parece que ele enlouqueceu!
– Ele vai acabar destruindo esse templo, e nós vamos ser soterrados aqui embaixo, Isaac! – gritou Neil, que também defendia Greg e Johan com outra barreira, só que de vento. – Nós precisamos derrota-lo agora!
– E como você pretende fazer isso, Neil?! Não me parece que ele tem lá muitas fraquezas!
– Ataque-o com sua magia de fogo, eu farei o mesmo com a minha de vento! – o professor então levantou a outra mão, criando um pequeno redemoinho ao redor do esqueleto.
– Eu espero que isso dê certo... – Isaac rapidamente guardou a Icegale, também levantando a mão para botar fogo ao redor do redemoinho de Neil.
– Agora, Anna! – gritou Neil.
– Huh? – a garota foi pega de surpresa, como se não tivesse entendido.
– Agora é sua vez, você pode usar aquilo agora!
– Ah! Certo, professor!
A elfa abaixou a cabeça, começando a recitar algumas palavras. Logo após ela terminar as palavras, levantou suas mãos em direção ao esqueleto, e gritou.
– Liberte-se! Aqua Bolt!
Uma grande quantidade de água apareceu em pleno ar, sobrepondo as magias de fogo e vento, e usando-as como receptor para criar um grande tornado de água. Dava para ver, pelo rosto de Anna, que o esforço necessário para aquela magia era grande.
– Agora! Exploda!
Assim com as palavras dela, o tornado explodiu. A água que ali estava queimou cada uma de suas próprias partículas, queimando junto delas também o corpo do esqueleto enraivecido que ali estava. Antes de finalmente desaparecer, uma frase pode ser ouvida.
– Mago da água... Quando eu retornar, você sentirá minha ira! ARRRRRRGH!
Em apenas alguns segundos, a sala ficou limpa. Tirando a quantidade de corpos e esqueletos no chão, era como se nada tivesse acontecido.
– Conseguimos? – perguntou Greg, meio incrédulo.
– Eles conseguiram, Greg, não nós. – disse Johan, com uma certa tristeza na voz. – Não fomos de muita utilidade para você, professor.
– Não diga isso, Johan. Sem vocês, nada poderia ter sido feito... – ele então olhou para os corpos dos soldados e de seus aprendizes. – E também sem vocês... Obrigado.
De repente, novos barulhos começaram a ser ouvidos, mas dessa vez eles foram acompanhados de pedras caindo pelos vários locais.
– Esse local vai desabar! – Isaac gritou. – Precisamos sair daqui!
– Certo! – Neil tomou a frente, correndo pela agora aberta porta que ali estava. – Me sigam!
O grupo conseguiu sair da caverna antes que a entrada fosse totalmente selada pelas pedras. Do lado de fora, aos pés da montanha Haildusk, eles pararam por um momento.
– Podemos dizer que a situação realmente foi resolvido. – Neil disse, observando a caverna. – Os esqueletos não viram mais. Obrigado a todos que deram suas vidas para que esse momento chegasse.
– Como você pode ter certeza disso? – Isaac chegou do seu lado. – Aquele “esqueleto rei” pode não ter sido o responsável por isso.
Neil não tinha realmente pensado naquela hipótese. Tristeza novamente se postou no seu rosto ao pensar que todos os sacrifícios dos seus companheiros foram todos em vão. Porém, no pequeno silêncio que se formou, uma voz falou. Uma voz calma, ingênua mas decidida.
– Não. Realmente acabou. – disse a garota de cabelos loiros, olhando para os quatro homens.
– E como você tem certeza? – o ruivo redirecionou a pergunta a ela.
– É que... – Anna parou por um momento, então pegou a pedra azul que Isaac havia a mandado segurar. – Ele disse que acabou... Eu sinto que esse foi o último dos esqueletos.
– “Ele”?
– Hah! – ela riu, dando um pulinho. – Finalmente acabou! Finalmente Bergsink está salva!
Neil, Greg e Johan se juntaram a ela nas pequenas risadas e sorrisos, enquanto Isaac ainda olhava, incrédulo, para a garota.
– “Ele” ...? – ele pegou a espada Greyveil de seu cinto, olhando para a pedra vermelha no centro. – O que exatamente essas pedras significam, e qual são os seus poderes...?
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A festa tomou conta da cidade. Luzes, danças, bebidas e comidas eram vistas de um canto a outro. A neve, que pairava pela cidade fazia meses, finalmente havia parado, e o calor voltou a ocorrer naquela noite para os moradores de Bergsink.
No meio da festa, Anna parecia procurar por alguém que não encontrava. Ela o havia procurado em todos os lugares possíveis, mas o garoto de cabelos ruivos não tinha sido visto por nenhuma das pessoas que ela havia perguntado para.
Finalmente ela vê uma sombra andando lentamente na saída da cidade. A elfa corre até lá, notando os cabelos vermelhos e o casaco negro da figura.
– Isaac! – ela grita, chamando a atenção do ladrão.
– Anna? – Isaac se virou para ela. – O que você faz aqui? Não devia estar junto com os outros?
– Eu que deveria perguntar isso para você! Porque não está na festa?
– Eu não tenho tempo a perder, infelizmente. Tenho que continuar minha viagem, já perdi tempo demais.
– Ah, entendo... – ela abaixa a cabeça.
– Foi bom te conhecer, Anna. – Isaac disse, fazendo a garota novamente levantar a cabeça. – Talvez um dia nos encontremos novamente.
– Sim! – ela grita, criando um grande sorriso no rosto. – Nós veremos novamente, Isaac! É uma promessa!
Ele apenas ri e segue seu caminho pela estrada, cuja neve que antes a cobria finalmente começava a derreter.
– Próxima parada... Ageon.
Fim do Capítulo
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